Artigos - A Terceira Tradição (Bill W.)

A Terceira Tradição (Bill W.) > RV. 021

     A Terceira Tradição é, na verdade, uma afirmação abrangente. Alguém pode achá-la  idealista demais para ser prática.  Ela  declara  que todo alcoólico pode se tornar e permanecer membro de A.A., desde  que assim o diga. Em resumo, Alcoólicos Anônimos  não  tem regra  pré-estabelecida  dizendo  como  alguém pode  tornar-se  um  dos  seus  membros.  Por  que  é assim? Nossa resposta é simples e prática. Em nossa própria proteção, não queremos levantar a menor barreira entre nós e  os  companheiros alcoólicos  que  ainda sofrem. Sabemos que a sociedade exige se  comporte ele de acordo com suas leis e convenções. Mas a essência de sua  doença alcoólica é  ter sido incapaz ou não ter vontade de se portar de acordo com as leis dos homens e de Deus. Se alguma coisa ele é, é um  rebelde  inconformista.  Entendemos bem isto. Todo membro de A.A. um dia foi um  rebelde.  Por  isso  não  fazemos concessões mútuas. Devemos entrar na  caverna  escura  onde  ele  está  e  mostrar-lhe  que  o  entendemos. Percebemos estar ele  muito  fraco  para  vencer os obstáculos. Se colocarmos alguma    dificuldade    em   seu   caminho,   ele   pode   ficar   fora   e   perecer. Oportunidade sem preço pode ser-lhe negada. Por isso, quando ele pergunta: "Existe alguma condição?,  nós respondemos alegremente: "Não, nenhuma". Quando, sem acreditar, ele volta dizendo: "Mas deve haver algo que eu tenha de  fazer  ou acreditar?",  rapidamente  respondemos:  "Em A.A.  não existem obrigações". 
     Sem    acreditar,   talvez,  ele  então  pergunta:   "Quanto  tudo  isto  vai  me custar?".   Somos   capazes   de    rir   e    dizer:    "Nada,   não   há   taxas   nem mensalidades".   Assim,   num   instante,  nosso  amigo  é  desarmado  de  sua suspeita  e rebelião.  Seus  olhos  começam a abrir-se para um novo mundo de amizade e entendimento. Idealista fracassado que possa ele ter sido, seu ideal não é mais um sonho.  Após  anos de procura solitária, agora lhe é revelado. A realidade de Alcoólicos Anônimosirrompe sobre ele. Alcoólicos Anônimos está dizendo:   "Temos   algo  sem   preço   para   te  dar  mas  somente  se  quiseres receber".  Isto  é  tudo.  Mas  para  o  nosso  amigo  é   importante.  Sem   mais cerimônias, ele se torna um de nós.
     Nossa   Tradição   sobre   como   se   tornar  membro  contém,  porém,  uma qualificação  de  importância  vital.  Esta  qualificação  relaciona-se  ao  uso  de nosso próprio nome,  Alcoólicos Anônimos.  Acreditamos que, quando dois ou três alcoólicos  se reunirem  para  alcançar a sobriedade, podem se chamar de Grupo de A.A. desde que, como grupo,  eles  não tenham outra afiliação. Aqui nosso propósito é claro e sem equívoco. Por  razões óbvias, desejamos só seja usado o nome Alcoólicos Anônimos em estreita conexão com as atividades da Irmandade.  Nenhum  membro   de   A.A.   gostaria   de  ver,   por  exemplo,   a formação de grupos de A.A. ligada  a movimentos de temperança e vice-versa, grupos de A.A "comunistas". Poucos, se houver, desejariam ver nossos grupos designados por denominações religiosas. Não podemos emprestar o nome de A.A.,  mesmo  indiretamente,  a  outras  atividades,  mesmo   muito   valiosas. Ficaremos irremediavelmente comprometidos se assim agirmos. Pensam que A.A.  deve  oferecer sua  experiência  para o mundo inteiro, para qualquer uso que possa ser feito dele. Mas não seu nome. Nada mais correto.
     Deixem-nos    resolver    sermos    sempre    inclusivos,    nunca    exclusivos, oferecendo tudo o que temos para todos, menos nosso nome. Possam, assim, ser   derrubadas   todas   as   barreiras,   possa ,   assim,    nossa   unidade   ser preservada. E que Deus nos conceda uma longa vida e uma utilidade única.


Revista Vivência nº 21 
- JUL/AGO/SET 1992
               

                                                                           
(Fonte: Grapevine, fev./48. Tradução
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Wellodimer. Reproduzido com permissão)