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6. Apadrinhamento / Décimo Segundo Passo / Mensagem
6.1.  Apadrinhamento: Outra forma de dizer A.A. 
Box 4-5-9, Fev. Mar./ 2002 (pág. 8-9)=> http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar02.pdf 
Título original: “El apadrinamiento es outra forma de decir A.A.” 
O apadrinhamento tem muitos aspectos, muitas formas, cada uma delas única em suas nuances de identificação, esperança e ajuda. Porém, ao se olhar de perto pode  se  ver  que  cada  uma  é  parte integrante  da  recuperação  em  A.A.;  e  para cada alcoólico  que  se  mantém  sóbrio,  a  essência do apadrinhamento costuma ser a união inseparável de “meu programa/eu”. Desde  seu  começo,  o  apadrinhamento  tem  sido  descrito  de  diversas  maneiras, como  um indulto espiritual, uma colaboração do Quinto Passo, um trabalho do Décimo Segundo Passo e uma benção dos céus. É tão antigo quanto a relação que tinham os cofundadores Bill W. e o Dr. Bob para se manter sóbrios quando se conheceram em Akron, Ohio, em 1935; é tão novo quanto a relação que está  sendo forjada, neste  mesmo  momento,  entre  um  veterano,  ou  um  Grupo  inteiro,  e  um recém chegado doente e desconcertado. Descrevendo sua relação com o Dr. Bob nos primeiros dias, Bill disse certa vez:  “O Dr. Bob não  me  necessitava  para  sua  instrução  espiritual... o  que  sim  necessitava  quando  nos  vimos pela primeira vez era a deflação profunda e a compreensão que somente um bêbado pode dar a outro. O que eu necessitava era da humildade do esquecimento de mim mesmo e o sentimento de parentesco com outro ser humano da minha própria índole”. Nos primeiros dias em Akron, o apadrinhamento costumava começar com a hospitalização do doente  alcoólico  e  sua  rendição,  esta  última,  muitas  vezes  conduzida  pela  amiga  de  A.A.  não alcoólica, Irmã Inácia, a qual em tom áspero instava seus pacientes a dobrar os joelhos em vez dos cotovelos. Em outras ocasiões, começou na cozinha do Dr. Bob com sua receita caseira de tomates, chucrute e xarope de milho  (Karo)que se misturava numa panela  grande e se deixava cozinhar  a fogo  lento.  “Ao  tomá-lo,  os  homens quase vomitavam” disse  Ernie G.,  um  membro  pioneiro. “Finalmente, o  Dr.  Bob  retirou  o  chucrute  e  durante muitos anos continuou com  os  tomates  e o xarope de milho”.Hoje em dia, essa desagradável beberagem agridoce foi substituída por batidas de leite, mel e caldo concentrado, e o punhado de “candidatos” se converteu em mais de dois milhões no mundo todo. Porém, não mudou em nada o fato simples de que a melhor forma de manter nossa sobriedade é ajudar o alcoólico que ainda sofre a alcançá-la. O  falecido Custódio Webb J., do Oeste do Canadá, levou  este  conceito  ainda  mais  longe.  Falando na  Conferência  de Serviços  Gerais  de  1991,  disse: “Você  tem  que  presenteá-la  para  mantê-la,  mas,  não  pode  dar  o  que  não  tem”. Percebeu isso quando, recém-saído de uma instituição de tratamento, tentou apadrinhar alguém e acabou de volta à garrafa. Sem  dúvida,  o  apadrinhamento,  o  estar  ali sem  julgar  durante  todos os  Doze  Passos  do caminho para ajudar outro alcoólico sem buscar em troca a gratificação do ego, nem sempre é fácil. Além  do mais,  “os  membros  de  A.A. diferem  em  seu  entusiasmo  pelo  apadrinhamento,  na  sua capacidade  de  fazê-lo  e  no  tanto  de  tempo  que  podem lhe dedicar. Os membros que desejem e possam  apadrinhar  a  vários  iniciantes  ao  mesmo  tempo  não  devem  ser  dissuadidos.  O apadrinhamento é, em certo sentido, um privilégio que deve ser compartilhado por tantos membros quanto seja possível e é uma atividade que ajuda todos os membros a fortalecer sua sobriedade”. Guy  F.,  antigo  Delegado de  Maine,  nos  oferece  outra  perspectiva  sobre  o  apadrinhamento. Falando  diante  da  Conferência  de  Serviços Gerais  a  respeito  do  lema  da  mesma, “O apadrinhamento, a gratidão em ação”,disse:  “A forma de corresponder a essa gente que me deu a ajuda  e  a  esperança  de  que  eu  precisava  é  seguir passando  adiante,  continuar  participando  no serviço e expressar minha gratidão. Para mim, isto é apadrinhamento”. Depois contou uma história que  havia muitos  anos tinha sido  relatada a ele por uma mulher nativa norte americana,  que explicava alegoricamente, ele acreditava, os conceitos do apadrinhamento: “Antigamente diziam que uma águia – uma ave muito especial que representa a liberdade e a coragem, que remontava ao céu até onde não podia ser vista, levava suas orações ao Criador. Quando novamente podia ser vista, trazia consigo a resposta. Se você ferir a Águia, cairá no chão e ficará com a boca para cima. Faz isso  para  se  proteger.  Mesmo  se  você  trata  de  ajudá-la,  irá  resistir.  Não  percebe  que  você  quer ajudá-la, e tem medo”. Guy explicou: “Essa história me faz pensar no bêbado tombado na rua com a boca virada para baixo. Se você trata de levantá-lo, ele resistirá, não porque seja ruim, mas porque tem medo e não percebe que você somente quer ajudar. No caso da águia, você pode embrulhá-la com a sua camisa e dar-lhe algum medicamento para a ferida, o Criador irá curá-la e novamente poderá voar livre  como  o  vento.  Porem,  para  ajudar  o  homem  caído  na  rua,  pode  se  valer  da  sua  própria experiência.  Se  está trilhando  o  caminho  dos  Doze  Passos  na  sua  vida,  você  pode  conduzir  este homem a uma nova vida. O homem chegará a ser livre como uma águia, livre para   amar e para ser quem o Criador tenha disposto que seja”. Na mesma Conferência, aos 91 Delegados dos EUA e Canadá, lhes foi feita esta pergunta: “Quantos  de  vocês  chegaram  ao  serviço  de  A.A.  com  a ajuda  de  um  padrinho?”. Todos os Delegados  levantaram  a  mão.  Como  é  explicado  no  folheto “Perguntas  e  respostas  sobre  o apadrinhamento”,seja um alcoólico ajudando outro alcoólico na sua  recuperação pessoal ou chegar a prestar serviço no Grupo, “o apadrinhamento em A.A. é basicamente o mesmo. Os dois tipos de serviço brotam dos  aspectos  espirituais  do  programa”. Um  padrinho  de  serviço, diz  o  folheto, poderá familiarizá-lo com as Doze Tradições, os Três Legados – Unidade, Recuperação e Serviço, e os Conceitos; pode esclarecer o princípio da rotatividade e ajudar os membros novos a perceber que o serviço é o nosso produto mais importante depois  da sobriedade.  De  posse deste conhecimento, podemos compartilhar esta visão com outros e assegurar o futuro de Alcoólicos Anônimos. 

6.2.  Apadrinhamento: Como éramos 
Box 4-5-9, Abr. Mai. 2003 (pág. 3 a 5)=> http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_april-may03.pdf 
Título original: “El apadrinamiento – como éramos” 
“Assista  às  reuniões  e  consiga  um  padrinho”. Duas  enérgicas  sugestões  que  são  dadas  a quase todos AAs em sua primeira reunião. Tanto parao recém chegado com a clássica tremedeira quanto para o veterano bem experiente, o apadrinhamento tem sido um fator crucial da sobriedade sólida, e este ano (2003), o lema da Conferência de Serviços Gerais  “Vivendo os princípios de A.A. através do apadrinhamento”, oferece à Irmandade em sua totalidade uma oportunidade de examinar a  eficácia  do  apadrinhamento  nos  dias  de  hoje.  Os  membros  da  Conferência  irão  considerar detidamente o quão aplicados temos sido em cumprir  nossa responsabilidade de apadrinhamento, e se  perguntarão  se  talvez  está  desaparecendo;  também irão  falar   de  possíveis  formas  de fornecer informação aos médicos e a outros profissionais. Nossa experiência nos revela a evolução do apadrinhamento que passou de um sistema por vezes rígido de doutrinamento para este arranjo pouco formal e individual que hoje conhecemos. As raízes do apadrinhamento são mais antigas que a própria Irmandade de A.A. Em novembro de 1934, Ebby  T.,  velho  companheiro  de  Bill  W.,  veio  visitá-lo.  Ebby  estava  sóbrio  pela  primeira  vez  em muito  tempo,  que  Bill  pudesse lembrar;  e  estava  muito  desejoso  de  falar  a  respeito  de  sua  nova maneira  de  viver.  Em  um  artigo  comemorativo  publicado  na  edição  de  junho  de 1966 da revista Grapevine,  Bill escreveu:  “Como é do  conhecimento  da  maioria  de  vocês,  Ebby,  me  falou  da libertação do desespero que havia conseguido no  Grupo de  Oxford  como resultado do autoexame, a reparação, a doação aos outros e a oração. Em poucas palavras, estava-me propondo as atitudes e princípios  que  mais  tarde  seriam  usados  para  formular  os  Doze  Passos para a recuperação em A.A.”Bill demorou algum tempo para alcançar a sobriedade, e a Ebby lhe resultou difícil manter a sobriedade por períodos de tempo mais longos, porém, para Bill essa foi a primeira experiência do poder do intercâmbio entre um alcoólico e outro e ao longo de toda sua vida Bill continuou a chamar Ebby de “meu amigo e padrinho”. O  surpreendente  poder  do compartilhamento pessoal  sempre  tem  sido  a  força  motriz,  o coração mesmo, da vida e do desenvolvimento de A.A.No fim da primavera de 1939, Bill W., longe do  seu  lar  e sua  família,  sentindo-se  desesperadamente  desejoso  de  manter  sua  recém  encontrada sobriedade, se dispôs a procurar outro bêbado e acabou por levar a mensagem ao cofundador, o Dr. Bob  S.  Seu  encontro  marcou  o  começo  real  da  Irmandade  de  A.A.  e  juntos,  estes  dois homens encontraram-se  com outros  bêbados  e  lhes  levaram  a  mensagem  de  esperança.  Nossos  membros fundadores  de  Akron  e  Nova  York  se  puseram  imediatamente  em  ação fazendo  o  trabalho  do Décimo  Segundo  Passo,  levando  a  mensagem  a  alcoólicos  nos  hospitais  e  onde  queira  que estivessem, assegurando que eles também  praticássemos passos que a incipiente Irmandade estava formulando como programa de recuperação. Este pequeno grupo de ex-bêbados de Akron, e depois de Nova York, se manteve unido por absoluta  necessidade  e  enviaram  membros  sóbrios  para  fazer  visitas  a  possíveis  membros  e acompanhar seu progresso. Nos primeiros dias, os bêbados com frequência se hospedavam nas casas dos membros sóbrios até alcançar um mínimo de estabilidade. Porém, passados alguns anos, e depois de  várias  experiências  desagradáveis,  perceberam  que  muito  poucos  “hospedes”  alcançavam a sobriedade, e da possibilidade de que não lhes estiveram fazendo favor algum. No livro  O Dr. Bob e os bons Veteranos é descrito o crescimento lento de A.A. em Akro justamente no  período  que  se  seguiu  ao  retorno  de  Bill  a  Nova  York.  “Em  fevereiro  de  1937 voltamos a calcular o número de membros e tinham ingressado mais sete subindo o total para 12. Também havia algumas dezenas que tinha que tinham algum conhecimento do programa. Durante esse  período,  o  Dr.  Bob  e  os  membros  pioneiros  elaboraram  juntamente  com  os  mais  novos  um procedimento  que  foi  muito  rígido  no  começo,  porém  com  o  passar  dos  meses  e  dos  anos  foi-se tornando mais flexível e aberto”. Primeiro, iam falar com a esposa, e lhe perguntavam se o seu marido realmente queria parar de beber. Então, o Dr. Bob ia pessoalmente falar com o homem e lhe assegurava que, se realmente levava o assunto a sério, eles poderiam lhe ajudar.Clarence S., um dos pioneiros, disse que,  “em Akron e Cleveland você não podia simplesmente chegar e se apresentar numa reunião tal como hoje é feito. Você precisava ser apresentado por um companheiro. A esposa chamava primeiro e eu ia falar com ela. Contava-lhe minha história. Eu precisava saber alguma coisa a respeito do possível novo membro. Então eu saberia como abordá-lo. Talvez lhe cria-se uma armadilha. Assim teria no que me apoiar”. Warren C. disse que, “não sabíamos nada de atração. Começávamos falando sua esposa, ou talvez procurávamos seu chefe, e quando íamos falar com homem já tínhamos um bom conhecimento dele”. Depois dessa entrevista preliminar, o possível membro era internado em um hospital para se desintoxicar.  Quando  o  iniciante  estava  suficientemente restabelecido,  todos  os  membros  que moravam na cidade iam visitá-lo diariamente, três ou quatro no começo e 20 ou mais alguns anos mais tarde. Se o iniciante concordava em se juntar a eles, tinha que admitir que era impotente perante o álcool e entregar sua vontade a Deus na presença de um ou mais membros. O apadrinhamento pessoal e individual, tal como o conhecemos hoje, parece ter-se originado no Grupo de Cleveland. Em outubro de  1939, foi publicada no Cleveland Plain Dealer uma série de artigos a respeito de A.A. que marcou o começo de uma nova época para Alcoólicos Anônimos, a época  da fabricação  em  série  da  sobriedade.  Bill  W.,  escreveu  em A.A.  atinge  a  maioridade,  “a central de atendimento do jornal foi inundada por chamadas que eram remetidas ao pequeno Grupo de Cleveland. Semana após semana, os companheiros saiam correndo apreensivos a fazer visitas do Décimo  Segundo  Passo aos cada  vez  mais  numerosos  candidatos.  Logo  ficou  claro  que  seria necessário elaborar um sistema de apadrinhamento pessoal para os novos. Um membro mais antigo era designado para visitar o mais novo na sua casa ou no hospital, explicar-lhe os princípios de A.A. e  acompanhá-lo  à  sua  primeira reunião.  Porém,  ao  ver-se  rodeados  de  tantos  pedidos  de  ajuda, percebiam  que  não  havia  suficientes  veteranos  para  satisfazer  a  demanda.  Recém chegados  que tinham um mês ou apenas uma semana sóbrios tinham que apadrinhar alcoólicos que ainda estavam se desintoxicando nos hospitais”. Quando o primeiro Grupo chegou a ter bastantes membros, iniciou-se outro Grupo e logo se estabeleceu o terceiro  Grupo. Felizmente o  Big  Booktinha saído da  gráfica já havia seis meses  e também  havia  disponíveis  alguns  folhetos,  com  o  qual  foi  evitado  que  aquela  situação  frenética levasse à confusão e a anarquia. Os pioneiros  de  Akron  e  Nova  York  tinham  graves  dúvidas.  Como  seguir  em  frente? Ninguém  sabia.  Porém,  um  ano  depois  ficaram  sabendo;  tendo chegado  a  30  Grupos  e  várias centenas  de  membros,  os  pioneiros  de  Cleveland  tinham  demonstrado  três  coisas  essenciais:  a importância do apadrinhamento pessoal, a importância do Big Book para informar os iniciantes e o maravilhoso  feito  de  que,  uma  vez  que  as  boas-novas se  difundissem suficientemente,  A.A. seguramente poderia crescer até chegar a ser muito grande. Na  medida  em  que  A.A.  ia  se  desenvolvendo,  muitos  Grupos  começaram a elaborar programas  para  ensinar  os  recém-chegados  e  a  meados da  década  de  1940,  os  editores  da  nova revista nacional de A.A., a Grapevine, pediram aos  seus leitores que compartilhassem a experiência de seus Grupos em seus projetos para apadrinhar os iniciantes. No número de junho de  1945 foram descritas quatro reuniões educativas, às quintas-feiras à noite, realizadas pelo Wilson Club, um dos Grupos  de  St.  Louis.  A  primeira  reunião  foi dedicada  à  história  de  Bill,  bêbado  e  sóbrio,  e  o desenvolvimento de A.A. até chegar a St. Louis. Durante um intervalo de 15 minutos era pedido a cada participante  para  escrever  algumas  palavras  explicando  o  que  ele  considerava  ser  alcoólico. Depois disso, um médico explicava os aspectos clínicos do problema. Na segunda reunião era tratado o aspecto espiritual e os Doze Passos, e para concluir, era lido um discurso do jesuíta padre Dowling, que foi quem iniciou os Grupos em St. Louis. Na reunião da terceira semana se falava do restante dos capítulos do Big Book e havia uma palestra proferida por um  pastor protestante.  Na  última  reunião  era  feito  um  breve  repasse  da  literatura  de  A.A.  e  se explicava o funcionamento do Wilson Club. Para ser considerado um membro ativo e com pleno direito do Wilson Club, era necessário assistir essas quatro reuniões educativas. Depois de feito, o candidato recebia um cartão de ingresso na  cor  branca  que  o  identificava  como  membro.  Ao  completar  um  ano  de sobriedade,  o  membro recebia um cartão dourado. Na edição de setembro desse mesmo ano, a Grapevine  publicou correspondência do Grupo Genese e  de  Rochester  onde  comunicava  que  também  havia  desenvolvido  um programa  educativo que,  à  semelhança  do  Wilson  Club,  também  constava  de  quatro  partes,  porém,  antes  de  assistir  à primeira reunião no Grupo, os principiantes, ou novatos como eram chamados, deveriam passar por uma entrevista em forma de sabatina ou teste conduzido pelos padrinhos. Conforme a experiência relatada por aquele Grupo, a integração de pessoas  indiscriminadamente no Grupo, sem a suficiente informação  e  um  treinamento  preliminar poderia  provocar  grandes  dificuldades  e  causar  dano  na moral do Grupo. Em sua opinião, o novato tinha que  aceitar o programa sem reservas antes de se tornar  membro:  “Cada  iniciante  progride  até  este  ponto  no  seu  próprio  ritmo,  conforme  sua capacidade mental, seu desejo de aprender e a honestidade de seu autoexame. O Grupo aceita como palavra final o veredicto do seu padrinho a respeito de quando o novato está pronto para ingressar, e o próprio padrinho o conduz à primeira reunião”. Na edição de julho de  1945, a Grapevine publicou uma lista com 19 características do bom apadrinhamento elaborada pelo Grupo de Minneapolis.Feito um resumo de algumas sugestões – que poderiam  muito  bem  ter  sido  retiradas  do  atual  folheto  “Perguntas  e respostas  sobre apadrinhamento”, as relacionadas nos números de 15 a 18 oferecem uma lição a respeito do caráter do alcoólico: “15-. Quando um bêbado recorre a outro padrinho para lhe contar histórias de perseguição, se este padrinho não consulta o primeiro, o assuntos e converte numa questão de personalidades, e o segundo padrinho acabará por perceber que foi enganado pelo reincidente. 
16-. Não dê atenção às fofocas dos reincidentes. 
17-. O segundo padrinho deverá conversar com o primeiro para se informar do acontecido e evitar que aquilo volte a se repetir com ele. 
18-. Se um membro novo começa a apresentar desculpar pela sua ausência nas aulas e nas reuniões, depois de um breve período de tempo, o padrinho devera lhe reforçar a importância do comparecimento. Se a situação permanecer, o novato  criou uma condição na qual o padrinho não pode  fazer  nada.  Melhor  deixá-lo.  A  semente  foi  plantada;  o  padrinho  deverá  procurar  outra atividade. Mais cedo ou mais tarde chegará o dia em que o novato volte porque ‘deseja’A.A.” Em números posteriores da Grapevine, foram mostradas as  experiências  dos Grupos de St. Paul e Chicago, onde era reforçada a necessidade de reuniões educativas para os novos membros. Os Grupos de St. Paul tinham um programa de três reuniões começando com os três primeiros Passos, depois falavam do inventário e reparações e finalizavam com os aspectos espirituais do programa. Em  Chicago  foi  criado  um  sistema  de  Grupos  de  bairro  iniciado  por  dois veteranos  que tiveram  a  ideia  de  conversar  informalmente  com  seus afilhados  e  convidá-los  a  visitar  suas  casas para falar a respeito de qualquer problema que pudessem ter. A experiência teve sucesso e a cidade foi  dividida  em  dez  áreas;  em  cada  uma  delas  formou-se  um  grupo  de  discussão  que se  reunia regularmente às quintas feiras à noite. Num desses artigos da Grapevine descreve a experiência das reuniões de terça feira à noite no Chicago Loop: “Conforme o tempo passava, o crescente número de participantes parecia justificar a criação de uma reunião especial de instrução. A primeira foi realizada num canto do grande salão de reuniões: um veterano voluntário reuniu os novatos para lhes falar e responder suas perguntas. Este modelo improvisado foi tão bem sucedido que, a partir de então, foi criada uma reunião nesse formato que precedia à reunião principal”. O artigo que mais atenção atraiu nessa série publicada pela Grapevine apareceu em setembro de 1947 com o título “O modelo de Little Rock está dirigido aos possíveis membros”e descreve um sistema muito rigoroso e formal. Acredita-se que o “Modelo Little Rock”foi o primeiro (*) desse tipo no país. Simplesmente seguindo  conscienciosamente  esse  modelo  foram  atraídas centenas  de  pessoas  para  A.A.  Não  era fácil ser membro daquele Grupo. Quando alguém manifestava o desejo de alcançar a sobriedade e se lhe designava um padrinho, tinha que deixar seu posto de trabalho por um período mínimo de duas semanas.  Normalmente,  o  candidato  era  obrigado  a  passar  esse  tempo nas  salas  de  reunião, estudando, preparando a história de suas experiências e cumprindo as tarefas impostas pelo padrinho. Se,  depois  de  duas  semanas  o padrinho  estivesse  satisfeito  com  o  aproveitamento  de  seu afilhado, o apresentava ao comitê executivo do Grupo e fazia a solicitação de ingresso como novo membro.  Se  aceito,  o  padrinho  o  acompanhava  à  próxima  reunião  onde  lhe  eram  dadas  as  boas vindas e recebia uma copia do “Programa de acolhimento” e dos Doze Passos. Porém, isso não bastava. Não era dito simplesmente  “Agora siga seu caminho e que Deus o abençoe”. Recebia um pequeno diário onde, durante 28 dias, deveria escrever suas impressões diárias sempre finalizando com “Hoje não bebi”e sua assinatura. No  final  desse  período entregava  o  diário  ao  Comitê,  recebia  de  novo  as  boas  vindas  e somente  então  era  considerado  efetivamente  como membro.Depois,  sob  a  orientação de  um veterano,  lhe  eram  destinadas  tarefas  concretas  e  recebia  incentivo  para  trabalhar  com novos candidatos. Dois meses depois  da  publicação deste artigo,  a  redação  da  Grapevine  começou  a  receber cartas indignadas: “Isto parece um plano da polícia e do departamento de liberdade condicional. Há apenas um único modelo em A.A., e ele se encontra no libro (Livro Azul). Sem organização. Sem regras”, escreveu A. M. desde Los Angeles. Desde Detroit, H.E. T. disse iradamente, “Por Deus! O que tem em Little Rock? Um campo de concentração? De onde lhes vem a autoridade para deixar alguém  fora  do  Grupo? Imaginem!  Alardear  obstáculos para  se  juntar  a  A.A.!” e,  E.  B.  T.  de Boston, protestou:  “Dá a impressão de que Little Rock se orgulha de ser rígido e, obviamente, no artigo publicado, parecem ter mais orgulho das poucas recaídas do que ajudar àqueles que peçam a ajuda de A.A. Isto pode ser algum tipo de grupo; mas não parece um Grupo de A.A.” O modelo de Little Rock pode parecer excessivamente extremado para a grande maioria dos membros de  A.A., porém, sempre  houve  tantos  tipos  de  apadrinhamento  quantos  padrinhos  e iniciantes tem havido. Alguns membros puderam superar os dias difíceis do começo da sobriedade somente porque seus padrinhos lhes impunham uma disciplina estrita – “meu padrinho nunca me fez sugestões”, ouve-se de alguns atualmente. Outros somente conseguiram prosperar com um grau de tutela  mais  suave  de  padrinhos  sempre  disponíveis,  porém,  que  deixavam  que  seus afilhados se conduzissem à sua maneira. Na sua essência, como tantas outras coisas em A.A., o apadrinhamento, frequentemente,  é  eficaz  apesar  dos participantes. Como  escreveu  um  colaborador  anônimo  na página de discussão de grupo da Grapevine, em maio de 1948:  “A.A. oferece a possibilidade de dar a Deus a oportunidade”. 
(*)  N.T.: Alguns  historiadores  registram  que o  primeiro  trabalho  escrito  sobre apadrinhamento foi o panfleto  "Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”. 
Foi escrito por Clarence H. Snyder em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland. Veja-o a seguir. 

6.3.  Apadrinhamento em A.A.: Suas obrigações e suas responsabilidades
Importante: O material a seguir é uma tradução feita pelo Dr. Lais Marques da Silva, ex- 
Presidente da Junta de Custódios, do panfleto que foi o primeiro trabalho escrito sobre apadrinhamento e o seu título original era "Apadrinhamento em A.A. suas Obrigações e Responsabilidades”. Foi escrito por Clarence H. Snyder (*), em 1944 e impresso pelo Comitê Central de Cleveland. Este transcritor apenas adaptou o formato ao conjunto. 
(*)  Clarence  H.  Snyder,  (1902-1984), ficou  sóbrio  em  Cleveland-Ohio,  no  dia  11  de  fevereiro  de 
1938 com a ajuda do seu padrinho, cofundador, o Dr. Bob. Em 18 de maio de  1939, fundou o grupo nº. 3 de A.A. em Cleveland-Ohio e este foi o primeiro grupo a usar o nome "Alcoólicos Anônimos".Faleceu na Flórida, em 22 de março de 1984, com 46 anos de sobriedade. Sua história,"A Casa do Mestre Cervejeiro”está publicada nas 1ª, 2ª. e 3ª. edições do Big Book, nas páginas 297/303  
Fonte: http://silkworth.net 
Prefácio 
Cada membro de A.A. é um padrinho em potencial de um novo membro e deveria reconhecer claramente as obrigações e deveres de tal responsabilidade. A aceitação da oportunidade de levar o plano de A.A. para aquele que sofre no alcoolismo compreende responsabilidades muito reais e criticamente importantes. Cada membro, ao praticar o apadrinhamento de  um alcoólico, deve  lembrar que está  oferecendo  o que  é,  frequentemente, a última chance de reabilitação, de sanidade, ou mesmo, de vida. Felicidade, saúde, segurança, sanidade e vida de seres humanos são as coisas que temos que manter em equilíbrio quando apadrinhamos um alcoólico. Nenhum membro é suficientemente sábio para desenvolver um programa de apadrinhamento que possa ser aplicado, com sucesso, a todos os casos. Nas páginas seguintes, no entanto, delineamos um procedimento que é sugerido e que, suplementado  pela própria experiência do membro, tem-se mostrado bem sucedido. Ganhos pessoais de ser um padrinho Ninguém colhe todos os benefícios de qualquer irmandade a que esteja ligado a menos que, 
de  coração,  se  engaje  nas  suas  importantes  atividades.  A  expansão  de  Alcoólicos  Anônimos  para campos mais largos e o benefício maior para um número crescente de pessoas resulta diretamente do acréscimo de uma nova pessoa, de membros ou associados que são de valor. Qualquer membro de A.A. que não tenha experimentado as alegrias e satisfações de ajudar outro alcoólico a retomar o seu lugar na vida, ainda não terá percebido completamente os benefícios que pode auferir desta irmandade. Por outro lado, deve ficar claramente guardado na mente que a única  razão  possível  para  levar  um  alcoólico para o A.A.  é o  benefício  daquela  pessoa.  O apadrinhamento nunca deve ser feito para: 
1)  aumentar o tamanho do grupo; 
2)  satisfação ou glória pessoal ou, ainda, 
3)  porque o padrinho sente, como sendo do seu dever, refazer o mundo. 
Até  que  um  membro  de  A.A.  tenha  assumido  a  responsabilidade  de  colocar  um  trêmulo  e impotente  ser  humano  de  volta  no  caminho  para  se  tornar um  membro  saudável,  útil  e  feliz  da sociedade, ele não terá desfrutado a completa sensação de ser um membro de A.A. Fonte de nomes - indicações para apadrinhamento A  maior  parte  das  pessoas  tem,  entre  os  seus  próprios  amigos  e  relações,  alguém  que  se beneficiaria  dos  nossos  ensinamentos. Outros  têm  seus  nomes  dados  por  igrejas,  por  doutores, empregadores ou por algum outro membro que não pode fazer um contato direto. Por causa da ampla gama de atividades do A.A., os nomes frequentemente chegam de lugares não  usuais  e  inesperados.  Esses  casos  deveriam  ser contatados  assim  que todos  os  dados  como: estado civil, relações domésticas, estado financeiro, hábitos de beber, emprego, e outras informações facilmente acessíveis, estivessem em mãos. 
É o cliente potencial um candidato? 
Muito tempo e esforço poderiam ser poupados ao se conhecer, tão cedo quanto possível, se: 
1)  A pessoa realmente tem um problema com a bebida? 
2)  Sabe que tem um problema? 
3)  Deseja fazer alguma coisa acerca do seu beber? 
4)  Deseja ajuda? 
Às vezes, as respostas a essas questões não podem ser obtidas até que o candidato potencial tenha tido alguma informação sobre o A.A. e de ter uma oportunidade de pensar. Frequentemente são dados nomes, que depois de uma verificação, mostram que o candidato  potencial não é, de  forma nenhuma, um alcoólico  ou  ainda  que  está  satisfeito  com  o  atual  modo  de  viver.  Não  deveríamos hesitar em descartar esses nomes das nossas listas.Devemos estar certos, no entanto, de fazer com que o potencial candidato saiba onde pode nos alcançar em qualquer data futura. Quem deveria se tornar membro? O A.A. é uma irmandade de homens e mulheres ligados pela sua inabilidade de usar o álcool em  qualquer  forma  razoável  com  proveito  ou  prazer.  Obviamente, qualquer  novo  membro introduzido poderia ser do mesmo tipo de pessoa, sofrendo da mesma doença. A maior  parte das  pessoas  pode beber razoavelmente, mas  estamos  somente  interessados naquelas que não podem. Bebedores de festas, bebedores sociais, festeiros e outros que continuam a ter mais prazer do que dor no seu beber, não são de interesse para nós. Em  alguns  casos,  um  indivíduo  pode  acreditar  que  é  um  bebedor  social  quando  ele definitivamente é um alcoólico. Em muitos desses casos, mais tempo deve passar antes que a pessoa esteja  pronta  para  aceitar  o nosso  programa.  Pressionar tal pessoa antes que esteja  pronta  pode arruinar as suas chances de, em algum momento, se tornar um membro de A.A., com sucesso. Não se deve excluir a possibilidade de uma ajuda futura ao se pressionar demais no início. Algumas  pessoas,  embora  definitivamente  alcoólicas, não  têm  desejo  ou ambicionam melhorar o seu modo de viver e, até que elas o façam, A.A. não tem nada a oferecer. A experiência tem mostrado que idade, inteligência,educação, situação ou a quantidade de bebida  alcoólica  ingerida  tem  pouco,  se  tem,  a  ver  com  o  fato  de  uma  pessoa  ser  ou  não  um alcoólico. Apresentando o projeto Em  muitos  casos,  a condição  física  de  uma  pessoa  é  tal  que  deveria  ser  hospitalizada,  se possível.  Muitos  membros  de  A.A.  acreditam  que  a  hospitalização,  com  tempo suficiente  para planejar o futuro, livre das preocupações domésticas e das preocupações com negócios oferece uma vantagem significativa. Em muitos casos, o período  de hospitalização marca o início de uma nova vida. Outros membros são igualmente confiantes no fato de que qualquer pessoa que deseje aprender sobre  o  projeto  de  vida  de  A.A.  pode  fazer  isso  em  seu  próprio  lar  ou  enquanto engajado  nas ocupações normais. Milhares de casos são tratados de cada modo, que tem-se mostrado satisfatórios.
Passos sugeridos 
Os  seguintes  parágrafos  delineiam  um  procedimento  sugerido  para  apresentar  o  projeto  de A.A. ao possível candidato, em casa ou no hospital.
1)  Qualificar-se como um alcoólico Ao  atender  a  um  novo  possível  candidato,  tem-se  mostrado  melhor  que  o  padrinho  se qualifique como sendo uma pessoa normal que tem encontrado felicidade, contentamento e paz por meio do A.A.. Deve tornar claro, imediatamente, que você é uma pessoa engajada nas coisas da vida, em ganhar a vida. Fale que a única razão para acreditar que é capaz de ajudálo é que você mesmo é um alcoólico que tem tido experiências e problemas que podem ser semelhantes ao dele. 
2)  Relate a sua história 
Muitos membros têm achado desejável iniciar imediatamente com a sua história pessoal com a bebida como um meio de obter a confiança e cordial cooperação do possível candidato. É importante relatar a história da sua própria vaidade bebedor e fazê-lo de um modo que irá descrever um alcoólico, mais do que falar de uma série de situações humorísticas de bêbados em festas. Isso capacitará a pessoa a ter uma visãoclara de um alcoólico e deveria ajudá-lo a decidir definitivamente se é um alcoólico. 
3)  Inspire confiança no A.A. 
Em muitos casos, o possível candidato irá tentar vários meios de controlar o seu beber, incluindo  atividades  de  recreio,  igreja,  mudança  de residência,  mudança  de  associações  e várias  outras  atitudes  visando  o  controle.  Esses  meios  irão,  naturalmente,  se  mostrar  sem sucesso. Focalize a sua série de esforços malsucedidos para controlar o beber... Os resultados infrutíferos e ainda o fato de que você se tornou capaz de parar de beber com a prática dos princípios de A.A.. Isso encorajará o futuro candidato para olhar com confiança a sobriedade em A.A., a despeito dos muitos fracassos anteriores que tenha tido com outros planejamentos. 
4)  Fale de vantagens adicionais Fale francamente ao possível candidato que ele não poderá entender rapidamente todos os benefícios  que  estarão  chegando por  meio  do  A.A..  Relate  a  felicidade,  a  paz  de  espírito, saúde e, em muitos casos, os benefícios materiais que são possíveis através do entendimento e da aplicação do modo de viver de A.A.. 
5)  Fale da importância de ler o livro Explique a necessidade de ler e de reler o livro deA.A.. Destaque que esse livro dá uma descrição detalhada das ferramentas do A.A. e dos métodos de aplicação dessas ferramentas para  construir  um  fundamento  de  reabilitação  para  viver.  Esse  é  um  bom  momento  para 
enfatizar a importância dos doze passos e dos quatro absolutos. 
6)  Qualidades necessárias para o sucesso em A.A. Faça saber ao possível candidato que os objetivos de A.A. são prover os meios e modos para  um  alcoólico voltar  ao  seu  lugar  normal  na  vida.  Desejo,  paciência,  fé,  estudo  e aplicação  são  o  mais  importante  em  determinar  cada  planejamento  individual  de  ação  para ganhar inteiramente os benefícios de A.A.. 
7)  Reintroduza a fé 
Desde que a crença em um Poder Superior a nós mesmos é o coração do projeto de A.A. e de que o fato de que essa ideia é frequentemente difícil para uma nova pessoa, o padrinho deveria tentar introduzir o início de um entendimento acerca dessa importante característica. Frequentemente, isso pode ser feito por um padrinho ao relatar a sua própria dificuldade de captar  um  entendimento  espiritual  e  falar  sobre  os  métodos  que  usou  para  superar  suas dificuldades. 
8)  Ouça a sua história 
Enquanto falando ao recém chegado, ganhe o tempo para ouvir e estudar as suas reações a fim de que você possa apresentar a sua informação de um modo mais efetivo. Deixe-o falar também. Lembre ... vá com calma. Leve a diversas reuniões 
9-Para dar ao novo membro um quadro amplo e completo do A.A., o padrinho deveria levá-lo a várias reuniões a conveniente distância da sua casa. Assistir diversas reuniões dá ao novato a  oportunidade  de  selecionar  um  grupo  em  que  se  sinta  mais  feliz  e  confortável  e  é extremamente importante para deixar que o possível candidato tome a sua própria decisão em relação a que grupo irá se juntar. Acentue que ele  será sempre bem-vindo a qualquer reunião e que pode mudar de grupo se assim desejar. 
10)  Explique o A.A. à família do possível candidato Um padrinho bem sucedido aceita o esforço e faz qualquer empenho necessário para ficar certo de que as pessoas próximas e com interesse maior no seu doente (mãe, pai, esposa, etc.,) sejam inteiramente informadas acerca do A.A., seus  princípios e seus objetivos. O padrinho cuida para que essas pessoas sejam convidadas para reuniões e as mantém informadas, a todo o momento, da situação corrente do possível candidato. 
11)  Ajude  o  possível  candidato  a  se  antecipar às  experiências  a  serem  vividas  em um hospital. Um possível candidato irá ter mais benefício de um período de internação se o padrinho descrever  a  experiência  e  ajudá-lo  a  se  antecipar  a elas,  preparando  o  caminho  daqueles membros que irão chamá-lo. 
12)  Consulte os membros antigos de A.A. 
Essas sugestões para o apadrinhamento de uma  nova pessoa nos ensinamentos de A.A. não  são  completas.  Elas  pretendem  somente  dar  uma  moldura  e um  guia  geral.  Cada  caso individual  é  diferente  e  deveria  ser  tratado  como  tal.  Informação  adicional  para  o apadrinhamento  de  uma  nova  pessoa pode  ser  obtida  a partir  da experiência  de  um companheiro  mais experiente nesse tipo de serviço. Um co-padrinho, com experiência, trabalhando com um novo companheiro no apadrinhamento de um possível futuro membro tem-se  mostrado  satisfatório. Antes de assumir a  responsabilidade  de apadrinhamento, um membro deveria estar certo de que é capaz de realizar a tarefa e de estar disposto a dar seu tempo,  esforço  e  meditação  que  uma  tal obrigação  implica. Pode acontecer que  ele  queira selecionar  um  co-padrinho  para  compartilhar  a  responsabilidade  ou  pode  sentir  necessário solicitar  a  outro  companheiro que  assuma  a  responsabilidade  pela  pessoa  que  ele  tenha localizado. 
13)  Se você vai ser um padrinho, seja um bom padrinho. 

6.4.  Apadrinhamento: Uma via de mão dupla 
Box 4-5-9, Abr. Mai. 1998 (pág. 1-2)=> http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_april-may98.pdf 
Título original: “El apadrinamiento es uma calle de doble dirección” 
O programa de recuperação de A.A. é espiritual, masa ação dos bêbados – um sóbrio e outro enfermo apoiando-se um no outro é o que o fundamenta, conforme o que logo descobriram nossos cofundadores. Alguns anos mais tarde, ao considerarsua relação com o Dr. Bob, Bill W. comentou: “O  Dr.  Bob  não  precisava  de mim  para  sua  instrução  espiritual...  O  que  precisava  quando  nos encontramos pela primeira vez era a profunda deflação do ego e a compreensão que somente um bêbado pode oferecer a outro. O que eu precisava era da humildade para esquecer de mim mesmo e do sentimento de parentesco com outro ser humano da minha própria índole”. Nos  primeiros  dias,  em  Akron,  Ohio,  o  apadrinhamento  costumava  começar  com  a hospitalização e a admissão da derrota do alcoólico, esta última, induzida algumas vezes pela Irmã Inácia, que animava seus pacientes a dobrar os joelhos ao invés de dobrar os cotovelos. Outras vezes começava  na  cozinha  do  Dr.  Bob  com  sua  receita  caseira:  tomates,  chucrute  e  xarope  de  milho (Karo),  tudo  misturado  e  colocado  a ferver  no  fogo  lento.  “Os  homens  quase  tinham  náuseas  ao tomar  aquela  coisa”  lembrava  mais  tarde  o  pioneiro  Ernie  G.  “Finalmente  o  Dr.  Bob retirou  o chucrute, mas continuo durante muitos anos com tomates e xarope de milho”.Atualmente  aquela  beberagem  foi  substituída  por  batidos  de  leite, mel  e  consomê  (uma espécie de sopa com textura bem aquosa), e aquele punhado de “possíveis candidatos”converteu-se em mais de dois milhões de membros no mundo todo. Mas a verdade simples de que para manter nossa sobriedade é entrega-la a outro alcoólico que ainda sofre, essa não mudou. No seu discurso inaugural sobre o tema “Apadrinhamento: Gratidão em ação”,na Conferência de Serviços Gerais de 1991, o falecido Custódio alcoólico Webb J., do Oeste do Canadá disse a esse respeito:  “Você deve dá-lo para mantê-lo, mas não pode dar o que não tem”.Ele percebeu isso quando recém-saído de uma instituição de tratamento, tentou apadrinhar alguém e acabou “de volta à garrafa”. Quinze meses depois, disse Webb,  “voltei para A.A. e fiquei. Entrei em serviço na segunda reunião, quando o pessoal me escolheu para receber as pessoas na porta de entrada. Fazia todas as tarefas domesticas do Grupo, tais como arrumar as cadeiras, fazer café, limpar os cinzeiros – tudo menos limpar o piso. Tínhamos um companheiro que antes havia sido gangster e se alguém ousava tocar na bassoura ele o olhava de tal jeito que fazia pensar em sapatos de concreto... Depois de um tempo, encontrei alguém que aceitou ser meu padrinho, com a condição de que ficasse um ano na cidade  enquanto  consertava  os  problemas  que  tinha  criado,  que  me  juntara  a  um  Grupo,  que praticasse  os  Passos  e as  Tradições  e  que  participasse  das  atividades  do  Grupo.  Fiz  tudo  isso  e, como consequência, desfrutei de uma carreira de serviço muito variada, emocionante e interessante e,  provavelmente salvadora.  Como  é  dito  no  nosso  Terceiro  Legado: ‘A.A.  é  algo  mais  que  um conjunto de princípios; é uma sociedade de alcoólicos em ação. Temos que levar a mensagem, pois se não o fizermos, nós mesmos podemos murchar e aqueles a quem não lhes foi levada a verdade podem perecer’”. Na mesma Conferência, a então Delegada do Sul de Indiana Dorothy M., disse, “Quando um principiante  estende  sua  mão  pedindo ajuda,  quero  que  a  mão  de  um  membro  disposto  a  ser padrinho  esteja  ali  mesmo”.  Ela  ressaltou  que  “nossos  vínculos  não  vem  de  ter  um  desastre em comum, mas de ter uma solução em comum”. A experiência demonstra que desde a ajuda própria até o serviço, os membros de A.A. dos EUA  e  Canadá voltaram  a  se  comprometer  com  o  apadrinhamento.  Nas  cartas  recebidas  no Escritório de Serviços Gerais – ESG, formulam-se variadas perguntas (muitas têm sua resposta no folheto “Perguntas e Respostas sobre Apadrinhamento”, Junaab, cód. 211, R$ 4,70). 
A  seguir  aparecem  algumas  dessas  perguntas  resumidas  e  as  respostas  que  ofereceram  os membros do pessoal do ESG: 
Pergunta: Bill W. teve um padrinho? 
Resposta: Sim. De fato Bill escreveu em várias ocasiões a respeito da profunda influência que  teve  em  sua  vida  seu  amigo  de  infância  e  companheiro  de  bebedeiras  Ebby  T.  “E  ali  estava sentado meu padrinho Ebby, o qual foi o primeiro a  me trazer as palavras que me tiraram do poço do alcoolismo”,  escreveu Bill em  “A.A. Atinge a Maioridade”.Bill sempre se referiu a Ebby como seu padrinho, embora houvesse tido muitas recaídas.Ao longo dos anos, Bill tratou de transmitir a mensagem ao seu amigo, da mesma maneira que Ebby a tinha passado a ele. 
Pergunta: Enquanto  estava  hospitalizado  depois  de  três  meses de  sobriedade,  sofri  uma infecção  muito  grave  na  garganta  e  o  médico  me  receitou  um  medicamento  para  a  dor.  Meu padrinho  disse-me  que  deveria  mudar  a  data  da  minha sobriedade  para  o  dia  em  que  deixei  de tomar o medicamento. Vocês concordam? 
Resposta: Alguns  membros  dizem  que  não  confiam  em  seus  próprios  procedimentos  para chegar  a tomar decisões e dependem totalmente de seus padrinhos. É possível que ainda me reste algum vestígio do bebedor típico de bar, mas posso compartilhar com você que não dependo do meu padrinho para obter conselhos a respeito de assuntos legais ou de médicos. Como é dito no folheto “O membro de A.A. os medicamentos e outras drogas” ( Junaab, código 214, R$ 4,20), a experiência demonstra que é melhor que “nenhum membro de A.A. faça o papel de médico”;nem tampouco meu padrinho iria gostar que eu o coloca se nessa situação. Meu padrinho não me deu a data da minha sobriedade e, pelo que eu sei, tampouco pode tirá-la. 
Pergunta: Há  uma  maneira  “correta” para  que  o  padrinho  possa  conduzir  alguém  no programa? 
Resposta: A  experiência  de  A.A.  demonstra  que  o  apadrinhamento  é  algo  muito  pessoal. Tanto  o  padrinho  como  o  afilhado  tem  bastante  margem  ao escolher  a  pessoa  que  vai  ser  seu padrinho  e  como  irão  utilizar  essa  relação...  Eu  pessoalmente  não  acredito  numa  relação  de apadrinhamento parecida com cuidar de um bebê. Acredito que a minha tarefa é introduzir a pessoa no  programa  de  recuperação  de  A.A.,  ajuda-la  a  trabalhar  os  Passos até o  ponto  em  que esteja  disposta  a  fazê-lo,  e  tratar  de  introduzi-la  a  um  poder  superior  tal  como  ela  o  conceba.  Depois, acredito que seja importante que eu vá “saindo do trabalho”,por assim dizer, e estimular o afilhado a  depender  de  seu  poder  superior  mais  que  de  mim.  Há  outros  que  têm  uma  opinião  totalmente diferente; mas para mim, isso não representa nenhum problema.
Pergunta: Meu padrinho e eu tivemos um desentendimento, e agora tenho o sentimento de não poder participar do mesmo Grupo. O que devo fazer? 
Resposta: Os  problemas  que  envolvem  personalidades  costumam  ser  os  mais  difíceis  de resolver,  mas  ao  praticar  os  princípios  de  A.A.  em  todas  as  nossa  atividades  e  antepor  esses princípios às personalidade, podemos chegar a superá-los até certo ponto. Esperamos que considere a possibilidade de ir a outras reuniões e conseguir outro padrinho. Em A.A. costuma-se dizer que ter um  padrinho  no  começo  não  quer  dizer  que  nos  tenhamos  casado  com  essa pessoa.  Às  vezes  a relação não funciona e procuramos outra pessoa. O que é importante é ter um padrinho com mais tempo  de  sobriedade  que  o  seu, alguém  com  quem  você se  sinta  bem  para  compartilhar  com sinceridade e honestidade e que possa ajuda-lo a praticar os Passos e as Tradições. 
Pergunta: Dei o Primeiro Passo e admiti que sou impotente perante o álcool. O que devo fazer agora? O que devo procurar num padrinho? 
Resposta: Bom, sempre pode dar o Segundo Passo. A respeito de segunda pergunta, quando cheguei  em  A.A.  me  foi  sugerido  que  procura-se  alguém  que, (a)  tivesse  mais  de  dois  anos  de sobriedade, (b) fosse mulher, como eu, e (c)  desse a impressão de desfrutar a sobriedade.  Dessa maneira encontrei uma madrinha, e sempre serei muito agradecida a essa mulher maravilhosa que foi minha primeira verdadeira amiga em A.A. e ao longo  dos anos continuou sendo uma amiga muito querida.
Pergunta: Estou sóbrio  há  dois anos e pela primeira  vez comecei a apadrinhar alguém. Poderiam me dar algumas sugestões?
Resposta: Talvez o mais importante do apadrinhamento é o poder dar sem esperar nada em troca. Como disse Bill W. num artigo da revista Grapevine em janeiro de 1958:  “Observe qualquer AA com seis meses de sobriedade enquanto trabalha com um caso novo de Décimo Segundo Passo. Se o candidato lhe diz, ‘vá para o diabo’, apenas sorri e vai trabalhar com outro. Não se frustra nem se sente rejeitado. E se o próximo caso responde com amor e atenção para com outros alcoólicos sem  dar  atenção  a  ele,  o  padrinho,  entretanto, dá-se  por  satisfeito  e  se  alegra  porque  seu  antigo candidato está sóbrio e feliz... Mas, também percebe claramente que sua felicidade é um subproduto – um dividendo resultante de dar sem esperar nada em troca”. 

6.5.  Buscamos os principiantes onde eles estão? 
Box 4-5-9, Fev. Mar 1983 (pág. 1-2) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_feb-mar83.pdf 
Título original: “¿Encontramos a Los Principiantes ‘Dónde Ellos Están’?”. 
As necessidades que tem o alcoólico recém recuperado que vem de um presidio, de um hospital ou de uma instituição de  tratamento,  são  as  mesmas  que  tem um  principiante “comum”? Se é assim, de que maneira? 
No Fórum Regional do Oeste do Canadá, em Winnipeg, Manitoba,  Phil  C.,  Delegado  de  Manitoba,  falando  desta questão fundamental, disse: “Acredito que necessitam a mesma paciência,  amor,  compreensão,  exemplo  e  informação  que qualquer outro participante”.Entretanto, fez notar: “É possível que alguns tenham passado tanto tempo numa instituição que agora não possam pensar por si mesmos e devemos ajuda-los a ‘dar os primeiros passos’da mesma maneira que faríamos com uma criança. Na maioria dos casos, o alcoólico recém-saído de uma instituição toma remédios – Antabuse 
(*) ou  outro  medicamento,  e  possivelmente  esteja  em  um programa  de  terapia  para  doentes  não internos. É possível que a paciência e a compreensão do padrinho sejam postas a prova até o limite. Ouvi alguns veteranos teimosos dizer ‘não falarei com você enquanto estiver tomando Antabuse’. Ou tratam de agir como psiquiatra, psicólogo ou feiticeiro; ou os três”. Em  consequência  disso,  disse  Phil,  os  principiantes  continuam  duvidando  entre  seguir os conselheiros, com quem estabeleceram uma linha de comunicação e que lhes haviam recomendado A.A., e os AAs que lhes dizem: “Esqueça tudo que lhe disseram; nós temos a resposta correta”. A  sugestão  de  Phil:  “Devemos  mostrar  tolerância,  cooperar  com  os  conselheiros  e  não trabalhar em sentido contrário. Mais tarde, quando os principiantes tenham começado a assimilar o programa de A.A., haverá tempo de sobra para sugerir discretamente que A.A. pode oferecer lhes soluções  para  outros  problemas,  não  apenas  os  do  seu  alcoolismo,  mas  também  os  problemas normais  da  vida  cotidiana  e  para  sugerir  que  é possível  que  aqueles  problemas  desapareçam  na medida em que progride a sobriedade e eles aplicam os princípios de A.A.”. Webb  J.,  Delegado  da Columbia Britânica,  Yukon,  destacou  também  a  necessidade  de tolerância  e  de  apadrinhamento  sensível.  “Fiz  parte  do  Comitê  da  Conferencia  de  Centros de Tratamento durante os dois últimos anos, e percebi quantos alcoólicos que não bebem são enviados a nós com um programa abreviado. É imperioso que nossos Grupos recebam estas pessoas com um pouco de tolerância, enquanto lhes mostramos, através do nosso exemplo, que cinco Passos em 28 dias não é tudo”.Recomendou que fossem fornecidas às instituições e centros listas de padrinhos dispostos  a  servir  para  ajudar  os  principiantes  a  encontrar  Grupos-base;  e  que  os  Comitês  locais organizem reuniões de A.A. nas instituições quando seja possível. Ken T., Delegado de Alberta, falou de levar a mensagem aos alcoólicos presos; observou que há mais de 1.100 Grupos de A.A. nos EUA/Canadá (em 1983). Disse  ao  auditório  que  a  maioria  das  vezes,  os  AAs  são  bem  vindos  nas  instituições correcionais.  Mas  advertiu  que  “estas  instituições  tem  que  zelar  pela  segurança,  e temos  que respeitar  isto  se  formos  trabalhar  numa  instituição -  e  não  ir  pode  implicar  em  que  alguém  não receba a mensagem. Então, fiquei sabendo que sempre irá haver coisas que a direção faz com as quais  não  concordo;  isso  não  é  assunto  meu.  Estou  ali  unicamente  para  levar  a  mensagem  ao alcoólico sob custódia”.Enquanto aos problemas particulares dos presídios para mulheres, Ken observou que alguns membros  “tratam de identificar-se usando palavras pitorescas ou o jargão da rua. Não temos que nos  transformar  em  outros.  As  mulheres  querem  conhecer  nossa  experiência  –  como  fizemos  a viagem de volta e como elas podem fazê-lo também. Iram-nos amar por quem somos, não pelo que fizemos ne porque já cumprimos uma pena na prisão”.Um aspecto fundamental do trabalho nos presídios, disse Ken, é entrar em contato com os presos  a  primeira  noite  que  saem  da  prisão  e  leva-los  a  uma  reunião.  Indicou  outros  meios  pelos quais membros  de  A.A.  podem  ajudar  os  apenados:  podem  recolher  exemplares  da Grapevine (Vivência,  no  Brasil),  para  distribuição  nos  Grupos institucionais; formar  parte  dos  comitês institucionais; escrever aos presos, através do Serviço de Correspondência com Instituições do ESG; escrever  artigos para  a  Vivência  ou  boletins  locais a  respeito  do  trabalho  de  A.A.  em  centros  de custódia. 
(*) N.T.:Antabuse=>  (anti-abusoem inglês). Nome comercial de uma droga a base de enxofre (em latim súlfur) cujo princípio ativo é o dissulfirane é usada como inibidora do uso de bebidas alcoólicas (no Brasil também é conhecida como “Tira-álcool”). A droga, em forma de pó, pode ser adicionada à comida ou a líquidos não alcoólicos e provoca o acúmulo de  acetaldeído, um produto extremamente tóxico. Seus  efeitos,  se  ingerido  álcool,  são  extrema  vasodilatação  e consequente  queda  de  pressão arterial, taquicardia e cefaleia, além de um gosto  horrível de enxofre  (sulfiran-like).O paciente rejeita o álcool por associação aos efeitos relatados. 

6.6.  Como fazer uma visita de Décimo Segundo Passo à moda antiga 
Box 4-5-9, Oct. Nov. / 1998 (Pág. 6) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov98.pdf 
Título original: “Cómo hacer una visita de Paso Doce a la antigua usanza”. 
Uma  vez  que  na  atualidade  (1998),  muitos  centros  de  tratamento estão fechando as portas, cada vez mais membros de  A.A. estão à procura de guias sobre como fazer uma visita de Décimo Segundo Passo à moda antiga. O  Comitê  de  Literatura  da  Conferência  de  1998 considerou  a possibilidade de publicar um folheto sobre as visitas do Décimo Segundo Passo  que  a  Área  23  de  Kansas  tinha  preparado  e  estava  utilizando. Embora  os  membros  deste  Comitê fossem  da  opinião  e que  seria bom utilizar este material a  nível  local  reforçaram  a  importância  do  Quinto Capítulo  do  Livro  Grande  e  de  buscar orientação  através  do apadrinhamento, a experiência dos veteranos e as mesas de trabalho.  Uma  mesa  de  trabalho  deste  tipo  foi  organizada  na primavera passada  pelo  Plantão  Telefônico  do  Intergrupo  da  área  de  Elmira,  Nova York. O Segundo Seminário do Décimo Segundo Passo da Área tinha um programa baseado no material do ESG, titulado “Formato sugerido para uma Mesa de Trabalho”. Da experiência do Seminário saíram algumas sugestões para os Guias. Uma vez que foram de grande utilidade, o Comitê deseja compartilhá-las com o ESG na expectativa de que possam ser úteis para outros: 
1)  Devolver as chamadas tão logo seja possível.Chame unicamente para ouvir, compartilhar e fixar  hora  e  lugar  para  se  encontrar  –  não  em  um  bar.  Se  o chamam  de  um  bar,  vá  até  lá apenas para recolher a pessoa e, no melhor dos casos, leva-la a uma reunião. 
2)  Se  possível,  faça  as  visitas  de  Decimo  Segundo  Passo  acompanhado  de  um  membro  do mesmo  sexo.  As  visitas  do  Decimo  Segundo  Passo  podem ser  pesadas  e  é  mais  seguro quando  se  tem  companhia.  Além  do  mais,  quatro  olhos vêm  mais  que  dois  Seja  pontual  e mantenha a boa aparência. 
3)  Façam  a  visita  de  Decimo  Segundo  Passo  quando  a  pessoa  estiver  sóbria  ou  quase.  As visitas  a  alcoólicos embriagados  raramente  são  bem  sucedidas,  devido  às  lacunas  mentais. Aguarde até a bebedeira passar ou que tenha um intervalo de lucidez, mas que ainda esteja tremendo. 
4)  Se possível, ao fazer uma visita na residência separar o alcoólico da família (sugerir AlAnon  para  os  membros  da  família).  Ter  muitas  pessoas  se intrometendo  pode  influenciar com sua opinião a respeito do “tipo mau” e pode criar confusões. Aprender com membros mais experientes a melhor maneira de se relacionar com a família ou as pessoas próximas que estejam presentes e aprender quando é mais prudente ir embora do que ficar. 
5)  Se  achar  necessário  sugerir  desintoxicação/reabilitação. Se  lhes  parecer  mais  adequado, entendam-se com a família ou seus próximos, com a permissão do interessado se possível, para  negociar  uma  internação.  Se  parece  que  a  situação  vai  criar  um  clima  de  violência,  é melhor ir embora. 
6)  Contem-lhe  como  eram  (sua  própria  história).  Não  moralizem  nem  façam  sermões;  não qualifiquem  a  pessoa  em  questão  como  alcoólico.  Esta decisão  cabe  unicamente  à  pessoa, assim como a de retirar as bebidas da casa. Contem detalhadamente seus próprios sintomas, costumes de beber e outras experiências pessoais com o álcool. 
7)  Digam-lhe  o  que  conhecem  da  doença  do  alcoolismo.  Digam  à  pessoa  que  esta  é  uma doença progressiva que pode levar à loucura ou à morte prematura. Descrevam as condições do corpo, da mente e do espírito que acompanham o alcoolismo. 
8)  Contem-lhe  exatamente  o  que  lhes  aconteceu.  A  pessoa  provavelmente  irá  querer  saber quanto tempo tem em A.A., como conseguiram e continuam mantendo a sobriedade. 
9)  Falem de sua experiência em A.A. Expliquem-lhe como A.A. tem dado bons resultados para vocês, e lhes ajudou a recuperar a cordura e mantera sobriedade; como foram conduzidos a se  dispor  a  aceitar  um  poder  superior  a  si  próprio. Utilizem linguagem  simples  e  evitem  a indução a preconceitos respeito a termos e conceitos religiosos. 
10)  Contem-lhe como é agora – seu programa de recuperação e sua espiritualidade. Façam um resumo  do  programa  de  ação  de  A.A.  e  ressaltem  que  isto  não  o  final  triste  (não  beber preferentemente),  mas  o  começo  de  uma  nova  vida  gratificante  baseada  em  princípios espirituais. 
11)  Deixem  uma  lista  de  horários  de  reuniões,  folhetos  de  A.A.  e  seu  número  de  telefone; voltem  a  fazer  outra  visita  e  voltem  a  chamar  por  telefone.  Ofereçam-se  para  voltar  e responder outras perguntas e para facilitar o transporte às reuniões. Mencionem as reuniões de Al-Anon aos familiares e outros achegados. 
12)  Tenha presente que o sucesso está em que todos nós nos mantemos sóbrios.  A experiência prática demonstra que não há nada que assegure a imunidade à bebida como o trabalho do Decimo Segundo Passo intensivo com outros alcoólicos.

6.7.  Levar a mensagem, ou, a arte do Décimo Segundo Passo. 
Box 4-5-9, Inverno (dezembro) 2009 (pág. 6-7) =>http:// www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday09.pdf 
Título original: “‘Llevar el mensaje: el arte del trabajo de Paso Doce”. 
O trabalho do Décimo Segundo Passo é uma arte que nunca sai da moda. Alguns métodos mudaram  ao  longo  dos  anos  –  telefones  celulares, correio eletrônico,  sítios  na  Web  no  lugar  de cabines  telefônicas,  máquinas  de  escrever,  anúncios nos  jornais,  etc.,  mas,  levar  a  mensagem  ao alcoólico que ainda sofre continua a ser o serviço básico de Alcoólicos Anônimos. Tal como descrito no Livro Azul, no capítulo“Trabalhando com os outros”, “A experiência prática demonstra que nada garantirá tanta imunidade contra o álcool quanto o trabalho intensivo com  outros  alcoólicos.  Quando  outras atividades  não resolvem,  isso  funciona.  ...Observar  as pessoas se recuperarem, vê-las ajudando outras, observar a solidão desaparecer, ver crescer ao se redor uma Irmandade, ter inúmeros amigos – esta é uma experiência que você não pode perder. ...O contato frequente com os recém-chegados e com nossos companheiros è a parte luminosa de nossas vidas”. O  ponto  básico  de  Alcoólicos  Anônimos  sempre  foi  a  comunicação  salvadora  entre  um alcoólico e outro. Como Bill W. descreveu: “Já desde o começo, a comunicação em A.A. não foi uma mera transmissão de ideias e atitudes úteis. Foi uma comunicação extraordinária e por vezes singular. Dada a afinidade proporcionada por nosso  sofrimento comum, e devido a que os meios, também comuns, de nossa liberação somente proporcionam resultados quando os compartilhamos constantemente  com  outros,  nossas  vias  de  comunicação  sempre  se  orientam  pela linguagem  do coração”. Partindo de uma perspectiva histórica, esta transmissão de esperança de um alcoólico a outro, a miúdo descrita nos primeiros escritos de A.A. como  “uma reação em cadeia”,teve seu começo quando Bill W. havia estado tratando seu alcoolismocom o Dr. Silkworth e recebeu a visita de Ebby T.,  m velho  amigo  e  companheiro de  copo.  Ebby  tinha  encontrado  uma  maneira  de  alcançar  a sobriedade  com  a  ajuda  do  Grupo  de  Oxford,  e  um  dia chegou  na  porta  da  casa  de  Bill para  lhe transmitir  sua  mensagem  de  esperança.  Sofrendo  com  a  ressaca  e  mergulhado  na  angústia  da  sua  própria doença, por alguma razão Bill se dispôs a ouvir o que Ebby tinha a lhe dizer. “Em  novembro  de  1934,  recebi  a  visita  de  Ebby,  um  velho  amigo  meu, alcoólico  e  futuro padrinho. Por que lhe era possível se comunicar comigo numa área que nem sequer o Dr. Silkworth ousava tocar? Em primeiro lugar, eu já sabia que sua condição, assim como a minha, era a de um bêbado irrecuperável. Numa data anterior, nesse mesmo ano, eu fui informado que ele também tinha sido candidato a uma internação num manicômio. Entretanto, ele estava ali, na minha frente, livre e sóbrio. A sua faculdade de comunicação era tão impressionante que, em poucos minutos pôde-me convencer de sua sinceridade ao dizer que se tinha  libertado da obsessão pela bebida. Sinalizava uma coisa muito diferente de um mero percurso suando frio na caravana da abstinência. Foi assim que me apresentou uma espécie de comunicação e de evidência que nem sequer o Dr. Silkworth me pôde oferecer. A questão era que um alcoólico estava falando com outro. Nisso estava a verdadeira esperança". Ebby  contou  detalhadamente  a  Bill  a  sua  história  e suas  experiências  como  bebedor  nos últimos anos estabelecendo, assim, um poderoso vínculo de identificação. Depois explicou os passos que tinha dado para alcançar a sobriedade que naquele momento desfrutava. “Nenhuma das ideias de Ebby era realmente nova. Eu  já tinha ouvido falar de todas elas. Porém, da  maneira  como  me  foram  repassadas  através  daquela  poderosa  linha  de transmissão, deixavam  de  ser  o  que,  em  outras  circunstâncias,  eu iria considerar  como  simples  máximas tradicionais para se comportar como um bom freguês.Eu as estava vendo como verdades vivas que poderiam me libertar, tal como fizeram com ele. Ebby pôde-me tocar no mais profundo”. Entretanto, e apesar de seu grande impacto, a visita de Ebby não proporcionou a Bill o ímpeto ou a capacidade para parar de beber e recorreu de novo aos cuidados do Dr. Silkworth. Durante esta última internação Bill teve a experiência espiritual que tornou possível alcançar a sobriedade. Nas palavras de Bill, “com esta revelação veio a visão de uma possível reação em cadeia, de um alcoólico que falara com outro e este com outro e assim nua série sem fim. Estava convencido de que podia dar aos meus companheiros alcoólicos o que Ebby tinha dado a mim”. Durante  os meses  seguintes  Bill  tratou  de  passar  a  mensagem.  Porém,  ninguém  tinha conseguido  a  sobriedade  e  esta  experiência  lhe  deixou  uma  maravilhosa lição:  “Por  muito verdadeiras que fossem as palavras da minha mensagem, não podia existir nenhuma comunicação mais  profunda  se  o  que  eu  dizia  ou fazia  ia  tingido de  soberba,  arrogância,  intolerância, ressentimento, imprudência e o desejo de reconhecimento pessoal, mesmo tendo pouca consciência dessas atitudes. Sem me dar conta, tinha caído muito pesadamente nesses erros. Minha experiência espiritual havia sido tão súbita, tão resplandecente e tão poderosa que eu me achava destinado a curar quase todos os bêbados do mundo. Isto era soberba. Continuava a martelar sobre o tema de o meu despertar místico e os meus candidatos sentiam-se repelidos sem exceção. Isto era imprudência. Comecei a insistir que todo bêbado deveria experimentar uma “euforia luminosa” parecida com a minha. Fiz pouco caso do fato de que Deus se manifesta aos homens de muitas e variadas maneiras. De fato, tinha começado a dizer aos meus candidatos  ‘você tem que ser como eu, acreditar como eu acredito  e  fazer  como  eu  faço’. Isto  era  o  tipo  de  arrogância  inconsciente  que  nenhum  bêbado consegue suportar”.Finalmente, aconselhado pelo Dr. Silkworth, Bill mudou o foco e começou a incluir os dados médicos que caracterizam a doença como a obsessão, a alergia e a compulsão que leva o alcoólico a continuar bebendo. Algum tempo depois, ao se encontrar na cabine telefônica do Hotel Mayflower, em Akron, Ohio, Bill disse: “Pela primeira vez desde a minha experiência no hospital, me senti tentado a tomar um  trago.  Nesse  momento,  de início,  dei-me  conta  da necessidade  que  tinha  de  estar  com  outros alcoólicos para me preservar e ajudar a manter a dádiva original da sobriedade. Já não se tratava somente  de  ajudar  outros  alcoólicos.  Se  esperava  manter  minha  própria  sobriedade,  tinha  que encontrar  outro  alcoólico  com  quem trabalhar.  Assim,  quando  o  Dr.  Bob  e  eu  nos  encontramos sentados cara a cara, nem sequer pensei em fazer o  que costumava a fazer no passado. Eu disse, ‘Bob, estou-lhe falando porque você me faz tanta falta quanto eu possa fazer a você. Estou-me vendo no perigo de cair num grande abismo’”. Daquela reunião,  a  reação  em  cadeia  que  passou  de  Ebby  e  Bill  ao  Dr.  Bob,  em Akron, alcançou inúmeros bêbados no mundo todo. Bill dissea respeito da comunicação vital:  “Uma das primeiras ideias que compartilhamos o Dr. Bob e eu,foi que a verdadeira comunicação deverá estar baseada na necessidade mútua. Nunca deveríamos falar a ninguém com tom condescendente, muito menos  a  um companheiro  alcoólico.  Nos  demos  conta  de  que  o  padrinho  deveria reconhecer humildemente suas próprias necessidades com tanta clareza quanto as do seu afilhado. Nisso estava a base do Décimo Segundo Passo para a recuperação, o Passo em que levamos a mensagem”. Não faz muito tempo, o boletim da Intergrupal de St. Paul, Minnesota, publicou um artigo com o título “Sugestões para fazer as visitas do Décimo Segundo Passo”, no qual se dizia que “Ao receber uma chamada de Décimo Segundo Passo, partimos da ideia de que, literalmente, a vida de outro ser humano está em jogo. Isso significa que épreciso responder de imediato a essa chamada”. Outras sugestões eram oferecidas: Ao fazer uma visita de Décimo Segundo Passo, ir acompanhados de  outro  membro.  Manter  o  anonimato.  Felicitar  o  possível  membro  por  pretender  fazer  algo  a respeito de seu problema com a bebida. Oferecer alguma literatura de A.A. Contar como você era, o que aconteceu e como você é agora. Ao fazer a comunicação com um possível membro seja pessoalmente, por telefone ou através da Internet, a arte de fazer o trabalho do Décimo Segundo Passo segue sendo a mesma. Como é dito na Quinta tradição: “A habilidade única de cada membro de A.A. para se identificar com o iniciante e conduzi-lo à recuperação, não depende de forma alguma de seu grau de instrução, eloquência ou qualquer outra capacitação específica. A única coisa que importa é o fato de ser um alcoólico que encontrou a chave da sobriedade”. 

6.8.  O apadrinhamento no ingresso em A.A. evita que 
os principiantes saiam pelas rachaduras 
Box 4-5-9, Out. Nov. 1989 (pág. 7-8) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov89.pdf 
Título original: “Apadrinamiento temprano evita que los principiantes se pierdan ‘entre las rendijas’”.
Muitos reingressantes nas instituições de tratamento contam porque não conseguiram manter a sobriedade em A.A. a primeira vez que tentaram. Suas experiências indicam que um dos fatores decisivos  nas  primeiras  etapas  da  recuperação  é  o  de  estabelecer  uma  conexão  sólida  com  os padrinhos  na  sua  primeira  reunião  de  A.A.  ou,  ainda  melhor,  antes.  De  fato,  os  conselheiros experientes disseram que as maiores desistências ocorrem durante as primeiras 72 horas depois de sair da instituição. È isso que nos informa Bert J., um membro que estáhá 30 anos em A.A. e trabalha como conselheiro  no  Brunswick House,  de  Amityville,  Nova York.  Num  artigo  titulado  “Through  the Cracks” –  Através das Rachaduras,estuda varias razões pelas que alguns egressos não chegam em A.A.  ou,  mesmo  chegando  não  conseguem  manter-se  sóbrios.  “Está  claro  que  muitíssimos  nunca voltam.  Continuam  bebendo  e  morrem  como  alcoólicos  ativos.  Acredito  que  algumas  destas tragédias poderiam ser evitadas se os AAs e os conselheiros alcançassem uma melhor compreensão a respeito do que podem fazer para ajudar”.  Nas suas conversas com os reingressantes nas instituições de tratamento, Bert descobriu uma coisa que todas as histórias tinham em comum: a falta de apadrinhamento no início. Um indivíduo disse: “Encontrei a sala de reunião e entrei, mas ninguém falou comigo. Fiquei até o encerramento e fui embora. Tudo que tinha ouvido de como os AAs ajudavam os principiantes pareceu-me fumaça de lenha verde. Voltei para a minha casa muito irritado, mas voltei outra vez à reunião e obtive o mesmo  resultado.  Passadas  duas  semanas  estava  bêbado”. Outra  pessoa comentou:  “Encontrei  a igreja, subi até a entrada principal, mas a igreja  estava escura e a porta estava fechada com chave. Rendi-me e comprei uma garrafa”  Em contraposição, os AAs que se mantiveram sóbrios depois do tratamento, contam histórias muito diferentes. Alguns tinham sido bem orientados a respeito de A.a. antes da sua primeira reunião pelos conselheiros das instituições de tratamento ou pelos AAs que visitavam a instituição. Na sua primeira reunião,  padrinhos  temporários  se  propuseram  a  acompanha-los  nos  primeiros  tempos. Outros chegaram a Grupos que tinham membros encarregados de identificar e dar as boas-vindas aos recém-chegados. Foram apresentados aos veteranos iniciando-os assim no programa de A.A., além de lhes indicar contatos temporários. Bert comenta que desde faz já muito tempo, a Junta de Serviços Gerais de A.A. percebeu a importância  do  apadrinhamento  para  facilitar  a transição  das  instituições  de  tratamento  e correcionais, e fez recomendações detalhadas aos Escritórios Centrais do mundo todo a respeito da criação  de  um  Programa  de  Contatos  Temporários.  Entretanto,  ainda  há  um  grande  vazio  para preencher. “As atitudes dos AAs e dos conselheiros bem intencionados representam o fator principal no processo de recuperação e, às vezes suas atitudes podem contribuir mais para o problema que para a sua solução.
Por exemplo: 
‘Ele não estava pronto’...  ‘Se querem a minha ajuda, apenas têm que me  pedir’...  ‘Pode  levar  a  mensagem,  mas  não  pode  levar  o  alcoólico’.  É  possível que  estas avaliações, em alguns casos, sejam acertadas; mas oque importa aqui é que o primeiro contato seja bom. Neste ponto, colocar a culpa no alcoólico seria contraproducente”,concluiu Bert.  As  visitas  que  fazia  aos  Grupos  onde  aas  pessoas  não  o  conheciam,  permitiram  a  Bert “penetrar  ainda  mais  no problema.  Diferente  das  partes  pouco  povoadas  do  país,  onde  assisti reuniões pequenas de A.A., as áreas metropolitanas  e suas periferias, com frequência tem reuniões grandes. Assim, é difícil identificar os recém-chegados, principalmente se passaram por um período de internação numa instituição de tratamento sem beber”. Oito  das  dez  reuniões  que  Bert  assistiu “não  tinham  nenhum  sistema  para  identificar  os recém-chegados. Apenas um Grupo tinha servidores encarregados de dar as boas-vindas. Quando perguntei  como  identificavam  os  principiantes,  de  modo  geral  respondiam: ‘Uma  pessoa  que  tem tantos anos em  A.A.  como  eu,  sempre  pode  identificar  alguém  recém-saído  de  uma  bebedeira’.  E quando fiz a pergunta: ‘E as pessoas que vem de uma instituição de reabilitação ou desintoxicação?’ 
A resposta mais comum foi, mais ou menos:‘Bom, eles já percebem que devem fazer sua própria apresentação’”. Depois  de discutir  este  assunto  tanto  com AAs  experientes  como  com  os  profissionais empregados  em  instituições  de  tratamento  que  também são  membros  de  A.A.,  Bert  conseguiu formular algumas  sugestões  práticas  sobre  o  Decimo  Segundo  Passo  que  os  Grupos  poderão aproveitar ao levar a mensagem: 
1.  Afixar um cartaz de A.A. na entrada do local ou da sala de reunião. 
2.  Adotar um Programa de Apadrinhamento por Contatos Temporários recomendado pela Junta de Serviços Gerais. As diretrizes estão disponíveisno Escritório de Serviços Gerais – ESG. 
3.  Disponibilizar servidores do Grupo próximos à entrada da sala de reunião para das as boasvindas a todos que não reconheçam. 
4.  Realizar  regularmente  “reuniões  de  apadrinhamento” com  a  finalidade  de  ressaltar  a importância do apadrinhamento e de incentivar os membros a se oferecerem como padrinhos voluntários. 
5.  Indicar  padrinhos  temporários  a  todos  os  principiantes  até  que  possam  escolher  seus padrinhos permanentes. 
6.  Destacar a mensagem:  ¨Quando qualquer um, seja onde for, estender a mão  pedindo ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por isto: Eu sou responsável”.Bert conclui dizendo: “Preencher o vazio entre o tratamento e uma sólida conexão com A.A., irá evitar que uma multidão de alcoólicos se percam nas rachaduras. A construção desta ponte é uma  responsabilidade  conjunta  dos  profissionais,  os AAs  e  os  alcoólicos  que  começaram recentemente sua recuperação”. 

6.9.  Onde levamos a mensagem e onde não fazê-lo 
Box 4-5-9, Out. Nov. / 1998 (pág. 7-8) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov98.pdf 
Título original: “¿Dónde empezamos a llevar el mensaje y dónde dejamos de hacerlo?”. 
“Sapateiro, não vás além da tua chinela”,aconselha-nos a Quinta Tradição cujo enunciado expressa a razão de ser de A.A.:  “Cada Grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.Entretanto, como já perceberam milhares de AAs que se comprometeram com este conceito, a simples prática não é tudo. “De vez em quando”,Diz Bill E., do Comitê de Informação Pública de Nova Jersey, “chega a nós um pedido para enviar um orador para falar numa escola primária ou diante de um grupo de escoteiros a respeito dos perigos do Álcool – com aesperança de contribuir para que esses jovens parem e pensem antes de experimentar a bebida. Mas,A.A. têm algo a ver com esse assunto?”. Num artigo publicado no n´mero de verão (1998) do boletim do Intergrupo / Serviços Gerais de Nova Jersey da Área 44,  This Day, Bill diz,  “seria converter meu maior desejo em realidade se ninguém tivesse que passar pelo inferno do alcoolismo ativo como eu passei. Mas temos que lembrar que  não  somos  uma  sociedade  antialcoólica,  nem  advogamos  pela abstinência  do  álcool.  Os movimentos e a legislação antialcoólica do passado fracassaram.  Todos conhecemos muitas pessoas que podem tomar bebida alcoólica sem problema algum. Nós,  os  AAs,  não  podemos  fazê-lo.  Temos  uma  capacidade  especial  para  levar  a  mensagem  de recuperação do alcoolismo. Mas essa experiência nãonos habilita para falar dos perigos do álcool em geral. Para a maioria das pessoas, o álcool não é um perigo”.  Ademais, comenta Bill, existe o princípio de não opinar sobre assuntos alheios à Irmandade e a advertência enunciada na Décima Tradição, que diz “... o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas”.Ao falar perante um grupo não A.A., somos membros  de A.A. embora se recomende que ao fazer qualquer apresentação deste tipo, expliquemos com clareza que não falamos em  nome  de  A.A.  Alcoólicos  Anônimos  não  opina  sobre a  fabricação,  distribuição,  venda  ou consumo de álcool. Não temos opinião a respeito de  qual deve ser a idade estabelecida por lei para tomar  bebidas  alcoólicas  nem  a  respeito  da  proporção álcool/sangue  que  constitui  a  embriaguez desde o ponto de vista legal. Pode parecer duro dizer que não nos importam essas questões; muitos de  nós  temos opinião  já  formada  a  esse  respeito.  Entretanto,  como  membros  de  A.A.  não  temos opinião a respeito de assuntos alheios. E estes, são assuntos alheios. Então,  mais  precisamente,  onde  levamos  a  mensagem?  “Levamos  a  mensagem  a  qualquer pessoa ou grupo que queira saber o que A.A. é e o que faz. Não somos especialistas em alcoolismo. Não levamos a mensagem genérica,  ‘não beba’.Mas, se uma pessoa tem problemas com o álcool, dizemos-lhe ‘não beba e venha as reuniões’” Na  Área  da  Costa  Norte  da  Califórnia,  Tim  P.,  coordenador  cos  Comitês  de  Informação Pública  e  de  Cooperação  com  a Comunidade Profissional  do  condado  de  Sonoma,  faz  uma advertência a respeito de falar perante grupos não A.A. No número de julho do boletim do Intergrupo da Comunidade de Sonoma, diz que  “é fácil se desviar – afastar se do único tema que  temos que compartilhar ali: nosso alcoolismo e a recuperação em A.A.”.Por exemplo, ele explica, “é possível que suponha um grande desafio responder com toda sinceridade  à  questão  das  drogas,  de  uma  maneira  que justifique  a confiança  que  a  comunidade depositou em nós, e que, ao mesmo tempo, sejamos capazes de encerrar essa questão (das drogas)  e voltar ao tema principal que é o alcoolismo e Alcoólicos Anônimos”. 

6.10.  Para os Servidores do Décimo Segundo Passo: O que se deve e o que não se deve fazer 
Box 4-5-9,Ago. Set. 1986 (pág. 9) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept86.pdf 
Titulo original: “Para los Trabajadores de Paso Doce: QuØ se Debe y No se Debe Hacer” 
 Algumas  diretrizes,  ditadas  pelo  bom  senso,  para  os  que  fazem  o  trabalho  de  Décimo Segundo  Passo  nas  Instituições  Correcionais  e  de  Tratamento,  que  apareceram  recentemente  no Sounding Board 1986, boletim do Comitê de Hospitais e Instituições de Los Angeles: 
•  Requerem-se um mínimo de seis meses de sobriedade continuada para levar a mensagem aos hospitais e um ano para quem o faz nas instituições correcionais. 
•  Não fazemos outra coisa que não seja levar a mensagem de A.A. Não somos bebadólogos, não adotamos atitudes condescendentes, não usamos palavrões nem linguagem vulgar, nem fazemos  comentários  depreciativos  a  respeito  das  autoridades.  Se  as  drogas  fazem  parte integrante da sua história, fale das drogas. Mas lembre de que a sobriedade – a libertação do álcool é o único objetivo dos Grupos de A.A. 
•  Não prometa a ninguém emprego nem ajuda de espécie alguma. 
•  Assegure-se de que os oradores representem uma variedade de condições socioeconômicas e pontos de vista, e que os ex-presidiarios tenham habilitação da segurança do presidio. 
•  Assegure-se de que não exista nenhuma ordem de prisão contra você, nem nenhuma multa para pagar, antes de entrar numa instituição correcional – caso contrário, é possível que não saia. 
•  Não  leve  nada  com  você  nem  ao  entrar  numa  instituição  nem  ao  sair  dela.  Não  troque números de telefone ou endereços com os reclusos. 
•  Se tiver um amigo ou parente encarcerado numa instituição, ou se mantém correspondência com  algum  presidiário,  não  poderá  servir  nessa  instituição  como  orador  nem  como coordenador. 
•  Respeite  a  hierarquia  do  comando  nas  prisões.  Se  houver  algum  problema  e  um  preso  ou paciente  lhe  informa  sobre  isso,  leve  o  assunto  ao  coordenador  do  Comitê  das  respectivas Instituições, que é o encarregado de resolver essas pendências. 
•  Consulte o coordenador do Comitê a respeito das normas de vestiário da instituição que vai falar.  Não  use  calças  “jeans”, bermudas  minissaias,  nem  blusas  justas,  transparentes  ou decotadas. 


I N D I C E

Apresentação 

1.1. A origem da Declaração de Unidade 
1.2. A origem da Oração da Serenidade 
1.3. A origem da Reserva prudente 
1.4. A origem das Áreas e dos Painéis 
1.5. A origem das ilustrações nos materiais de A.A. 
1.6. A origem de “90 reuniões em 90 dias”
1.7. A origem do café e das bolachas nas reuniões de A.A. 
1.8. A origem do mês da Gratidão 
1.9. A origem do termo de Responsabilidade 
1.10. A origem dos Arquivos Históricos 
1.11. Um passeio pela história: Os Arquivos Históricos do ESG
1.12. A origem dos Escritórios de Serviços 

2.1. A transição das instituições de tratamento para os Grupos de A.A.
2.2. Fazer os novos se sentirem especiais – não diferentes
2.3. O Coordenador de Literatura no Grupo
2.4. O dilema dos Grupos de A.A.: Aquelas outras adições
2.5. O Grupo base
2.6. O Grupo de A.A... Onde tudo começa
2.7. Os enviados pelos Tribunais: A comunicação facilita sua transição para A.A.
2.8. Os AAs enfrentam o problema dos enviados pelos Tribunais
2.9. Perturbadores de reuniões
2.10. Seu Grupo está preparado para grandes eventos?
2.11. Sobre os problemas de um Grupo de A.A.
2.12. Todo Grupo de A.A. tem o direito de errar

3.1. A Reunião de Serviço 
3.2. O que é uma consciência de Grupo esclarecida
3.3. Consciência Coletiva – Texto do Dr. Lair Marques
3.4. Onde se origina a consciência de Grupo Esclarecida
3.5. Na “anarquia benigna” de A.A., a consciência de Grupo esclarecida é a última autoridade
3.6. Reuniões de A.A. abertas e fechadas: há uma diferença
3.7. Reuniões de A.A. em instituições de tratamento

4.1. A Conferência Internacional de Jovens em A.A. (ICYPAA)
4.2. Os Internacionalistas e Solitários
4.3. Círculos de sobriedade na Convenção dos Nativos Americanos
4.4. Como A.A. pode servir melhor às minorias
4.5. O que são os Grupos Especiais de A.A. Porque são necessários
4.6. Como fazer para que os idosos em A.A. continuem voltando
4.7. Os Jovens definem seu papel como o futuro de A.A.
4.8. Os Jovens em A.A.

5.1. A respeito de colocar a tradição do anonimato em primeiro lugar
5.2. Fotografias nos eventos de A.A.: Pensar antes de clicar
5.3. Mais perguntas sobre o anonimato
5.4. O anonimato – a humildade em ação
5.5. O anonimato diante do público
5.6. O anonimato e as redes sociais
5.7. O anonimato e os meios de comunicação
5.8. O anonimato nas reuniões “on line”
5.9. Quando abrir seu anonimato não é quebra de anonimato
5.10.Reflexões sobre o anonimato

6.1. Apadrinhamento: Como éramos 
6.2. Apadrinhamento: Outra forma de dizer A.A.
6.3. Apadrinhamento em A.A.: Suas obrigações e suas responsabilidades
6.4. Apadrinhamento: Uma via de mão dupla
6.5. Buscamos os principiantes onde eles estão?
6.6. Como fazer uma visita de Décimo Segundo Passo à moda antiga
6.7. Levar a mensagem, ou, a arte do Décimo Segundo Passo
6.8. O apadrinhamento no ingresso em A.A. evita que os principiantes saiam pelas rachaduras
6.9. Onde começamos a levar a mensagem e onde não fazê-lo
6.10. Para os Servidores do Décimo Segundo Passo: O que se deve e o que não se deve fazer 

7.1. A Aprovação da Literatura pela Conferência
7.2. Literatura aprovada pela Conferência
7.3. A evolução da Convenções Internacionais de A.A.
7.4. O que é uma Convenção para você? 
7.5. A evolução da Convenções no Brasil
7.6. A exclusão do Circulo e do Triangulo como símbolo oficial de A.A.
7.7. Usos e abusos dos símbolos de A.A.
7.8. A experiência dos Washingtonianos e o propósito de A.A.
7.9. A identificação – a essência do nosso vinculo comum
7.10. A primeira Conferência de Serviços Gerais
7.11. A respeito dos direitos autorais do Livro Azul
7.12. A.A. nunca deve ser organizada
7.13. Al-Anon e os laços que nos unem
7.14. Alcoólico recuperado ou em recuperação?
7.15. Alcoólicos Anônimos – o livro, um ícone cultura 
7.16. Alcoólicos Anônimos e a lei
7.17. Alcoólicos Anônimos e os alcoólicos com necessidades especiais
7.18. Algumas perguntas de membros e respostas do ESG
7.19. As “doze promessas” de A.A.
7.20. As Doze Tradições de A.A.
7.21. As Doze Tradições de A.A., ou, Os Filhos do Caos
7.22. Breve história do Escritório de Serviços Gerais – ESG
7.23. Como A.A. escolhe alguns dos seus servidores 
7.24. Os membros de A.A. funcionários do ESG
7.25. Seleção de pessoal para o ESG
7.26. Como o triângulo invertido faz funcionar a Irmandade
7.27. Como são feitas as traduções da literatura de A.A.
7.28. É preciso ser “alcoólico puro” para ser membro de A.A.?
7.29. Membros de A.A. Pesquisa 2011
7.30. Membros de A.A. que trabalham no campo do alcoolismo
7.31. Preenchendo o vazio entre o profissionalismo e A.A. (dois chapéus)
7.32. Meu nome é ..., e sou alcoólico/a
7.33. O espirito de cooperarão entre A.A. e NA (Narcóticos Anônimos)
7.34. O propósito único de NA
7.35. O Grupo de Oxford: Precursor de A.A.
7.36. “O homem na cama” ou, a abordagem ao AA no 3
7.37. O Livro Grande faz 50 anos como o “padrinho” mais eficiente de A.A.
7.38. O Livro Grande: pioneiro de A.A. impresso 
7.39. O membro de A.A. Medicamentos e outras Drogas
7.40. Para alguns alcoólicos, os medicamentos são necessários
7.41. O princípio da pobreza corporativa
7.42. O programa de A.A. não é religioso, mas espiritual
7.43. A espiritualidade se conhece pelas obras
7.44. Alcoólicos Anônimos e as orações
7.45. Os Doze Conceitos para o Serviço Mundial
7.46. Os livros eletrônicos (e-books), ou, como levar a mensagem em um mundo digital
7.47. Um propósito único
7.48. Unicidade de propósito de A.A.

8.1. Dr. William Duncan Silkworth 
8.2. Reverendo Samuel Shoemaker 
8.3. Ruth Hock Crecelius 
8.4. Dr. Harry M. Tiebout 
8.5. Dr. Harry Emerson Fosdick 
8.6. Clinton T. Duffy
8.7. Irmã Inácia 
8.8. Padre Edward P. Dowling 
8.9. Jack Alexander 
8.10. Bernard B. Smith 
8.11. Dr. John Lawrence Norris (Dr. Jack) 
8.12. Nellie Elizabeth Wing (Nell Wing) 
8.13. Pastor Professor Joaquim Luglio 
8.14. Tributo a Anne R. Smith (1881-1949)
8.15. Tributo ao Dr. Bob (1879-1950)
8.16. Despedida do Dr. Bob 
8.17. Tributo a Edwin T. Thacher (Ebby T.) (1896-1966)
8.18. Tributo a Bill W. (1895-1971)
8.19. Última mensagem de Bill W. 
8.20. Tributo a Lois B. Wilson (1891-1988)



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