Artigos - A Luz da Terceira Tradição

"Em qualquer associação que se tem conhecimento, a norma de ingresso é recheada de exigências, tais como: pagamento de taxas ou inscrição, folha corrida da polícia, documentação de identidade civil, etc.

Por que Alcoólicos Anônimos abandonou suas regras de afiliação?

O segundo parágrafo da Terceira Tradição declara o seguinte:
- Estabelecer esse princípio de filiação foi obra de muitos anos de
angústia. No começo nada parecia tão frágil, tão quebradiço, como um grupo de Alcoólicos Anônimos. Dificilmente um alcoólico, por nós abordado, dava-nos qualquer atenção; aqueles que se juntavam a nós eram como velas bruxuleando aos ventos de uma tempestade.
Reiteradamente suas chamas incertas se apagavam e não podiam mais ser acesas. Isso quer nos parecer, companheiro leitores, que pouquíssimos eram os que ficavam em Alcoólicos Anônimos; a maioria recaía e não mais retornava. Tanto isso é verdade, quando deparamos logo a seguir com o seguinte trecho da Terceira Tradição: 'Nosso pensamento, não formulado embora constante, era: qual dentre nós será o próximo?'
Essa Tradição diz claramente que a severidade para o ingresso em A.A., era resultante do medo que os velhos mentores tinham de abrir as portas da Irmandade a pessoas que tivesse outros problemas além do álcool e que viesse, publicamente, praticar atos prejudiciais ao A.A.
Todos temiam que alguém ou alguma coisa fizesse virar o barco, atirando-os todos de volta à bebida. Decidiram como regras de ingresso, a não aceitação de mendigos, vadios, débeis mentais, encarcerados, homossexuais, prostitutas, etc. Estes, mesmo que tivessem o problema alcoólico não eram aceitos em A.A.

Os velhos mentores agiam assim porque tinham medo da destruição que poderia advir com a aceitação de pessoas com outros problemas. A primeira experiência que foi motivo do abandono das regras de ingresso aconteceu quando um homem bateu às portas de um dos grupos da época e pediu para fazer parte.
A seguir contou seu problema alcoólico e disse que, além desse, era portador de outra dependência mais ruins que a do álcool. Os veteranos (de portas fechadas) só viam obstáculos e disseram que o grupo era composto somente de pessoas alcoólicas e quando já estavam a ponto de dispensar o homem que pediu abrigo, uma voz surgiu entre eles: 'O QUE FARIA O MESTRE?'
Decidiram então, aceitar o seu ingresso em A.A., e ele, exultante
entregou-se às atividades do grupo, praticando o Décimo Segundo Passo, transmitindo a mensagem a dezenas de pessoas doentes do alcoolismo. E mais, ele nunca incomodou ninguém com o seu outro problema. Esse foi apenas um exemplo dos muitos que culminaram com a abolição das regras de ingresso em A.A., ficando só com a conhecida universalmente: PARA SER MEMBRO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS O UNICO REQUISITO É O DESEJO DE PARAR DE BEBER."
"A Terceira Tradição, concentrada na única maneira em que sou igual aos outros, levou-me a conhecer a ajudar todo tipo de alcoólico, da mesma forma como eles também me ajudaram. Charlotte, a atéia mostrou-me os mais altos padrões de ética e honra; Clay de outra raça, ensinou-me a paciência; Winslow, que é gay, levou-me pelo exemplo à verdadeira compaixão; a jovem Megan diz que me ver nas reuniões, sóbrio há 30 anos, faz com que ela continue voltando. A Terceira Tradição garante que conseguiremos o que precisamos: um ao outro."

Reflexões  Diárias (25 de janeiro)

(Vivência no. 25 - jul/ago/ set/1993)