Artigos - Alcoólicos Anônimos de 'A' a 'V' 6



60-. Cura => do latim cura. 
Ato ou efeito de curar (-se). Restabelecimento da saúde. Meio de debelar uma doença; tratamento. Tratamento preventivo de saúde.
 
61-. Cura (a) da Beladona(The Belladona Cure):  
foi um tratamento para o alcoolismo desenvolvido por  Charles B. Towns (1862-1947)especialista em alcoolismo e 
toxico dependência, dono do Hospital do mesmo nome, localizado no Nº 239 da Central Park West, em Manhattan, Nova York, e seu sócio, o  Dr. Alexander Lambert,  professor na Universidade Cornell Medical Collegee médico Theodore Roosevelt  (1858-1919), 26º presidente dos EUA, entre 1901 e 1909. O método conhecido pelo nome Towns-Lambertou ainda, a cura da beladona, tornou a instituição nacionalmente conhecida para a reabilitação física e mental de alcoólicos durante a vigência da Lei Seca(ver abaixo), ou seja, nas décadas de 1920 e 1930. Foi a este tratamento que Bill W. e alguns outros pioneiros de A.A., como Hank Parkhuste Fitz Mayo, foram submetidos para tratar seu alcoolismo e que, resumidamente, consistia no seguinte procedimento: 
Quando o paciente chegava ao hospital lhe eram ministrados quatro comprimidos de CC (CC, de Composto Catártico, um poderoso purgativo), em seguida era ministrado hidrato de cloral, um hipnótico que induzia ao sono (O hidrato de cloral era usado para o tratamento em curto prazo da insônia. Foi em grande parte deslocado em meados do século 20 por barbitúrico se posteriormente por benzodiazepínicos).  Se o paciente era acometido de delirium tremensera dada uma dose de morfina junto com um ou dois gramas de paraldeído.O tratamento principal consistia da administração de hora em hora durante cinqüenta horas seguidas de um composto formado por três substancias: 
1) O delirante em forma de tintura Atropa-beladona também chamado de beladona. Os efeitos da beladona são delírios, confusão mental, alterações visuais e secura na boca. Como resultado do delírio o paciente tem alucinações que giram em torno de uma ou duas idéias fixas. 
2) O segundo ingrediente da fórmula era outro delirante, o Hyoscyamus Níger, também conhecida como henbane, feijão de porco e raiz insana.A planta foi historicamente usada em combinação com outras plantas, como Mandrake, beladona, e datura como uma poção de anestésico, bem como por suas propriedades psicoativas, em "poções mágicas." Essas propriedades psicoativas incluem alucinações visuais e uma sensação de vôo. 
3) O terceiro ingrediente principal era Zanthoxylum Americanum, também chamado de dente árvore, pau amarelo, cinza comum, cinza espinhosa comum e Suterberry, usado para tratar os distúrbios gastrointestinais. Estes três ingredientes deviam ser administrados em conjunto, uma vez que, se algum deles fosse retirado o resultado não seria eficaz. A dose dada a cada paciente era determinada pela reação fisiológica do paciente à fórmula: quando o rosto ficava corado, a garganta seca e os olhos dilatados a quantidade da mistura precisava ser reduzida ou interrompida até cessarem os sintomas e retomando em seguida o tratamento até completar as cinqüenta horas. A cada 12 horas eram dados comprimidos CC, (CC Pills)a base de estrato de colocynthidis e uns comprimidos conhecidos como Mass Blue, ou Massa Azul que além do composto anterior continham mercúrio. Ambos serviam como purgativos. Ainda, a cada 4 horas, eram administradas pequenas doses de estricnina- uma das substâncias mais amargas que existem. Embora a estricnina seja mais conhecida como um veneno usado como pesticida (particularmente para matar animais vertebrados pequenos, como aves e roedores),  pequenas doses de estricnina eram utilizadas em medicamentos como um estimulante,como um laxante e no tratamento de algumas doenças do estômago. O fim do tratamento era conhecido pela abundância de fezes e, em seguida, eram dadas ao paciente doses de óleo de mamona para limpar o intestino. O tratamento também foi descrito como 'vomitar e limpar'. Depois disto o paciente iniciava uma dieta com um tônico especial para facilitar a digestão de alimentos e relaxar. Charles B. Towns propagava o tratamento oferecido em seu hospital e garantia a cura em 90% dos casos para qualquer tipo de comportamento compulsivo, fosse alcoolismo, morfinismo, tabagismo, cafeinismo até a cleptomania e a enuresis (incontinência urinária). A comunidade médica começou a achar exagerados esses números e a abrangência do método e notou que aquilo se aproximava do charlatanismo. O próprio Dr. Lambert, seu parceiro, percebeu que a porcentagem daqueles que podiam ser considerados curados era bem menor que a alardeada por Towns e que a maior parte da receita do hospital provinha precisamente do grande número retornados decidiu se afastar e romper sua ligação com Towns e seu hospital. Seu lugar foi ocupado pelo Dr. William Duncan Silkworth (1873 – 1951), que viria ser o primeiro amigo de A.A. na área da medicina. 

62-. Delírio=> 
Na psiquiatria, estado de obnubilação da consciência (deslumbramento ou trevas), com ilusões ou alucinações de caráter onírico (sonhos), agitação ou estupor, que ocorre nas moléstias infecciosas, nas intoxicações, em certas doenças mentais e em caso de febre alta. 

63-. Delirium-tremens=> 
Forma de delírio agudo de que é acometido quem sofre de alcoolismo crônico, quase sempre por ocasião do aumento ou da suspensão brusca da bebida, e caracterizada por tremores, agitação, suores e alucinações terrificantes.
 
64-. Despertar => 
Tirar do sono; espertar; acordar. Acordar em certo estado. Sair do estado de torpor ou inércia; readquirir força ou atividade. 

65-. Despertar espiritual =>
No entender de William James (1842 – 1910), mentor filosófico de A.A., o despertar espiritual, ou experiência espiritual, acontece quando se opera uma mudança na personalidade de um indivíduo (não necessariamente alcoólico), quase sempre baseada no sofrimento que se segue a uma grande perda e têm três denominadores comuns. O primeiro é a admissão da derrota em decorrência de alguma  calamidade em áreas importantes da vida pessoal. Outro denominador é o colapso: todas as pessoas chegam ao desespero absoluto e sua mente entra em colapso. O terceiro tinha sido um apelo dirigido a um poder superior. Esse apelo por ajuda podia assumir muitas formas e nem mesmo ser vazado em termos religiosos. Estes três denominadores deram origem ao Primeiro e Segundo Passos de A.A. A experiência poderá ser repentina – como teria acontecido com Bill W. (*), ou como parece acontecer com a maioria das pessoas que experimenta essa mudança de forma lenta e gradativa na medida em que se vai reeducando através de algum programa de reformulação espiritual –p. ex. os Doze Passos – durante um período variável de tempo. pessoa regenerada gradativamente entende que se operou uma profunda alteração na sua compreensão da vida e que é pouco provável que tal mudança pudesse ser conseguida por ela sozinha.
(*)Embora nas três internações anteriores tivessem existido alucinações como do tratamento com a beladona, foi na quarta internação que, passadas as 50 horas do tratamento da beladona, isto é, do segundo para o terceiro dia, que Bill W. teve uma experiência diferente: William James nas suas palavras, a partir de uma profunda depressão e chegando ao ponto de total esvaziamento, entrou num estado de rendição completa e absoluta. Sem nenhuma fé ou esperança, ele gritou: “Farei qualquer coisa, qualquer coisa que seja! Se é que Deus existe que Se revele”. Então teve aquele“hot flash"ou estalo, que ele assim descreveu: “De repente o quarto se encheu de uma forte luz. Pareceu-me com os olhos de minha mente, que eu estava numa montanha e que soprava um vento, não de ar, mas de espírito. E daí tive a sensação de que era um homem livre. Lentamente o êxtase passou. Eu estava sentado na cama, mas agora por instantes me encontrava em outro mundo, um mundo novo de conscientização. Ao meu redor e dentro de mim, havia uma maravilhosa sensação de presença e pensei comigo mesmo: 
‘Então esse é o Deus dos pregadores”.(“A opinião de Bill”leitura 2). Pouco depois dessa “viagem ao topo da montanha”,Bill chamou o médico e perguntou: "Estou ficando louco?"Segundo Dale Mitchell,biógrafo de Bill, o Dr. Silkworth poderia ter advertido ao paciente que o tratamento com beladona que ele estava recebendo "... era susceptível de causar imagens vibrantes, confusão mental e produzir alucinações daquele tipo”. Isso é o que qualquer médico provavelmente teria feito. Mas, não apenas como médico, mas também como um homem humilde que acreditava que as coisas acontecem por uma razão e que os motivos de seu sucesso muitas vezes são obscuros para nós, o Dr. Silkworth escolheu outro caminho - um caminho pelo qual todos nós AAs devemos ser eternamente gratos a este“pequeno doutor que amava os alcoólicos”. Ele disse a Bill que ele não estava ficando louco e que “... seja o que for que tenha tido, é melhor se apoiar nisso; isso é muito melhor do que você tinha há somente algumas horas atrás”. Nas próximas horas foi visitado por Ebby T. que não entendeu absolutamente nada do que tinha ocorrido, mas entregou a Bill um livro presenteado por Rowland Hazard, do Grupo de Oxford, que oferecia esclarecimentos adicionais àquela experiência: “As Variedades da Experiência Religiosa”,do filósofo e pai da psicologia americana e do conceito do Pragmatismo, William James cujo pensamento viria fazer parte do programa de A.A.. Mais tarde, ao ler o livro levado por Ebby, “As Variedades...”, Bill entendeu que lhe teria acontecido o que William James, um ateu, descrevia como“despertar espiritual”,  ou“experiência espiritual”, expressão esta, que viria fazer parte de seus futuros depoimentos e palestras, e do vocabulário de grande parte dos membros de A.A. Anos mais tarde, Bill Wilson afirmou que, se o Dr. Silkworth tivesse desencorajado sua nova relação com o "mundo do espírito",duvidava que fosse recuperar-se. 

66-. Doença =>
Do latim dolentia. Denominação genérica de qualquer desvio do estado normal. 
Conjunto de sinais e/ou sintomas que têm uma só causa; moléstia. Mania, vício, defeito. 

67-. Dogma => 
Do grego dogma. Ponto fundamental e indiscutível duma doutrina religiosa, e, por extensão, de qualquer doutrina ou sistema. Na igreja Católica, ponto de doutrina já por ela definido como expressão legítima e necessária de sua fé. 

68-. Dogmatismo=> 
Doutrina que afirma a existência de verdades certas e que se podem provar indiscutíveis. Adesão irrestrita a princípios aceitos como indiscutíveis. Atitude sistemática de aceitação ou de negação. Em A.A., por contraposição a estes conceitos, o programa dos Doze Passos é sugerido e, portanto, não-dogmático

69-. Dogmatista=> 
Sectário do dogmatismo. Pessoa de idéias autoritárias.



Índice
1-. Abstêmio/a 
2-. Abstinência 
3-. Abstinência em A.A. 
4-. Adicção 
5-. Adicto 
6-. Adictos Anônimos 
7-. Agnosticismo 
8-. Agnóstico 
9-. Akron (o berço de A.A.) 
10-. Al-Anon. 
11-. Al-Anon no Brasil. 
12-. Alateen. 
13-. Álcool 
14-. Alcoólatra 
15-. Alcoólico/a 
16-. Alcoólico ou alcoólatra? 
17-. “Meu nome é...” 
18-. Alcoólico recuperado ou em recuperação? 
19-. Alcoólicos Anônimos – A Irmandade. 
20-. Alcoólicos Anônimos - O nome. 
21-. Alcoólicos Anônimos - O livro. 
22-. Alcoólicos Anônimos no Mundo. 
23-. Alcoólicos Anônimos no Brasil. 
24-. Alcoólicos Anônimos em São Paulo. 
25-. Alcoolismo 
26-. Primeiros estudos sobre o alcoolismo. 
27-. Estudos sobre o moderno alcoolismo. 
28-. Alcoólicos Anônimos: 
o primeiro movimento social... 
29-. Centro de Estudos do Álcool. 
30-. Comitê Nacional de Educação 
 sobre Alcoolismo. 
31-. A classificação do Alcoolismo segundo 
 a Associação Psiquiátrica Americana. 
32-. A classificação do Alcoolismo segundo 
 a Organização Mundial da Saúde. 
33-. A carreira alcoólica de Bill W. 
34-. A carreira alcoólica do Dr. Bob. 
35-. Alcoolista, ou etilista 
36-. Alucinação 
37-. Anonimato 
38-. Anonimato em A.A. 
39-. Antabuse 
40-. Ateísmo 
41-. Ateu 
42-. Bafômetro 
43-. Barbitúrico 
44-. Bebedor exagerado, 
45-. Beladona 
46-. Companheirismo 
47-. Companheirismo em A.A. 
48-. Companheiro/a 
49-. Comunicação 
50-. Comunicar 
51-. Comunidade 
52-. Conceito 
53-. Conceito(s) em A.A. 
54-. Costume 
55-. Costumes 
56-. Costumes em A.A 
57-. A história das Fichas. 
58-. A oração da Serenidade. 
59-. Alcoólicos Anônimos e as orações.
60-. Cura 
61-. Cura (a) da Beladona 
62-. Delírio 
63-. Delirium-tremens 
64-. Despertar 
65-. Despertar espiritual 
66-. Doença 
67-. Dogma 
68-. Dogmatismo 
69-. Dogmatista 
70-. Doutrina 
71-. Espiritual 
72-. Espiritualidade 
73-. Espiritualismo 
74-. Estigma 
75-. Ética 
76-. Êxtase 
77-. Garantia 
78-. Garantia (s) em A.A. 
79-. Grupo 
80-. Grupo de A.A. 
81-. Grupo de Oxford. 
82-. Grupos Anônimos de Ajuda Mútua. 
83-. Humildade 
84-. Ianque. 
85-. Irmandade 
86-. Irmandade de Alcoólicos Anônimos. 
87-. Legado 
88-. Os Três Legados de A.A. 
89-. Lei 
90-. Alcoólicos Anônimos e a Lei. 
91-. Lei Hughes. 
92-. Lei Seca (a). 
93-. Lei Seca (a) no Brasil. 
94-. Literatura 
95-. Literatura em A.A. A origem 
96-. Literatura aprovada pela Conferência. 
97-. LSD 
98-. Mensagem 
99-. Mescalina 
100-. Meditação 
101-. Meditar 
102-. Mentor 
103-. Modelo Minessotta 
104-. Moção 
105-. Moção em A.A. 
106-. Moral 
107-. Morbidez 
108-. Mórbido 
109-. Narcótico 
110-. Narcóticos Anônimos (NA) 
111-. Narcóticos Anônimos no Brasil. 
112-. Neurose 
113-. Neurótico/a 
114-. Neurótico/a em N/A. 
115-. Neuróticos Anônimos (N/A) 
116-. Neuróticos Anônimos no Brasil - N/A, 
117-. Niacina 
118-. Obsessão 
119-. Paraldeido 
120-. Paranóia 
121-. Passo(s) 
122-. Os Doze Passos de A.A. – Sua concepção 
123-. Os Doze Passos de A.A 
124-. Patologia 
125-. Pecado 
126-. Política 
127-. Pragmático 
128-. Pragmatismo 
129-. Prece 
130-. Princípio 
131-. Princípios 
132-. Proceder 
133-. Procedimento 
134-. Promessa 
135-. As doze “promessas” de A.A. 
136-. Psicose 
137-. Questão de ordem 
138-. Questão de ordem em A.A. 
139-. Recuperação 
140-. Recuperação em A.A. 
141-. Religião 
142-. Alcoólicos Anônimos e a religião 
143-. Religiosidade 
144-. Serenidade 
145-. Simples. 
146-. Simplicidade 
147-. Simplismo 
148-. Simplista 
149-. Síndrome 
150-. Síndrome de Wernicke-Korsakoff 
151-. Sobriedade 
152-. Sobriedade Em A.A. 
153-. Sugerir. 
154-. Sugestão 
155-. Teísmo 
156-. Temperança 
157-. Movimentos Pro-temperança. 
158-. American Temperance Society (ATS) 
159-. Sociedade de Temperança Washington. 
160-. União Feminina pela Temperança Cristã. 
161-. Anti-Saloon League. 
162-. Movimento Emmanuel. 
163-. Jacoby Club. 
164-. Terapia 
165-. Terapeuta 
166-. Terapeuta leigo, Conselheiro, ou, Consultor 
167-. Tolerância 
168-. Tradição 
169-. ‘Os filhos do caos’ e o nascimento das Tradições de A.A 
170-. As Doze Tradições de A.A.: 
171-. Unicidade 
172-. Unicidade de propósito em A.A. 
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