Artigos - Alcoólicos Anônimos de 'A' a 'V' 16

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160-. União Feminina pela Temperança Cristã
Com a unificação de todos os Estados da União após a derrota dos Confederados na Guerra Civil, ou de Secessão (1861-1865),foi fundado o Partido Proibicionista em 1869, e mais dois movimentos que iriam influenciar definitivamente na proibição das bebidas alcoólicas. O primeiro, a Christian Woman Temperance Union (WCTU)– em tradução livre,  União Feminina pela Temperança Cristã, teve sua origem em  1873com criação da Cruzada Feminina pela Temperança, quando as mulheres em todo o país empenhadas em um protesto espontâneo, marcharam pelos bares, cantando hinos, orando, e pedindo aos proprietários que fechassem seus negócios. Quando os salões que fecharam reabriram alguns meses depois, aquelas mulheres decidiram se organizar formalmente numa convenção nacional ocorrida em Cleveland, Ohio, entre os dias 18 e 20 de novembro de 1874. Seu símbolo, um laço de fita branca (acima, dir.), representa a pureza e o seu lema "Agitar - Educar - Legislar".Durante os primeiros cinco anos, a organização esteve focada na abstinência por persuasão moral e educação, mas suas atividades foram ampliadas para incluir os direitos das mulheres, como o direito ao voto alegando que, com o voto das mulheres poderia ser decretada a proibição, e esta se tornou o foco principal dos esforços da organização. "Lábios que provam o álcool, não provarão os nossos" Piquete feminino 
O WTCU desenvolveu-se como uma organização política sofisticada e criou técnicas de pressão política – até sexual, a nível local, estadual e nacional. Também foi a primeira grande organização nacional de unir as mulheres do Norte e do Sul após a Guerra Civil, e incluiu as mulheres negras, embora em muitos grupos locais do WCTU, tanto no Norte como no Sul ainda continuaram a ser segregadas. O WCTU foi a maior organização reformista das mulheres do século XIX. Limitada às mulheres e composta principalmente por evangélicas, cresceu rapidamente, e logo todos os Estados tinham uma organização WCTU. Atualmente, em 2010, está presente em mais de setenta Países. Brevemente essas mulheres encontrariam o apoio dos homens às suas idéias através da, Liga Anti-bares. 

161-. Anti-Saloon League. 
Ou Liga Anti-bares,foi a principal organização de lobby para a proibição das bebidas alcoólicas nos EUA no fim do século 19 e início do século 20. Sua fundação como sociedade estatal em Oberlim, Ohio, em 1893, teve o apoio em peso dos  produtores rurais conservadores, liderados pelas Igrejas puritanas principalmente os metodistas, batistas e congregacionistas e sua influência espalhou-se rapidamente. Em  1895, tornou-se uma organização nacional e rapidamente cresceu para se tornar a proibição lobbymais poderoso nos Estados Unidos. A Liga foi o primeiro grupo de pressão moderna organizada em torno de um assunto. Ao contrário de movimentos populares anteriores, utilizou métodos empresariais para construir uma organização forte. Concentrou-se na legislação e fez lobby em todos os níveis de governo para criar a lei que proibiu a fabricação ou importação de aguardente, cerveja e vinho sem se preocupar se os legisladores bebiam ou não. A eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), colocou o argumento decisivo na boca dos inimigos do álcool. Segundo eles, cereais, levedo, malte a açúcar seriam alimentos básicos e não poderiam ser desperdiçados na fabricação de bebidas alcoólicas em tempos de guerra. Cerveja e vinho seriam, além disso, produtos típicos da Alemanha inimiga. Seu consumo, logo, um ato pouco patriótico. 

162-. Movimento Emmanuel.
O Movimento Emmanuel começou em Boston em 1906, na  Igreja Episcopal Emmanuel,onde seu fundador Rev. Elwood Worcester (1862 – 1940),e seu assistente Rev. Samuel Mc Comb (1864 – 1938), abriram uma clínica, que atendia gratuitamente pessoas portadoras de tuberculose vindas das favelas de Boston, e lá chegavam em busca de ajuda e conforto espiritual. Mais tarde, com a ajudado médico psiquiatra, Dr. Isadore Henry Coriat (1875 – 1943),estenderam esta ajuda a pessoas portadoras de transtornos mentais. Neste campo descobriram uma procura muito grande por parte de alcoólicos, o que os levou a desenvolver técnicas especiais para trabalhar com essas pessoas. 
Dr. Coriat 
Verificou-se, então, que combinando espiritualidade com psicologia simples praticada em grupo através de reuniões semanais, mantinha essas pessoas afastadas da bebida. Essa terapia de grupo teve ampla repercussão e boa acolhida, e Worcester e Mc Comb tornaram-se conhecidos por seu sucesso no tratamento de pacientes alcoólicos. Em 1911, o corretor de seguros Courtenay Baylor (1870-1945), pediu ajuda a Worcester para tratar seu alcoolismo e após um período de sobriedade, em 1913, começou a trabalhar para a igreja Emmanuel como especialista em alcoolismo. Tornou-se terapeuta leigo remunerado - obteve grande sucesso e sua fama como terapeuta espalhou-se rapidamente. Em 1919, publicou o livro“Refazendo um Homem” (dir.), onde descreve a técnica de seu tratamento. Dentre os alcoólicos ajudados por Baylor, dois se sobressaíram, primeiro pela natureza do seu grau de alcoolismo considerado irrecuperável, e segundo pela influência que suas histórias e seus feitos teriam na futura constituição de A.A. O primeiro deles foiRichard Rogers Peabody (1892 –1936), membro e herdeiro de uma abastada família de Boston, teve problemas com sua maneira de beber desde a juventude. Alistou-se no exército e combateu na Revolução Mexicana. Em 1917se re-alistou no campo de treinamento de oficiais de Platsburg, Nova York, onde se cruzou pela primeira vez com Bill W. que também lá estava. Os dois faziam parte da Força Expedicionária Americana e saíram de lá para participar da I Guerra Mundial na Europa com o grau de segundo-tenente. Lá, Peabody chegou ao posto de capitão. Os dois tiveram seu alcoolismo agravado na Europa e suas conseqüências na demoraram a aparecer. No 
regresso e por causa de seu alcoolismo, Peabody foi deserdado pela família e se divorciou de sua mulher Mary Phelps "Polly" Jacob (1891-1970),com quem tinha dois filhos e teria lhe contado sua prática de adultério enquanto ele estava na guerra. “Polly” ficou conhecida no mundo todo quando, revoltada contra o uso do espartilho inventou o sutiã moderno, patenteado por ela em 1910 com a idade de 19 anos. Em 1921, Peabody foi procurar ajuda naIgreja Episcopal Emmanuel, onde orientado por Baylor conseguiu a sobriedade. Aproveitando os conhecimentos adquiridos com Worcester e Baylor, tornou-se terapeuta leigo. Em 1931 Em abril de 1931, Peabody publicou o livro O Senso Comum de Beber, dedicado a Baylor, onde descreve o Método Peabody para o tratamento do alcoolismo, e, apesar de ele não ter qualquer formação em medicina ou psicologia, foi considerado muito eficaz nos meios especializados. O método compõe-ser de nove etapas (a idéia de escrever o programa de A.A. em passos numerados parece ter surgido destas etapas)concebidas para reeducar e ensinar os Rev. 
Elwood Worcester 
Mary Phelps "Polly"
Richard R. Peabody 
alcoólicos a aceitar o fato de que nunca poderão voltar a beber – esta é a origem da sentença usada em A.A.: uma vez alcoólico sempre alcoólico, encontrada no terceiro capítulo do Livro Azul,que ao igual que “Um homem de trinta anos...”e sua história, foi retirada do livro de Peabody que mostra formas e meios para se adaptar a uma nova vida sem beber. Foi o primeiro a afirmar que não existia cura para o alcoolismo. Este método é uma versão secularizada e profissionalizada do movimento Emmanuel, ou seja, sem o componente espiritual e também ignora as reuniões em grupo. Limitava-se aos alcoólicos que podiam pagar pela terapia individualizada. Peabody também é o terapeuta leigo bem sucedido a quem Bill W. se referiu aotentar justificar a oferta de trabalho com alcoólicos feita pelo dono do Hospital Towns, a qual foi rejeitada por Bill após consultar alguns outros membros, fato este que teria originado o enunciado da Segunda Tradição Além de Bill W. e Lois, este livro foi muito lido pelos primeiros AAs. Um exemplar presenteado a Bill por Rosa Burwell, encontra-se nos arquivos do GSO em Nova York. Apesar do grande sucesso alcançado pelo modelo de tratamento desenvolvido por ele, Peabody recaiu no alcoolismo morreu em 26 de abril de 1936 em Nova York aos 44 anos O segundo alcoólico ajudado por Baylor, entre 1933e 1934, foi Rowland Hazard (1881 – 1945), ao conseguir que alcança-se a sobriedade, feito que o Dr. Jung não tinha conseguido. Em 1934, Rowland ingressou no Grupo de Oxford de Nova York, onde transmitiu os conhecimentos do movimento Emmanuel para Ebby e para Bill W. (ver Grupo de Oxford) A partir de 1942, o Movimento Emmanuelfoi perdendo espaço para Alcoólicos Anônimos, pois embora os programas fossem muito parecidos no conceito espiritual, o primeiro deu ênfase à formação de terapeutas, sobretudo a partir da aposentadoria de Worcester em 1929, enquanto A.A., não-profissional e gratuito, atendia às expectativas de um maior número de alcoólicos. Um antigo membro resumiu: “Suas idéias eram maravilhosas, mas não tinham a magia de A.A.”. 
163-. Jacoby Club. 
Este movimento foi fundado em 1909 pelo comerciante de borracha e membro da Igreja Emmanuel, Ernest Jacoby. Inicialmente concebido para ser o braço alcoólico  do Movimento Emmanuel, o grupo cresceu rapidamente. Em setembro de 1913 separou-se da Igreja, porém, manteve os mesmos preceitos e métodos que lhe deram origem – isto é, princípios espirituais combinados com terapia em grupos de ajuda mútua, até seu fechamento em 1954. De todos os movimentos havidos, este foi o mais parecido com o que viria ser Alcoólicos Anônimos. Em 1940 chegou a Boston Paddy Keegan– que se tornou AA depois de ser abordado por Marty Mann no sanatório Blythewood, onde ela também tinha se tratado com psiquiatra Dr. Tiebout - com a pretensão de abrir um Grupo de A.A. Lá conheceu Burt C.Por indicação de Ruth Hock, secretária do escritório de A.A. em Nova York, encontraram-se com Hatlestad Lawrence diretor do programa de recuperação para alcoólicos do Jacoby Club, e no próprio Club realizaram a primeira reunião de A.A. no dia 13 de novembro de 1940; a partir daí o grupo manteve reuniões semanais. Da mesma maneira que os AAs de Akron, Nova York e Cleveland foram fortemente influenciados pelas idéias do Grupo de Oxford, os AAs de Boston também o foram pelos preceitos do Jacoby Club e, por conseguinte, do movimento Emmanuel. A grande diferença foi O Senso Comum de Beber que os alcoólicos do Grupo de Oxford raramente conseguiam sobriedade continuada – máximo de um a três anos. Já os membros do Jacoby Club obtinham-na, quando não permanente, por períodos muito mais longos. Tal como tinha acontecido com os primeiros, os AAs de Boston também começaram a se distanciar do Jacoby Club, até a ruptura definitiva no começo de 1942.
 
164-. Terapia => 
Do grego therapeía. Parte da medicina que estuda e põe em prática os meios adequados para aliviar ou curar os doentes

165-. Terapeuta => Aquele que exerce alguma forma de terapia.

166-. Terapeuta leigo, Conselheiro, ou, Consultor=> 
Em muitas clinicas de tratamento do alcoolismo, estas denominações indicam aqueles profissionais que, portadores da doença do alcoolismo mas recuperados de seus sintomas, embora não tendo formação específica acadêmica para tratar da patologia da doença, foram selecionados por seus conhecimentos e suas qualidades para ajudar, através de sua experiência, no tratamento terapêutico de outros doentes. Embora Alcoólicos Anônimos não tenha no seu programa de ação a profissionalização de quem quer que seja, não coloca absolutamente objeção alguma àqueles membros que optarem por seguir esse caminho, uma vez que esta é uma prática que remonta aos primórdios da Irmandade. A únicas condições que se colocam são as de que não seja usado o nome da Irmandade para auferir vantagens, não se profissionalize o trabalho do 12º Passo, e, como qualquer outro membro preservem seu anonimato nos níveis que se fizerem necessários. Àqueles que fizeram esta escolha, a Irmandade sempre lhes devotou o maior respeito, até porque ajudar a salvar vidas, qualquer que seja a motivação, é, depois da procriação, a maior e mais nobre façanha que o ser humano pode realizar. Para aqueles que pretendem seguir esta opção, o A.A.W.S. preparou um “Guia para membros de A.A. empregados no campo do alcoolismo”, ainda não publicado pelaJUNAAB no Brasil. Na sua apresentação diz: “Este Guia é para os membros de A.A. que estão empregados no campo do alcoolismo. Esse universo inclui uma grande variedade de trabalhos: desde assistentes sociais, enfermeiras, conselheiros e até aqueles que dirigem programas locais ou nacionais. Os AAs que colaboraram para a elaboração deste Guia, coincidem ao afirmar que o que capacita uma pessoa para executar esses serviços são a habilidade e a experiência profissional e não o fato de ser membro de A.A.” Mais à frente continua:“PODE SER FEITO. Durante mais de 64 anos (isto em 2008),membros de A.A. trabalharam profissionalmente no campo do alcoolismo. Em 1944, Marty M., uma das primeiras mulheres em A.A., começou a educar o público a respeito do alcoolismo com o apóio total do Dr. Bob, Bill W. e outros AAs daquelaépoca. Perceberam que angariar fundos para a educação sobre o alcoolismo não fazia parte da competência nem do objetivo primordial de A.A. Já, em 1957, como conta Bill W. em A.A. Atinge a Maioridade, havia muitos AAs empregados em organizações não-A.A. que trabalhavam no campo do alcoolismo na qualidade de assistentes sociais, pesquisadores, educadores, enfermagem, conselheiros e outras profissões. ‘Não temos o direito nem a necessidade de sugerir aos AAs que tenham o desejo de trabalhar nos diferentes campos de atuação para os quese considerem habilitados, que não o façam’, disse também Bill no mesmo livro. ‘Seriamos anti-sociais se assim o fizermos’. Muitos AAs tem feito extraordinárias contribuições ao conhecimento e à compreensão do alcoolismo, agindo de acordo com o espírito e a letra das Tradições de A.A. Pode ser feito e foi feito” 
Este Guia poderá ser acessado através de www.aa.org (pode selecionar o idioma, além do inglês, español ou francês) => Literatura de A.A. => Guias => Selecione=> Para Miembros de A.A. Empleados en el Campo del Alcoholismo (o que este transcritor selecionou). No Brasil, tramita no Congresso Nacional umprojeto de Lei apresentado em 2010 para regulamentar a profissão de Consultor em Dependência Química, que também abrange o alcoolismo.

167-. Tolerância =>
Do latim tolerantia. Ato ou efeito de tolerar. Pequenas diferenças para mais ou para menos, no peso ou no título das moedas. Diferença máxima obtida entre um valor especificado e o obtido; margem especificada como admissível para o erro em uma medida ou para discrepância em relação a um padrão. Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou degrupos determinados, políticos ou religiosos.
 
168-. Tradição=> 
Do latim traditione, transmissão de valores espirituais através das gerações.

169-. ‘Os filhos do caos’ 
e o nascimento das Tradições de A.A. =>Transcrito, com permissão, do texto em español no boletim oficial do GSO, Box 4-5-9, Primavera 2011. 
http://www.aa.org/subpage.cfm?page=27
Inicio da transcrição => “Os aproveitadores se aproveitavam,os solitários lamentavam sua solidão, os comitês entravam em disputa, os novos clubes enfrentavam dificuldades inesperadas, os oradores praticavam o charlatanismo, os grupos eram desgarrados pelas controvérsias, os membros se convertiam em profissionais e vendiam o movimento; por vezes grupos inteiros se embriagavam e as relações públicas locais chegaram a ser um escândalo”. (A linguagem do Coração). Assim era a situação em alguns dos Grupos da incipiente Irmandade na época pioneira de A.A. conforme Bill W. Com pouca ou nenhuma experiência na nova e exigente aventura da sobriedade, os Grupos de A.A. voavam às cegas. O programa de recuperação de A.A., tal como expresso nos Doze Passos expostos no Livro Grande (Livro Azul, no Brasil), alastrava-se como fogo – de um alcoólico para outro, por todo o país (EUA) e inclusive em países de ultramar. Com reportagens favoráveis em vários meios de comunicação e o crescente apóio da medicina e da religião, A.A. foi sendo cada vez mais conhecida. Alcoólicos estavam conseguindo sobriedade e essas boas novas difundiam-se rapidamente. Entretanto, os recém criados Grupos dispunham de poucos recursos para seu apoio e orientação, com exceção do profundo desejo de seus membros individualmente se manterem sóbrios. Tudo tinha que ser definido dia após dia e baseados na experiência pessoal e individual por meio de um sistema de tentativas, aprendendo com os erros e assim descobrir o que funcionava ou não. Regras foram criadas para em seguida serem quebradas, estabeleceram-se normas que logo foram descartadas, e inevitavelmente, surgiram disputas, muitas vezes acirradas, referentes às relações dos próprios membros, uns com os outros, e com o mundo exterior. Nas primeiras décadas de A.A., havia muitos problemas para enfrentar e, na medida em que a quantidade de membros aumentava a cada ano, os desafios decorrentes para viver e trabalhar juntos, não apenas como indivíduos mas também como Grupos, iam-se empilhando. O sucesso e a maior visibilidade vinham acompanhados de suspeitas, ciúmes e ressentimento. Havia conflitos relacionados com todos os assuntos imagináveis: o uso do dinheiro, as operações dos clubes, o uso inapropriado do nome de A.A., a liderança e3 os romances.  Os costumes nas reuniões variavam de um Grupo para outro; algumas reuniões eram compostas principalmente por bêbados de classes mais baixas; outras davam preferência aos bêbados das classes mais altas; alguns Grupos permitiam a volta de quem tinha recaído, enquanto outros acreditavam que essas pessoas deveriam ser excomungadas. “Parecia que cada participante em cada desacordo dos Grupos de todo o país, nos estivesse escrevendo durante esse confuso e apaixonado período”,disse Bill W. em ‘A.A. Atinge a Maioridade’. Os problemas descritos por esses membros ameaçavam tumultuar a Irmandade nascente e numa carta de 1950 dirigida a um membro de A.A. de Michigan, Bill W. disse: “Quando chegavam à minha mesa no escritório as cartas em que descreviam as dores de crescimento dos primeiros Grupos, passava a noite deitado na cama sem poder conciliar o sono. Parecia-me que as forças da desintegração iam desgarrar nossos Grupos pioneiros...”. Alcoólicos Anônimos não foi a primeira Irmandade que embarcou à deriva nas armadilhas e nos conflitos gerados pelo sucesso perigoso. A Sociedade  Washingtoniana (*), um movimento criado quase um século antes (em abril de 1840) e dedicado ao resgate de bêbados quase havia descoberto a solução para o problema do alcoolismo. Em seu começo, a sociedade, que se originou em Baltimore, estava composta somente por alcoólicos que se esforçavam para se ajudar os uns a os outros. Tiveram considerável sucesso e o movimento prosperou alcançando mais de 500.000 membros. Porém, os Washingtonianos deixaram que políticos e reformadores, alcoólicos e não alcoólicos fizessem uso da sociedade para seus próprios fins e, em que pesem suas intenções expressas de não se meter na política, na religião e no comercio, muitos membros adotaram publicamente posturas opostas em questões de reforma de políticas referentes ao alcoolismo e outros assuntos do dia a dia. Num prazo de oito a nove anos, segundo reportagens da época, perderam seu atrativo. No banquete anual de A.A. em Nova York, em 07 de novembro de 1945, Bill W. disse: “Em resumidas palavras, os Washingtonianos puseram-se a resolver os problemas do mundo antes de solucionar os seus. Não tiveram a capacidade de ocupar-se unicamente de seus assuntos”. O Grupo de Oxford (ver), uma organização religiosa da qual brotaram as sementes de A.A. e que deu origem a alguns dos princípios e preceitos básicos da Irmandade, também oferece exemplos do que não deve ser feito. No livro ‘A.A. Atinge a Maioridade’, Bill W. escreveu: “Os AAs pioneiros extraíram suas idéias de auto-exame, reconhecimento dos defeitos de caráter, reparações pelos danos causados e o trabalho com os outros, direta e unicamente do Grupo de Oxford e particularmente de Sam Shoemaker, seu líder nos EUA”. Entretanto, embora o Grupo de Oxford se preocupasse profundamente com a sorte dos alcoólicos, alguns costumes desse Grupo incomodavam a Bill W. Embora seja o responsável por impulsionar alguns dos princípios espirituais de A.A., as diferenças acabaram por causar a separação dos dois movimentos. Como Bill W. disse uma vez: “O grupo de Oxford queria salvar o mundo e eu somente queria salvar os bêbados”.Aproveitando-se do exemplo dos Grupos precursores e da cada vez mais ampla experiência retirada de suas próprias lutas internas durante sua primeira década, A.A. ia-se aproximando dia a dia de um conjunto de princípios práticos que pudessem orientar e proteger a vida dos Grupos de A.A. Em 1946, na revista Grapevine, os fundadores e membros pioneiros codificaram esse princípios e publicaram-nos com o titulo de “Os Doze pontos para assegurar o nosso futuro”(Nota do transcritor: a partir de 01 de junho de 1949 estes princípios passariam a se chamar “As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos”). “Filhos do caos”,escreveu Bill W. num ensaio sobre a Quarta Tradição, “de maneira desafiadora brincamos com fogo repetidas vezes, saímos ilesos e, conforme percebemos, mais sábios que antes. Estes mesmos desvios constituíram um vasto processo de provas e tentativas, o qual, pela graça de Deus, nos trouxe a onde hoje nos encontramos”. Conforme Bill W., a acolhida proporcionada às Tradições nos anos de 1940, não foi das mais calorosas. “Apenas Grupos em grandes dificuldades as levaram a sério. Em algumas partes até reação violenta houve, principalmente naqueles Grupos que tinham longas listas de regras e regulamentos ‘protetores’. Havia, também, muita apatia e indiferença”.Entretanto, e com o passar do tempo, tudo isso mudou e poucos anos mais tarde, por ocasião da Primeira Convenção Internacional de Cleveland,Ohio, em julho de 1950, vários milhares de membros de A.A. declararam que as Tradições de A.A. constituíam “a plataforma sobre a qual nossa Irmandade poderia funcionar melhore se manter unida para sempre”. Deram-se conta de que nossas Tradições resultariam tão necessárias à nossa sociedade quanto o tinham sido os Doze Passos para a vida de cada membro. Conforme a opinião da Convenção de Cleveland, as Tradições eram a chave da unidade, do funcionamento e inclusive da sobrevivência de todos nós e a Irmandade na sua totalidade aceitou e aprovou esses princípios. Mais tarde, em abril de 1953, foi publicado o livro “Os Doze Passos e as Doze Tradições”, que a Irmandade utiliza como guia para a recuperação individual e para a sobrevivência coletiva. Fazendo eco àquelas palavras, J. B., um membro deModesto, Califórnia, escreveu na Grapevine de abril de 1984: “As Doze Tradições não são uma mera coleção de guias estabelecidos por ‘eles’ e transmitidas a nós com a ordem incondicional de que “isto é o que vocês têm que fazer, e ponto’. As Tradições são o fruto da experiência e dos erros que quase destroçaram nossa Irmandade e as aceitamos de bom grado. Ao falar das Tradições,  falamos da vida e da morte. Não posso viver sem A.A. Mas você e eu somos A.A. Temos que ser responsáveis por nósmesmos, apesar de nós mesmos. Eu tenho que ser responsável apesar de mim mesmo, e, de responsabilidade é do que tratam as Tradições”. 
<= Fim da transcrição



Índice
1-. Abstêmio/a 
2-. Abstinência 
3-. Abstinência em A.A. 
4-. Adicção 
5-. Adicto 
6-. Adictos Anônimos 
7-. Agnosticismo 
8-. Agnóstico 
9-. Akron (o berço de A.A.) 
10-. Al-Anon. 
11-. Al-Anon no Brasil. 
12-. Alateen. 
13-. Álcool 
14-. Alcoólatra 
15-. Alcoólico/a 
16-. Alcoólico ou alcoólatra? 
17-. “Meu nome é...” 
18-. Alcoólico recuperado ou em recuperação? 
19-. Alcoólicos Anônimos – A Irmandade. 
20-. Alcoólicos Anônimos - O nome. 
21-. Alcoólicos Anônimos - O livro. 
22-. Alcoólicos Anônimos no Mundo. 
23-. Alcoólicos Anônimos no Brasil. 
24-. Alcoólicos Anônimos em São Paulo. 
25-. Alcoolismo 
26-. Primeiros estudos sobre o alcoolismo. 
27-. Estudos sobre o moderno alcoolismo. 
28-. Alcoólicos Anônimos: o primeiro movimento social... 
29-. Centro de Estudos do Álcool. 
30-. Comitê Nacional de Educação sobre Alcoolismo. 
31-. A classificação do Alcoolismo segundo a Associação Psiquiátrica Americana. 
32-. A classificação do Alcoolismo segundo a Organização Mundial da Saúde. 
33-. A carreira alcoólica de Bill W. 
34-. A carreira alcoólica do Dr. Bob. 
35-. Alcoolista, ou etilista 
36-. Alucinação 
37-. Anonimato 
38-. Anonimato em A.A. 
39-. Antabuse 
40-. Ateísmo 
41-. Ateu 
42-. Bafômetro 
43-. Barbitúrico 
44-. Bebedor exagerado, 
45-. Beladona 
46-. Companheirismo 
47-. Companheirismo em A.A. 
48-. Companheiro/a 
49-. Comunicação 
50-. Comunicar 
51-. Comunidade 
52-. Conceito 
53-. Conceito(s) em A.A. 
54-. Costume 
55-. Costumes 
56-. Costumes em A.A 
57-. A história das Fichas. 
58-. A oração da Serenidade. 
59-. Alcoólicos Anônimos e as orações.
60-. Cura 
61-. Cura (a) da Beladona 
62-. Delírio 
63-. Delirium-tremens 
64-. Despertar 
65-. Despertar espiritual 
66-. Doença 
67-. Dogma 
68-. Dogmatismo 
69-. Dogmatista 
70-. Doutrina 
71-. Espiritual 
72-. Espiritualidade 
73-. Espiritualismo 
74-. Estigma 
75-. Ética 
76-. Êxtase 
77-. Garantia 
78-. Garantia (s) em A.A. 
79-. Grupo 
80-. Grupo de A.A. 
81-. Grupo de Oxford. 
82-. Grupos Anônimos de Ajuda Mútua. 
83-. Humildade 
84-. Ianque. 
85-. Irmandade 
86-. Irmandade de Alcoólicos Anônimos. 
87-. Legado 
88-. Os Três Legados de A.A. 
89-. Lei 
90-. Alcoólicos Anônimos e a Lei. 
91-. Lei Hughes. 
92-. Lei Seca (a). 
93-. Lei Seca (a) no Brasil. 
94-. Literatura 
95-. Literatura em A.A. A origem 
96-. Literatura aprovada pela Conferência. 
97-. LSD 
98-. Mensagem 
99-. Mescalina 
100-. Meditação 
101-. Meditar 
102-. Mentor 
103-. Modelo Minessotta 
104-. Moção 
105-. Moção em A.A. 
106-. Moral 
107-. Morbidez 
108-. Mórbido 
109-. Narcótico 
110-. Narcóticos Anônimos (NA) 
111-. Narcóticos Anônimos no Brasil. 
112-. Neurose 
113-. Neurótico/a 
114-. Neurótico/a em N/A. 
115-. Neuróticos Anônimos (N/A) 
116-. Neuróticos Anônimos no Brasil - N/A, 
117-. Niacina 
118-. Obsessão 
119-. Paraldeido 
120-. Paranóia 
121-. Passo(s) 
122-. Os Doze Passos de A.A. – Sua concepção 
123-. Os Doze Passos de A.A 
124-. Patologia 
125-. Pecado 
126-. Política 
127-. Pragmático 
128-. Pragmatismo 
129-. Prece 
130-. Princípio 
131-. Princípios 
132-. Proceder 
133-. Procedimento 
134-. Promessa 
135-. As doze “promessas” de A.A. 
136-. Psicose 
137-. Questão de ordem 
138-. Questão de ordem em A.A. 
139-. Recuperação 
140-. Recuperação em A.A. 
141-. Religião 
142-. Alcoólicos Anônimos e a religião 
143-. Religiosidade 
144-. Serenidade 
145-. Simples. 
146-. Simplicidade 
147-. Simplismo 
148-. Simplista 
149-. Síndrome 
150-. Síndrome de Wernicke-Korsakoff 
151-. Sobriedade 
152-. Sobriedade Em A.A. 
153-. Sugerir. 
154-. Sugestão 
155-. Teísmo 
156-. Temperança 
157-. Movimentos Pro-temperança. 
158-. American Temperance Society (ATS) 
159-. Sociedade de Temperança Washington. 
160-. União Feminina pela Temperança Cristã. 
161-. Anti-Saloon League. 
162-. Movimento Emmanuel. 
163-. Jacoby Club. 
164-. Terapia 
165-. Terapeuta 
166-. Terapeuta leigo, Conselheiro, ou, Consultor 
167-. Tolerância 
168-. Tradição 
169-. ‘Os filhos do caos’ e o nascimento das Tradições de A.A 
170-. As Doze Tradições de A.A.: 
171-. Unicidade 
172-. Unicidade de propósito em A.A. 
173-. Vicio Página 5 de 113