Artigos - As "regras" são perigosas, mas a unidade é vital

A.A. possui uma política adequada  de relações públicas? Seria ela adequada para enfrentar nossas necessidades presentes e futuras? – Embora nunca tenha sido definitivamente formulada ou exatamente enunciada, possuímos certamente uma política de Relações Públicas parcialmente formada. Como tudo em A.A. ela evolui das tentativas e erros. Ninguém a inventou. Ninguém jamais ditou um conjunto de regras ou regulamentos que a descrevesse e eu espero que ninguém jamais o faça. Porque as regras e os regulamentos parecem não nos servir para muita coisa. Raramente, funcionam de forma correta. Se tivéssemos que proceder de acordo com os estatutos, alguém teria que elabora-los e, mais difícil ainda, alguém teria que implantá-los. A elaboração de estatutos foi tentada frequentemente. Isso normalmente resulta em controvérsia tanto entre os formuladores como entre os que devem seguir as regras. E quando se trata de impor uma ordem – bem, todos vocês sabem o que acontece. Quando tentamos impor regras e regulamentos não importa o quão razoáveis, quase sempre ficamos tão “ encrencados” que nossa autoridade desaparece. Alguém vocifera : “Abaixo os ditadores, cortem-lhes as cabeça!” Comissões de controle injuriadas e atônitas, uma em  seguida da outra, e “líder” após “líder” descobrem que a autoridade humana, seja ele imparcial ou benigna, raramente funciona duradoura ou adequadamente em relação aos nossos problemas. Os alcoólicos (mesmo aqueles Esmolambados) são individualistas mais inflexíveis que existem, verdadeiros anarquistas no intimo. Claro está que ninguém afirma que essa nossa característica seja uma virtude áurea. Durante seus primeiros anos na Irmandade, todos os AAs tiveram o quanto bastasse da ânsia de se rebelar contra a autoridade. Eu tive e ainda não posso afirmar que não tenha mais. Também tive período de “fazedor” de regras, um regente da conduta de outras pessoas.Também passei muitas noites insones acalentando o meu ego “ferido”, perguntando-me como os outros cujas vidas eu buscava controlar., podiam sertão irracionais, tão irrefletidos com este “pobre sujeito”. Hoje, posso rememorar essas experiências com muita diversão. E igualmente com gratidão. Elas me ensinaram que a própria  qualidade que me levava a governar outras pessoas era o mesmo egocentrismo que entrava em ebulição nos meus companheiros de A.A.., quando se recusavam a ser governados! O leitor que não pertence ao A.A. poderia exclamar” Isso parece se muito sério para o futuro dessa gente. Nenhuma organização, nada de regras, nenhuma autoridade?Isso é anarquia; é dinamite é “atômico” e vai explodir. Relações Públicas ...francamente! se não existe nenhuma autoridade, como é que eles podem ter algum tipo de Relações Públicas? Foi essa mesma falha que arruinou os alcoólicos washingtonianos, cem anos atrás. Eles proliferaram até totalizar cem mil membros e ai entraram em colapso. Nenhuma política ou autoridade efetiva. Brigavam entre eles e acabaram com um olho roxo causado pelo público. Esses Aas não são exatamente o mesmo tipo de beberrões, o mesmo  tipo anarquista? Como esperam eles ter  sucesso onde os washingtonianos fracassaram?  Boas perguntas essas. Teríamos nós as respostas? Embora nunca possamos estar plenamente certos, existe uma razão para esperar que sim, porque parece haver forças trabalhando em A.A. que é um pouco evidente entre nossos companheiros alcoólicos da década de 1840. Para começar nosso programa de A.A é espiritualmente centralizado. A maioria de nós encontrou humildade suficiente para acreditar  em Deus e se apoiar n’Ele l. Encontramos essa humildade enfrentamos o fato do alcoolismo ser uma doença fatal., em relação a qual somos individualmente impotentes. Os washingtonianos, por outro lado, achavam que a bebida era apenas outro hábito arraigado que podia ser interrompido pela força de vontade expressa em promessas, mais a força de sustentação do amparo mútuo, através de uma sociedade compreensiva de ex-bêbados. Aparentemente, eles pouco pensavam em modificar a personalidade e, menos ainda, em conversão espiritual. O amparo mútuo e as promessas fizeram muito por eles, mas não foram suficientes; seus egos individuais ainda geravam turbulência em todos os canais, menos o álcool. As forças egoísticas que não possuíam nenhuma humildade, que quase não se lembravam de que a penalidade para a teimosia excessiva é mortal para o alcoólico que não tinha nenhum Poder Superior ao qual servir, destruíram definitivamente os washingtonianos. Consequentemente  quando contemplamos o futuro, nós, os AAs devemos sempre perguntar se o espírito que hoje nos une em nossa casa comum, será sempre mais forte que aquelas ambições e aqueles desejos pessoais que tendem a nos afastar. Enquanto as forças positivas forem mais poderosas, não poderemos fracassar. Até aqui, felizmente, os vínculos que nos unem foram muito mais fortes do que aqueles que poderiam nos dispersar. Embora o A.A. individual não sofra nenhuma coerção humana e desfrute de uma liberdade pessoal quase perfeita, atingimos, não obstante, uma maravilhosa unidade acerca do que é essencialmente vital. Os Doze Passos de nosso programa de A.A.. por exemplo, não são empurrados garganta abaixo de ninguém. Os Passos não se apoiam em nenhuma determinação humana. No entanto, nos unimos poderosamente ao redor deles, pois a verdade neles contida salvou as nossas vidas, abriu-nos a porta para um novo mundo. Nossa experiência confirma que essas verdades universais funcionam. A anarquia do indivíduo cede perante sua força de persuasão A pessoa  se torna sóbria e é levada pouco a pouco a concordar plenamente com nossos princípios simples. Em última instância, essas verdades passam a governar a vida da pessoa e ela começa a viver de acordo com a força das mesmas, a força mais poderosa que se conhece, a força da sua plena concordância livremente concedida. O indivíduo é agora governado não por pessoas, mas sim por princípios, pelas verdades e  como diria a maioria de nós, por Deus. VAI CONTINUAR....