Artigos - Alcoólicos Anônimos de 'A' a 'V' 12

 * LINKS abaixo com todas as páginas dessa matéria * 


120-. Paranóia=> 
Do grego paranóia. Doença mental que se manifesta por desconfiança, conceito exagerado de si mesmo, e desenvolvimento progressivo de idéias de reivindicação, perseguição e grandeza, sem alucinações. 

121-. Passo(s) =>
Do latim passu. Ato de deslocar o ponto de apoio do corpo de um pé para o outro por meio de movimentos para a frente, para trás ou para os lados. Dentre as várias descrições que se seguem, a mais próxima para definir os Doze Passos, poderia ser:Conjunto de passos (princípios)e outros movimentos corporais (atitudes)que, na dança (no cotidiano), constituem uma unidade ou um modelo que pode ser repetido (ser seguido).

122-. Os Doze Passos de A.A. – 
Sua concepção =>Desde o ingresso de Bill no Grupo de Oxford em dezembro de 1934, ele e Ebby desenvolveram um “programa de informação verbal” a partir da mensagem de Ebby, em novembro daquele ano, e dos conhecimentos adquiridos nesse Grupo através do Rev. Samuel Shoemaker: as idéias de autoconhecimento, reconhecimento de defeitos de caráter, reparação para dano causadoe trabalhando com outros.Da leitura do livro “As Variedades da Experiência Religiosa” de William James saíram os conceitos da calamidade e o colapso, e o apelo dirigido a um poder superior. Resumiram-no numa proposta que consistiu de seis passos: 
1.  Admitir a derrota e a impotência perante o álcool. 
2.  Fazer um inventário moral de todos os defeitos. 
3.  Compartilhar essas imperfeições com outra pessoa, de forma confidencial. 
4.  Fazer reparações àqueles que tínhamos prejudicado, devido à nossa bebedeira 
5.  Ajudar outros alcoólicos, sem buscar recompensa em dinheiro ou prestígio. 
6.  Pedir a Deus a força necessária para praticar estes preceitos. Isto  era  em  essência  o  que,  em  fins  de 1937, se estava dizendo aos recém-chegados em Nova York. Enquanto que na área de influência do Dr. Bob, Akron e Cleveland, seguia-se uma orientação extremamente fundamentalista, baseada em estudos bíblicos e leituras do pensamento cristão do primeiro século, como consta de um relatório feito por Frank Amos a pedido de John D. Rockefeller sobre o “pretenso Grupo Alcoólico de Akron, Ohio”: 
1. Um alcoólico deve reconhecer que é um doente incurável do ponto de vista médico, e que precisa deixar de beber para sempre qualquer coisa que contenha álcool.Rascunho dos seis primeiros Passos 
2. Deve de alguma forma se render a Deus, percebendo que em si próprio não há esperança.
3. Não somente deve querer parar de beber permanentemente, mas remover de sua vida outros pecados, tais como o ódio, o adultério, e outros que, com freqüência, acompanham o alcoolismo. Se não seguir esses passos de forma absoluta, Smith e seus associados se recusam a trabalhar com ele.
4. Deve fazer devoções todas as manhãs – um ‘momento de silencio’ para a oração e para a leitura da bíblia e de outra leitura religiosa. Se isso não for seguido fielmente, há grave perigo de uma recaída.
5. Deve estar disposto a ajudar outros alcoólicos a se recuperarem. Isso levanta uma barreira protetora e fortalece sua própria força de vontade e convicções.
6. É importante, mas não vital, que, com freqüência, reúna-se com alcoólicos reformados e juntos formem um companheirismo social e religioso.
7. Importante, mas não vital, que participe de algum tipo de serviço religioso pelo menos uma vez por semana. Bill e o Dr Bob chegaram a um acordo para escrever um programa único que teria como base algo muito próximo dos seis passos iniciais. Entretanto, quando Bill começou a escrever o quinto capítulo - Como Funciona, do livro Alcoólicos Anônimos,onde Os Doze Passos estão relatados, entendeu que esse programa permitia brechas através das quais a racionalização alcoólica poderia fazer em pedaços aqueles passos e se dispôs a fazer o rascunho de mais seis passos, enfatizando mais a postura religiosa de Akron. Isto resultou num formato muito parecido com um desdobramento dos seis passos originais e totalizou doze passos. 
•  Porquê os Doze Passos são sugeridos 
Bill gostou do resultado; os membros de Akron, conservadores, também. Já boa parte dos membros do Grupo de Nova York reagiu muito mal: tinha Deus demais na parada, e não aceitavam se “ajoelharem” perante ninguém como constava no Passo Sete; ponderaram que a média dos alcoólicos não iria aceitar aquilo do jeito que estava. Dividiam-se em três grupos: os conservadores, liderados por John Henry Fitzhugh (Fitz), o segundo AA de Nova York, eram favoráveis ao pensamento bíblico no sentido doutrinal da palavra; basicamente eram os que seguiam as orientações do Dr. Bob do Grupo de Oxford. Os liberais formavam o maior contingente e não colocaram objeção ao uso da palavra “Deus”, mas mostraram-se totalmente contrários a qualquer proposta teológica: espiritualidade sim, religião não. Por último os radicais: não queriam nem Deus nem religião. Liderados por Hank Parkhust, o primeiro AA de Nova York, e por Jimmy Burwell,ex-aluno de escolas religiosas, agnóstico convicto - tinha aversão a todas as igrejas e religiões estabelecidas, consideraram que a palavra Deus deveria ser substituída por um “poder universal”; eram favoráveis a um programa psicológico que atraísse o alcoólico e uma vez dentro do Grupo, o membro poderia 
aceitar Deus ou não, como quisesse. Após acalorados debates chegou-se a um compromisso formal que Bill W. considerou aceitável, mas que para o futuro de A.A. foi de fundamental importância, já que abria as portas da Irmandade a todos aqueles que queiram se recuperar sem qualquer tipo de condicionamento religioso: ateus, agnósticos, apóstatas, teistas, panteistas, deistas, objetores de consciência,etc. No Passo Dois, foi colocado “um Poder Superior a nós mesmos”, nos Passos Três e Onze, foi inserido “Deus, na forma em que O concebíamos”, descrições estas creditadas a Jim Burwell - embora a primeira também seja dividida com William James (que foi ateu), e que também ajudaram a descrever a Terceira Tradição.Do Passo Sete foi retirado “ajoelhados”, e o conjunto todo deveria ser apresentado como sugestões. Os liberais formavam o grupo maior, mas tinham desvantagem em relação aos grupos radicais e conservadores juntos. Assim, o programa dá ênfase à espiritualidade, porém, não existindo maioria absoluta prevaleceu o consenso negociado por Hank P. e Jim Burwell do livre arbítrio, isto é, não-dogmático. Assim, como sentença de cabeçalho estão escritas estas palavras: “Eis os Passos que aceitamos, os quais são sugeridos como programa de recuperação”. Portanto, Os Doze Passos de A.A. são apenas sugestões para que qualquer pessoa possa tentar e aceitar. Cada membro pode interpretar à sua vontade estes princípios ou até mesmo nem lhes dar importância se assim o desejar. 
•  Porquê os Doze Passos estão escritos no plural Entre as sugestões que vieram de profissionais e simpatizantes do movimento após a distribuição das cópias mimeografadas do Big Book para comentários, uma delas foi particularmente importante: ela veio do Dr. Howard,um conhecido psiquiatra de Montclair, Nova Jersey. Ele salientou que o texto usava demais as palavras “você” e“deve”,e sugeriu que se substituíssem por “nós” e“deveríamos”.Sua sugestão era remover todas as formas imperativas e de coação, para que a Irmandade se estabelecesse na base de “nós deveríamos” em vez de“você deve”.O texto todo foi revisado e adaptado a essa sugestão. 
Nota: Embora boa parte dos Doze Passos tenham sido inspirados em preceitos seguidos pelo Grupo de Oxford, este movimento nunca teve em seu programa nada parecido com a denominação de Passos ou Etapas. O núcleo do programa eram“Os Quatro Absolutos”: honestidade absoluta, abnegação absoluta, pureza absoluta e amor absoluto; tinham também os “cinco “Cs”: confiança, confissão, convicção, conversão e continuidade; e ainda os “cinco procedimentos”: entregar-se a Deus, atender a direção de Deus, confirmar a orientação, restituição e compartilhar - para dar testemunho e confessar. (A.A. Atinge a Maioridade, Levar Adiante, etc.) A idéia de se fazer o programa em Passos numerados foi inspirada nas “Nove Etapas” para o tratamento do alcoolismo que o terapeuta leigo Richard Peabody advindo do Movimento Emmanuel (ver abaixo),concebeu no livro “O Senso Comum de Beber” de 1931, muito lido pelos primeiros AAs; todavia o teor dos Passos é espiritual e o das Etapas comportamental. 

123-.  Os Doze Passos de A.A. => 
Eis os Passos que aceitamos, os quais são sugeridos como programa de recuperação:
1º.- Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio das nossas vidas. 
2º.- Viemos acreditar que um poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade. 
3º.- Decidimos entregar nossa vida e nossa vontade aos cuidados de Deus, na forma em que O Concebíamos. 
4º.- Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos. 
5º.- Admitimos perante Deus, perante nós mesmose perante outro ser humano, a natureza exata das nossas falhas. 
6º.- Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter. 
7º.- Humildemente rogamos a Ele que nos livra-se de nossas imperfeições.  
8º.- Fizemos uma relação de todas aquelas pessoas que tínhamos prejudicado, e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados. 
9º.- Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las, ou a outrem. 
10º.-Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados nós o admitíamos prontamente. 
11º.- Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O Concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade. 
12º.-Tendo experimentado um despertar espiritual graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem a outros alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades. 

124-. Patologia =>
Do grego pathos[sofrimento, doença] + lógos[palavra, tratado, estudo, ciência; que estuda, que trata] + ía[qualidade, estado, propriedade, dignidade, profissão, cargo, lugar onde, afecção, moléstia, coleção]. Parte da medicina que se ocupa das doenças, suas origens, sintomas e natureza. 

125-. Pecado=> 
Do latim peccatu. Transgressão de preceitos religiosos. 

126-. Política =>
Ciência dos fenômenos referentes ao Estado. Sistema de regras respeitantes à direção dos negócios públicos. Princípio doutrinário que caracteriza a estrutura constitucional do Estado. Posição ideológica a respeito dos fins do Estado. Habilidade no trato das relações humanas com vista à obtenção dos resultados desejados.

127-. Pragmático => 
Do grego pragmatikós. Relativo aos atos que se devem praticar. Referente ou conforme à pragmática: conjunto deregras ou fórmulas para as cerimônias da corte ou da igreja. Formalidades de boa sociedade; etiqueta. 

128-. Pragmatismo =>
Do inglês pragmatism. Doutrina criada pelos filósofos americanos Charles Sanders Pierce (1839-1914)e William James (1842-1910)– mentor filosófico de A.A., segundo a qual a verdade de uma proposição consiste no fato de que ela seja útil, tenha alguma espécie de recompensa, de êxito ou de satisfação. A filosofia de A.A. em sua concepção é pragmática, nunca dogmática.

129-. Prece => Do latim prece. Pedido instante; súplica. Rogação, rogativa, rogatória, pedido, petição. Oração, orar; rezar, dizer ou fazer súplicas. 




Índice
1-. Abstêmio/a 
2-. Abstinência 
3-. Abstinência em A.A. 
4-. Adicção 
5-. Adicto 
6-. Adictos Anônimos 
7-. Agnosticismo 
8-. Agnóstico 
9-. Akron (o berço de A.A.) 
10-. Al-Anon. 
11-. Al-Anon no Brasil. 
12-. Alateen. 
13-. Álcool 
14-. Alcoólatra 
15-. Alcoólico/a 
16-. Alcoólico ou alcoólatra? 
17-. “Meu nome é...” 
18-. Alcoólico recuperado ou em recuperação? 
19-. Alcoólicos Anônimos – A Irmandade. 
20-. Alcoólicos Anônimos - O nome. 
21-. Alcoólicos Anônimos - O livro. 
22-. Alcoólicos Anônimos no Mundo. 
23-. Alcoólicos Anônimos no Brasil. 
24-. Alcoólicos Anônimos em São Paulo. 
25-. Alcoolismo 
26-. Primeiros estudos sobre o alcoolismo. 
27-. Estudos sobre o moderno alcoolismo. 
28-. Alcoólicos Anônimos: o primeiro movimento social... 
29-. Centro de Estudos do Álcool. 
30-. Comitê Nacional de Educação sobre Alcoolismo. 
31-. A classificação do Alcoolismo segundo a Associação Psiquiátrica Americana. 
32-. A classificação do Alcoolismo segundo a Organização Mundial da Saúde. 
33-. A carreira alcoólica de Bill W. 
34-. A carreira alcoólica do Dr. Bob. 
35-. Alcoolista, ou etilista 
36-. Alucinação 
37-. Anonimato 
38-. Anonimato em A.A. 
39-. Antabuse 
40-. Ateísmo 
41-. Ateu 
42-. Bafômetro 
43-. Barbitúrico 
44-. Bebedor exagerado, 
45-. Beladona 
46-. Companheirismo 
47-. Companheirismo em A.A. 
48-. Companheiro/a 
49-. Comunicação 
50-. Comunicar 
51-. Comunidade 
52-. Conceito 
53-. Conceito(s) em A.A. 
54-. Costume 
55-. Costumes 
56-. Costumes em A.A 
57-. A história das Fichas. 
58-. A oração da Serenidade. 
59-. Alcoólicos Anônimos e as orações.
60-. Cura 
61-. Cura (a) da Beladona 
62-. Delírio 
63-. Delirium-tremens 
64-. Despertar 
65-. Despertar espiritual 
66-. Doença 
67-. Dogma 
68-. Dogmatismo 
69-. Dogmatista 
70-. Doutrina 
71-. Espiritual 
72-. Espiritualidade 
73-. Espiritualismo 
74-. Estigma 
75-. Ética 
76-. Êxtase 
77-. Garantia 
78-. Garantia (s) em A.A. 
79-. Grupo 
80-. Grupo de A.A. 
81-. Grupo de Oxford. 
82-. Grupos Anônimos de Ajuda Mútua. 
83-. Humildade 
84-. Ianque. 
85-. Irmandade 
86-. Irmandade de Alcoólicos Anônimos. 
87-. Legado 
88-. Os Três Legados de A.A. 
89-. Lei 
90-. Alcoólicos Anônimos e a Lei. 
91-. Lei Hughes. 
92-. Lei Seca (a). 
93-. Lei Seca (a) no Brasil. 
94-. Literatura 
95-. Literatura em A.A. A origem 
96-. Literatura aprovada pela Conferência. 
97-. LSD 
98-. Mensagem 
99-. Mescalina 
100-. Meditação 
101-. Meditar 
102-. Mentor 
103-. Modelo Minessotta 
104-. Moção 
105-. Moção em A.A. 
106-. Moral 
107-. Morbidez 
108-. Mórbido 
109-. Narcótico 
110-. Narcóticos Anônimos (NA) 
111-. Narcóticos Anônimos no Brasil. 
112-. Neurose 
113-. Neurótico/a 
114-. Neurótico/a em N/A. 
115-. Neuróticos Anônimos (N/A) 
116-. Neuróticos Anônimos no Brasil - N/A, 
117-. Niacina 
118-. Obsessão 
119-. Paraldeido 
120-. Paranóia 
121-. Passo(s) 
122-. Os Doze Passos de A.A. – Sua concepção 
123-. Os Doze Passos de A.A 
124-. Patologia 
125-. Pecado 
126-. Política 
127-. Pragmático 
128-. Pragmatismo 
129-. Prece 
130-. Princípio 
131-. Princípios 
132-. Proceder 
133-. Procedimento 
134-. Promessa 
135-. As doze “promessas” de A.A. 
136-. Psicose 
137-. Questão de ordem 
138-. Questão de ordem em A.A. 
139-. Recuperação 
140-. Recuperação em A.A. 
141-. Religião 
142-. Alcoólicos Anônimos e a religião 
143-. Religiosidade 
144-. Serenidade 
145-. Simples. 
146-. Simplicidade 
147-. Simplismo 
148-. Simplista 
149-. Síndrome 
150-. Síndrome de Wernicke-Korsakoff 
151-. Sobriedade 
152-. Sobriedade Em A.A. 
153-. Sugerir. 
154-. Sugestão 
155-. Teísmo 
156-. Temperança 
157-. Movimentos Pro-temperança. 
158-. American Temperance Society (ATS) 
159-. Sociedade de Temperança Washington. 
160-. União Feminina pela Temperança Cristã. 
161-. Anti-Saloon League. 
162-. Movimento Emmanuel. 
163-. Jacoby Club. 
164-. Terapia 
165-. Terapeuta 
166-. Terapeuta leigo, Conselheiro, ou, Consultor 
167-. Tolerância 
168-. Tradição 
169-. ‘Os filhos do caos’ e o nascimento das Tradições de A.A 
170-. As Doze Tradições de A.A.: 
171-. Unicidade 
172-. Unicidade de propósito em A.A. 
173-. Vicio Página 5 de 113