DP - A Tradição que mais me atraiu em A.A. > RV.125


Confesso que fiquei impressionado


       Não   importa   o   que   você   fez, se  é  analfabeto,  pobre,  se  tem problemas  com  a justiça, se usou outras drogas,  se acredita em Deus,  independente da sua orientação sexual,  em Alcoólicos Anônimos (A.A.)  você  é  bem  vindo. A Terceira Tradição  garante ao  doente  alcoólico  o  direito de se recuperar, sem julgamentos, pré-requisitos ou imposições.
     
     A  garantia  dessa  Tradição  impede  que  os  membros de A.A., instituam regras para o ingresso ou impeçam alguém de ingressar por  algum  motivo. A  criação  da  Terceira  Tradição não foi tarefa fácil, os membros sóbrios  queriam  criar  normas  para  a  entrada dos   futuros   companheiros   na   Irmandade.  Instituíram   tantas regras que se fossem seguidas ao pé da  letra, nem  eles  mesmos poderiam fazer parte de A.A.

     Para a sorte de futuros membros (como eu),  aboliram todas as exigências  de  ingresso  e  decretaram  que  "Para ser membro de A.A.,   o   único   requisito  é   o  desejo  de  abandonar  a  bebida". Sabiamente  deixaram  que  o  visitante se declarasse alcoólico ou não.

     Esta Tradição foi o que mais me atraiu  na Irmandade. Ninguém me  apontou   o   dedo.   Nenhum   companheiro   me   obrigou   a prometer  que  nunca  mais   beberia.   Ao   contrário,   "eles"   me falaram  que  aprenderam  a  viver  apenas  o  dia  de  hoje e como sugestão  me  ofereceram  o  "plano das 24 horas". Ensinaram-me que "nunca mais" está muito longe, mas que hoje eu posso evitar o  primeiro  gole  e ofertaram-me um programa chamado de Doze Passos.

     Confesso  que fiquei impressionado. A.A. era diferente de tudo que  eu  já  tinha  visto.  Senti-me  bem  junto  daquelas   pessoas. Estava  com  os  meus  iguais. Como  bem  diz  a  Terceira Tradição "Quem se atreveria a arvorar-se em juiz, júri e carrasco do seu irmão doente?".

     Hoje  após  algumas  vinte  e  quatro  horas de sobriedade, com uma vida refeita,  percebo o quanto a  Terceira Tradição garantiu a minha   sobrevivência,  pois   se   no   meu  ingresso  tivessem  me obrigado  a  acreditar  em  algo ou a ter que fazer alguma coisa eu fugiria  e  sozinho  fatalmente  minha  sentença  de  morte estaria decretada.

                                                                                                                                                                                                                                

Enéias 
Brasília - DF

Vivência nº 125 - Maio - Junho / 2010