Artigos - A história de uma irmandade

"ALCOÓLICOS ANÔNIMOS 78 ANOS SALVANDO VIDAS" - (10/06/1935 À 10/06/2013)


A HISTÓRIA DE UMA IRMANDADE


SEU NASCIMENTO

Alcoólicos Anônimos iniciou-se em 1935, em Akron, Ohio, com o encontro de Bill Wilson, um corretor da Bolsa de Valores de Nova Iorque, e o Dr. Robert Smith, um cirurgião de Akron. Ambos haviam sido alcoólicos desenganados.

COMO TUDO COMEÇOU...

- Bill Wilson caminhava para lá e para cá no saguão do Hotel Mayflower, extremamente agitado e imaginando como iria passar o fim de semana. Havia um bar no fundo do saguão, e Bill sentiu-se atraído pelo balcão. Começou então a crise pessoal que deu início a uma série de eventos que iriam mudar a vida de Bill. - "Pensei comigo": "Você precisa de outro alcoólico com quem conversar". "Você precisa de outro alcoólico tanto quanto ele precisa de você"!

E através de uma ligação telefônica do saguão do hotel ao Rev. Walter F. Tunks, onde Bill solicitou ao pastor que o colocasse em contato com um bêbado com quem pudesse fala. Bill após ligar para dez pessoas conseguiu contato com Henrietta Seiberling, como ela contou mais tarde, Bill se apresentou pelo telefone dizendo: "Sou dos Grupos Oxford e sou um beberrão de Nova York", sua reação silenciosa foi segundo ela: "Isto é realmente o maná dos céus" e, em voz alta, disse a Bill: "Venha agora mesmo até aqui". Quando Bill chegou, ela telefonou para o homem que tinha em mente. O nome desse homem era Dr. Robert Smith. Era um médico, um alcoólico e estava desesperado. Depois de conversar um pouco com Anne, a esposa do Dr. Smith, tornou-se óbvio que aquela ajuda teria que ser adiada. Era véspera do Dia das Mães e o Dr. Bob havia chegado em casa com um vaso de flores para a mulher. Um instante depois, bêbado que já estava ele havia desmaiado. Assim, o encontro entre os dois homens foi combinado para a tarde do dia seguinte, o Dia das Mães.

O Dr. Bob disse que não conseguia se lembrar de um momento em que tivesse se sentido pior do que na tarde em que conheceu Bill W., ele só havia concordado com a reunião porque gostava muito de Henrietta e porque Anne já havia dito que ele iria. Mas fez Anne prometer que só ficariam 15 minutos. "Eu não queria falar com aquele pau d'água ou com quem quer que fosse e nós iríamos fazer tudo muito rapidamente". ..."Depois do jantar, que ele não comeu, Henrietta nos deixou à vontade na pequena biblioteca. Lá, Bob e eu conversamos até às onze da noite".

O que levou o Dr. Bob a ficar a noite toda, ao invés de escapar como havia planejado? Para começar, ele percebeu rapidamente que aquele Bill Wilson sabia do que estava falando. O Dr. Bob havia lido muito acerca do alcoolismo e ouvira as opiniões de outros médicos que haviam tratado de alcoólicos. Mas Bill era a primeira pessoa que ele encontrara que sabia por experiência própria o que é alcoolismo. "Em outras palavras, ele falava a minha linguagem", afirmou o Dr. Bob. "Ele conhecia todas as respostas e com toda a certeza não as descobrira através da leitura". Naquele dia, a experiência pessoal não foi à única coisa que Bill partilhou, uma parte vital de sua mensagem foi o ponto de vista médico que o Dr. Silkworth havia explicado e insistira em que Bill o apresentasse aos "convertidos" em perspectiva.

Enquanto mantinham sua primeira conversa Bill W. e  Dr. Bob não poderiam de forma alguma prever os monumentais desdobramentos que teriam origem naquele encontro. A primeira referência ao Dr. Bob, feita a Lois por Bill, foi uma carta datada de maio de 1935.

Por sugestão de Anne, Bill hospedou-se na casa dos Smith. Bill juntou-se então a Bob e Anne, na prática do Grupo Oxford de realizar reuniões matinais conjuntas onde Anne lia a Bíblia. Com essa rotina de leitura e meditação, além da ajuda de Bill, o Dr. Bob não estava bebendo.

Em algum dia da última semana de maio, quando o Dr. Bob já estava sóbrio havia duas semanas, ele anunciou sua intenção de comparecer à convenção anual da Associação Médica Americana que começaria na primeira semana de junho e seria realizada em Atlantic City.

O Dr. Bob começou a beber no instante em que embarcou no trem e, quando chegou a Atlantic City, comprou diversas garrafas de meio litro a caminho do hotel. Isso aconteceu no sábado. Na segunda-feira, ele conseguiu ficar sóbrio até a noitinha; na terça-feira, entretanto, começou a beber pela manhã. Depois de fechar a conta do hotel, encontrou o caminho até a estação ferroviária, parando para se abastecer na viagem de volta. Entrementes, Bill e Anne aguardavam em um frenesi de apreensão. Cinco dias depois da partida de Bob - na quinta-feira seguinte - os dois receberam um telefonema da enfermeira do consultório do Dr. Bob, dizendo: "Ele está aqui comigo. Meu marido e eu o recolhemos na estação de trem, às quatro horas da madrugada. Por favor, venham.


" O ÚLTIMO GOLE DO DR. BOB "...

... Trouxemos Bob para casa, o colocamos na cama e logo depois fizemos uma descoberta alarmante. Ele havia programado uma cirurgia que somente ele poderia fazer. Seria para três dias depois: ele simplesmente teria que fazer o trabalho sozinho e aqui estava ele, tremendo como uma folha. Poderíamos conseguir que ele ficasse sóbrio a tempo? Anne e eu nos revezamos, tentando pôr o "menino grande" em forma. Bem cedo, na manhã da cirurgia, ele estava quase sóbrio. Na noite anterior eu tinha dormido no quarto com ele. De minha cama eu via que ele estava acordado, mas ainda tremendo. Nunca me esquecerei da maneira como ele me olhou, quando disse: "Bill, eu vou acabar com isso". Pensei que ele estava se referindo à cirurgia. "Não", ele disse, "quero dizer essa coisa sobre a qual temos conversado".

Anne e eu o conduzimos até o hospital às nove horas. Dei-lhe uma garrafa de cerveja para acalmar seus nervos e poder segurar o bisturi, e assim ele entrou. Voltamos para casa e nos sentamos, a fim de esperar. Depois de certo tempo, que pareceu interminável, ele telefonou: tudo tinha saído bem, mas depois disso demorou muito para voltar para casa. Apesar da grande tensão em que se encontrava, deixou o hospital, entrou em seu carro e começou a visitar seus credores e outras pessoas a quem ele tinha ofendido com seu comportamento.

Isso aconteceu no dia 10 de junho de 1935, a garrafa de cerveja que Bill dera ao Dr. Bob naquela manhã foi o último gole que ele bebeu e até a sua morte, quinze anos mais tarde, o Dr. Bob nunca mais tomou uma gota de álcool. Depois de passar meses perseguindo bêbados, Bill havia finalmente ajudado um deles a se recuperar.

A data 10 de junho de 1935 é considerada a data da fundação de Alcoólicos Anônimos.

Em fins de junho, o Dr. Bob telefonou para o Hospital Municipal de Akron. Explicou à enfermeira do pavilhão de triagem que um homem de Nova York havia acabado de descobrir uma cura para o alcoolismo. A enfermeira, que aparentemente não ouvira falar nada da recente recuperação do Dr. Bob, perguntou a ele por que não experimentava o tratamento do mesmo. Quando o Dr. Bob explicou que havia experimentado e que o tratamento envolvia trabalhar com outros alcoólicos, ela respondeu com mais simpatia. Disse que conhecia exatamente o homem certo e que ele estava naquele exato momento no hospital com "delirium tremens". O homem estaria suficientemente sóbrio para conversar com eles em um ou dois dias. Bill e Dr. Bob estavam prestes a conhecer Bill D.

A experiência de recuperação que os dois homens partilharam com Bill D. foi breve pelos padrões de hoje, cerca de sete meses para Bill e apenas algumas semanas para o Dr. Bob. Mas os dois já estavam desenvolvendo seu poder de convencimento e transmitiram isso ao novo homem. Os três homens tinham também a esperança de haver encontrado o segredo da sobriedade permanente, não só para eles como também para as centenas que poderiam vir depois.

Apesar de ainda não existir o nome Alcoólicos Anônimos, esses três homens constituíram o núcleo do primeiro Grupo de A. A. No outono de 1935, o segundo Grupo foi tomando forma gradualmente em Nova Iorque. O terceiro Grupo iniciou-se em Cleveland, em 1939. Havia-se gasto mais de quatro anos para conseguir 100 alcoólicos sóbrios, nos três Grupos iniciais.


* Fonte: Livro Levar Adiante.