Artigos - A síndrome da bebedeira seca

1.       Imaturidade e infantilidade: estacionamento do crescimento emocional e persistência das dependências.
2.       Atitude permanente de desonestidade perante si mesmo e perante aos demais.
3.       Amargura e insatisfação existencial por persistir nos ressentimentos.
4.       Permanente sentimento de culpa com auto desvalorização, auto piedade e tendência ao auto castigo.
5.       Egocentrismo, auto-suficiência neurótica, agressividade injustificada e tendência à onipotência.
6.       Medos permanentes: atitude de temor ante os desafios da vida com angústia e tensão contínuas.
7.       Depressão cíclica ou permanente com atitudes de pessimismo e desmotivação.
8.       Ingovernabilidade sexual e sentimental.
9.       Negação de sua realidade não-alcoólica, com a persistência dos mecanismos de racionalização e projeção.
10.   Substituição do álcool por outras substâncias ou condutas adictivas.
11.   Espiritualidade ausente ou muito empobrecida, com soberba intelectual, tendência ao materialismo e fé nula ou pouca.
12.   Comportamento inadequado em seu grupo de A.A., com seus companheiros ou com os princípios do programa.

           Abstinência e sobriedade não têm o mesmo significado.
Abstinência significa simplesmente deixar de consumir álcool, ou a droga da qual se é dependente; 
Sobriedade significa aprender a viver em abstinência através de um contínuo crescimento emocional que permita alcançar a maturidade.
          Em outras palavras: a soma de abstinência e maturidade constituem a sobriedade.
          Muitos alcoólicos deixam de beber, mas não crescem emocionalmente. Embora abstêmios, continuam sendo uns “bebês emocionais”.
          Essas pessoas padecem do que se chama “Síndrome da Bebedeira Seca”.
          A Síndrome da Bebedeira Seca é uma forma de neurose sofrida pelo alcoólico em recuperação que se conforma só com o deixar de beber.
         A Síndrome da Bebedeira Seca impede a plenitude de vida do alcoólico, provocando a persistência de seus problemas familiares, laborais, sociais e a continuidade da insatisfação e da infelicidade.
          A Síndrome da Bebedeira Seca constitui UMA DAS PRINCIPAIS CAUSAS DAS RECAÍDAS NOS ALCOÓLICOS.
          Alcançar a abstinência é só o princípio.
          O verdadeiro caminho para a recuperação começa no momento em que se consegue uma absoluta convicção da necessidade da abstinência.
          A abstinência é o alicerce sobre o qual se vai construir o edifício da sobriedade.
          Há aproximadamente duas décadas publicamos na Revista “PLENITUD” - órgão oficial de Alcoólicos Anônimos no México – a primeira versão de “A Síndrome da Bebedeira Seca” (El Síndrome de la Borrachera Seca). Quase vinte anos depois, ao continuar trabalhando em programas de pós-tratamento externo para a reabilitação do alcoolismo e de outras dependências, havendo assimilado novas experiências e desenvolvido mais observações, consideramos necessário realizar uma segunda versão da Síndrome da Bebedeira Seca, corrigida e aumentada, integrando o total de doze sintomas (quatro a mais do que na primeira versão), com a finalidade de tornar mais compreensível e mais completo esse fenômeno psicológico que lamentavelmente apresentam muitos alcoólicos membros de A.A., que só se conformam em parar de beber e continuam a apresentar muitos defeitos de caráter que os impede de amadurecer emocionalmente e manifestam uma conduta imprópria e indesejável como quando ficavam bêbados.
           Isto não significa que na primeira versão faltaram os quatro novos sintomas agora incluídos, mas sim que foram mencionados implicitamente na lista que continha os oito sintomas originais. O que estamos fazendo agora é mencionar o fenômeno de uma maneira mais clara, e dar um nome próprio ao defeito de caráter, para que o leitor possa identifica-lo melhor e assim poder eliminá-lo.
          A primeira versão da Síndrome da Bebedeira Seca foi publicada no número 5 da Revista PLENITUD e reeditada nos compêndios da mesma Revista chamados: ”Lo mejor de Plenitud”.
          Por outro lado, o número 12 em “Alcoólicos Anônimos” é um número muito especial. Temos os Doze Passos, as Doze Tradições, as Doze Promessas, as Doze Coisas que Alcoólicos Anônimos não fazem, etc. Será muito bom daqui em diante, acostumarmo-nos a falar dos 12 sintomas da bebedeira seca.
          Além disso, é muito importante que um alcoólico em recuperação aspire verdadeiramente à sobriedade e não fique no medíocre conformismo da abstinência. Se é difícil parar de beber, muito mais difícil é crescer emocionalmente e alcançar a maturidade. Não esquecer que a combinação de abstinência do álcool (ou de qualquer outra substância) mais a maturidade emocional do indivíduo são o que constituem a verdadeira sobriedade.
          É tão fundamental que um alcoólico em recuperação conheça esses 12 sintomas da bebedeira seca, que nos permitiremos publicar nos seguintes números da Revista “PLENITUD”, um artigo específico para cada um dos seus sintomas. No presente artigo, só vamos enumerar a lista dos sintomas e explicaremos breve e e rapidamente cada um deles.
          1.       – Imaturidade e infantilidade: interrupção do crescimento emocional e persistência das dependências.
          É o sintoma essencial da bebedeira seca: a incapacidade de crescer emocionalmente. Embora já não beba, o alcoólico continua sendo uma criança na sua maneira de pensar, de manejar suas emoções e de se comportar. Ao continuar como uma criança no emocional, não vai conseguir se comportar como um adulto responsável que possa alcançar os seus objetivos da vida. Como bons “bebês emocionais”, esses alcoólicos continuam dependendo de figuras tais como a mãe, o pai, os irmãos, a esposa, os amigos, o chefe, etc. Esta dependência impede-lhes obter duas condições fundamentais na sobriedade que são: Autonomia e Responsabilidade. Ao ficarem atados emocionalmente em outras pessoas continuam culpando-as de seus fracassos existenciais e jogando no papel de vítimas.
          2.       – Atitude permanente de desonestidade perante si mesmo e aos demais.
         A desonestidade é um mau hábito que o alcoólico adquire no desenvolvimento de sua doença. Engana, mente, inventa pretextos, promete e não cumpre, faz trapaças, não respeita as regras do jogo, pede emprestado e não paga, oferece “propinas” para evitar ser detido e pratica outros tipos de corrupção. Essa inércia de desonestidade permanece mesmo depois que o alcoólico deixa de beber. Continua mentindo para sua esposa, continua sem pagar as dívidas, persistem as promessas não cumpridas, etc. Frequentemente continua mentindo a seu terapeuta ou fala mentiras no seu grupo. É difícil a prática cotidiana da honestidade. O mais grave dessa situação é que o alcoólico passa a acreditar em muitas dessas mentiras, persistindo na atitude de fugir da sua própria realidade e não a aceita.
          3.       – Amargura e insatisfação emocional pela persistência dos ressentimentos.
          Embora já não beba o alcoólico não consegue alcançar a plenitude da vida onde possa vir a sentir a satisfação por viver. Fica descontente, inconformado, com muitas áreas de amargura na sua vida e sem poder saborear o mel da sobriedade. Parar de beber constitui para ele uma obrigação e não uma convicção, e a recaída é muito frequente entre os insatisfeitos existenciais. Além disso, ainda guarda muitos ressentimentos de sua vida passada que não consegue superar. Irrita-se com as pessoas e com o mundo. São os típicos “bêbados secos” encadeados ao passado que não conseguem aplicar o ditado: “Só por hoje”.
          4.       – Permanente sentimento de culpa com auto desvalorização, auto piedade e tendência ao auto castigo.
          Estes tipos de alcoólicos são os que arrastam um lastro terrível de culpa acumulado no passado e que ainda não conseguem se perdoar. Continuam sentindo-se com culpa por muitas situações, como a morte de algum ente querido, a doença de algum de seus filhos ou o fracasso de outros. São pessoas com baixa auto-estima e com uma forte tendência ao perfeccionismo. Como não conseguem perdoar a si mesmos (embora outros já os perdoaram), se sentem menores que os outros e com sentimentos de auto desvalorização pessoal. Para libertar-se dessa carga, desenvolvem uma necessidade neurótica de expiação, caindo em condutas auto destrutivas, fazendo sabotagem dos seus sucessos e não acreditando que possam merecer felicidade. Essas tendências auto destrutivas podem provocar-lhes uma recaída.
          5.       – Egocentrismo, auto-suficiência neurótica, agressividade injustificada e tendência à onipotência.
          O egocentrismo no alcoólico é a compensação neurótica de um complexo de inferioridade e de uma baixa auto-estima, da mesma forma que acontece com todos os emocionalmente infantis. Isto os leva a uma atitude de compensação e procuram continuar chamar a atenção dos outros. Por isso quando ficavam bêbados, eram os “encrenqueiros de festa”. Uma vez deixando de beber, direcionam o seu egocentrismo aos membros da família, aos companheiros do grupo, ao trabalho ou às pessoas em geral, desenvolvendo atitudes conflituosas com agressividade, que frequentemente chega a ser ingovernável, entrando em contínuos conflitos com os outros e desenvolvendo assim a incapacidade para a sobriedade. A auto-suficiência neurótica faz referência não ao auto-suficiente produtivo, que é consequência da maturidade, mas a aquele que continua pensando que não precisa da ajuda dos outros e que sozinho pode resolver tudo, o que o leva a tomar decisões erradas para resolver seus problemas existenciais. Quando a auto-suficiência neurótica fica exacerbada converte-se em onipotência, que é o defeito de caráter mais grave num alcoólico. A onipotência é uma forma patológica do orgulho. É desenvolvido um complexo de superioridade para disfarçar um profundo sentimento de inferioridade.
          6.       – Medos permanentes: atitude de temor perante os desafios da vida com angústia e tensão contínuas.
          Muitos alcoólicos vivem eternamente angustiados. De fato, já viviam em tensão muito antes de beber e o que os levou ao alcoolismo foi a necessidade de aliviar suas tensões através do álcool. Esses indivíduos são geralmente muito inseguros, apreensivos, vivem em constante estado de tensão e desenvolvem muitos medos. Medo dos problemas, medo dos conflitos, medo das doenças, medo das responsabilidades, medo de ser adulto, medo do trabalho, medo dos perigos cotidianos, medo da morte, etc. Não tem a possibilidade de viver no presente, vivendo projetados no futuro. Ficam angustiados por coisas que ainda não aconteceram. Isto obviamente afeta sua saúde, vivendo continuamente em tensão e em estresse prolongado, passando a apresentar sintomas diversos como: enxaqueca, dores nas costas, suor excessivo, transtorno do sono e do apetite, entre outros. Em algumas ocasiões a sua angústia é tão severa que podem sofrer de outras desordens psiquiátricas tais como fobias, obsessões, compulsões ou ataques de pânico. Esse tipo de alcoólico em recuperação, além de seu grupo de A.A., deve receber atenção especial de um psiquiatra.
          7    – Depressão cíclica ou permanente com atitudes de pessimismo, desmotivação e baixa energia.
          Outro tipo de alcoólico e dependente em recuperação são os depressivos. São pessoas muito vulneráveis no aspecto emocional. Com frequência ficam tristes, com baixa energia, incapacidade para desfrutar da vida, tem tendência à tristeza e à apatia, são desmotivados existencialmente. Sentem pouco desejo de viver e em outras ocasiões muito desejo de morrer. Da mesma maneira que no sintoma anterior (angústia) corresponde ao que se chama “transtorno dual”, isto é, significa que o enfermo tem, além do seu alcoolismo e dependência, outra doença psiquiátrica, porque a angústia e a depressão são doenças que afetam a saúde mental e por isso requerem uma atenção médica especializada.
          8.       – Ingovernabilidade sexual e sentimental.
          O perfil psicológico do alcoólico e do dependente tem a característica de apresentar dificuldade para manejar os impulsos do tipo sexual e sentimental. Já apresentava essas tendências, mesmo antes de iniciar-se na bebida alcoólica. Como é uma pessoa insegura e de baixa auto-estima, tem muitos problemas para envolver-se com o sexo oposto. É por isso que recorre à “muleta emocional” do álcool e outras substâncias para ter coragem e jogar fora a inibição. Sob efeitos do álcool tem coragem de fazer coisas que sem a bebida não consegue, mas as faz de maneiras mal planejada e pior realizada. Muitos alcoólicos declararam seus sentimentos a uma mulher quando estavam bêbados e depois ficaram arrependidos, outros assinaram contratos de casal quando estavam bêbados e também ficaram arrependidos depois. Por outro lado, no momento da intoxicação alcoólica podem ser deturpados os instintos sexuais mais primitivos, levando a pessoa a realizar condutas indesejáveis como violência sexual (violação, estupro, sadismo) ou conduta homossexual. Muitos alcoólicos que já não bebem continuam “secos” porque persistem com atitudes de violência sexual (machismo e ciúmes patológicos). Não é possível falar em sobriedade quando o alcoólico em recuperação continua controlando, ameaçando, batendo ou manifestando ciúmes ao seu cônjuge. Às vezes existem problemas de ejaculação precoce, impotência sexual ou frigidez. A infidelidade com seu parceiro(a) e a tendência à promiscuidade sexual é outra manifestação da bebedeira seca no nível sexual e sentimental. Muitos desses ingovernáveis sexuais acabam desenvolvendo uma dependência sexual ou co-dependência sentimental com seu parceiro(a).
          9.       – Negação da sua realidade não-alcoólica, com a persistência dos mecanismos de racionalização e projeção.
          Embora se mantenha em abstinência, este “bêbado seco” continua sendo um negador. E embora não negue o seu alcoolismo, continua negando uma serie de defeitos de caráter, que não consegue enxergar nem aceitar, impedindo seu crescimento emocional. Este tipo de alcoólico fica muito irritado quando alguém os confronta e lhes mostra seus defeitos e mudam de grupo com frequência porque se sentem atacados pelos depoimentos dos outros. Também rejeitam quaisquer tipos de psicoterapia profissional, argumentando ignorância dos médicos e psicólogos com respeito ao alcoolismo e ao programa de A.A. Estes alcoólicos seguem buscando culpados por todo o mal que lhes acontece.
          10.   – Substituição do álcool por outras substâncias ou condutas dependentes.
          Muitos alcoólicos deixam de beber, mas substituem a sua conduta compulsiva alcoólica por outro tipo de drogas como a maconha, a cocaína, os inalantes ou as “balas” (drogas sintéticas). Muitos outros deixam de beber, mas no seu lugar começam a desenvolver condutas tais como o jogo compulsivo, o sexo compulsivo ou a dependência ao trabalho. Às vezes caem na auto medicação de comprimidos tranquilizadores ou se fazem dependentes do tabaco (cigarro). Às vezes os alcoólicos em recuperação esquecem que o tabagismo também é uma dependência doentia e mata o mesmo número de pessoas que o alcoolismo. Não devemos nos esquecer que no alcoolismo o comportamento por beber excessivamente é só um sintoma de um transtorno mais profundo, que é caracterizado por uma estrutura patológica de natureza dependente de origem genética, o que a torna a ser dependente de qualquer tipo de substância ou conduta que provoca uma estimulação no centro de recompensa do cérebro. Essa estrutura doente do alcoólico o conduz a lidar mal com todas aquelas situações existenciais que geram angústia ou estresse. A isto se chama: “ingovernabilidade emocional”.
          11.   – Espiritualidade ausente ou muito empobrecida, com orgulho intelectual, tendência ao materialismo e nula ou pouca fé.
          Muitos alcoólicos se recuperam fisicamente, conseguem uma melhor governabilidade das suas emoções e alcançam uma melhoria no seu funcionamento e na sua atuação social, mas não experimentam esse despertar espiritual, que é uma condição fundamental para alcançar uma sobriedade íntegra. Não devemos esquecer que a essência do programa dos Doze Passos é fundamentalmente espiritual, e que além da recuperação psicofísica e social, deve haver uma recuperação espiritual, ou seja, a recuperação da fé. Fé em si mesmo, nos demais, no mundo e num “Poder Superior”, que  todos temos, incluindo os agnósticos. A crise de valores que vivemos na atualidade, refletida num materialismo a qualquer preço em que o valor superior é  o sucesso econômico e a posse de bens de consumo, faz com que fiquemos afastados de Deus e dos supremos valores do Espírito. A espiritualidade ausente ou empobrecida é também o reflexo de um orgulho intelectual e de uma auto-suficiência existencial própria de certos alcoólicos em recuperação que conseguiram um bom nível cultural, de riqueza, de poder ou de prestígio. Essa carência de humidade os faz cair numa soberba progressiva que pode degenerar num dos mais graves sintomas da bebedeira seca que é a onipotência. Aquele que se considera onipotente pensa que ele mesmo é o seu “Poder Superior”.
          12.   – Comportamento inadequado no seu grupo de alcoólicos anônimos, com seus companheiros ou com os princípios do programa.
          A falta de crescimento emocional provoca uma distorção do entendimento a tal grau que o alcoólico em recuperação distorce a filosofia e os princípios do programa dos “Doze Passos”, e por isso apresenta um comportamento inadequado no seu grupo. Interpreta à sua maneira e conveniência os princípios básicos do programa, nos quais focaliza mais a compensação das suas carências neuróticas que o bem-estar comum, a unidade e o serviço. Ao invés de se converter numa testemunha de sobriedade e bom juízo, ele se converte no típico membro de A.A. inconformado e crítico com tudo que se faz no grupo. Exemplos de condutas erradas desses “bêbados secos” são a luta pelo poder, a inveja, os ressentimentos com outros companheiros, o exibicionismo, as críticas dissonantes, as fofocas e as politicagens. Outros manifestam a sua bebedeira seca adotando uma conduta de extrema passividade no seu grupo: não fazem depoimento, não leem a literatura, não cooperam com o serviço, só escutam com passividade, bebem café e criticam os demais.  Vão ao grupo por motivações neuróticas como fazer negócios com outros companheiros, pedir dinheiro emprestado (e sem pagar) ou se envolver emocional e sexualmente com as companheiras ou companheiros do sexo oposto. A recuperação integral do alcoolismo e de outras dependências constitui um processo longo e complicado que todo doente em recuperação deveria ter em conta.
          Alcançar a sobriedade implica em praticar qualidades tais como a liberdade, a responsabilidade, a honestidade e a humildade, desenvolvidas numa linha de disciplina, perseverança, determinação em fazer trocas e manter-se de mente aberta. Uma vez alcançada a sobriedade, consegue-se o crescimento emocional progressivo e sem limites, que conduz ao objetivo final do tratamento que é alcançar a felicidade.
 
 
Vivência nº 115 - Setembro/Outubro-2008 


 Dr. José Antônio Elizondo López
Diretor do CAIPA Centro de Atenção Integral em Problemas de Adicções - México
Tradutores: Tomás G. e Márcia/São Paulo/Brasil
Revisor: Dr. Marco/SP

 
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