Artigos - A vida de Bill W.

William Grifith Wilson, para nós Bill W., co-fundador de Alcoólicos Anônimos, nasceu em 1895 na pequenina cidade de Vermont, nos Estados Unidos da América do Norte, no dia 26 de Novembro de 1895. "Primogênito de família aristocrata pelo lado materno, pertencia a família humilde pelo lado paterno. Sua mãe Emily Grifith, uma mulher voluntariosa, enérgica e autoritária, era pouco dada a amizades fora de sua própria "clã",onde pontificavam juízes, escritores, religiosos e membros até certo ponto aristocratas e que gozavam de bastante prestigio em seu meio. Seu pai, o velho Gilman Barrows, era um irlandês de boa tempera, bonachão, beberrão, alegre e folgazão trabalhador de uma pedreira de marmores, principal indústria da região, a Nova Inglaterra e esta era uma das principais razões talvez, por que seus pais sempre se desentendiam, já que sua mãe Emily,dotada de forte personalidade, orgulhosa e autoritária, jamais aceitava aquela situação de seu esposo, do qual esperava que se tornasse "letrado", como a maioria dos de sua família. Mas Bill amava ao pai e eram constantes os passeios pelos bosques, sempre acompanhado pela sua irmã mais nova,Dorothy. "Aos 4 anos de idade, durante um dos seus primeiros devaneios, Bill se achava embevecido apreciando as belezas das montanhas que circundavam a sua pequena cidade, os maravilhosos montes Eolos que serviam de cenário ao lago de East Dorset, quando foi despertado pela voz de uma tia que o chamava para comer uma fatia de bolo, especialmente feito para aquela ocasião - era dia do seu aniversário. E desde então, disse Bill mais tarde, troquei as belezas da montanha pelos doces da vida... " Bill era grandalhão, desengonçado, de estatura bastante acima do normal para meninos da sua idade, o que até certo ponto o tornava motivo de chacotas e gozações de seus colegas de escola e infância, Era um menino bastante retraído, tímido e além do mais complexado e cheio de traumas. Os seus pais viviam em constantes desavenças e aos 9 anos de idade, por esses mesmos motivos tiveram que separar-se, o que o levou a residir com o seu avô materno, o velho Grifith. Aos 10 anos, tomou uma forte resolução: teria que ser o número um em tudo. Pelo menos teria que se destacar em alguma coisa, já que sempre se sentia frustrado e recalcado perante os outros meninos de sua idade, perante os seus companheiros de escola. "Seu avô certa vez lera-lhe algo sobre a Austrália e ao falar em "boomerang", Bill  perguntou-lhe o que aquilo significava. Com as explicações do avô de que se tratava de um objeto de madeira fabricado e usado com mestria e perícia somente pelos nativos daquele país, ele resolveu que seria o primeiro norte-americano a fabricar e a usar um "boomerang", aquele objeto que lançado ao ar, voltava sempre as mãos do seu arremessador. Decidido e persistente, cheio de determinação, caprichosamente passou a fabricar um "boomerang", usando madeira tirada de sua própria cama e isto durante seis meses, em um trabalho noturno e cotidiano, para que os seus familiares não notassem sua estranha "empresa". E um belo dia completou a sua tarefa e ao lançar o seu
"boomerang", este deu uma volta a uma praça próxima ao local onde se achava e quase que na volta, acerta a cabeça do seu avô. ' Jamais poderia pensar - disse Bill W. a se referir mais tarde a esse fato, que o "boomerang" viria dar-me grandes ensinamentos pela vida a fora... " Aos 14 anos de idade, Bill teve a sua maior desilusão. Quando fazia um piquenique com sua irmã e sua mãe, embaixo de uma frondosa arvore à beira do lago de sua cidade, a sua mãe comunicara-lhe o divórcio de seu pai, o velho "Gilly", como ele o chamava e ao qual tanto amava. " Bill aprendeu a tocar violino e embora fosse um músico medíocre, passou a ser regente da orquestra do seu colégio. Jogava "baseball" e embora nunca houvesse sido um grande jogador, era o melhor do time e como tal passou a ser capitão do time da sua escola. Mais tarde, em cursos posteriores e mais adiantados, apareceram melhores e ele foi totalmente esquecido, fato que veio aumentar as suas frustrações. "Aos 16 anos nova decepção lhe reservava o destino. A primeira moça de quem se enamorara, filha de um pastor da cidade, falecera repentinamente, deixando-lhe um vazio, somente preenchido 3 anos mais tarde pela sua adorada e futura esposa Lois Burnhan, com quem viveu durante cerca de 53 anos, até a sua morte. A nossa querida Lois, fundadora dos "Grupos Familiares Alanon", ainda viva e atuante, apesar de sua já bastante avançada idade, cerca de 87 anos. "Aos 21 anos de idade, já noivo de Lois e durante a Primeira Guerra Mundial Bill começou a "enamorar-se" do álcool, pois, introvertido e tímido como sempre o fora, somente se expandia sob o efeito de algumas "bebida espirituosas" - genebra, por exemplo, às quais ele dedicou a maior estima durante seus 18 anos de alcoolismo ativo. Era então apenas um "bebedor social"... "Aos 24 anos de idade, em 24 de Janeiro de 1918, casou-se com Lois e coincidentemente, 53 anos após e no mesmo dia, 24 de Janeiro de 1971, veio a falecer, em Miami Beach, na Flórida, vitima de um enfisema pulmonar consequente a uma pneumonia lobar que já havia algum tempo o acometera. " Bill cursou 3 anos de engenharia elétrica e mais tarde fez 3 anos em um curso noturno de Direito, quando trabalhava como agente de segurança da Estrada de Ferro Central de Nova York, sempre e cada vez mais se envolvendo com o álcool, embora as seguidas advertências e apreensões inúteis de sua dedicada esposa. Aos 26 anos passou a desempenhar negócios na Bolsa de Valores de Nova York e aos 30 tornara-se um dos mais prósperos de Wall Street. Enriqueceu e prosperou e com ele o alcoolismo. Já aos 34 anos de idade começava a sua decadência total e a sua caminhada para o "fundo de poço", a tal ponto que sua esposa teve que trabalhar para sustentar a ambos, já que "felizmente" não tiveram filhos. Bill nos seus últimos anos de alcoolismo nada mais fazia do que beber, beber e beber. Aos 38 anos de idade estava derrotado! " Bill teve três internações no "Towns Hospital" de Nova York, sempre aos cuidados do Dr. William Duncan Silkworth, o abnegado "Dr. Silky" o "doutorzinho que amava aos bêbados ", como era chamado carinhosamente pelos seus milhares de pacientes, como se já não fora ele o verdadeiro paciente de toda aquela gente. Certa vez, quando de sua segunda internação, ouvira o Dr. Silkworth dizer a Lois de sua desilusão e desesperança em sua recuperação. Ele possuía tão forte obsessão pelo álcool que seria impossível "controlar" o seu modo de beber. Só lhe restaria, como esperança, uma prisão, um manicômio ou futuramente a morte. Lois pacientemente e com lagrimas nos olhos,disse-lhe: "mas Bill tem tremenda dose de "força de vontade"...Nunca se viu um homem tão obstinado quando põe o seu coração em busca de alguma coisa. Ele tem tentado curar-se desesperadamente. Temos tentado tudo, Dr.porque ele não consegue parar?"  E realmente ele venceu, nem só ao seu alcoolismo, mas a todas as frustrações de sua vida. Bill tornou-se humilde e perseverante, tolerante e bondoso. Bill passou a ter FÉ...durante os seus 36 anos de sobriedade continua, lutou i cansavelmente para livrar a humanidade do seu maior flagelo - o alcoolismo. Enfrentando as maiores dificuldades,tanto ele como o Dr. Bob e ajudados ambos por suas abnegadas e incansáveis esposas, Lois e Anne, respectivamente, nos deixaram essa irmandade que se chama Alcoólicos Anônimos, por ambos fundada em 10 de junho de 1935, na pequena cidade de Akron, no Estado de Ohio nos Estados Unidos da América do Norte. " Bill faleceu aos 75 anos de idade e sempre desejou que os seus restos mortais permanecessem sob as sombras das belas montanhas de Vermont que tanto amou em sua infância... " Em sua última mensagem, quando já sem forças para comparecer à homenagem que lhe prestavam os companheiros de AA pelos seus 36 anos de sobriedade, pediu à sua esposa Lois, que a lesse em seu nome, ele nos disse: "Meus queridos amigos. "Recentemente um membro de AA me enviou uma extraordinária mensagem, a qual eu quisera estender a todos vocês. Disse-me que era a saudação de um amigo árabe. Talvez não tenhamos grupos de AA árabes, porém é uma expressão que explica o que sinto por cada um de vocês. E disse: “ Saúdo-te e dou graças por tua vida!'. " Meus pensamentos hoje em dia estão cheios de gratidão para com a nossa Associação pelo sem-número de bondades que nos tem dado a graça de Deus. Se me perguntarem qual dessas bondades era a responsável por nosso crescimento como Associação e mais vital para a nossa continuidade eu diria: o conceito do Anonimato. "O anonimato tem dois atributos essenciais para a nossa sobrevivência individual e coletiva: o espiritual e o prático. Ao nível espiritual o anonimato requer toda a disciplina que somos capazes de dar; ao nível prático o anonimato tem protegido ao novo membro, nos tem dado o respeito e o apoio do mundo exterior, dando-nos segurança e proteção daqueles que poderiam usar o AA pra fins doentios e egoístas. " Com o passar dos anos o AA deve e continuará a mudar. Não podemos nem devemos retroceder no tempo. Sem dúvida acredito firmemente que o principio do anonimato deve permanecer como primordial e permanente medida de segurança. Enquanto aceitarmos nossa sobriedade em nosso tradicional espírito do anonimato, continuaremos recebendo as graças de Deus. "E assim, uma vez mais te saúdo nesse espírito e outra vez doou graças por vossas vidas. Que Deus bendiga a todos nós agora e sempre". - Art. 73 Belo Horizonte - Mar/1978 - Nota: Este escrito foi gravado em fita e transmitido a todos os presentes, quando da reunião de abertura do "V Conclave Nacional de Alcoólicos Anônimos" realizado em Belo Horizonte (MG) em 23/3/78. Comecei ontem e terminei hoje a digitação integral deste artigo do Aluizio, que acredito alguns companheiros mineiros ou do Brasil devem ter lido, ouvido, guardado e partilhado não é? O lema de hoje é: "Mantenha a sua mente aberta". O lema de amanhã é: "Ensine pelo exemplo". Mente aberta para ver e entender a história da vida de Bill e o quê isso tem a ver comigo, e porque ela me emociona e para quê eu preciso saber dela e das histórias de outros e de muitos outros que contam sua história, e eu me emociono e percebo que tem tudo a ver com a minha recuperação, hoje e só por hoje, e como o Bill que agradece e repete o agradecimento eu agradeço e percebo que não só eu, mas muitos mais têm muito a agradecer, hoje e sempre a benção de Bill e a bênção que o Bill pediu a Deus para todos nós, funciona, está funcionando os anjos não cessam de entoar hinos por aqueles que conseguem evitar o 1º gole, e a partir daí sermos felizes. 
O que vocês acham? Despeço-me, desejando infinitas 24 horas de feliz e serena sobriedade, agradeço pelo silêncio e subscrevo-me,                                           
Atenciosamente (a) Henrique do AA (23,69) - Do Grupo de AA: Amor e Paz (Parque Continental/Jaguaré) - SP - SP - Br.