Artigos - Atribuições do CTO e suas siglas

Dr. Laís Marques da Silva, Ex-Presidente da JUNAAB

    "Há cerca de pouco mais de vinte anos, poder-se-ia dizer que a Irmandade de Alcoólicos Anônimos não era somente anônima, mas quase que secreta. Não há dúvidas quanto à grande importância do anonimato, mas se esse ponto de confidencialidade for ultrapassado  e ela se tornar secreta, fica muito difícil para aquele que está morrendo nas garras de uma doença de tão alto poder destrutivo, encontrar a porta da libertação, da salvação.

    Nos seus primórdios, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos era difícil de ser encontrada e assim ficou por muito tempo. Os números dos telefones nem constavam das listas e apenas uns poucos amigos e profissionais escolhidos sabiam da sua existência. A maneira de encontrar o A.A. mais usual era por informação dos seus próprios membros. Essa dificuldade, diziam, selecionavam os que tinham um verdadeiro desejo de parar de beber, mas a Terceira Tradição eliminou o conceito de verdadeiro que, afinal, ninguém nunca pôde saber se realmente é ou não verdadeiro.

    Com o passar do tempo, os bons resultados alcançados na recuperação dos alcoólicos falaram por si mesmos e, através deles e não por divulgação ou por propaganda, a sociedade em geral foi tomando conhecimento da existência de Alcoólicos Anônimos e nutrindo um crescente sentimento de respeito e admiração pela Irmandade.

    Num passo seguinte, os profissionais de saúde foram conhecendo o A.A. por estarem em contato direto com esses doentes durante o tratamento e teve início então a fase em que os doentes passaram, aos poucos, a ser encaminhados para os grupos. Mais tarde outros profissionais, não ligados à área da saúde, foram também sabendo da existência da Irmandade, como, por exemplo, os profissionais da  área jurídica.

    A certa altura, a nossa Irmandade se deu conta de que o encaminhamento dos doentes aos grupos de A.A., por parte da sociedade, estava concorrendo para a recuperação de um número cresecnte de pacientes e foi então que surgiu entre nós, há não muito tempo, o Comitê Trabalhando com os Outros. Ao mesmo tempo, a cada dia,  cresceu a consciência de que anônimo é o membro de A.A. e não a Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

    O Comitê surgiu em função da nossa realidade, ou seja, a de que o A.A. opera através de um sistema de comitês por um lado e, por outro, do conhecimento e do respeito que a sociedade vem tendo pelo A.A.

    A experiência obtida com a criação do CTO está mostrando que ele intensifica os trabalhos do Décimo Segundo Passo, estimula a dedicação dos membros de A.A. pelo serviço e evidencia a necessidade sempre crescente de fortalecermos a estrutura de serviços.

    O que se pode observar hoje é que, além da felicidade que os membros de A.A. estão tendo de ver ingressar nos grupos de A.A. um número crescente de doentes que recebem os benefícios do Programa de Recuperação, também a Irmandade tem recebido deles um novo estímulo para o trabalho do Décimo Segundo Passo, para os serviços de A.A. e para a consolidação da estrutura de serviços. Como sempre, a via de mão dupla se estabelece: dando se recebe e recebendo se dá.

    Em muitos países, as atividades desse comitê já estão muito desenvolvidas e, pelo fato de serem elas altamente gratificantes para os que dedicam muito dos seus esforços ao trabalho do Décimo Segundo Passo, conta hoje a Irmandade desses países com um grande número de membros dedicando os seus esforços a este serviço altamente recompensador.

   No Brasil, o CTO foi sendo estruturado a partir das Centrais e das Intergrupais, além da JUNAAB, porque essas estruturas puderam contar com o concurso de um número considerável de grupos, onde também foi possível encontrar companheiros com entusiasmo e disponibilidade de tempo, além de conhecerem suficientemente bem os Princípios da Irmandade para poder realizar um bom trabalho, para levar a mensagem de modo correto.

    Entre nós, o Comitê Trabalhando com os Outros (CTO) conta com três comissões: a Comissão de Cooperação coma Comunidade Profissional (CCCP), a Comissão de Informação Pública (CIP) e a Comissão de Instituições (CI).

    Os membros integrantes da CCCP vêm procurando contatar as autoridades civis e militares dos Estados e dos Municípios, as autoridades religiosas, os empresários, os diretores e as equipes de saúde dos hospitais, os responsáveis pelas instituições assistenciais, os responsáveis pelas instituições correcionais, etc. Numa certa medida, essa comissão tem apoiado as iniciativas das outras: a CIP e a CI.

    A Comissão de Informação Pública (CIP) é a responsável pela divulgação da mensagem de A.A. para a Comunidade em geral e, com a sua atividade, também abre um campo de trabalho para as outras comissões.

   Uma das funções da CIP é a de manter viva a imagem da Irmandade junto aos diversos órgãos de comunicação. É claro que, também para compor essa comissão, será necessário escolher companheiros com a habilidade necessária para expressar as suas opiniões e para informar a respeito da Irmandade.

    A Comissão de Instituições (CI) também atua em conjunto com a CCCP e a CIP. No caso de hospitais, por exemplo, a CCCP faz os contatos iniciais com os profissionais, a CIP realiza as palestras de esclarecimento necessárias e, depois, a CI faz um trabalho diretamente junto aos pacientes. O trabalho da CI nas instituições correcionais segue um esquema semelhante ao usado nos hospitais.

    Finalmente, constatamos que vêm aumentando em todo o país as atividades do CTO e das suas respectivas comissões e, paralelamente, podemos também notar que vem aumentando o número de grupos em todo o país, e que integram a Irmandade hoje cerca de 5.000 grupos, com aproximadamente 200.000 membros em recuperação".

*  Trabalho apresentado no VII Seminário Norte de A.A
Belém/PA