Artigos - A consciência de grupo é um conceito fundamental!

A Consciência de Grupo é um dos princípios que diferencia nossa Irmandade de outros movimentos

É provável que a maioria de nós membros, ainda divaguemos sobre “Consciência de Grupo” de Alcoólicos Anônimos, sobre o que isso realmente significa para a saúde estrutural e espiritual de nossa Irmandade. “Consciência de Grupo” é um conceito que se tornou parte fundamental para o funcionamento de nossa Irmandade desde seus primeiros dias.

É um conceito que Bill W. tirou sua inspiração de movimentos anteriores à Alcoólicos Anônimos, entre eles: os Grupos Oxford, isto é, o hábito de depender da “Consciência de Grupo”. Sua primeira aplicação prática na Irmandade aconteceu em 1937, antes que o movimento completasse o seu terceiro ano de existência, e antes mesmo que ele ganhasse seu nome definitivo, Bill W. fez questão de deixar registrado na Segunda Tradição de Alcoólicos Anônimos, a história da profunda negativa que o primeiro Grupo de Nova Iorque lhe deu; ao saber da tentadora proposta que Charlie B. o dono do Towns Hospital lhe fez; para que ele, Bill, fosse trabalhar como ‘terapeuta leigo’ em seu hospital ganhando muito dinheiro. E apesar do aperto financeiro pelo qual Bill estava passando, o Grupo fez objeção a que seu cofundador os abandonasse para tornar-se um membro profissional. Bill não aceitou o trabalho, submetendo-se ao posicionamento tomado pela pequena, mas decisiva consciência coletiva presente naquela reunião.

É certo imaginar que muitos dos que vão ler esse trabalho já conhecem bem essa história. Mas também é correto pensar que muitos só ouviram falar, e que outros nem sequer ouviram. Assim sendo, eu penso ser prudente compartilhar com os leitores membros, ou não; pequenos trechos do próprio Bill W. narrando sobre essa primeira decisão tomada a partir do questionamento “de um dos membros do Grupo.” Os trechos que vou transcrever, estão nas páginas 91/92 do livro Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade, a décima quarta impressão de 1989, num comentário feito por Bill W. sobre a Segunda Tradição, e que juntos eles dizem exatamente assim: “Charlie foi até sua escrivaninha e voltou com um antigo balanço financeiro. Entregando-o a mim, continuou dizendo: “Isto mostra os lucros desse hospital no princípio de 1930. Milhares de dólares por mês. O mesmo deveria estar acontecendo agora, mas não está. Estaria se você viesse ajudar. Porque você não transfere o seu trabalho para cá? Eu lhe daria um escritório, uma boa conta corrente e uma grande parte dos lucros. O que lhe proponho é perfeitamente válido do ponto de vista da ética. “Você pode se tornar terapeuta leigo e terá maior sucesso do que qualquer outro.” Ele me convenceu. Senti certo remorso, mas finalmente percebi que a proposta do Charlie era válida do ponto de vista da ética. 
Pedi ao Charlie um prazo para pensar, entretanto, já tinha resolvido o que fazer. Voltando de metrô para o Brooklin, senti algo que me pareceu uma orientação divina. Foi apenas uma simples frase, mas muito convincente. Na realidade, ela veio diretamente da Bíblia. Uma voz ficava me dizendo: “o trabalhador é digno de seu salário.” Ao chegar em casa, encontrei a Lois cozinhando como de costume, enquanto três bêbados esfomeados que estavam morado na nossa casa, a contemplavam da porta da cozinha. Eu a chamei de lado e lhe dei a grande notícia.
Pareceu interessada, mas não se entusiasmou tanto como eu esperava. Nessa noite, havia reunião. E apesar de poucos alcoólicos, daqueles que hospedávamos parecerem estar sóbrios, outros estavam. E com suas esposas, eles encheram nossa sala de estar no andar de baixo.

Imediatamente lhes contei a história de minha oportunidade. Nunca esquecerei suas fisionomias impassíveis e olhares fixados em mim. Com pouco entusiasmo, contei minha história até o fim. Houve um longo silêncio. E quase timidamente, um de meus amigos começou a falar: “Sabemos  de suas dificuldades financeiras, Bill. Isso nos preocupa muito. Constantemente temos nos perguntado o que poderíamos fazer a esse respeito, mas acho que falo por todos os presentes quando digo que o que você nos propôs nos preocupa muito mais.” A voz do orador foi ficando mais firme. “Não percebe –  ele continuou – que você jamais poderá tornar-se um profissional? Por mais generoso que Charlie tenha sido conosco, você não percebe que não podemos ligar esse tipo de coisa com o hospital dele ou com outro qualquer? Você nos disse que a proposta do Charlie é válida do ponto de vista da ética. Certamente que é, mas o que temos não funcionará apenas com o fundamento da ética; tem que ser mais que isso. Certamente que a ideia do Charlie é muito boa, mas não é boa o suficiente. Trata-se de uma questão de vida e morte, Bill, e nada a não ser o melhor servirá.” “Bill, você não tem muitas vezes falado aqui mesmo em nossas reuniões, que o bom é às vezes inimigo do melhor? Pois bem, esse é um caso igual. Você não pode fazer isso conosco.” Assim falou a “Consciência do Grupo.” O grupo tinha razão e eu estava errado;  a voz que ouvi no metrô não era a voz de Deus. Aqui estava a verdadeira voz, jorrando de meus amigos. “Eu ouvi e – graças a Deus obedeci.” Bill W.
E foi assim; que o conceito “Consciência de Grupo de A.A.” ficou definido formalmente em nossa Irmandade após a publicação em 1946, da Segunda Tradição de Alcoólicos Anônimos. A Tradição que declara: “Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Deus amantíssimo que se manifesta em nossa consciência coletiva”. 

“Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não tem poderes para governar.” Embora ainda não seja muito bem compreendida entre nós, a “Consciência de Grupo” como é expressa na Segunda Tradição, é um “conceito básico e poderoso” que possibilita que pessoas com procedência e temperamentos diferentes, possam ir além de suas ambições pessoais e unir-se num objetivo comum.

Uma Consciência bem informada, é aquela cujo os componentes (membros) conheçam e pratiquem os princípios e obedeçam as normas do procedimento sugeridos para os Alcoólicos Anônimos. É necessário também, que todas as informações necessárias sobre o assunto a ser votado, tenham sido discutidas e que todos os pontos de vista sejam expostos antes do Grupo votar. Agindo assim; nós estaremos cumprindo fielmente o que é sugerido na “Garantia Quatro do Artigo 12”. Que todas as nossas decisões importantes sejam tomadas através da discussão, votação e sempre que possível, por substancial unanimidade.

Este princípio espiritual que torna possível para nós, definir formalmente “a vontade de Deus como nós o concebemos, e ele é também; um dos princípios que diferencia nossa Irmandade de outros movimentos”. 

Do meu ponto de vista, qualquer assunto que diz respeito aos Grupos e à Alcoólicos Anônimos como um todo, satisfaz plenamente os requisitos para que seja consultada a “Consciência do Grupo”. Precisamos ficar atentos; se realmente estamos consultando uma autêntica “Consciência do Grupo A.A.”, por exemplo, verificar se todos que irão votar são membros e são frequentes no Grupo. 

Para ser uma autêntica “Consciência do Grupo” uma decisão deve satisfazer dois critérios: Primeiro – A decisão só deve ser tomada, depois que todos os membros tenham completo conhecimento do assunto; e depois de terem efetuado uma exaustiva discussão sobre o mesmo, ter ouvido as minorias com muita atenção; considerar o assunto enfocando sempre os princípios de A.A. “Segundo – A decisão deve ser com requisito de unanimidade substancial – que a Conferência de Serviços Gerais define como uma maioria de dois terços, mas na prática, é sempre maior.” Nesta altura, é provável que surjam algumas indagações. Por exemplo: Quanto tempo se deve tomar para anunciar a questão a ser discutida nas reuniões, antes que se atue sobre ela? E quantos membros devem estar presentes para que se comece a discutir a questão proposta? As experiências compartilhadas por alguns Grupos mostram que é uma boa ideia “notificar” com bastante antecedência todos os membros que possam tomar parte da reunião; normalmente, duas semanas seriam suficientes, porém, pode não ser sempre possível reunir tantos membros. De acordo com suas experiências, “cada Grupo de A.A estabelece suas próprias regras referentes à proporção necessária de votos, mas sempre com o objetivo de alcançar uma “Unanimidade Substancial.” Está escrito na “Quarta Garantia do Artigo 12” da Ata de Constituição da Conferência: “Quando uma decisão que foi tomada com uma unanimidade substancial tem um resultado equivocado, não pode haver recriminações acaloradas”. Todos podem dizer: “Bem, debatemos a questão, tomamos a decisão que resultou não ser uma boa decisão”. – Que tenhamos mais sorte na próxima vez.” Doze Conceitos para Serviços Mundiais pág 113. 
“O que nós, os membros da Irmandade, não devemos nunca, é fechar a nossa mente, para não dar a devida importância à formação do conceito “Consciência do Grupo.” Pois conforme o que está escrito; este é “Um conceito fundamental” para a Unidade e sobrevivência de A.A., sem Unidade, e sem a “Consciência do Grupo” Alcoólicos Anônima não pode sobreviver.” E nem nós. – Pense nisso!