DP - A.A. on-line X Vivência

Depoimento feminino de A.A. (Alcoólicos Anônimos)

Recuperação a um clique "Como começou meu contato com AABR e minha caminhada como alcoólica em recuperação. "Algumas vinte e quatro horas mais e depois de muitas tentativas para estar melhor, consigo falar da minha recuperação e como ela tem acontecido.
Conheci A.A. há alguns anos, porque alguém tinha problema com a bebida, eu não. Voltei a A.A. há alguns meses, porque alguém precisou que eu fosse, mas eu não precisava. Voltei a A.A, por uma questão de utilidade e, dessa vez, encontrei minha necessidade de ajuda, algo a princípio assustador para mim, pela clareza encontrada e exposta em uma sala de reunião e a descoberta da doença do alcoolismo em mim, até então nada percebido em meu contato anterior.

Percebi que me encontrava no fundo de poço emocional, que as tentativas de me anestesiar bebendo só me levavam a mais desconforto e a ingerir mais álcool. Assim, eu passava madrugadas e finais de semana inteiros na internet, peregrinando, de chat em chat, tentando encontrar algo que preenchesse um vazio, e quanto mais tentava diminuir, mais o sentia imenso, mais caía em minha maior dificuldade, que é de relacionamento. Tentando superar isso, mas burlando as barreiras do respeito próprio, o álcool foi meu aliado. Agarrei-me a ele como um meio fácil de superar minha dificuldade, ainda que temporariamente.
Em uma reunião presencial, ouvi um companheiro dizer como vinha passando suas noites, em casa, e em uma sala de A.A. na internet. Vejo agora que, muito mais que uma consciência, aí começou também meu despertar espiritual. Começou meu contato com AABR e minha caminhada como alcoólica em recuperação. Não sabia o que esperar de um chat de A.A., mas saber que existia, me deu novo ânimo para tentar, confiança para buscar, coragem para mudar.
Afinal, estava já há alguns dias sem ingerir álcool, mas não sem evitar comportamentos e ações de antes. Fui recebida e apresentada ao grupo on line AABR, com o mesmo acolhimento de "um cara a cara" e foi onde pela primeira vez como AA, e em um chat, pude e consegui falar de mim e ser entendida, respeitada, levada a sério.
Nem mesmo eu conseguia isso naquele momento e me ajudaram a resgatar a dignidade de um ser humano decente que podia ser, mas que havia ficado distante, que estava deixando se esvair pelos "cabos de uma conexão", por uma escolha insuficiente, uma opção, para mim e naquele momento, facilitadora da minha constante insatisfação. Com a desconfiança e dificuldade de me abrir e me soltar, me mostraram que eu podia estar ali como eu fosse, "muda" ou falante, alegre ou triste, entendendo ou não o programa.

Que só bastaria para a ajuda acontecer a minha vontade; ouvir, não beber por 24 horas e falar quando quisesse, em qualquer momento, de mim e dos meus sentimentos. Fazer meu depoimento como em uma reunião presencial. 

Toda vez que me sento diante do computador estabeleço minha conexão com a internet; basta um dique, um movimento, uma mudança de página e a escolha está feita. Isso devolve a mim o que foi difícil: admitir no Primeiro Passo, mais que minha impotência, a perda de controle sobre minha própria vida. Cresci muito nos últimos meses, me libertando; conseguindo não ficar tão desconfiada perto das pessoas e abrir minha vida à ajuda possível em A.A., como jamais havia feito.

Estou conseguindo baixar a guarda; passando a gostar da minha companhia. Sinto ainda muito medo de me afastar novamente; medo que diminua a proximidade que hoje compartilho. Minha esperança se renova a cada reunião, a cada mensagem lida na lista e a cada entrada e conversa no chat do AABR, ainda que eu pouco ou nada fale. 

Nunca saio como entrei; no final estou sempre melhor; posso rir, chorar e estarei bem, ficarei bem ali, comigo, com as pessoas, em qualquer lugar. Tenho uma doença, sempre terei, mas sei que posso detê-la, porque também venho conhecendo pessoas que lutam contra ela com sucesso todos os dias, mas tem que partir de mim, sóbria e melhor. Estou aprendendo a me ver como pessoa, não mais e só como um problema de comportamento.

Sinto-me nas mãos do Poder Superior que vem me devolvendo a sanidade e a Irmandade de Alcoólicos Anônimos que me encaminha ao encontro da serenidade e sobriedade. AABR foi meu ponto de encontro com o princípio e a prática do programa, princípios estes, que me levaram às descobertas e crescimento espiritual. E assim, a um dique, minha recuperação continua e também acontece.

(Vivência n° 94 Março/Abril 2003)


Depoimento feminino de A.A. (Alcoólicos Anônimos)