DP - A Estrada da Serenidade

Até chegar em A.A. eu ia por uma estrada com meu carro, para algum lugar, mas sem saber o destino. Viajava em alta velocidade, querendo ultrapassar todos à minha frente.

Quem vinha em sentido contrário acendia os faróis, avisando-me dos perigos. Mas eu, prepotente, julgava-os idiotas. Naquela estrada eu fazia o que queria. A todo instante levava sustos e cobrava do outro quando ele ultrapassava em local proibido, pois eu é quem devia passar primeiro.

Os passageiros que iam comigo estavam tensos e não conversavam. Se o fizessem, eu os cortava. Passado algum tempo, chegamos a um lugar, cansados, estressados.

Para trás, ficaram pelos barrancos aqueles que a minha imprudência afastou. Essa era a estrada da minha vida. Bebendo, os estragos foram capotagens e batidas, até o dia em que bati num carro que vinha em sentido contrário.

Entretanto em A.A., descobri que os Doze Passos são uma estrada de vida. Que preciso planejar minha viagem cada quilometro à frente em cada dia, desviando ou precavendo-me dos perigos.

Devo ir devagar, respeitando os outros, só ultrapassando quando o carro à frente assim o permitir, e observando que aqueles que acendem os faróis estão me ajudando.

Dessa forma, através da Irmandade pude encontrar um Poder Superior, amigos verdadeiros, família, saúde e, agora, de 24 em 24 horas, busco a estrada da serenidade, desejando a todos 24 horas de sobriedade.

(Vivência n°. 67 – set/out. de 2000)