Artigos - As últimas mensagens de Bill e Bob

"Saúdo-te e dou graças por tua vida."
Meus pensamentos hoje em dia estão cheios de gratidão para com a nossa Associação pelo sem-número de bondades que nos tem dado a Graça de Deus.


Se me perguntassem qual dessas bondades era o responsável por nosso crescimento como Associação e mais vital para nossa continuidade, eu diria: o "Conceito do Anonimato".

O anonimato tem dois atributos essenciais para nossa sobrevivência individual e coletiva: o espiritual e o prático.

Ao nível espiritual, o anonimato requer toda a disciplina que somos capazes de dar. Ao nível prático, o anonimato tem dado proteção ao novo membro, nos tem dado o respeito e o apoio do mundo exterior, dando-nos proteção e segurança daqueles que poderiam usar o A.A. para fins doentios e egoístas.

Com o passar dos anos o A.A. deve e continuará a mudar. Não podemos e nem devemos retroceder no tempo. Sem dúvida acredito firmemente que o princípio do anonimato deve permanecer como primordial e permanente medida de segurança. Enquanto aceitarmos nossa sobriedade em nosso tradicional espirito do anonimato, continuaremos recebendo as Graças de Deus.

E assim, uma vez mais os saúdo nesse espírito e outra vez mais dou graças por vossas vidas.

Que Deus bendiga a todos nós agora e sempre.

Sempre seu

Bill. "

Meus queridos amigos em A.A. e do A.A.


... Fico bastante emocionado ao ver diante de mim um vasto mar de faces, com o sentimento de que, possivelmente alguma pequena coisa eu fiz há alguns anos atrás, para tornar este encontro possível.

Fico muito emocionado também, quando penso que todos nós tivemos os mesmos problemas. Que todos nós fizemos as mesmas coisas. Que todos nós conseguimos os mesmos resultados proporcionalmente ao nosso zelo, entusiasmo e persistência na detenção da marcha de nossa doença. Se vocês me permitirem a inclusão de uma pequena nota pessoal neste momento, quero dizer que estive acamado cinco dos sete últimos meses e minhas forças não retornaram como eu gostaria; assim meus comentários sobre o necessário serão muito breves.

Duas ou três coisas vieram à minha mente, às quais eu gostaria de dar um pouco de ênfase. Uma é a simplicidade do nosso programa. Não vamos perder isso tudo com complexos de Freud e coisas que são interessantes para o pensamento científico, mas temos muito o que fazer com o nosso atual trabalho no A.A. Os nossos Doze Passos quando experimentados até o último, resumem-se todos eles às palavras "AMOR" e "SERVIÇO".

Nós entendemos o que o AMOR é. Nós entendemos o que o SERVIÇO é. Assim, vamos manter essas duas coisa em nosso pensamento.

Lembramos também de guardar a nossa língua para não errar e que se tivermos que usá-la, usêmo-la com bondade, consideração e tolerância.

E mais uma coisa: nenhum de nós estaria hoje aqui, se alguém não tivesse tido tempo para explicar-nos alguma coisa, para nos dar uns tapinhas nas costas, para levar-nos a uma ou duas reuniões, para fazer numerosos atos de bondade e consciência em nosso favor. Assim, não deixemos nunca chegar a um grau tal de complacência presunçosa, que não nos permita dar ajuda ou tentar dá-la, a nossos irmãos menos felizes, já que ela tem sido tão benéfica para todos nós.

Muitas felicidades,

Dr. Bob"

* Bill W. e Dr. Bob foram co-fundadores do A.A



O VALOR DA VIDA


..."E depois ia falar na Grande Reunião da Sexta-feira à noite. Tinha o coração colocado nisso e Ed, que o admirava muito e gozava de sua intimidade, afirmou que podia dar solucioná-lo". Fisicamente era impossível para Bill falar na Sexta-feira, mas não estava disposto a se render.

"Tivemos a reunião (no domingo de manhã) no saguão da Convenção", continuou Bob H. "Havia 14.000 pessoas. Bill foi levado numa ambulância até a entrada dos fundos. Ali havia uma empilhadeira que ergueu Bill na sua cadeira de rodas e o depositou na entrada traseira do palco. No nariz tinha uma sonda por onde respirava oxigênio. Foi levado na cadeira de rodas até o microfone, e colocado em pé, ligeiramente apoiado em alguém; talvez fui eu, não lembro. E precisamente durante uns poucos minutos..., apenas falou quatro minutos e durante os dois ou três primeiros foi o velho Bill, fantástico! Pode hipnotizar as pessoas.

Isso foi tudo. Voltou para a cadeira de rodas, foi colocado na ambulância e levado de volta ao hospital".

No começo de setembro, Bill estava completamente prostrado na cama. Em novembro nunca desceu ao andar térreo. Nesse novembro, Lois leu sua mensagem de despedida durante seu jantar de aniversário; nesta mensagem Bill parafraseou o comprimento árabe que lhe tinha sido enviado por um membro. Escreveu a todos AAs: "Eu vos saúdo e dou graças pelas vossas vidas".

Em janeiro de 1971, o Dr. Ed, que estava permanentemente em contato telefônico, decidiu que o Instituto do Coração de Miami podia ser capaz de fazer alguma coisa por Bill, já que tinha um novo aparelho para respirar que poderia ajuda- lo e decidiu levar Bill de volta a Miami. Um velho amigo alugou um avião Lear Jet e o Dr. Ed voou desde Miami para acompanhar Bill na sua volta.

Nell, que havia ouvido Bill aconselhar um número incontável de pessoas, utilizou agora suas próprias palavras para consolá-lo. "Mantenha-se firme", dizia, e Bill respondia apertando sua mão.

O avião chegou a Miami ao cair da tarde e Lois estava quase exausta. Às oito da noite, depois de jantar e de que Lois houvesse voltado ao quarto de Bill para se despedir, Nell e ela retiraram-se aos seus quartos contíguos no hotel Holiday In, ao lado do Instituto. Bill estava cômodo e alegre quando Lois o deixou.

Era 24 de janeiro e o 53º aniversário do casamento de Lois e Bill. Bill morreu às 11:30h daquela noite.

O obituário de Bill apareceu no Times de Nova York na Terça-feira dia 26 de janeiro. As Tradições não fazem referência ao anonimato póstumo e o nome completo de Bill, com sua fotografia, foi apresentado com destaque num artigo que ocupou uma página.

No dia 27 de janeiro houve um serviço comemorativo privado em Stepping Stones. A oração de São Francisco, a favorita de Bill, ecoou através das arvores que rodeiam a casa: "Ó Senhor! Faze de mim um instrumento de Tua Paz; onde há ódio, faze que eu leve o amor; onde há ofensa que eu leve o perdão; onde há discordia que eu leve a união; onde há dúvidas que eu leve a fé; onde há erros que eu leve a verdade; onde há desespero que eu leve a esperança; onde há tristeza que eu leve a alegria; onde há trevas que eu leve a luz!

Oh! Mestre! Faze que eu procure menos ser consolado do que consolar; ser compreedido do que compreender; ser amado do que amar. Porque é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado; é morrendo que se vive para a Vida Eterna. Amém".

No Escritório de Serviços Gerais – ESG, imediatamente depois da morte de Bill, deixaram de chegar as queixas de costume. Toda a combatividade e os apelos ao ESG para apaciguar disputas locais cessaram completamente. Durante um periodo de aproximadamente seis meses houve uma sensação de reorganização.

Em 5 de maio, depois que a terra em Vermont havia degelado, os restos de Bill foram sepultados no jazigo da familia no cemitério de East Dorset. A lápide é simples, do mesmo mármore branco que seu pai tinha retirado da pedreira para os edifícios e monumentos da Cidade de Nova York. Está enterrado junto a Clarence, seu tio Griffith que "legou" a Bill seu violino.

Na lápide está escrito: "William G. Wilson, 1895-1971". Há uma pedra ao pé do túmulo onde se le: "Vermont, 2D LT BRY C66 ARTy CAC, Primeira Guerra Mundial.

26 de Nov. 1895 – 24 de Jan. 1971".

Não há nenhuma menção a Alcoólicos Anônimos.

Quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 - 42º Aniversário