Artigos - Alcoólicos Anônimos de 'A' a 'V' 3


30-. Comitê Nacional de Educação sobre Alcoolismo. 
Em outubro de 1944, Jellinek fundou, junto 
com Marty Mann(*), o Comitê Nacional de Educação sobre Alcoolismo – CNEA,um esforço 
singular centrado na popularização do conceito dedoença do alcoolismo, que mais tarde viria se 
transformar em Conselho Nacional sobre Alcoolismo – CNA, fundamentado em três premissas: 
1. O alcoolismo é uma doença e seus portadores são doentes alcoólicos. 
2. O alcoólico pode ser ajudado e vale a pena ajudar. 
3. O alcoolismo é um problema de saúde pública e, portanto, uma responsabilidade pública. 
(*) Neste episódio da criação do CNEA, Marty Mann recebeu o apoio explícito dos editores 
da recém criada revista Grapevine, de Bill Wilson e do Dr. Bob cujos nomes apareciam nos 
cabeçalhos dos papeis timbrados. Embora o CNEA não estivesse ligado oficialmente à 
Irmandade de A.A., o apoio da revista, que representava o pensamento de A.A., e dos cofundadores davam essa impressão. Para confundir mais as coisas Marty proferia palestras 
quebrando seu anonimato como membro de A.A. ao falar da nova organização. Os membros 
de A.A. não gostaram desta intromissão em assuntos alheios à Irmandade e, em menos de um 
Marty Mann e E. M. Jellinek 
ano, os co-fundadores retiraram seus nomes e Marty prometeu que deixaria de se identificar 
como AA em suas palestras referentes ao CNEA.  
Jellinek também foi o autor de um gráfico conhecido como 
“Curva de Jellinek”. Este gráfico,  em forma de “V” (pode ser 
visto em alguns Grupos de A.A.),foi baseado numa pesquisa 
feita por ele com voluntários membros de A.A. e pretende 
mostrar, na linha descendente a partir da esquerda, os estágios 
da doença e seus sintomas ou comportamentos, e na linha 
ascendente a partir do fundo da vala, os procedimentos a ser 
seguidos para alcançar a recuperação. 
Em maio de 1949, a convite do Dr. Kirby Collier (1879-1954), de Rochester, Nova York, um dos primeiros a reconhecer a validade do programa de 
A.A. no campo da psiquiatria, BillW. participou de um simpósio sobre alcoolismo na reunião 
anual da Associação Psiquiátrica Americana realizada em Montreal, Canadá. A aceitação de 
seu discurso,  “A Sociedade de Alcoólicos Anônimos”, sinalizou a aprovação e o 
reconhecimento daquela comunidade do programa e da Irmandade.  
Em 1950, a Associação Médica Americana aceitou as investigações e conclusões do Centro de 
Estudos do Álcool da Universidade de Yale, líder dos movimentos a reconhecer o alcoolismo 
como um grave problema de saúde pública e reconheceu formalmente o alcoolismo como uma 
doença tratável.
Em 1951, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos foi homenageada pela Associação Americana 
de Saúde Pública concedendo-lhe o Prêmio Lasker, em “reconhecimento formal do êxito de A.A. 
no tratamento do alcoolismo como doença e na eliminação de seu estigma social” 

31-. A classificação do Alcoolismo segundoa Associação Psiquiátrica Americana. Em1952 a Associação Psiquiátrica Americana (APA), publica a primeira edição do DSM-I (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), ou,  Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), que proporciona em linguagem comum,critérios uniformes para a classificação dos transtornos mentais É usado nos Estados Unidos e em vários graus ao redor do mundo, por médicos, pesquisadores, drogas psiquiátricas, agências de regulamentação, seguros de saúde empresas, empresas farmacêuticas e de seguros de saúde, assessores políticos, etc. Já, nesta edição, o alcoolismo passou a ser tratado como doença conforme a definição da Associação Médica Americana.

32-. A classificação do Alcoolismo segundo a Organização Mundial da Saúde. Em 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS), (agência subordinada à ONU criada em 1948; sua sede é em Genebra, Suíça), definiu o alcoolismo como “uma doença crônica, com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a mesma é retirada”, e foi incorporado ao Código Internacional das Doenças (CID-8), a partir da 8ª Conferência Mundial de Saúde. No CID-8, os problemas relacionados ao uso de álcool foram inseridos dentro de uma categoria mais ampla de transtornos de personalidade e de neuroses que foram divididos em três categorias: 
dependência, episódios de beber excessivo(abuso) e beber excessivo habitual. Curva de Jellinek 

Atualmente (2010),o alcoolismo consta no Capítulo V da 10ª revisão do Código Internacional de Doenças - CID-10 Capítulo V, que se refere aos Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substancias psicoativas. Os códigos atuais para os diagnósticos por uso do álcool são: F10.0, Intoxicação alcoólica; 
F10.1, Abuso de álcool; F10.2, Dependência do álcool; F10.3,= Síndrome de abstinência do álcool; F10.4, Delirium tremens; F10.5, Psicose alcoólica; F10.6, Síndrome de Korsakoff (beribéri cerebral, ou, cérebro molhado). 

33-. A carreira alcoólica de Bill W.,acompanhou integralmente o período da Lei Seca desde sua proposta até a sua revogação (ver, Lei – Lei Seca)  
Na data da apresentação da proposta, em 08-09-1917, Bill W. estava com 21 anos de idade e era ainda um neófito nas artimanhas do álcool. Tinha começado a carreira alcoólica quando foi promovido de cadete a segundo-tenente naquele mesmo ano; até então ele nunca tinha bebido. Seu batismo alcoólico aconteceu numa festa social promovida por uma rica família de New Redford, os Grinnell. Ofereceram um “Bronx”,que é uma mistura de gim, vermute secoe doce e suco de laranja. Bill surpreendeu-se aceitando a bebida. Tímido e com complexo de inferioridade, seu embaraço era tanto que simplesmente teve que tomar aquele gole. Este gole resultou no primeiro porre; descobriu o “elixir da vida”e, nas suas palavras, Bill foi um bebedor excessivo desde o início. Ele nunca atravessou nenhum estágio moderado ou qualquer período de bebedor social. Sem a bebida, Bill sentia-se novamente inferior. Em janeiro de 1918, os EUA estavam totalmente envolvidos na Primeira Guerra Mundial(1914-1918) e Bill poderia ser mandado para a Europa a qualquer momento. Por este motivo decidiu se casar com Lois Burnham (1891-1988), com quem estava namorando havia três anos. O casal vai morar no apartamento mobiliado que Bill havia alugado em New Bedford. Um dos aspectos dessa nova vida social permaneceu desconhecido para Lois até descobri-lo enquanto ainda estavam em New Bedford. Bill se lembra de que, durante esse período, deve ter saído do ar pelo menos uma vez a cada três festas. Certa noite Lois, ficou chocada ao ouvir os companheiros de Bill no Exército contarem como o haviam arrastado para casa e posto na cama. Mesmo assim ela não ficou perturbada a respeito disso, confiando em que poderia persuadi-lo a voltar à sua antiga abstinência. “Eu tinha certeza de que viver comigo seria de tamanha inspiração que ele não precisaria de álcool”. Nas recordações desse período, Bill mencionou freqüentemente seu medo de ir para a guerra e a vergonha que sentia em relação a esse medo. Num dia do mês de agosto embarcou no Lancashire, um navio inglês de transporte de tropas, rumo à Inglaterra. Bill foi enviado para a França, onde descobriu que o vinho francês podia provocar os mesmos efeitos que a bebida de New Bedford. Em fins de 1918, a guerra Lois em seu vestido de noiva Bill W. no Exercito estava esmorecendo, e a unidade de Artilharia de Bill foi estacionada em uma cidadezinha montanhesa, longe da frente de combate, até que o Armistício foi assinado (11/11/1918). Seu batalhão continuou na França até a primavera de 1919 e Bill estava apenas começando a gostar do vinho francês quando finalmente foi embarcado de volta para casa, para ser  desmobilizado. Em maio de 1919, ao dar baixa do Exército, Bill descobriu-se como um homem livre. Imensamente ambicioso em relação a si próprio, cheio de grandes sonhos sobre o futuro e, não tendo planos para o presente, como muitos outros veteranos da guerra, achou difícil se readaptar à vida civil. Uma vez que não havia concluído nenhuma faculdade e não estava treinado para nenhuma profissão, também teve dificuldade para encontrar emprego. O pai de Lois, o Dr. Clark Burnham, com quem Lois e Bill estavam morando porque não tinham condições de pagar aluguel, usou sua influencia para empregar Bill como auxiliar no departamento de seguros na Ferrovia Central de Nova York, cujo encarregado era seu cunhado Cy Jones. Bill considerou isso um rebaixamento para quem tinha sido um oficial, e foi duro de aceitar ordens, especialmente vindas de um cunhado. Trabalhou lá alguns meses e acabou sendo despedido. Seguiu-se um período de “fracassos e colapsos” na sua busca por outro emprego. Achou um num dos cais centrais de Nova York como ajudante de carpinteiro que o obrigava a acordar muito cedo. Ao se negar a filiar-se ao sindicato foi ameaçado e saiu do emprego. Entrementes, a bebida ia aumentando. Para dar um tempo a si mesmo e afastá-lo da bebida, Lois convenceu Bill a fazer uma excursão com ela ao Maine passando por vários lugares – na verdade a primeira das inúmeras fugas geográficas. Em seu diário, Lois afirma que estavam felizes e despreocupados. Depois que voltaram para o Brooklyn, Loisachou um emprego na Cruz Vermelha, como terapeuta  ocupacional no Hospital Naval do Brooklyn – curso que tinha feito enquanto Bill esteve na Europa. Ao contrario de Bill, ela nunca teve problemas para manter o emprego. Bill também encontrou finalmente um emprego como investigador de fraudes e falcatruas cometidas contra a United States Fidelity and Guaranty Company. Desistiu de tornar-se engenheiro, e matriculou-se nos cursos noturnos da Escola de Direito do Brooklyn. Embora a vida em comum dos Wilson já fosse atrapalhada pela bebida de Bill no inicio da década de 1920, foi também uma época de crescimento. Bill continuou estudando Direito durante mais três anos e cumpriu as exigências necessárias para a obtenção de um diploma. Deveria aparecer para recebê-lo no ano seguinte, mas nunca apareceu. O casal queria muito ter um filho e, durante o verão de 1922, Lois ficou grávida. Essa foi a primeira das três gravidezes tubárias, ou ectópicas – em que o óvulo se desenvolve fora da cavidade uterina, p. ex. na trompa de Falópio - que ela sofreria. Depois do segundo insucesso foram obrigados a encarar o fato de que nunca teriam filhos naturais. Anos mais tarde, quando a situação financeira melhorou, o casal solicitou a adoção de uma criança. Depois de muita espera receberam a resposta de que uma criança adequada ainda não tinha sido encontrada. Bill sempre teve a certeza – confirmada por Lois depois de sua morte, de que não lhes entregaram uma criança devido à sua bebida. 
 
Na U. S. Fidelity & Guaranty Company, Bill estava mostrando ser um investigador capaz. A grande expansão do mercado de ações da década de 1920 estava apenas começando e as pessoas já ganhavam fortunas nesse mercado. Bill sentiu-se atraído por esse excitante mundo novo. Vivendo modestamente, o casal tinha economizado 1000 dólares que foram aplicados em algumas ações muito baratas que logo apresentaram grande elevação, conforme as previsões de Bill decorrentes de suas observações. Ele notou que, embora muitas pessoas ganhassem muito dinheiro comprando e vendendo ações com base em informações escassas, outras perdiam muito pela falta dessas informações. Com base nesse raciocínio, Bill tornou-se um dos pioneiros em um novo ramo da economia: o analista de mercado – uma idéia incomum à época, mas que hoje seria impensável comprar ações de uma empresa sem contar com a orientação desse profissional. Essa atividade implicava na elaboração de relatórios baseados na investigação de empresas e gerentes, viagens prolongadas, diárias de hotel, etc. Ele conseguiu interessar o especulador Frank Shaw, marido da melhor amiga de Lois, que embora não o patrocina-se mostrou interesse em ver os relatórios quando prontos. Para Lois a idéia de viajar foi uma benção “Eu estava tão preocupada com a bebida de Bill que queria afastá-lo de Nova York e de seus bares. Tinha certeza que durante um ano ao ar livre eu seria capaz de corrigi-lo”. O casal tinha uma motocicleta Halley Davidson equipada com sidecar. Lotaram a moto com todos os equipamentos de acampamento, além de livros de consulta financeira e partiram. Estamos em 1925. Bill fez seus relatórios, conheceram lugares, divertiram-se, e assim o ano que o casal passou na estrada e, excetuando alguns raros episódios de bebida pesada, resultou naquilo que Lois havia esperado ajudando a retardar o alcoolismo de Bill. Num desses episódios Lois decidiu também ficar bêbada para “levantar um espelho na frente dele e mostrar-lhe como uma pessoa ficava ridícula quando estava bêbada”.Bill achou muito divertido, a ainda a encorajou a beber mais. Ela ficou tão ruim que mal conseguiu levantar a cabeça. Frank Shaw ficou impressionado com os relatórios e investiu pesado nas empresas recomendadas. Bill recebeu sinal verde para  observar outras empresas e indústrias e autorização para sacar dinheiro contra preço emascensão de algumas ações. Viajaram agora para o sul em sua motocicleta. Em junho de 1926, voltaram para o Brooklyn. Seus relatórios financeiros estavam comprovando ser enormemente bem-sucedidos. Era o limiar daquilo que parecia ser um dos períodos mais excitantes de sua vida. Segundo sua descrição: “Durante os anos seguintes, a fortuna jogou dinheiro e aplausos no meu caminho. Eu havia conseguido. Minhas avaliações e minhas idéias foram seguidas por muitos, ao som dos milhões em papeis. A bebida estava assumindo um papel importante e estimulante em minha vida. Falava-se alto nos bares onde se tocava jazz nos subúrbios da cidade. Todo mundo gastava milhares e falava em milhões. Arrumei uma plêiade de amigos ocasionais”. Bill estivera certo ao acreditar que suas investigações e relatórios dariam bons resultados. Lois errou ao acreditar que um ano distante dos bares de Nova York faria com que ele parasse de beber. 
 
Apesar disso, os Wilson começaram a desfrutar de uma afluência nova e excitante. Como tantos especuladores daqueles tempos fervilhantes, Bill era um investidor marginal. Comprava lotes de ações pagando apenas uma parcela de seu preço real. Se o valor subisse, seus lucros eram enormes. Se o valor caísse acentuadamente, seu capital exigível virava fumaça e ainda seria intimado a compensar o déficit – isso era chamado de “cobrir a margem”. Em 1927, as viagens de moto haviam sido abandonadas em favor de um meio de transporte mais condizente com seu novo padrão de vida mais elevado; o casal viajava de avião ou de trem e tinha dinheiro para os hotéis e as diversões. Embora bebesse pesadamente em algumas viagens, Bill foi capaz de concluir excelentes relatórios. Nesse mesmo ano alugaram um dispendioso apartamento de três quartos no nº 38 da Rua Levingston, numa área nobre do Brooklyn. Para satisfazer o desejo de grandeza de Bill, alugaram também o apartamento vizinho, derrubaram as paredes divisórias transformando-os num só apartamento. Mas já havia sinais evidentes de que a doença estava tomando conta dele. Lois, que o acompanhava em suas viagens, lembra que se estava iniciando uma época de frustrações; ele começou a mentir e já era comum haver desentendimentos. No fim desse ano, ele estava tão deprimido pelo seu próprio comportamento que afirmou “agora estou a meio caminho do inferno, e indo rápido”. Ele passou uma procuração a Lois referente a todos os direitos, titularidade e interesses relativos às suas contas. Por volta de 1928, Bill era um astro entre os associados de Wall Street. “Naqueles dias, é claro, eu bebia por razões paranoicas. Bebia para sonhar sonhos de poder maiores ainda, sonhos de dominação. O dinheiro nunca foi um símbolo de segurança para mim. Dinheiro era o símbolo do prestígio e do poder”. Entretanto, nesse mesmo ano cenas dolorosas começaram a acontecer no suntuoso apartamento do casal. Noite após noite, Bill só chegava em casa pela madrugada, tão bêbado que ou caia assim que atravessava a porta ou Lois tinha que ajudá-lo a se deitar. Promessas foram sendo quebradas uma após a outra, inclusive aquelas escritas, junto com as juras de amor a Lois, na Bíblia que o casal possuía. A bebida de Bill havia começado a preocupar seus parceiros em Wall Street, apesar de seu enorme sucesso em identificar situações lucrativas. Sempre agradável e afável quando estava sóbrio, embaraçava seus colegas e tornava-se problemático e agressivo quando bebia. Também não era mais bem recebido pelos amigos de Lois. Depois de uma serie de jogadas inteligentes, armadas na bolsa durante a primavera e o verão de 1929, Bill havia amealhado lucros suficientes para se tornar independente. Rompeu com seu amigo e benfeitor Frank Shaw e passou a ser um lobo solitário de Wall Street. Teve pouco tempo para desfrutar a situação. No “crash” (ver adendo a Lei- Lei Seca)da bolsa que ocorreu em outubro desse ano, a súbita queda dos preços empurrou-os ainda mais para baixo, devido às vendas desesperadas a fim de evitar perdas adicionais ou obter dinheiro sonante para “cobrir as margens”ou outros débitos. Bill tinha-se preparado para um abalo, e o que sobreveio foi um furacão. Quando a primeira onda de vendas derrubou os preços no abismo, o preço de suas ações da Penick & Ford caiu de 55 para 42 dólares. Com ajuda de seus amigos, Bill comprou pesadamente na tentativa de conter a queda do preço. As ações pararam de cair, subiram para 52 dólares e depois mergulharam para 32 em um único dia, arruinando os amigos que haviam confiado nele– além de a si próprio. Bill faliu. 
 
Um amigo chamado Dick Johnson, ofereceu-lhe um emprego na empresa de corretagem que possuía em Montreal. Bill e Lois mudaram-se para lá na época do Natal e alugaram um apartamento decrépito. Em algumas semanas Bill estava de volta ao mercado negociando novamente com as ações da Penick & Ford, que na primavera de 1930 retornaram ao preço de 55 dólares por ação. Bill sentiu-se como Napoleão voltando de Elba. O casal encontrou logo melhores acomodações num prédio caro e sobranceiro. Passou um período esplendido em Montreal, jogando golfe e jantando no Club House. Quando chegou o outono Johnson despediu Bill e seu Waterloo foi como sempre a bebedeira. De volta ao Brooklyn, o casal, novamente humilhado, foi hospedado pelos pais de Lois. Embora estivesse em desgraça, os sogros o trataram com bondade e interesse. No dia de Natal de 1930, depois de um tratamento penoso para combater um câncer ósseo, faleceu sua sogra, Matilde Spelman. O comportamento de Bill nesse episódio revela o quanto a bebida havia fugido ao seu controle: ele estava bêbado havia quatro dias, e continuou bêbado durante os quatro dias seguintes ao falecimento da sogra. Humilhado pelos seus fracassos e pela dependência do pai da mulher, Bill achou um emprego de investigador com um salário de 100 dólares por semana, considerado uma fortuna para muitas famílias naqueles dias de crise. Ele conservou o emprego por quase um ano, mas foi demitido após um incidente provocado por ele em um bar. Com essa demissão, a credibilidade de Bill em Wall Street desapareceu completamente. Ele estava devendo 60 mil dólares (mais de um milhão e duzentos mil dólares em 2010),e foi ‘colocado na geladeira’. Bill entrou então numa fase de beber sem esperança. Lois arranjou um emprego na Macy´s, recebendo 19 dólares por semana, mais uma pequena comissão sobre as vendas, e foi com esse dinheiro que o casal passou a viver. Ocasionalmente conseguia desenvolver alguma idéia sobre pequenos negócios em seguros e vendia-as por algumas centenas de dólares, que se esvaiam pagando as contas dos bares clandestinos garantindo assim uma linha de credito para quando ficasse de novo sem dinheiro. Tornou-se também um bebedor solitário, parcialmente porque preferia assim, mas também porque nenhum dos seus companheiros de Wall Street queria mais sua companhia. Esta foi a vida de Bill em 1931 e no verão de 1932. Apesar de ter alguns sucessos consideráveis nas poucas incursões que conseguiu perpetrar no mercado financeiro, os fracassos que se seguiam por causa da bebida eram imensamente maiores. Bill e Lois continuaram a morar no numero 182 da Rua Clinton, no apartamento que o Dr. Burnham havia construído para sua mulher, no segundo andar. O médico que se havia casado novamente em maio de 1933, mudou-se. Lois continuou a trabalhar na Macy´s, onde ganhava, em 1933, 22,50 dólares por semana mais uma comissão de um por cento sobre as vendas. Este foi o pior período da vida do casal. Bill começou a roubar dinheiro da bolsa da mulher para beber. Veio a vontade do suicídio. A loucura o rondava e apesar dos fortes sedativos que recebia, as pessoas temiam pela sua sanidade, e ele também. Em fins de 1933 o casal estava perdendo as esperanças. Além de Lois e do sogro, Bill só tinha agora mais duas pessoas ainda ao seu lado: sua irmã Dorothy e o marido dela, o Dr. Leonard V. Strong, que, como sua mãe, era um médico osteopata. 
 
Foi o Dr. Leonard que providenciou, e pagou, a primeira internação de Bill no Hospital Charles B. Towns. O hospital foi fundado em 1901 e recebeu o nome de seu fundador,Charles B. Towns (1862-1947) especialista em alcoolismo e toxicodependência; estava localizado no Nº 239 da Central Park West, em Manhattan, Nova York. Towns tinha-se associado ao Dr. Alexander Lambert, professor na Universidade Cornell Medical College e, como médico do presidente Theodore Roosevelt informou várias pessoas no governo sobre o método de tratamento do alcoolismo desenvolvido pelos dois e conhecido pelo nome Towns-Lambert ou ainda The Belladonna Cure (ver Cura), ou a cura pela beladona. O método tornou a instituição nacionalmente conhecida para a reabilitação física e mental de alcoólicos durante os loucos anos de 1920. O Dr. William D. Silkworth (1873 – 1951), diretor do Hospital Towns e um dos poucos médicos dessa época a tratar com seriedade o conceito do alcoolismo como doença apesar da Lei Seca, explicou a Bill sua teoria a respeito da “alergia”e da “obsessão”e que “o alcoolismo não é vício no sentido de defeito grave ou costume censurável, como se entende a pratica da alcoolatria, mas sim uma doença física e mental, progressiva e incurável caracterizada, por uma ‘obsessão mental’ que leva seus portadores a beber compulsivamente, e uma ‘alergia física’ que pode levá-los à loucura ou à morte prematura”. Bill ouvia essas explicações quase em transe. Pela primeira vez ouvia falar do alcoolismo não como uma falta de força de vontade, não como um defeito moral - vício ou pecado, mas como uma doença legitima. Juntou-se à teoria o grande carinho que o Dr. Silkworth manifestava pelas pessoas, a sua maneira especial de se interessar por elas. Seu alivio foi imenso. Agora Bill estava certo de que tinha encontrado a resposta para seu problema de bebida. Uma vez que ele entendia o que acontecia, porque sabia a partir de então que era um alcoólico e que não podia tomar com segurança nenhum gole, Bill achava que havia encontrado a solução. Lois, que o visitava todas as noites no hospital, também acreditava que ele havia dominado o problema. Saiu do Towns como um novo homem, ou pelo menos ele pensava assim. Não se sabe ao certo quanto tempo Bill permaneceu sóbrio: ele achava que havia sido entre dois e quatro meses, e Lois que tinha sido um mês, mais ou menos. De qualquer maneira, a recaída aconteceu poucos dias antes ou depois, ou até no mesmo dia, 05-12-1933, da revogação da Lei Seca. Bill W. ainda passaria por mais três internações no mesmo hospital, a última no dia 11-12-1934, a partir da qual entraria no caminha da sobriedade. 

34-. A carreira alcoólica do Dr. Bob. Tomando como parâmetro a carreira alcoólica de Bill W., na data da apresentação da proposta, em 08-09-1917, o Dr. Bob. contava 38 anos de idade e seu currículo alcoólico já era respeitável o suficiente para credenciá-lo a ser um membro bastante experiente de A.A. se à época existi-se. Sua carreira alcoólica começou em 1898 aos 19 anos, após a formatura em St. Johnsbury, sua cidade natal, em Vermont. Na festa de formatura conheceu, e começou um longo namoro de 17 anos com a estudante Anne Robinson Ripley (1881 – 1949). Towns Hospital 
 
Bob estudou por quatro anos no Colégio Dartmouth, em Dartmouth, Nova Hampshire. A escola tinha fama de provinciana, ficava entre as montanhas e na cidade não se havia nada para fazer. Os alunos passavam os longos invernos bebendo cerveja e aguardente de cidra tanto quanto pudessem suportar. Bob embarcou na vida universitária com gosto. Livre da supervisão controladora dos pais viu nisso a oportunidade de obter e aproveitar experiências novas sem a necessidade de ter que prestar contas. A primeira descoberta de Bob relacionada com a vida universitária foi exatamente a que esperava encontrar: Que a bebida parecia ser a principal atividade extracurricular. No começo ele bebia por prazer e sofria pouca ou nenhuma conseqüência desfavorável. “Eu parecia estar pronto para recomeçar na manhã seguinte melhor do que a maioria dos meus companheiros bebedores que eram amaldiçoados (ou talvez abençoados) com náuseas depois de um porre. Nunca tive uma dor de cabeça em minha vida, o que me leva acreditar que eu fui um alcoólico desde o princípio”. Graduou-se em 1902 – “summa cum laude(com louvor), aos olhos dos beberrões”, em suas próprias palavras. Agora que Bob possuía um diploma, sugeriu-se que começasse a ganhar a vida e traçasse um futuro sólido e seguro para si próprio. Ele queria tornar-se médico como seu avô materno. Por alguma razão sua mãe opunha-se fortemente a esse desejo. Assim, Bob passou os três anos seguintes em Boston, Chicago e Montreal, em uma profissão de negócios que foi curta, variada e mal sucedida. Bob não estava interessado em negócios. Todo final de semana tomava uma bebedeira. O fracasso nos negócios levou-o a persuadir sua família para que o deixassem cursar medicina, que era o que gostava. Assim, em 1905, aos 26 anos, ingressou na Universidade de Michigan como estudante pré-médico. Apesar das boas intenções e dos elevados propósitos de Bob, tudo pareceu ruir assim que ele mais uma vez colocou os pés num campus universitário. “Tornei-me um dos líderes... bebendo com muito mais veemência do que havia demonstrado anteriormente” Disse mais tarde. Tudo correu bem por um tempo, depois os tremores começaram a aumentar. Isso aconteceu muitas vezes, indo de mal a pior. Sua vida na escola se transformou em longas bebedeiras, uma atrás da outra, e já não bebia por puro prazer. Tentou uma “cura geográfica”.Arrumou as malas e partiu para o Sul, a fim de recuperar-se numa fazenda de um amigo. Depois de um mês decidiu voltar e continuar os estudos. Porém,o corpo docente não pensava do mesmo jeito: achavam que a Universidade de Michigan podia sobreviver, ainda mais próspera, sem a presença de Robert Holbrook Smith. Depois de longas discussões, com promessas e firmes declarações por um lado, ameaças e advertências por outro, permitiram sua volta e que prestasse exames. O fato de ter ido bem nos exames podia ser considerado um sinal de habilidade natural e inteligência. Podia também ser considerado um sinal de determinação que alguns alcoólicos Anne R. Ripley Dr. Bob aos 31 anos possuem para trabalhar mais arduamente, por mais tempo e melhor que todos os demais – durante certo período.Nos exames seguintes, houve mais discussões e foi expulso, porém, deram-lhe seus créditos e com eles conseguiu uma transferência em 1907 para cursar o segundo ano na Universidade de Rush, perto de Chicago, Illinois. Continuaram as bebedeiras, cada vez mais prolongadas, acordando com tremores ainda mais intensos. Nos exames finais, teve provas que deixou de fazer porque não conseguia segurar o lápis. Mais repreensões, mais promessas e mais reclamações e uma proposta: o reitor decidiu que se Bob desejasse se graduar deveria voltar mais dois trimestres, permanecendo completamente sóbrio. Ele foi capaz de cumprir essa solicitação e, como resultado, conseguiu seu diploma de médico em 1910, aos 31 anos. De fato, seus conhecimentos e sua conduta foram considerados tão louváveis que ele foi capaz de assegurar uma residência médica altamente cobiçada no City Hospital em Akron, Ohio. Os dois anos de residência foram livres de problemas e o trabalho tomou o lugar do álcool. “Mantinham-me tão ocupado que praticamente não deixava o hospital. Como conseqüência não me podia envolver em nenhum problema”, disse. Em 1912, ao completar os dois anos de residência medica, abriu um consultório no prédio do Second National Bank,em Akron, onde permaneceria até a aposentadoria em 1948. Talvez como resultado do horário irregular e do trabalho intenso de um novo clinico geral, Dr. Bob teve um problema estomacal grave. “Logo descobri que alguns drinques aliviavam a dor da minha gastrite, pelo menos por algumas horas”,disse ele. E assim, não demorou a retornar aos velhos hábitos da bebida e, quase imediatamente, a pagar muito caro fisicamente com a volta do verdadeiro horror e o sofrimento do alcoolismo. “eu estava entre a cruz e a espada: se não bebe-se, meu estomago me torturava, e se bebe-se, meus nervos faziam a mesma coisa”. Quando as coisas ficavam muito ruins e era incapaz de trabalhar, submetia-se a um tratamento numa das clínicas locais de desintoxicação. Isso aconteceu, no mínimo, uma dúzia de vezes. Após três anos dessa existência de pesadelo, o jovem médico acabou em um dos hospitais locais, o qual, semelhante a outros lugares para tratamento de doentes nos arredores, atendia pacientes com doenças socialmente inaceitáveis, tais como o alcoolismo, a dependência das drogas e as doenças mentais. A equipe do hospital fez o melhor, mas ele acabou persuadindo amigos bem intencionados a contrabandear uísque para dentro do hospital. Quando o abastecimento falhava, roubava no próprio prédio, e bebia álcool medicinal. No inicio de 1914, o juiz Smith, seu pai, enviou um médico de St. Johnsbury com instruções para levar o Dr. Bob para casa. Lá permaneceu na cama por dois meses antes de ousar sair. Estava completamente desmoralizado. Passaram-se mais dois meses até retornar a Akron e reassumir suas funções na clínica. Ele ficou tão apavorado com o acontecido que não tocou em bebida alcoólica até que foi decretada a Lei Seca. Ainda estava sóbrio no inicio do ano seguinte e, acreditando que ficaria daquela forma para sempre e, que talvez Anne Ripley também acreditasse, foi a Chicago para casar-se com ela Hospital da Cidade de Akron depois de tê-la engabelado por longos 17 anos. A cerimônia aconteceu na casa da mãe dela, Sra. Joseph Pierce Ripley, “às oito horas e trinta minutos”do dia 25 de Janeiro de 1915. Os três primeiros anos da vida de casados dos Smith foram ideais, livres de qualquer infelicidade. O Dr. Bob continuava sóbrio, e qualquer dúvida remanescente que Anne podia ter foi afastada. Eram na época, como sempre  o foram, um casal muito devotado. A vida profissional do Dr. Bob seguia tranquila; estava adquirindo uma boa reputação como médico, trabalho do qual gostava muito, e inspirava confiança aos pacientes: “Exatamente como se espera que um médico seja”, disse Emma K. – próxima dos Smith em seus anos finais. Fizeram muitas amizades, tornaram-se membros respeitáveis da comunidade, e em 1918, tornaram-se pais de Smitty seu único filho. Porém esse mesmo ano teve um impacto diferente na vida do Dr. Bob: em outubro foi aprovada a Emenda 18ª ou Lei Seca que vigorou desde 16/01/1920, até 05/12/1933. A lei proibia a fabricação, venda, transporte, importação e exportação de bebidas alcoólicas contendo mais de 0,5º de álcool em todo território dos EUA. Sua memória eufórica foi ativada e achou que alguns drinques naqueles momentos que antecediam à entrada em vigor fariam pouca diferença, e que uma pequena provisão enquanto ainda era legal logo acabaria, e a normalidade da temperança se estabeleceria no país. O Dr. Bob começou de forma moderada a jornada da proibição. E num tempo relativamente curto, ficou fora de controle novamente, não de volta ao velho padrão, mas o progresso de sua doença foi evidente. A emenda 18ª favorecia os médicos ao permitir o uso do álcool etílico, em quantidades quase ilimitadas, para  “fins medicinais”. Muitas vezes, durante aqueles anos “secos”, Dr. Bob escolhia um nome ao acaso na lista telefônica, e preenchia uma receita médica que lhe dava direito a uma garrafinha de 100 cc de álcool medicinal. Logo entrou em cena um novo personagem: o contrabandista de bebida alcoólica. A qualidade não era seu forte. Mesmo assim, o contrabandista da família era mais prestativo do que a loja de bebidas. Fazia entregas a qualquer hora do dia ou da noite, domingos e feriados. Não aceitava cheques nem vendia fiado. O Dr. Bob logo providenciou um. Logo “desenvolvi duas fobias distintas: o medo de não dormir, e o medo de ficar sem bebida. Se não ficasse sóbrio o bastante para ganhar dinheiro, ficaria sem bebida”, nas suas próprias palavras. Esta lógica irrefutável o conduziu a um pesadelo que durou 17 anos: ficar sóbrio para ganhar dinheiro para poder beber e ficar bêbado para poder dormir. Depois tudo de novo – e de novo! Substituiu a bebida matinal, que era o que ele gostava, por grandes doses de sedativos, a fim de acalmar as tremedeiras que o afligiam terrivelmente. Quando sucumbia ao desejo de beber de manhã, acontecia um desastre maior. No primeiro caso, em poucas horas encontrava-se incapacitado para trabalhar. No segundo caso,  perdia a habilidade usual de levar às escondidas para sua casa bebida alcoólica suficiente que o fizesse dormir. Assim, adquiriu o que hoje é conhecido como dependência cruzada: álcool e fármacos. Ainda assim, Dr. Bob conseguia se manter trabalhando como médico. “Eu tive bom senso suficiente para nunca ir ao hospital se tivesse bebido e raramente recebi pacientes nesse estado”, disse. De fato, sua carreira até progrediu durante esses anos. Depois de seu inicio como clinico geral, em 1929 começou a se especializar como proctologista e cirurgião retal. 
 
Mas, à medida que os anos de bebedeira decorriam, o esforço para fazer seu trabalho e manter uma fachada de normalidade se tornou estafante. Gradualmente a fachada foi desmoronando. Se Anne planejasse sair à tarde, ele conseguia um grande sortimento de bebidas e o levava às escondidas para casa, escondendo-as no depósito de carvão, dentro do tanque de lavar roupas, em cima das vigas do porão, e entre as telhas do celeiro. Utilizava também arcas e baús e até a lata de lixo. Costumava colocar bebidas em garrafas pequenas e enfiá-las no cano das meias. Seu contrabandista escondia o álcoolnos degraus atrás da casa. Quando Anne tinha cerca de quarenta anos, e não poderia ter mais filhos, adotaram Suzanne Windows (Sue) de cinco anos de idade, a mesma de Smitty, para não criá-lo como filho único. A bebida de Dr. Bob teve um efeito inevitável na vida da família e também em sua prática profissional. À medida que as crianças cresciam, o alcoolismo do pai tornava-se cada vez mais perceptível, e os Smith foram sendo excluídos pelos amigos. Não podiam aceitar mais convites porque Dr. Bob ficaria bêbado e causaria uma cena, e Anne não se atrevia a convidar alguém para vir à sua casa pela mesma razão. Em 1933 os tempos eram extremamente difíceis para todo mundo, mas piores para os Smith: Dr. Bob quase não clinicava. Ele se escondia ou ficava em casa indisposto. Anne e Lilly, a secretária do Dr. Bob, mentiam para os pacientes dele. Conseguiram uma ampliação do prazo para pagar a hipoteca da casa. No inicio desse ano Dr. Bob e Anne entraram em contato com o Grupo de Oxford e ela o persuadiu a freqüentar as reuniões, mas posteriormente ele mesmo se sentiu atraído pelos membros “por causa do aparente equilíbrio, saúde e felicidade”.Seu entusiasmo esfriou de certa forma quando descobriu que o programa tinha um aspecto espiritual. “Em nenhum momento senti que ali houvesse uma resposta para meu problema com a bebida alcoólica”,disse. No entanto, durante os dois anos e meio seguintes Dr. Bob freqüentou regularmente as reuniões do Grupo de Oxford, dedicou muito tempo ao estudo de sua filosofia, e embarcou em uma busca espiritual destinada a durar pelo resto da vida. Contudo, ficava bêbado. Foi nesse estado que assistiu à revogação da Lei Seca em 05-12-1933, e assim passaria o ano de 1934até o encontro com Bill W. no dia 12 de maio de 1935. 

35-. Alcoolista, ou etilista=> 
Nome dado pela Organização Mundial da Saúde e pelos órgãos de saúde do Brasil - a partir de uma portaria de 1990, do Ministério da Saúde - para designar os dependentes de álcool em tratamento de abstinência. 

36-. Alucinação=> 
Em medicina, percepção aparente de objeto externo não presente no momento; algumas vezes sintomas de desequilíbrio mental.
 
37-. Anonimato =>
do grego anonymos, pelo latim anonymu. Estado de quem é anônimo. Sem nome, sem denominação. Hábito ou sistema de escrever sem assinar. 

38-. Anonimato Em A.A.: 
desde seus primeiros dias, A.A. tem assegurado o anonimato pessoal a todos os que freqüentam suas reuniões. Como os fundadores e primeiros membros de A.A. também eram alcoólicos em recuperação, eles sabiam por experiência própria o quanto a maioria dos alcoólicos se sentia envergonhada quanto a seu modo de beber, e o quanto receava expor-se ao público. O estigma social do alcoolismo era enorme, e os primeiros membros de A.A. perceberam que uma rigorosa garantia de confidencialidade era imperativa se quisessem ter sucesso na tarefa de atrair e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade. 
 
Com o passar dos anos o anonimato provou ser uma das maiores contribuições que A.A. oferece ao alcoólico que ainda sofre. Sem ele, muitos nunca assistiriam à sua primeira reunião. Embora o estigma tenha, até certo ponto, diminuído, a maioria dos recém-chegados ainda acha a admissão de seu alcoolismo tão dolorosa que prefere fazê-lo num ambiente protegido. O anonimato é essencial para criar esse ambiente de confiança e de compreensão. Embora a privacidade seja muito importante para os novos membros, é notável como a maioria deles fica ansiosa por compartilhar a boa nova de sua afiliação a A.A. com suas famílias. Tal 
revelação, contudo, é sempre uma escolha pessoal: A.A. como um todo procura assegurar que cada membro, individualmente, permaneça tão anônimo e protegido quanto o queira, desde que se compreenda que o anonimato na imprensa, rádio, televisão e filmes é essencial para nossa sobriedade e crescimento contínuos – tanto em nível pessoal como de grupos. Tradicionalmente, os membros de A.A. sempre cuidaram de manter seu anonimato em nível público: na imprensa, no rádio, na televisão, no cinema e, mais recentemente, na Internet. Nos primeiros dias de A.A., quando a palavra "alcoólico" levava um estigma maior do que hoje, era fácil entender este receio de identificar-se publicamente. À medida que Alcoólicos Anônimos foi crescendo, logo se tornaram evidentes os valores do anonimato. Primeiro, sabemos, por experiência, que muitos bebedores-problema vacilariam em recorrer a Alcoólicos Anônimos se acreditassem que seu problema seria assunto de discussão pública, ainda que por descuido. Os novatos devem ter a possibilidade de buscar ajuda com total segurança de que sua identidade não será revelada a ninguém fora da Irmandade. Ademais, acreditamos que o conceito de anonimato pessoal tem também um significado próprio para nós - que contribui para refrear os impulsos de reconhecimento pessoal e de poder, prestígio e riqueza que provocaram tantas dificuldades em outras sociedades.  Nossa eficácia relativa ao trabalho com os alcoólicos poderia ver-se prejudicada em alto grau se buscássemos ou aceitássemos o reconhecimento público. Ainda que todo membro de A.A. tenha total liberdade para interpretar as Tradições de A.A. como melhor lhe aprouver, não se reconhece a nenhum indivíduo a legitimidade de ser porta-voz da Irmandade em nível local, nacional ou internacional. Cada membro fala unicamente por si mesmo. Alcoólicos Anônimos tem uma dívida de gratidão com todos os meios de comunicação pelo que eles têm contribuído, ao longo dos anos,  em reforçar a Tradição de Anonimato. O CTO/JUNAAB envia correspondência regularmente aos meios de comunicação para explicar lhes essa Tradição e pedir-lhes que cooperem para que ela seja cumprida. Por diversas razões, um membro de A.A. pode "romper" seu anonimato deliberadamente perante o público. Já que isso é um assunto de escolha e consciência pessoais, obviamente a Irmandade como um todo não tem nenhum controle sobre tais desvios da Tradição. Não obstante, fica bem claro que os membros que o fazem, não têm a aprovação da maioria esmagadora de seus companheiros de Alcoólicos Anônimos. 

39-. Antabuse=> 
(anti-abusoem inglês). Nome comercial de uma droga a base de enxofre (em latim súlfur) cujo princípio ativo é o dissulfirane é usada como inibidora do uso de bebidas alcoólicas (no Brasil também é conhecida como “Tira-álcool”). A droga, em forma de pó, pode ser adicionada à comida ou a líquidos não alcoólicos e provoca o acúmulo de acetaldeído, um produto extremamente tóxico. 
 
Seus efeitos, se ingerido álcool, são extrema vaso-dilatação e conseqüente queda de pressão arterial, taquicardia e cefaleia, além de um gosto horrível de enxofre (sulfiran-like).O paciente rejeita o álcool por associação aos efeitos relatados. O tratamento deve contar com seu consentimento. Quando administrada às escondidas, sem o conhecimento do/a usuário/a, o uso do álcool pode gerar reações exageradas, como insuficiência respiratória, arritmias cardíacas, convulsões, o que pode levar a óbito.



Índice
1-. Abstêmio/a 
2-. Abstinência 
3-. Abstinência em A.A. 
4-. Adicção 
5-. Adicto 
6-. Adictos Anônimos 
7-. Agnosticismo 
8-. Agnóstico 
9-. Akron (o berço de A.A.) 
10-. Al-Anon. 
11-. Al-Anon no Brasil. 
12-. Alateen. 
13-. Álcool 
14-. Alcoólatra 
15-. Alcoólico/a 
16-. Alcoólico ou alcoólatra? 
17-. “Meu nome é...” 
18-. Alcoólico recuperado ou em recuperação? 
19-. Alcoólicos Anônimos – A Irmandade. 
20-. Alcoólicos Anônimos - O nome. 
21-. Alcoólicos Anônimos - O livro. 
22-. Alcoólicos Anônimos no Mundo. 
23-. Alcoólicos Anônimos no Brasil. 
24-. Alcoólicos Anônimos em São Paulo. 
25-. Alcoolismo 
26-. Primeiros estudos sobre o alcoolismo. 
27-. Estudos sobre o moderno alcoolismo. 
28-. Alcoólicos Anônimos: o primeiro movimento social... 
29-. Centro de Estudos do Álcool. 
30-. Comitê Nacional de Educação sobre Alcoolismo. 
31-. A classificação do Alcoolismo segundo a Associação Psiquiátrica Americana. 
32-. A classificação do Alcoolismo segundo a Organização Mundial da Saúde. 
33-. A carreira alcoólica de Bill W. 
34-. A carreira alcoólica do Dr. Bob. 
35-. Alcoolista, ou etilista 
36-. Alucinação 
37-. Anonimato 
38-. Anonimato em A.A. 
39-. Antabuse 
40-. Ateísmo 
41-. Ateu 
42-. Bafômetro 
43-. Barbitúrico 
44-. Bebedor exagerado, 
45-. Beladona 
46-. Companheirismo 
47-. Companheirismo em A.A. 
48-. Companheiro/a 
49-. Comunicação 
50-. Comunicar 
51-. Comunidade 
52-. Conceito 
53-. Conceito(s) em A.A. 
54-. Costume 
55-. Costumes 
56-. Costumes em A.A 
57-. A história das Fichas. 
58-. A oração da Serenidade. 
59-. Alcoólicos Anônimos e as orações.
60-. Cura 
61-. Cura (a) da Beladona 
62-. Delírio 
63-. Delirium-tremens 
64-. Despertar 
65-. Despertar espiritual 
66-. Doença 
67-. Dogma 
68-. Dogmatismo 
69-. Dogmatista 
70-. Doutrina 
71-. Espiritual 
72-. Espiritualidade 
73-. Espiritualismo 
74-. Estigma 
75-. Ética 
76-. Êxtase 
77-. Garantia 
78-. Garantia (s) em A.A. 
79-. Grupo 
80-. Grupo de A.A. 
81-. Grupo de Oxford. 
82-. Grupos Anônimos de Ajuda Mútua. 
83-. Humildade 
84-. Ianque. 
85-. Irmandade 
86-. Irmandade de Alcoólicos Anônimos. 
87-. Legado 
88-. Os Três Legados de A.A. 
89-. Lei 
90-. Alcoólicos Anônimos e a Lei. 
91-. Lei Hughes. 
92-. Lei Seca (a). 
93-. Lei Seca (a) no Brasil. 
94-. Literatura 
95-. Literatura em A.A. A origem 
96-. Literatura aprovada pela Conferência. 
97-. LSD 
98-. Mensagem 
99-. Mescalina 
100-. Meditação 
101-. Meditar 
102-. Mentor 
103-. Modelo Minessotta 
104-. Moção 
105-. Moção em A.A. 
106-. Moral 
107-. Morbidez 
108-. Mórbido 
109-. Narcótico 
110-. Narcóticos Anônimos (NA) 
111-. Narcóticos Anônimos no Brasil. 
112-. Neurose 
113-. Neurótico/a 
114-. Neurótico/a em N/A. 
115-. Neuróticos Anônimos (N/A) 
116-. Neuróticos Anônimos no Brasil - N/A, 
117-. Niacina 
118-. Obsessão 
119-. Paraldeido 
120-. Paranóia 
121-. Passo(s) 
122-. Os Doze Passos de A.A. – Sua concepção 
123-. Os Doze Passos de A.A 
124-. Patologia 
125-. Pecado 
126-. Política 
127-. Pragmático 
128-. Pragmatismo 
129-. Prece 
130-. Princípio 
131-. Princípios 
132-. Proceder 
133-. Procedimento 
134-. Promessa 
135-. As doze “promessas” de A.A. 
136-. Psicose 
137-. Questão de ordem 
138-. Questão de ordem em A.A. 
139-. Recuperação 
140-. Recuperação em A.A. 
141-. Religião 
142-. Alcoólicos Anônimos e a religião 
143-. Religiosidade 
144-. Serenidade 
145-. Simples. 
146-. Simplicidade 
147-. Simplismo 
148-. Simplista 
149-. Síndrome 
150-. Síndrome de Wernicke-Korsakoff 
151-. Sobriedade 
152-. Sobriedade Em A.A. 
153-. Sugerir. 
154-. Sugestão 
155-. Teísmo 
156-. Temperança 
157-. Movimentos Pro-temperança. 
158-. American Temperance Society (ATS) 
159-. Sociedade de Temperança Washington. 
160-. União Feminina pela Temperança Cristã. 
161-. Anti-Saloon League. 
162-. Movimento Emmanuel. 
163-. Jacoby Club. 
164-. Terapia 
165-. Terapeuta 
166-. Terapeuta leigo, Conselheiro, ou, Consultor 
167-. Tolerância 
168-. Tradição 
169-. ‘Os filhos do caos’ e o nascimento das Tradições de A.A 
170-. As Doze Tradições de A.A.: 
171-. Unicidade 
172-. Unicidade de propósito em A.A. 
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