DP - Abertura para o mundo espiritual

A.A. é um programa e um modo de vida espiritual. Até mesmo a primeira parte do Primeiro Passo, "Admitimos que éramos impotentes perante o álcool", é uma experiência espiritual. Um membro de A.A. precisa de algo mais do que capacidades físicas; ele precisa utilizar todas as suas faculdades
como ser humano para ouvir a mensagem, refletir sobre ela, revisar os efeitos do passado, perceber, admitir e aceitar. Esses processos são atividades da mente, que faz parte do espírito. Sim, eu comecei com uma fé cega, mas a prova da verdade é que isso funciona. Acreditei naqueles que disseram que haviam sofrido devido ao alcoolismo, mas que estavam agora desfrutando da sobriedade através de A.A. Assim, a verdade estava lá para que a visse. Porém, percebi rapidamente a verdade a partir de minha própria experiência. Eu não só me libertei da compulsão para beber, como também fui orientado em direção a uma compulsão para viver! Através da repetição constante, A.A. também me tornou muito mais consciente da minha liberdade de escolha, e essa é a faculdade humana da força de vontade. À medida em que o tempo foi passando na sobriedade, foi-me oferecida e eu utilizei a oportunidade de aprender mais a respeito da humanidade, aprendendo mais sobre mim mesmo. Percebo agora que, quando disse pela primeira vez em uma reunião de A.A.: "Meu nome é Tom e eu sou um alcoólico", eu estava expressando a primeira verdade que havia aprendido a respeito de mim mesmo. Penso na espiritualidade contida nessas afirmações. Meu nome me diz que sou um ser humano; o fato de poder saber isso, pensar sobre isso e comunicá-lo aos outros, reforça minha humildade e me torna consciente e excitado pelo fato de ser! Isso se converteu então na abertura para o mundo espiritual. Com a orientação do programa, o encorajamento e os exemplos dentro da Irmandade, pude começar a conhecer a mim mesmo e estar preparado para aceitar aquilo que encontrasse. Aprendi na Irmandade que, se os outros podiam me aceitar e amar do jeito que sou, então eu devia amar a mim mesmo tal como sou - não por aquilo que eu era, mas por aquilo que eu poderia vir a ser. Aprendi assim um pouco a respeito da minha mente e da minha vontade, das minhas emoções e das minhas paixões. Aprendi que posso ser uma pessoa decente, embora imperfeito; aprendi que, quando vivo conscientemente no mundo real (a sanidade), cada dia bem vivido me ajuda a compensar meu passado. Minha religião não me concedeu A.A. Porém, A.A. me levou a ter uma fé maior em minha religião. A simples comparação entre o alcoolismo ativo e a sobriedade ativa ajudou-me a procurar, ouvir e aplicar os princípios do bem viver e assim sou recompensado com muito mais entusiasmo e alegria do que possuía antes da sobriedade em A.A. Aceitando gratamente essa sobriedade como um dom e usando-a voluntariamente, tornei-me consciente dos outros dons disponíveis para mim como ser humano. Para obter os benefícios, bastava apenas pedi-los e depois utilizá-los. Esse é o ponto crucial do programa e da vida: aceitação e ação. O dom da compreensão permitiu que os simples ensinamentos dos meus pais, dos meus mestres e da minha religião assumissem um novo significado e uma nova solidez. Com o dom da serenidade, estou pronto e disposto a aceitar aquilo que Deus permite que me aconteça; com o dom da coragem, estou pronto a entrar em ação para mudar as coisas que posso modificar, para meu próprio bem e o bem das demais pessoas. O dom da sabedoria me foi concedido para que eu, nos meus relacionamentos pessoais, possa agir inteligentemente e com amor ou, como também já foi dito, com competência e compaixão. Estou tentando agora assimilar a idéia de viver "de dentro para fora". O Livro Grande, "Na Opinião do Bill - O Modo de Vida de A.A.", "24 Hours a Day" (Não traduzido para o português (N.T.)), as reuniões, as experiências, a percepção das modificações em mim mesmo, na minha maneira de pensar, nas minhas escolhas e nos meus hábitos - tudo isso é espiritual. Existe a espiritualidade do modo de vida de A.A., que simplesmente nos torna cônscios de nossos recursos internos individuais. Não existe nenhum materialismo em A.A. - apenas espiritualidade. Se cuidarmos de nossas necessidades internas, nossas outras necessidades serão atendidas. Estou convencido de que o dom da sobriedade é o que dá valor e dignidade à minha vida. E é esse dom que tenho para compartilhar, aumentando à medida em que é compartilhado. 

El Cerrito, Califórnia 

VIEMOS A ACREDITAR 1/1