AA - A Historia do uso das fichas no A.A Brasileiro

Pelos menos até o inicio da década de 50- quando não haviam sido publicados Os 12 passos, que só ocorreria em 1953-, os A.As. Dos Estados Unidos adotavam, como os programas de abstinência, os slogans; “Se tem que tomar um trago- não o tome†(revista Seleções, dez/47), e “Só por hoje†(revista) Seleções,fev./54.Não se falava em “evitar o primeiro gole†ou em “ programa de 24 horas†,sugestões que me parecem, levam muito do reconhecido “ jeitinho brasileiro.†

Não havia ainda, também, uma estrutura de apoio suficientemente organizada, pois o primeiro escritório de serviços-situados em Versy Street, Nova York-, havia nascido em 1940, muito mais como suporte á Editora que havia sido criada para o lançamento do Livro Azul, que não dispunha de recursos humanos suficiente para atender , particularidade, os poucos membros em vacilação, os quais ,por meio lado, contavam com poucos grupos e poucas reuniões em Nova York.

Certamente, preocupados com esses aspectos , imaginaram um sistema, que mantivesse viva na lembrança dos que se recuperavam , e nasceu um programa intitulado†psicologia no níquel no telefone†, e que consistia em estimular os companheiros a conduzirem no bolso n número de telefone de outro, junto comum níquel para , nos momentos de vacilação , antes de voltarem a beber , usarem.Deu certo . Foi substancial e muito animador o índice de recepções.

Essa campanha,através do boletim mundial, chegou ao nosso conhecimento ao conhecimento de um A.A brasileiro ainda engatinhando, apalpando no escuro, que tudo fazia na base do “deve ser assim “ porque o nosso saudoso fundador Herbert L D., quando para aqui veio, também quase nenhuma experiência institucional possuía e, pois embora com muita disposição e boa vontade, pouco podia ilustrar.

Mas surgiu logo um grave problema. Como adotar aqui essa campanha, com o fechadíssimo conceito de anonimato de então, quando os poucos membros nem mesmo davam os seus nomes? Como usar um “ níquel no telefone “ objeto então muito raro, tanto particular como publicamente? Era, na época privilégio de muito poucos a posse de um aparelho telefônico e Escritório de Serviço, nem pensar!...

Foi quando alguém lembrou que recentemente, o Governo Federal havia fechado todos os cassinos e, portanto, nas lojas de material especializado deveria estar encalhado tudo que usavam, inclusive fichas das mais variadas cores. Era a solução. Nasceu assim, com o clássico “ jeitinho brasileiro “ um sucedâneo para o  â€œ níquel no telefone “.

E essas fichas, nestes anos de A.A no Brasil ( 1983 ), estão nos bolsos de milhares de companheiros, lembrando-lhes a última reunião que estiveram presentes, os depoimentos que calaram fundo, os novos fatos na vida de cada um, o progresso, tanto material como espiritual, conquistado. Representam as fichas, de certa forma, uma “tradição “ do A.A brasileiro que, ultimamente registra com alegria sua adoção por A.As, do outros Paises, incluindo os companheiros dos  Estados Unidos.

A seqüência de cores parece ter sido aleatória, com base nos estoques encontrados nas lojas, é são: 1° amarela, para o ingresso; 2º Azul, trocada pela amarela aos 3 meses; 3º rosa, aos 6 meses; 4º vermelha, aos 9 meses; 5º verde, com 1 ano; 6º verde-gravata, que não é trocada, aos 2 anos; 7º branca-gravata; aos 5 anos, 8º amarela-gravata, aos 10 anos; 9º azul-gravata, aos 15 anos; 10º rosa-gravata, trocada aos 20 anos; 11º vermelha-gravata, aos 25 anos e, atualmente, a última; 12º verde-gravata, clara de um lado e, verde clara circulada por losangos com todas as cores das fichas anteriores, aos 30 anos.


A “troca†, até a ficha de 2 anos era feita pela vontade, o desejo do companheiro de que a ficha que estava devolvendo, que tanto lhe trouxe, que tanto de seu calor humano continha, fosse levar, ao novo portador, tudo aquilo que conquistara. Havia muito sentimento de fraternidade, nessas solenidades. 


Por outro lado, no caso de uma infortunada recaída, devia o companheiro sigilosamente, com o seu padrinho ou algum companheiro de sua absoluta confiança quebrar essa sua ficha evitando o prosseguimento de seu circulo de imagem negativa.


Essa é a história das fichas no Brasil. Não tem qualquer procedência outras histórias, especialmente a que diz que elas lembram as chapinhas guardadas por Bill e Bob, da última cerveja que tomaram, primeiro porque eles nunca beberam juntos segundo porque, se um alcoólico ativo não guarda coisas importantes não seria uma simples chapinha que ia guardar.


Fonte: Este artigo foi extraído do livro “Alcoolismo-Queda e Recuperação†, de Luiz M., membro de A.A. no Rio de Janeiro, já falecido. Foi o companheiro que mais se preocupou em preservar a história do A.A. brasileiro. Ingressado em 1953 viveram os tempos pioneiros.