DP - Ajuda

"AJUDA"

Esta mulher chegou em A.A. através do computador

Quando meu marido me encorajou a aprender a usar o computador, há seis anos, ele não poderia prever as conseqüências: o computador poderia pavimentar meu caminho para A.A. e, assim, salvar minha vida e nosso casamento. Cresci numa casa muito feliz onde o álcool nunca entrava. Como filha única acostumei-me a traçar meus próprios roteiros na maioria das vezes, característica que viria a ter papel muito importante no meu futuro. Encontrei o homem que viria a tornar-se meu marido, aos quinze anos. Casamo-nos um ano depois. Tivemos dois filhos com dezessete meses de intervalo. Beber não era meu forte nos primeiros anos de nosso casamento, mas à medida que meus filhos iam entrando na adolescência e o dinheiro e o tempo eram mais disponíveis, cruzei a linha invisível do bebedor social para o alcoólico. Muitas vezes disse para meu marido e para meus filhos: "Não vou beber mais". Mas ficou provado que isso era promessa de curto prazo. Nossos rapazes cresceram, mudaram-se, casaram-se e, finalmente, nos fizeram avós de duas     adoráveis garotas. Eu não era uma bebedora diarista, mas, de vez em quando, permanecia bêbada de quatro a seis dias. Na última vez em que estive embriagada, meu marido me pediu, por favor, que eu procurasse ajuda na Internet, uma vez que eu vivia sempre no meu computador. Atendendo-o, procurei material de A.A. no computador e me inscrevi numa reunião on line. Mas continuei bebendo. Durante um apagamento, mandei outra mensagem para aquela reunião, usando a palavra "ajuda" como objeto da mensagem. Quando me levantei no dia seguinte, fiquei chocada. Ao abrir o computador havia quase setenta mensagens de mulheres de todo o mundo. Eram mensagens cheias de amor, encorajamento, experiências, forças e esperanças. Disseram-me: "Você não está só". Sugeriram-me não beber, assistir reuniões e continuar voltando. Havia um local apropriado nos computadores para essas senhoras conversarem e se ajudarem umas às outras diariamente. Disseram-me como chegar lá e assim o fiz. Pensei: "Isto é formidável, posso fazer o programa de A.A. em minha casa sem ter de encarar as pessoas". Felizmente não foi assim. Essas novas amigas permaneceram em contato comigo e pois de dez dias compartilhando suas forças e esperanças, fui à minha primeira reunião de A.A. face a face. Aquelas senhoras do grupo on line me mostraram o melhor caminho de tratar da vida e seus problemas sem usar álcool. Elas me disseram que a conexão on line é excelente, mas que eu precisava ir para uma reunião de A.A. na minha comunidade, necessitava de reuniões face a face. Finalmente, eu estava desesperada o bastante para tentar ficar sóbria por um dia e, então, mais outro e mais outro. Agora, quase um ano depois, coisas maravilhosas estão acontecendo. Assistindo às reuniões, rezando diariamente para pedir orientação e lendo as comunicações do computador, conservo-me equilibrada e no caminho certo. O apadrinhamento é a melhor parte da irmandade de A.A. Depois de duas semanas em A.A., procurei uma das mulheres da reunião on line e que tinha sido instrumento para me trazer às reuniões. Ela concordou em ser minha madrinha on line até que eu conseguisse alguém de corpo presente. Ela é, ainda, minha madrinha on line e me ajuda quando aparece qualquer problema. Ela me dirigiu no estudo dos Doze Passos de Alcoólicos Anônimos. Depois de dois meses, pedi a uma senhora de uma das reuniões face a face para me amadrinhar. Com ela, estou aprendendo a olhar meu interior, a tirar a máscara e encontrar a pessoa que realmente eu era, com todos os porres e ressentimentos.
A Internet pode, algumas vezes, trazer material pernicioso. Mas eu quero compartilhar minha história mostrando como minha vida foi salva por Alcoólicos Anônimos, o que encontrei na Internet.

Vivência N° 60 – JUL/AGO 1999.