DP - A mudança é súbita ou lenta?

Hoje com muitas 24 horas de sobriedade alcoólica sei que a programação é para toda a vida, pois, muitos fatos ainda alteram minhas emoções, por isso digo que a mudança é lenta. A cada dia, a cada ação posso precisar de mudanças: na maneira de pensar, no modo de agir usando o que foi aprendido em nossas reflexões, as quais nos dão muita experiência de vida para sabermos lidar com nossos medos: medo financeiro, que pode vir de várias maneiras; por falta de dinheiro, por pensar que o que temos poderá não ser o suficiente na terceira idade; medos que geram problemas de ansiedade, que nos levam a fazer as coisas correndo como se o tempo não fosse o necessário, às vezes deixando de ter o devido cuidado para que as coisas saiam a contento, querendo um resultado em nossas vidas como se fosse um milagre. Sabemos que para obter um resultado precisamos de disciplina e perseverança. Exemplo: para se ter um corpo saudável, físico atlético há necessidade de disciplina na alimentação, treinamento e só após um longo período se vê o resultado, mas se deixarmos de praticar o treinamento este corpo trabalhado vai perdendo a tonalidade muscular.

Assim também é como vejo a nossa programação: vou à sala participar da reunião para adquirir a força que acredito vir de um Poder Superior mantendo-me sóbrio a cada 24 horas. 
 
Se eu deixar de freqüentar a sala de A.A. minha fé, sem exercício, me tornará cada vez mais fraco pela falta de contato com depoimentos novos, os quais acontecem no dia a dia em nossas reuniões e que é o alimento de nossa programação. Sabemos que o segredo de nossa sobriedade está no compartilhar, na troca de experiências, é no falar e no ouvir que mantemos a mente aberta encontrando soluções para nossos problemas cotidianos.

Se deixarmos de participar estaremos cada vez menos fortalecidos para suportar acontecimentos diferentes em nossas vidas sem pensarmos em bebida, a qual, um dia já foi remédio para todos os males e a desgraça de nossas vidas.
 
Como todo dia vivemos problemas e alegrias é bom que continuemos a participar e compartilhar nosso cotidiano em reuniões de A.A., pois embora a mudança seja lenta ela ocorrerá eficazmente através da participação, que é a chave da
recuperação.

 (Vivência nº 112 - Mar/Abr/2008)