Artigos - Alcoolismo: Consequências Sociais

Alcoolismo: Consequências Sociais

Resumo de palestra do Companheiro Araújo, Delegado de Área de Sergipe, pronunciada no II Seminário de A.A. do Nordeste e VI Encontro Piauiense de A.A. realizados em Teresina-PI., em 28 de outubro de 1990.

O alcoolismo, como as demais doenças, não aparece por acaso. Atinge, indistintamente, pessoas de qualquer classe ou condição social: Homens e mulheres, ricos e pobres, jovens e velhos, letrados analfabetos.

Ao contrário do chamado "bebedor social", o alcoólico sente uma compulsão irresistível pela bebida. Depois da primeira dose, já não consegue parar. Para ele não há meio-termo. Ou abstém-se completamente da bebida ou bebe até se embriagar.

O que leva uma pessoa a tornar-se dependente da bebida? inúmeras causas podem ser apontadas, variando de pessoa para pessoa.

Causas biológicas (hereditariedade), sociais (influência do meio), psicológicas e emocionais. O álcool é usado como fuga da realidade e o conseqüente não enfrentamento dos problemas cotidianos. Bebe-se para escapar das tensões, frustrações e ansiedades. Pesquisadores verificam que certos indivíduos desenvolvem defesas psicológicas para enfrentar as tensões do dia-a-dia.

Mas a resistência do alcoólico é tão pequena que ele recorre à bebida em busca de alívio. O alcoólico acredita que só pode tornar a vida suportável se beber.

Alcoolismo não é a mesma coisa que embriaguez. Muitas pessoas se embriagam não sendo alcoólicas. Alguns bebem para serem "sociais", para vencer a timidez, por experiência ou porque gostam do sabor de determinada bebida. O alcoólico, entretanto, bebe porque tem de beber. O gosto da bebida pode ser desagradável mas a necessidade de beber é tão forte que ele não a consegue controlar.

O álcool não é estimulante. É depressivo. Age sobre os centros de controle do cérebro, deprimindo-os. Isso leva o bebedor a apresentar tipos de comportamento e atitudes usualmente reprimidos e considerados anti-sociais, seja em relação à família, ao trabalho e a qualquer grupo mais amplo de que participe.

O alcoolismo prejudica a saúde do bebedor, a prosperidade e felicidade da sua família e das pessoas do seu relacionamento. Não escolhe faixa etária. Alcoólicos Anônimos já recebeu crianças de 10 anos para fazer o programa de recuperação, pobres pequenos que começaram a beber por imitação dos adultos, às vezes copiando o modelo paterno ou materno.

EFEITOS DO ALCOOLISMO

- Gera dependência. É uma armadilha que prende suas vítimas.

- Destrói o corpo. Atinge o cérebro, o sistema. circulatório, o aparelho digestivo e outros órgãos importantes do corpo, afetando, inclusive, o feto no ventre materno.

- Arruína a mente. O ser humano, além de ossos e músculos, possui também, uma mente, sede de funções mais nobres: vontade, juízo crítico, raciocínio, amor.

- Afeta outras pessoas. Milhares morrem ou ficam mutilados em conseqüência de acidentes causados por ébrios; crimes são cometidos sob efeito da bebida; a família é desestruturada com profundo sofrimento para o cônjuge e os filhos. O uso imoderado da bebida durante a gravidez pode determinar o nascimento de filhos com defeitos físicos ou lesões cerebrais.

- Compromete a moral. A bebida afrouxa os controles morais (ver, nesta edição, artigo do Dr. Paulo Lacerda, P.4). Consideremos o sexo, por exemplo. Um dos mais sublimes e belos dons dado por Deus ao homem e à mulher. Entretanto, sob influência do álcool, as pessoas o envilecem. Deus criou o sexo para o amor e o matrimônio, como fonte de união e prazer. Mas os que se dedicam às bebidas alcoólicas com freqüência desvirtuam completamente essa finalidade.

- Corrói as amizades. Apesar de alguns alcoólicos parecerem amigos de todo mundo, em realidade o hábito de beber não ajuda a encontrar nem a conservar bons amigos. Lamentavelmente, muitos pensam que devem consumir bebidas alcoólicas para serem aceitos pelos demais. O álcool não é um fortificante dos nossos afetos.

Alguns sustentam haver vantagens ocultas no hábito de beber. Só que estas vantagens devem estar tão escondidas que é impossível encontrá-las.

VANTAGENS DA ABSTINÊNCIA

- Melhor saúde e vida mais longa. O abstêmio desfruta de melhor saúde durante mais tempo que o bebedor. Em média, quem não bebe vive 12 anos mais que o alcoólico. Talvez isso não pareça de mais para um jovem, mas tem significado imenso para quem já passou dos cinqüenta.

- Segurança no trabalho. Ninguém sustenta uma família sem trabalhar. A bebida leva ao desemprego.

- Melhor juízo. O juízo e as relações dos abstêmios são de melhor qualidade.

- Vida familiar mais feliz. Os abstêmios têm lares mais felizes, lugares ideais para desenvolvimento de uma prole sadia e equilibrada.

- Êxito nos estudos. Se algumas vezes os estudos parecem difíceis e complicados, muitos mais o são se o aluno utiliza bebida alcoólica. O álcool agride os mecanismos da memória e do raciocínio. Os abstêmios retêm melhor as lições aprendidas e tiram melhores notas.

- Harmonia pessoal., Os não bebedores desfrutam de maior harmonia da mente, corpo e espírito. Têm especial satisfação pelo fato de não serem escravos do álcool, por darem bons exemplos aos amigos e, especialmente, aos filhos.

O alcoolismo, pois, além de doença, é um grave problema social merecedor da atenção de todos os que detêm alguma parcela de responsabilidade pelo bem-estar da população.


VIVÊNCIA N°. 17 – JUL/SET DE 1991.