Artigos - 8ª Tradição

"Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não-profissional, embora nossos centros de serviços possam contratar funcionários especializados." 

Espiritual como é, o A. A. continua muito deste mundo. A Oitava Tradição, como a Sétima, focaliza uma palavra comum de oito letras que, na realidade, não é mencionada em nenhuma das duas: dinheiro. Muitos de nós tivemos de explicar a algum interessado cínico que só acredita nos valores materiais: "Não. Não sou assistente social, estou fazendo isto porque é a melhor maneira de eu mesmo permanecer sóbrio. Isto, naturalmente, não significa que a ideia de se tornar profissional nunca tenha passado pela cabeça de qualquer A. A.. Nos anos magros, Bill W. chegou a pensar em se tornar um terapeuta leigo, para ganhar dinheiro através de sua experiência em ajudar alcoólatra. Mas, com uma forte cutucada da consciência do grupo percebeu logo que nunca poderia dependurar um letreiro com esses dizeres: "Bill W: terapeuta de A. A.. CR$ 200,00 a hora!". Ficou claro, para os primeiros membros, que nenhum AA jamais deveria pedir ou aceitar pagamento por "levar esta mensagem a outra pessoa, pessoalmente, frente a frente."

Mas novas questões surgiram quando o numero de membros aumentou e a mensagem de esperança se espalhou, levando milhares de alcoólatras a procura do A. A.. Os primeiros escritórios Intergrupais ou centrais geralmente eram cuidados por A. As voluntários; agora, a maioria desses escritórios esta de tal modo assoberbado, que se precisa de empregados em regime de tempo integral. Os A. As estão, naturalmente, mais aptos para tais tarefas do que os não-membros. Mas então estes A. As estão sendo pagos para executar trabalhos do Décimo Segundo Passo? Não. No escritório, eles estão apenas preparando c caminho para este trabalho. Arranjando a internamento de um ébrio doente, dizendo a um tremulo recém-chegado a encontrar a reunião mais perto naquela noite, eles estão ajudando esses alcoólatras a receber a mensagem "pessoalmente e frente a frente". Um desenvolvimento semelhante ocorreu na "matriz" da irmandade de um exíguo escritório para o cofundador (Bill) e uma secretaria, ela cresceu e transformou-se no atual Escritório de Serviços Gerais norte americano, com um quadro pessoal completo, e uma grande sala de correspondência, mantendo abertas as linhas de comunicação com o A. A. no mundo inteiro. Os empregados, tanto os A. As como as não-alcoólatras, são pagos numa escala comparável aquelas das empresas que visam a lucros, de modo que o pessoal do escritório possa trabalhar profissionalmente e os A. As componentes do quadro de pessoal estão exatamente na mesma posição dos A. As empregados nas intergrupais. Num dia que você estiver em São Paulo, suponhamos que você apareça no ESG.

Um funcionário que para a seu trabalho, a fim de conversar com você, poderá, estar trabalhando na Conferencia do próximo ano, ou correspondendo com grupos de sua Área, ajudando-os a levar a mensagem de modo mais eficiente. Para isto, ele é pago no fim do mês. Mas, você poderá ouvi-lo dizer a outro funcionário que ira levar um novato para o seu grupo, naquela noite, e para isto ele é pago com a continuação de sua sobriedade. Nestas tarefas de escritório e outras atribuições,os membros, na realidade, são pagos pelos seus serviços e habilidades profissionais. Trabalhando a mesa do Escritório de Serviços Gerais, em livros e livretes aprovados peia Conferencia, ou na publicação do Boletim Nacional, estes A. As usam as suas habilidades como correspondentes, gerentes, escritores, editores, artistas e revisores, bem coma o seu conhecimento do A. A. internamente. Às vezes, voluntários tem oferecido tempo a talento para todos esses serviços, e suas contribuições são muito apreciadas. Mas o que aconteceria se a Irmandade decidisse que todas as atribuições deste tipo tivessem de ser executadas somente por voluntários não remunerados? Atualmente, em A. A. existe um bom volume de trabalho para ser feito nas horas vagas, aqui e ali, e apenas os ricos ou aposentados teriam condições de trabalhar em regime de tempo integral. Se tentássemos encontrar, nesse grupo limitado, pessoas aptas para tarefas especiais, obviamente a campo estreitaria na malaria das vezes, ate não sobrar absolutamente ninguém.

Haveria outro problema no emprego de voluntários apenas: parece ingratidão, ou, pelo menos, é indelicado, criticar cu rejeitar urn serviço feito de graça. Mas, serviços para o A. A. que são pagos, passam par urn exame muito rigoroso. Consideramos nossa literatura, por exemplo. Qualquer que seja o assunto, queremos estar certos de que cada trecho expresse tão claramente, quanto possível, o ponto de vista da consciência de grupo do A. A. como um todo. Assim, qualquer projeto novo deve, primeiramente, ser aprovado pela Conferencia. Uma vez em andamento este projeto, o Comitê de Literatura da Junta de Serviços Gerais fica corn a atenção voltada para ele, em todas as suas fases. Muitas vezes, mudanças drásticas são exigidas. 0 produto "acabado" então deve receber o visto tanto daquele Comitê como do Comitê de literatura da Conferência, e outras revisões são muitas vezes necessárias. "Espere ai" – algum veterano poderá interromper. "O que está havendo aqui? O Dr. Bob não disse: "Conservemos isto simples"?".

* Ciclo das Doze Tradições - outubro de 2003 - Leopoldina - MG