Artigos - Uma Perspectiva do Porvir

UMA PERSPECTIVA DO PORVIR 

 A seguir, trechos de um artigo de Bill W. que integra o livro A Linguagem do Coração,ainda não editado em português.

 (...) Agora que nossos princípios parecem estar bem estabelecidos, agora que estamos funcionando com bastante eficácia em muitos lugares, poderíamos facilmente cair na tentação de nos contentar de ser nada mais que uma outra agência de utilidade no cenário mundial. Poderíamos chegar à conclusão de que "A.A está bem onde está".

 Porém, quantos de nós se atreveriam a dizer: "Estou sóbrio e feliz. O que mais posso querer fazer? Estou bem tal como estou". Sabemos que esse tipo de auto-suficiência significa um inevitável retrocesso que algum dia culminará num rude despertar. A alternativa que temos é seguir desenvolvendo-nos ou decair. Para nós, o "status quo" só vale para o dia de hoje, nunca para amanhã. Temos que mudar; não podemos ficar estacionados.

 Então, que tipo de modificação devemos implantar a fim de que a mudança signifique uma efetiva melhora para A.A.? Vamos brincar com os nossos princípios básicos? Vamos aperfeiçoar nossos Doze Passos e Doze Tradições? A resposta parece ser não. Esses vinte e quatro princípios primeiro nos libertaram e, a seguir, nos mantiveram unidos, além do fato de que nos têm tornado possível funcionar e desenvolvermo-nos como membros de A.A. e como totalidade. (...)

 Nesse caso, se nossos princípios irão manter-se inalterados, o que há para ser modificado? A resposta vem em seguida. Embora não tenhamos que modificar nossas verdades, sem dúvida podemos melhorar as formas como as aplicamos a nós mesmos, à nossa Irmandade em sua totalidade e às nossas relações com o mundo que nos rodeia. Podemos seguir aperfeiçoando a aplicação "desses princípios em todas as nossas atividades".

 Por isso, neste momento em que iniciamos a próxima grande fase na vida de A.A., assumamos o compromisso de nos responsabilizar ainda mais pelo seu bem-estar geral. Prossigamos fazendo nosso inventário como Irmandade, esforçando-nos para descobrir nossos defeitos e confessemo-los sem reserva. Dediquemo-nos à correção de todas as relações defeituosas que possam existir, sejam internas, sejam externas. E, sobretudo, lembremos que a multidão de pessoas que ainda sofrem de alcoolismo e que já se encontram sem esperança. Seja qual for o custo ou o sacrifício, empenhemo-nos na melhoria de nossas comunicações com toda essa gente, para que encontrem o que já encontramos - uma nova vida de liberdade aos cuidados de Deus. 

(Publicado na Grapevine, fev de 1961)