Artigos - Alguém de fazer as coisas > RV. 53

Alguns grupos que tenho freqüentado, aos quais chamarei de “caseiros” por serem grupos que consideramos como o nosso segundo lar tem problemas em comum que tendem a aumentar, ou melhor, tem apresentado certos tipos de problemas comuns cada vez maiores: conseguir membros antigos e novos para prestar serviço.
O recém-chegado diz: “não posso aparecer todas as semanas. Não tenho condições de assumir este tipo de compromisso”.
O companheiro antigo diz: “já fiz a minha parte. Deixe os novos se engajarem”. Todos esses A.A’s estão perdendo a magnífica oportunidade de se tornarem seres humanos mais felizes e mais saudáveis. Nenhum dessas atitudes é nova para nós, alcoólicos, pois todos nós possuímos características comuns e não surpreende o fato de que ninguém queira prestar serviço.
Como nos ensinam os Doze Passos e as Doze Tradições, os alcoólicos são conhecidos por serem imaturos e com mania de grandeza. Os novatos não vêem nenhuma relação entre esvaziarem cinzeiros e permanecem sóbrios.
Alguns membros antigos não acham necessário continuar praticando pequenos serviços após algum tempo de abstinência.
Novos e antigos, nós, alcoólicos, estamos com freqüência atolada profundamente em nossas características de imaturidade. Estamos na verdade praticando a fundo a fuga do compromisso, da responsabilidade e do companheirismo. É verdade que uma vida inteira engrenada no egocentrismo não pode ser revertida de uma só vez. A rebeldia trava cada um de nossos passos no inicio. Assim, prestar serviço torna-se a pratica de “aparecer”.
Se você presta serviço, então você vai às reuniões. Se você não toma o primeiro gole e freqüenta as reuniões, não ficara embriagado.
 Muito simples para antigos e recém-chegados igualmente. O serviço nos ajuda a quebrar nosso longo e antigo padrão de comportamento de não aparecermos diante do outro, de nós  mesmos e da vida em geral.
Serviço é também humildade, ele ajuda os novos a desistirem da mania de grandeza que os separa de seus semelhantes. Para os veteranos ajuda a combater o orgulho que diz: “já cheguei lá, não preciso dessa prática”.
Para os novos membros, compreender o serviço ajuda-os concluir que se alguém não abre a porta, arruma as cadeiras e faz o café não haverá reuniões para manter sóbrios. Para os companheiros antigos, o serviço é um lembrete de que é preciso dar poder usufruir. Para todos nós o serviço representa várias coisas. É contato com pessoas, é uma nova vida social, é construir a auto-estima, é um recém-encontrado senso de responsabilidade que continua nas nossas vidas cotidianas.Bill W. e Dr. Bob tinham plena consciência da necessidade do serviço como um caminho direto para a sobriedade inicial e continua. 
É mais do que simplesmente dar continuidade a uma agradável tradição, e uma salvaguarda para nos distanciar diariamente da servidão do alcoolismo. 
Vamos manter a noção de serviço intacta para o próximo alcoólico que precisar.

( Vivencia,n° 53 maio/junho/98)