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8.  Em memória de...
8.1.  Dr. William Duncan Silkworth (1873-1951) 
Box 4-5-9, Inverno (Dez.) 2010 (Pág. 4ª 6) => www.aa.org/lang/en/en_pdfs/en_box459_winter10.pdf 
Título original: “William Duncan Silkworth: ‘El pequeño doctor que amaba a los borrachos’” 
Bill W. dizia com frequência que o programa de A.A.tinha uma grande  dívida  com  a  religião  e  a  medicina.  Atribuía o  mérito  da contribuição religiosa ao Grupo de Oxford e ao Dr.  Sam Shoemaker e ao  mesmo  tempo  indicava  que  os  princípios  espirituais  vinham  da antiguidade  e  eram  universais, portanto,  propriedade  comum  da humanidade. Enquanto  à  contribuição da medicina,  atribuía grande parte  do mérito ao Dr. William Duncan Silkworth, o médico que tinha tratado dele no Hospital Towns de Nova York em 1934. A gratidão. A gratidão que Bill sentia por Silky,como ele o chamava, parecia não ter limites, e nos  últimos  anos  de  vida,  Bill  tratou  de  ajudá-lo  inclusive, financeiramente. Quais foram as principais contribuições do Dr. Silkworth a Bill e a A.A.? Houve varias. Uma delas foi mostrar a Bill a natureza mortal e incurável do alcoolismo ao defini-la como  “uma alergia física junto como uma obsessão mental”.O Dr. Silkworth iria-se converter num forte defensor da crença de que o alcoolismo tem uma causa física além de causas emocionais e mentais. Defendeu esta crença em artigos publicados em revistas de medicina. Outra contribuição foi sua resposta compreensiva e favorável à iluminação espiritual que Bill teve no Hospital Towns em dezembro de  1934, uma experiência que colocou Bill no caminho para  a sobriedade permanente  e mudou para sempre sua vida  (outro médico poderia ter considerado essa experiência  como  um  sinal  de  transtorno  mental  ao  invés  de  um  possível ponto de  mudança  na recuperação de Bill). Depois que Bill saiu do hospital, o Dr. Silkworth lhe deu permissão para voltar e contar sua história a outros pacientes alcoólicos, uma prática que mais tarde se converteria na tradição de “levar a mensagem”.Embora atualmente seja uma pratica habitual, membros de A.A. ir visitar alcoólicos hospitalizados, o Dr. Silkworth estava correndo risco profissional ao permitir que Bill fizesse isso em 1935. Depois, quando A.A. se converteu num movimento e publicou o Livro Grande em 1939, o Dr. Silkworth deu seu aval escrevendo “A opinião do médico”que aparece no começo do livro em todas as edições. Finalmente, O Dr. Silkworth continuou sendo amigo de A.A. e recomendava o programa a outros médicos. Ao rever seu histórico poder se-ia  dizer que foi a pessoa certa no momento certo para o que Bill e A.A. precisavam. William  Duncan  Silkworth  foi  por  formação  e  por temperamento o tipo de  médico  que poderia ser atraído pela difícil especialidade de tratar alcoólicos e outros adictos. Nascido no Brooklin em  1873 mostrou desde muito cedo interesse pela medicina e os seus aspectos emocionais e mentais. Por natureza era uma pessoa compassiva que poderia manifestar um profundo interesse pelos seus pacientes independentemente da especialidade que tivesse escolhido. Em 1892 matriculou-se na Universidade de Princeton. Foi um bom aluno e em  1896 iniciou seus  estudos  práticos  de medicina  no Hospital  Bellevue. Este era o lugar ideal para iniciar uma carreira de medicina na especialidade do tratamento do alcoolismo e a adição às drogas, embora este não tivesse sido seu objetivo no início. Mas, como registrado num artigo da Grapevine publicado em 1951, descobriu enquanto trabalhava no Bellevue que se  sentia atraído pelos alcoólicos e estes por ele. “Quando ninguém podia acalmar um bêbado alterado, O Dr. Silkworth podia fazê-lo”dizia um artigo da Grapevine. “E descobriu, para sua surpresa, que os bêbados mais difíceis falavam com ele tranquilamente – e inclusive mais surpreendente, muitos deles choravam. Pareceu evidente que ele exercia – ou era exercido através dele, algum tipo de influencia degeladora nas gelas fontes da vida do alcoólico”. Em 1902 casou-se com Marie Antoinette Bennett, que seria sua companheira a vida toda num casamento muito unido. Tiveram apenas um filho que  morreu uma semana depois de nascer. O Dr. Silkworth tinha todas as qualidades para ser um bom homem de família e é possível que a energia que poderia ter consagrado a criar filhos a dedicara ao trabalho. Apesar  da  sua  excelente formação e talento,  o  Dr.  Silkworth  passou  por  alguns  anos  de desilusão antes de descobrir a sua verdadeira vocação. Tentou montar um consultório particular, mas descobriu  que  seria  mais  conveniente  trabalhar  regularmente  em  hospitais.  Durante  a Primeira Guerra Mundial passou dois anos como membro do corpo psiquiátrico do Hospital do Exercito dos EUA em Platsburg, Nova York. Por coincidência, esta foi a mesma base militar em que Bill W. teve sua formação  de  oficial,  mas  os  dois não se conheceram durante esse período. O Dr. Silkworth também passou vários anos no corpo médico do Instituto Neurológico do Hospital Presbiteriano de Nova York, atualmente conhecido como Columbia-Presbyterian. Durante algum tempo teve um bom salário e parecia estar a caminho de se tornar rico Mas na quebra da Bolsa de  1929 perdeu toda sua poupança e viu-se obrigado a aceitar um posto  de trabalho  no Hospital  Charles  B.  Towns,  por um  salário  de  40  dólares  semanais. Aparentemente um grande revés na sua vida, isto resultaria ser um caso proverbial de que,  “não há mal  que  por  bem  não  venha”. Foi  lançado  na  carreira  de  médico  especializado  no tratamento  do alcoolismo e da drogadicção. Uma consequência disso foi a de ter a Bill W. como paciente e dar-lhe conselho e ajuda importantes. Na sua história pessoal, Bill descreve o Hospital Towns como um hospital renomado a nível nacional para a reabilitação mental e física dos alcoólicos. Foi-lhe recomendado pelo seu cunhado, o Dr.  Leonard  Strong.  “Sob o  chamado  tratamento  da  beladona  (1) começaram  a  clarear  meus sentidos”, escreveu Bill  sobre  a  sua  primeira  estadia no  Hospital  Towns.  “A hidromassagem  e exercícios suaves me ajudaram muito. E o melhor de tudo, conheci um médico muito amável que me explicou que,  embora  sem  dúvida eu  fosse  um  homem  egoísta  e  bobo,  havia  estado  gravemente doente, física e mentalmente”. Isso foi o começo de sua amizade e no início, parecia ao Dr. Silkworth que Bill tinha boas chances de conseguir a sobriedade. Muito poucos de seus pacientes se mantinham sóbrios por longos períodos de tempo, mas ele nunca perdeu a esperança, Bill, com os novos conhecimentos adquiridos a respeito da natureza do seu alcoolismo, saiu do hospital acreditando ter solucionado o problema. O conhecimento de si mesmo iria salvá-lo. Mas  Bill  voltou a  beber  e  retornou  ao  Hospital Towns.  “Pareceu-me  que  tinha chegado  o fim;  as  cortinas  tinham-se  fechado”,  escreveu.  “Informaram  a  minha mulher,  exaurida  e desesperada, que tudo acabaria com um ataque cardíaco durante um delirium tremens, ou acabaria tendo um edema cerebral talvez em menos de um ano.  Logo seria entregue ao coveiro ou internado num manicômio”. Ao sair novamente do hospital, Bill se manteve um tempo sóbrio antes de se jogar novamente na que ia ser sua última bebedeira em novembro de  1934. Quando voltou ao Hospital Towns pela terceira vez  (2),  estava considerando seriamente um programa espiritual que um velho amigo tinha lhe apresentado.  Durante  essa  terceira  internação  teve  a  deslumbrante  experiência espiritual  que aparece descrita no Livro Azul  (página 45).  Quando Bill relatou a experiência ao Dr. Silkworth,o médico disse-lhe:  “Alguma coisa lhe aconteceu que eu não compreendo,  Bill. Mas, seja qual for a experiência que você teve, e melhor que se agarre a ela; é muito melhor que o que você tinha até pouco tempo atrás”. Depois de sair do hospital, Bill começou a levar a  mensagem a outros alcoólicos, contando lhes sua própria experiência espiritual e insistindo em que a eles poder-lhes-ia acontecer o mesmo. Mas  nenhum desses  alcoólicos  alcançou  a  sobriedade, e  passado  um  tempo,  o  Dr.  Silkworth  lhe sugeriu que talvez pudesse ter mais sucesso se deixara de pregar e se focasse no aspecto médico da sua condição explicando-lhes que tinham uma doença incurável e não poderiam voltar a beber nunca mais. Refletindo sobre essa sugestão, Bill mudou seu foco justamente antes de viajar para Akron onde  estava  destinado a conhecer  o  Dr.  Bob.  Parecia uma  ironia  que  Bill,  não tendo  nenhuma informação  de  medicina,  comunicasse  esta informação médica  ao  Dr.  Bob que era um  médico  já experiente.  Mas  o  fez  com  todo sucesso  e  o  Dr.  Bob, depois  de  mais  uma  viagem  à embriaguez, manteve-se sóbrio o resto da sua vida e contribuiu enormemente para lançar A.A. no Meio Oeste dos EUA. De volta à cidade de Nova York, Bill formou um Grupo que entre seus membros havia alguns alcoólicos tratados no Hospital Towns. Continuava a apresentar a ideia do Dr. Silkworth de que o alcoolismo é uma  reação alérgica. Em  1937, o Dr. Silkworth publicou  dois artigos na revista The Medical Journal, nos que tratou desta então polêmica abordagem. Além disso, comentou também a respeito de certa “psicologia moral”,que estava ajudando alguns alcoólicos a alcançar a sobriedade, referindo-se aos esforços de Bill. Mais tarde, num artigo publicado na revista médica The Lancet, o Dr. Silkworth fazia uma explanação sobre esse tema.E, embora ainda não fosse usada na medicina a palavra “alergia”para indicar uma causa do alcoolismo, já existiam  fortes evidencias de que essa condição tinha um componente físico. O Dr. Silkworth continuou trabalhando no Hospital Towns e durante os seis últimos anos da sua vida também tratou pacientes no Hospital Knickerbocker, onde contava com uma assistente de nome Teddy, que também parecia ter o dom de ajudar os alcoólicos. Em  1951, o Dr. Silkworth parecia desfrutar de boa saúde e  ainda conseguia tratar pacientes. Mas já tinha 78 anos de idade e precisava caminhar mais lentamente. Não tinha plano de pensão nem outros  recursos  para  se aposentar, mas Bill idealizou  um  plano  que  tornaria  possível  ao  doutor continuar a trabalhar e ao mesmo tempo viver com sua mulher em condições mais cômodas. Através de seus contatos no campo do alcoolismo, Bill soube que um centro de tratamento em Dublin, New Hampshire,  precisava  um  diretor  clínico.  Na visão  de Bill  este  posto  pode uma residência de aposentadoria. Os Silkworth poderiam  morar lá como se fosse um centro de férias na montanha e o hospital contaria com a pericia do doutor e sua experiência no campo do alcoolismo. Bill  também  desenvolveu um plano para arrecadar fundos para o centro e assim contribuir para torna-lo solvente. Sem dúvida era um bom plano, mas antes de poder implementá-lo, o Dr. Silkworth morreu de ataque cardíaco no dia 22  de  março  de  1951,  Seu obituário, que  apareceu  no  New  York  Times, mencionou seu serviço a A.A. A Fundação do Alcoólico também lhe rendeu homenagem; no texto, provavelmente  obra de  Bill,  descrevia  o  doutor  como  “o  primeiro e  talvez  o  melhor amigo  de Alcoólicos Anônimos”e reconhecia sua profunda compreensão de A.A. no seu começo e o animo que lhe dava numa época em que a falta de compreensão ou uma palavra de desalento poderia ter acabado com a Irmandade. “Era um homem santo... Podia salvar vidas que eram irrecuperáveis por qualquer  outro  meio. Um  homem assim,  não  pode  morrer  no  sentido  literal.  Nosso  amigo  nos deixou... apenas por um momento”.
Veja também:http://www.barefootsworld.net/aasilkyloveddrunks.html 
N.T. (1):Para saber mais sobre a “Cura da Beladona”, ver em: 
http://translate.google.com.br/translate?hl=ptBR&langpair=en|pt&u=http://anonpress.org/faq/25&ei=fno
JUYaII5SM9ATUqYDIDQ 
http://translate.google.com.br/translate?hl=ptBR&langpair=en|pt&u=http://chipsontheweb.net/history/bella.htm&ei=fnoJUYaII5SM9ATUqYDIDQ 
N.T. (2):Vários historiadores e documentos oficiais de A.A. atestam que foram 4 internações de Bill W. no  Towns  Hospital, e não 3 como sustenta o artigo.  
Teriam  sido  elas:  
primeira no outono de 1933, a segunda em julho de  1934, a terceira em 17 de setembro de 1934 e a quarta em 11 de dezembro de 1934. 
Um exemplo: 
“Bill Wilson, cofundador de Alcoólicos Anônimos (A.A.), foi internado no Towns Hospital quatro vezes entre 1933 e 1934. Em sua quarta e última estadia, ele mostrou sinais de delirium tremens e foi tratado com a cura Belladonna. Ele teve seu  "Hot  Flash"  - despertar  espiritual,  ao  se  submeter  a esse tratamento,  na segunda  ou  terceira  noite  após  a  internação,  dependendo  da  fonte.  Quando  ele saiu  do  Towns  Hospital  depois  de  uma estadia de sete dias, ele nunca voltou a beber novamente...”. 
http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_B._Towns 

8.2.  Reverendo Samuel Shoemaker (1893-1963) 
Grapevine, Fevereiro de 1967. Por Bill W. 
O Dr. Shoemaker era uma dessas pessoas indispensáveis para A.A. Se ele não se houvesse ocupado tanto de nós em nossos primeiros dias, nossa Irmandade hoje  não existiria. Portanto, sua recém publicada biografia, intitulada “I Stand by the Door”, algo como, “Espero na Porta”,tão bem redigida por sua esposa Helen, é um símbolo comovedor da grande dívida que temos para com ele e para enriquecer nossa compreensão desse magnífico amigo. Para  começar, permitam-me  que  familiarize  as  novas gerações  com  o  “Sam” que  os  mais velhos  conhecemos  tão  bem  nos  primeiros  dias  de  A.A.e nos  anos posteriores.  Com  este  fim, gostaria  de  falar  da  sua  presença  na  Convenção  Internacional  de  1955,  realizada  em  St.  Louis. Menciono as seguintes palavras de nosso livro de história “A.A. Atinge a sua Maioridade” – Junaab, código 101. “O Dr. Sam não demonstrava ser nem um dia mais velho do que quando  o  conheci  há  vinte  e  um  anos,  em  seu  dinâmico  Grupo  da  casa paroquial do Calvário em Nova York. Quando começou  a falar, produziu nos ali reunidos no Auditório Kiel, o mesmo impacto que havia produzido em Lois e em mim anos antes. Como sempre, chamava o pão de pão e o vinho  de  vinho; seu  ardente  entusiasmo,  sua  sinceridade  e  sua transparência  diáfana  serviam  para  reforçar  o  efeito  de  sua  mensagem. Apesar de todo seu brio e eloquência, Sam nunca perdeu o bom senso. Era um  homem  que  nunca  vacilava  para  falar  de  seus  próprios  pecados. Apresentou-se como  testemunha do  poder  do  amor  de  Deus,  tal  como  o teria feito qualquer membro de A.A. A presença de Sam diante de nós era outra evidência de que a Providência havia se utilizado de  muitos  canais  para  criar  Alcoólicos  Anônimos.  E  nenhum  mais  visivelmente  necessário  que  o canal  aberto por Sam  Shoemaker e  seu  Grupo  de  Oxford  na  geração  anterior.  Os  princípios  de autoexame,  o  reconhecimento  dos  defeitos  de  caráter, de reparações pelos  danos causados  e  dos trabalhos  com outros, adotados pela Irmandade em  seus  primórdios, nos  vinham  direta  e exclusivamente do Grupo de Oxford e de Sam Shoemaker, seu líder na América do Norte naquela época. Aparecerá sempre em nossos anais como a pessoa cujo exemplo e ensinamentos contribuíram muito para criar o clima espiritual no qual os alcoólicos podiam sobreviver e se desenvolver. A.A. tem uma dívida eterna de gratidão para tudo o que Deus nos enviou através de Sam e seus amigos dos dias de infância de A.A.” Creio que qualquer pessoa que leia o livro de Helen Shoemaker  “I Stand by the Door”,será uma  pessoa  melhor  depois  de  tê-lo  feito.  Este  relato  vívido e  comovedor  de  Sam  em  sua  vida privada, em seu trabalho pastoral e em sua vida pública nos oferece um amplo e detalhado retrato de um dos melhores seres humanos de nossos tempos. 
Transcrito do livro “A Linguagem do Coração”,pag. 445-446. Junaab, código 104. 
Veja mais em: 
http://www.silkworth.net/dickb/samshoemaker3.html 
http://en.wikipedia.org/wiki/Sam_Shoemaker 
http://www.amazon.com/Stand-Door-The-Life-Shoemaker/dp/B000Q9P2S0 

8.3.  Ruth Hock Crescelius (1911-1986) 
Box 4-5-9, Ago. Set. / 1986 (pág. 7-8) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept86.pdf 
Título original: “...Un ejemplo que no olvidaremos nunca”. 
O dia 4 de maio de 1986, A.A. perdeu a mulher que o cofundador Bill W. descreveu como “um  dos  verdadeiros  pioneiros  de  A.A.”.   Ruth  Hock  Crecelius. Ruth,  primeira  secretária  não alcoólica de Bill W., foi quem datilografou o manuscrito original do Livro Grande e também ajudou a  formular  as  palavras que  se  referem  a  Deus  nos  Doze  Passos.  Ao  ser  o  primeiro  “membro  do pessoal”do escritório que mais tarde se converteria em Escritório de Serviços Gerais de A.A. – ESG foi pioneira em abrir a passagem a todos os empregados e membros do pessoal que lhe seguiram. Todos que assistiram a abertura da Convenção Internacional do 50º Aniversário de A.A. em Montreal no ano passado  (1985). Ficaram em  pé  para  ovaciona-la  enquanto era presenteada com a copia  cinco milhões  do  Livro  Grande.  A  multidão  que  participou  na  mesa  de trabalho dos Arquivos Históricos, nunca irão esquecer o emocionante discurso que ela fez nessa ocasião. Todos têm na memória a imagem de uma mulher bonita, vivaz e cordial, que não aparentava a idade que tinha. Ruth Hock tinha  24  anos  quando,  em  1937,  respondeu  o anuncio de um jornal e foi contratada como secretária de uma empresa de nome Honor Dealers, que ficava no  número 17 da Rua William, em Newark,  Nova  Jersey.  Não  fazia  nem  ideia  da  aventura  a  que  se  estava  lançando  –  porque  os proprietários da empresa eram Bill W. e Hank P., este, o primeiro bêbado novaiorquino a alcançar a sobriedade  depois  de  Bill.  Logo  descobriu  que  o escritório  tinha  mais a  ver  com  ajudar  alguns bêbados anônimos do que realmente fazer os trabalhos típicos de um comércio. Bill começou a trabalhar no Livro Grande em março ou abril de  1938.  Ruth,  que  datilografou  o  manuscrito,  lembrou  que  Bill costumava  chegar  ao  escritório  com  um  bloco  de papel  amarelo (à esquerda),  onde  tinha  feito  um  rascunho  de  cada  capítulo  do  livro. “Aquelas  anotações  eram  fruto  de  muitas  reflexões  depois de haver discutido os prós e os contra durante muitas horas  com qualquer um que  tivesse  interesse  no  assunto”. Bill  ditava  enquanto  ela datilografava na máquina de escrever. Justamente antes de terminar o manuscrito (de acordo com o que Bill conta no livro  “A.A. Atinge a Maioridade”), estourou  no escritório  mais uma das  muitas  batalhas que  o  texto  suscitava.  Encontravam-se  presentes  Fitz  M.,  Hank  P., Ruth e Bill e estavam discutindo os Doze Passos. A ênfase em “Deus” e,  noutro  lugar  do  texto  as  palavras  “ficar  de  joelhos”, ofendiam  a Hank, quem se referiu ademais às palavras de Jimmy B. Os dois estavam convencidos de que essas palavras  iriam  afugentar  milhares  de  alcoólicos.  “Bill  não  cedeu.  Não  quis  mudar  nenhuma palavra”.E Fitz o apoiou, Ruth, adotando uma posição intermediária “tratando de refletir a opinião dos  não  alcoólicos” recomendou-lhes  que  fossem  mais  transigentes  e manifestou-se favorável  a colocar “menos fraseologia doutrinal”. E assim concordaram em usar a frase“Um Poder superior a nós  mesmos”, e  acrescentar as  palavras “Deus  como  cada  um  o  conceba”. Foram  suprimidas  as palavras  “de  joelhos” e  colocou-se  a  frase  introdutória  “Eis  os  passos  que demos,  e  que são sugeridos como um programa de recuperação”(Livro Azul, pág. 88/3/1, Junaab, código 102). Ruth Hock aparecia numa das fotos de grupo que foram usadas para ilustra o artigo de Jack Alexander  publicado  na  Saturday  Evening  Post,  e  depois  ajudou  a  organizar  os  voluntários  que responderam  a grande avalanche de pedidos de  ajuda  em  consequência  do  artigo.  Despediu-se  do escritório em  1942 para  se casar, mas através das décadas manteve contato por correspondência e fazendo  visitas  esporádicas.  O  que  Bill  escreveu  a  respeito  de  Ruth  no  livro  “A.A.  Atinge  a maioridade”, poderia ser tomado como o mais eloquente obituário: “Ruth Hock foi a moça não alcoólica dedicada que escreveu ao ditado um monte de páginas, trabalhando durante meses na maquina de escrever enquanto o livro  Alcoólicos Anônimos estava em preparação, com frequência sem salário recebendo em substituição ações da Works Publishing, que,  naquele  então,  não  tinham  valor  algum.  Com  profunda  gratidão,  lembro  como  seu conselho sábio, seu bom humor e sua paciência contribuíram para resolver as intermináveis disputa sobre o conteúdo do livro. Muitos veteranos, também com gratidão, lembraram as calorosas cartas que ela escrevia quando estavam sozinhos lutando para manterem-se sóbrios... Despediu-se de nós levando consigo  os melhores  votos  de  milhares de  membros. Deu-nos um exemplo que não esqueceremos nunca”. 

8.4.  Dr. Harry M. Tiebout (1896-1966) 
Grapevine, Julho de 1966. Por Bill W. 
Quando este número da Grapevine chegar aos seus leitores, todas as  pessoas  de  A.A.  já  terão  tomado  conhecimento  do  falecimento  do nosso  muito querido  amigo,  o  Dr.  Harry  M.  Tiebout, psiquiatra,  o primeiro  da  sua  categoria  a  apresentar-nos  para  todo  o  mundo.  Seus dons,  um  exemplo valoroso,  sua  profunda  compreensão das  nossas necessidades e trabalho constante em favor da nossa Irmandade têm sido – e sempre serão, de um valor incalculável. Começou assim: estávamos no começo do ano de 1939 e o livro Alcoólicos Anônimos estava a ponto de ser impresso. Para nos ajudar a fazer as últimas correções do livro, havíamos distribuído várias cópias mimeografadas do manuscrito. Uma cópia foi parar nas mãos de Harry. Embora  grande  parte do  conteúdo  estivesse  então  contra  suas  próprias ideias, leu o nosso livro com grande interesse. E oque foi ainda mais importante, após ler o livro, resolveu mostra-lo a um par de seus pacientes, que  agora conhecemos como Marty e Grenny. Eram dois de seus pacientes mais difíceis e aparentemente desajuizados. A princípio, o livro causou-lhes pouca impressão. De fato, o uso frequente da palavra  “Deus”enfureceu tanto Marty que pegou o livro e o jogou pela janela, foi-se embora aborrecida do elegante sanatório onde se encontrava e se atirou numa tremenda bebedeira. Grenny não  foi  tão  longe  com  sua rebeldia;  acolheu o  livro  friamente.  Quando  finalmente Marty  voltou  a  apresentar-se,  tremendo  violentamente, perguntou para o  Dr.  Harry  o  que poderia fazer agora, ele simplesmente sorriu-lhe e disse: “É melhor que volte a ler esse livro”. De volta para seu quarto, Marty resolveu folhear o livro mais uma vez. Uma frase em especial chamou sua atenção: “Não podemos viver com ressentimento”. Assim que pode aceitar esta ideia sentiu-se cheia de “uma experiência espiritual transformadora”. Imediatamente, assistiu a uma reunião. Aconteceu na Rua Clinton, onde vivíamos Lois e eu. De volta à Blythewood, encontrou a Grenny cheia de curiosidade. Estas foram as primeiras palavras que lhe dirigiu: “Grenny, já não estamos mais sozinhas”. Este foi o começo da recuperação de ambas – recuperações que perduram até hoje. Ao ver estes acontecimentos, Harry ficou maravilhado. Apenas uma semana antes, as duas haviam resistido obstinadamente a todos os seus métodos. Agora falavam e o faziam abertamente. Para Harry, esta era a realidade – a nova realidade. Por ser um cientista e homem de valor, Harry não vacilou, nem por um  momento,  em  reconhecer  este  fato.  Colocou  de  lado suas  próprias convicções  a  respeito  do alcoolismo, sob suas manifestações neuróticas, e, rapidamente, se convenceu de que em A.A. existia algo, talvez algo muito importante. Durante todos os anos posteriores, muitas vezes colocando em risco sua posição profissional, Harry continuou dando respaldo a A.A. Tendo em conta sua posição profissional, isso requeria um grande sacrifício. Permitam-me que compartilhe com os senhores, alguns exemplos concretos. Em um de seus primeiros pronunciamentos médicos, aquele famoso respeito à “Rendição”,declarou que o processo de  diminuir  o  ego  não  só  era  o  básico dos princípios  de  A.A.,  como  também,  absolutamente fundamental,  na  prática  da  psiquiatria.  Esta  atitude  requeria  tanto  humildade  como conhecimento. Será sempre um ilustre exemplo para nós. Não  obstante,  isso  era  um  mero  começo.  Em 1944,  com  a  ajuda  do  Dr.  Kirby  Collier  de Rochester  e Dwight  Anderson  de  Nova  York,  Harry  havia  persuadido  à  Sociedade  Médica  Norte Americana do Estado de Nova York a permitir  que eu,um leigo, lesse  um pronunciamento sobre A.A. em sua reunião anual. Cinco anos mais tarde, o mesmo trio, novamente encabeçado por Harry, persuadiu a Associação de Psiquiatria Norte Americana a me convidar a ler outro pronunciamento – nessa  ocasião,  ante  a  sua  Reunião  Anual  em  Montreal em  1949. A.A.  tinha então  uns  cem  mil membros e muitos psiquiatras já haviam visto de perto o impacto que causávamos em seus pacientes. Para nós AAs que estivemos presentes nesta reunião, foi um momento muito emocionante. A minha  apresentação  seria  sobre  “a  experiência  espiritual”, segundo  o ponto de  vista de A.A. Certamente,  ninguém  levou  a  sério!  Para  nosso  grande  espanto,  o  pronunciamento  foi  muito  bem aceito – ao menos, a julgar pelos muitos aplausos. Em  seguida,  se  aproximou  de  mim,  um  distinto  cavalheiro,  Apresentou-se  como  um  dos  ex presidentes da Associação de Psiquiatria Norte Americana. Com grande entusiasmo, disse-me  “Sr. W. é bem possível que eu seja o único entre meus colegas aqui presentes que realmente acredita na ‘experiência  espiritual’ do  mesmo  modo  que  o  senhor.  Em  certa  ocasião,  eu  mesmo  tive  um despertar muito parecido com o seu, uma experiência que tive em comum com dois amigos íntimos, Bucke e Whitman”. Naturalmente,  perguntei-lhe:  “Mas,  porque  parece  que  seus  amigos  gostaram  do 
pronunciamento?”.Replicou-me algo como: “Olhe, nós psiquiatras sabemos o quão difíceis são os senhores, os alcoólicos. O que comoveu a meus colegas não foram  as afirmações que o senhor fez em seu  pronunciamento. mas o fato de que A.A. pode levar a sobriedade aos alcoólicos em grande número".
Visto dessa forma, sentia-me ainda mais profundamente comovido pelo magnífico e generoso tributo que se havia prestado a A.A. Sem demora, meu pronunciamento foi publicado na Revista de Psiquiatria Norte Americana e a nossa sede de Nova York foi autorizada pela Associação para fazer e distribuir todas as cópias que desejássemos. Nessa época, A.A. já havia começado a se difundir no exterior. Só Deus sabe o quanto esse artigo, ao ser reproduzido por nós e presentado aos psiquiatras de  países  distantes  pelos  Grupos  de  A.A.  recém-formados,  acelerou  enormemente  a  aceitação mundial de A.A. 
Poderia continuar falando sem parar a respeito de Harry, contando-lhes as suas atividades no campo global do alcoolismo, de seu marcante serviço em nossa Junta de Custódios. Poderia contar lhes da nossa grata amizade, recordando, particularmente, seu bom humor e seu riso contagioso.  Mas o espaço que me foi destinado é muito pequeno. 
Transcrito do livro “A Linguagem do Coração”,pag. 433 a 435. Junaab, código 104. 
Veja mais em: 
http://www.silkworth.net/tiebout/tiebout_papers.html 
http://en.wikipedia.org/wiki/Harry_Tiebout 

8.5.  Dr. Harry Emerson Fosdick (1878-1969) 
Box 4-5-9, Inverno (Dez.) 2011 (Pág. 8-9) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_winter11.pdf 
Título original: “Reseña inicial impulsa el Libro Grande de A.A.”. 
O  Livro  Grande  (Livro  Azul,  no  Brasil) Alcoólicos  Anônimos,foi  qualificado  de  muitas  maneiras  desde  sua  primeira  publicação  em 1939,  incluindo “estranho” pelo  New  York  Times  e  “curioso” pela Revista  da  Associação  Médica  Americana  nas  críticas literárias publicadas em outubro daquele ano. Entretanto, algumas pessoas, muitas das  quais  trabalhavam  diretamente  com  os  alcoólicos nas  suas respectivas profissões também reconheciam a mudança radical inerente à forma de A.A. tratar o alcoolismo e ofereceram seu apoio aquele grupo que estava começando a encontrar seu caminho. Um profissionais foi o Dr. Harry Emerson Fosdick,um bem  conhecido  ministro  da  Igreja  Riverside  da  cidade  de  Nova  York, que  escreveu  uma  resenha muito  favorável  ao  livro  e apoiou  com  entusiasmo  seus  métodos.  Seu apoio inicial supôs um grande impulso para a Irmandade e deu credibilidade à forma inovadora de tratar o alcoolismo esboçada no texto básico de A.A. O Dr. Fosdick, um amigo não alcoólico de A.A., tinha uma fé profunda no processo e nos procedimentos de A.A., e percebeu a grande ajuda que poderia supor para os membros do clero e outros profissionais que lutavam para ajudar e compreender os muitos alcoólicos com quem tinham contato diariamente. Na sua resenha, aparecida poucos meses depois da publicação do livro em 1939, 
dizia, em parte,  “Este livro extraordinário merece atenção esmerada de toda pessoa interessada no problema  do  alcoolismo.  Sejam  as  vítimas,  amigos das  vítimas,  médicos,  clérigos,  psiquiatras  ou assistentes  sociais...  este  livro  irá  lhes  dar,  melhor  que  qualquer  outro  livro  conhecido  por  este 
escritor, uma perspectiva interna do problema enfrentado pelo alcoólico”. Na sua resenha, o Dr. Fosdick defendia o emergente grupo e seu itinerário para a recuperação. “Este livro nos apresenta a experiência acumulada de cem homens e mulheres que foram vitimas do alcoolismo  –  muitos  deles  considerados irremediáveis  pelos  especialistas,  e  que  ganharam  a libertação, recuperaram sua sanidade e o domínio desi próprios. Suas histórias são detalhadas e 
circunstanciais, de intenso interesse humano. Atualmente, na América estão aumentando os casos da doença do alcoolismo. A bebida ofereceu uma fuga fácil da depressão. Um oficial do exercito inglês na  Índia,  ao  ser  repreendido  por  beber  em  excesso  disse  levantando  o  cálice:  ‘Esta  é  a  via  mais rápida de sair da Índia’; da mesma maneira, muitos americanos utilizam as bebidas fortes para fugir dos seus  problemas  até  que, para sua grande consternação, descobrem  que,  embora  sejam  livres para começar a beber, não são livres para parar... Este livro não é sensacionalista em nenhum sentido.Distingue-se pelo seu senso comum, sua moderação  e  a  ausência  de  exagero  e  fanatismo.  É  um relato  detalhado,  sério,  tolerante  e compreensivo  do  problema do alcoólico  e  das  técnicas  com  as  quais  seus  coautores  ganharam  a liberdade”. Depois  de  ter  manifestado  seu  forte  apoio  ao  Livro  Grande,  o  Dr. Fosdick  também reconheceu  que  trabalhar  com  os  alcoólicos  pode  ser um  grande  desafio  para  os  clérigos  e  outras pessoas que convivam de perto com os efeitos do alcoolismo. “Cada ministro religioso que também é  um  conselheiro  pessoal,  já  teve  que  lidar  com  casos  de  alcoolismo”,  escreveu posteriormente. “Por muitos anos tive medo de fazê-lo. Quase preferia qualquer outro tipo de anormalidade antes que me enfrentar com um caso de alcoolismo”. Mas, “Alcoólicos Anônimos... é uma benção para os clérigos”, escreveu na sua autobiografia “O viver destes dias”,publicada em  1956.  “Como podemos conhecer o alcoólico – sua obsessão compulsiva  pela  bebida,  a  escravidão  desesperada  contra  a  que  luta  em  vão,  uma  não  cumprida 
decisão após outra de parar de beber que acaba em mais um fracasso? Quando falamos com um alcoólico, ele sabe que porque nós nunca estivemos  onde ele está, não podemos compreender sua situação.  Mas  quando  um  ex-alcoólico,  que  passou  pelos  mesmos  duros  sofrimentos  e  se  libertou através dos Doze Passos, fala com um alcoólico, podem-se produzir resultados maravilhosos”.Bill W. muito frequentemente reconhecia o papel que desempenharam muitos dos defensores iniciais  de  A.A. e os clérigos,  em  particular, ajudando a  dar forma  aos  princípios  espirituais  de Alcoólicos  Anônimos  e dando-os a conhecer  àqueles  que  os  precisavam.  Num  artigo  da  revista Grapevine de setembro de  1957, escreveu o seguinte:  ”Com a mais profunda gratidão, reconheço aqui  a  dívida  que  A.A.  tem  com  os  clérigos;  não  fosse  o  que  fizeram  por  nós,  A.A.  nunca  teria nascido; quase todos os princípios que utilizamos chegaram através deles. Apropriamo-nos do seu exemplo, sua fé e, até certo grau, das suas crenças, e os transformamos em nossos. Quase no sentido literal, os AAs lhes devemos nossas vidas, nossas fortunas e a salvação que a cada um de nos lhe correspondeu encontrar”. Portanto,  embora  as palavras  utilizadas  para  descrever  o  Livro  Grande  em  seus  primeiros tempos tenham sido “estranho” e “curioso”,outra palavra, como indicou o Dr. Fosdick teria que ser “extraordinário”. 

8.6.  Clinton Truman Duffy (1898-1982) 
Box 4-5-9, Abr. Mai. / 2007 (pág. 5-6) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_april-may07.pdf 
Título original: “Clinton T. Duffy, el jefe de prisión que reformó ‘la Q’” 
Em  1950,  quando  vários  milhares  de  membros  de  Alcoólicos  Anônimos  se  reuniram  em Cleveland para a Primeira Convenção Internacional, um dos principais oradores foi Clinton T. Duffy, então diretor da Presidio de San Quintín, na Califórnia.  “O Sr. Duffy viajou viajado mais de 3.200 km para estar conosco em Cleveland”,escreveu Bill W., cofundador de A.A.  “Logo vimos porquê. 
Veio  porque  é  um  grande  ser  humano.  Novamente  os  AAs  nos  perguntamos  até  que  grau  nossa reputação chegou a ser superior ao nosso caráter”. 
Mas ao Sr. Duffy, já bem conhecido por seus trabalhos inovadores na reforma dos presídios, deveu-lhe parecer que  a reputação de  A.A.  era bem merecida. Embora sempre tivesse presente a segurança do presidio, se dispôs  a  buscar  imediatamente  métodos  seguros  para  a  reabilitação  dos presidiários quando tomou posse como diretor do Presidio de San Quintín em 1940. Pouco tempo depois de iniciar sua função soube do programa de A.A. e no começo da década de  1940, introduziu o programa de A.A. em San Quintín, uma prisão conhecida como “a Q”no jargão dos condenados. “Havia graves problemas para solucionar; mas o Sr.  Duffy os aceitou  e sua fé acabou sendo recompensada”,disse Bill mais tarde. Este foi um dos primeiros programas dentro dos muros das prisões – uma grande conquista porque  então  A.A.  tinha  apenas  seis  anos  de  existência  e  o livro Alcoólicos  Anônimos tinha  sido publicado  dos anos  antes.  Duffy  disse  na  Convenção de  Cleveland  que  somente  os  alcoólicos poderiam  entender  o  problema  do  alcoolismo:  “Eles,  e  somente eles,  conhecem  o  caminho  do retorno porque eles próprios tinham feito a agitada viagem de ida e de volta”.O Sr. Duffy também disse que um recluso que tenha participado do programa de Alcoólicos Anônimos  no  presidio  tem  uma  possibilidade  três  vazes maior  de  superar  o  período  de liberdade condicional do que aquele que evitou o programa, de acordo com uma reportagem do Akron Beacon Journal.  Disse  que  esses  homens  raramente transgredem  as  condições  de  liberdade  ou  cometem outro crime. E tampouco eram propensos a perder seu emprego por absenteísmo ou abandono. O Sr. Duffy tinha participado do lançamento do programa de San Quintín diante do ceticismo dos demais oficiais da prisão. Também permitiu que membros de A.A. de fora viessem participar das reuniões, uma prática muito ousada naquele tempo. Em toda a história de A.A. não se celebrou uma reunião em circunstâncias mais tensas que aquela primeira reunião em San Quintín, lembra Duffy. “Os  membros  de  fora  ficaram  assombrados  com  o  ambiente  e  os  presos assombrados  pelos visitantes  do ‘mundo  livre’”.  O  Sr.  Duffy  fez  um  discurso  de  boas-vindas,  mas  o que  relaxou  a tensão foi a fala de um membro de A.A. de fora do presídio. O Sr. Duffy muitas reuniões de A.A. posteriormente quando membros de A.A. visitavam o presidio. Ficava impressionado com as histórias de  pessoas de todas as classes e condições, e ouvir suas  explicações  a  respeito  da  maneira  com  que  A.A. tornou  possível  recobrar  sua dignidade  e  o respeito dos seus concidadãos como consequência de ter seguido o programa. Também recebia cartas de membros de A.A. oferecendo sua ajuda parta reabilitar um membro de A.A. do presidio. No dia 28 de novembro de  1943, Bill W. visitou o Grupo de San Quintín como orador convidado porque tinha um forte desejo de ver o progresso daquele projeto sem precedentes. O  Sr.  Duffy  recebeu  relatórios  de  agentes  de  liberdade  condicional  a respeito  de  antigos presos que tinham recobrado o respeito das suas comunidades com a ajuda dos Grupos de A.A. Disse que a generosidade dos AAs servia como inspiração não apenas para os presos, mas também para os administradores do presidio.  “Sua colaboração entusiasmada nos fez possível ampliar o programa aqui na Califórnia”. Também disse que o primeiro preso secretário de um Grupo de A.A. ofereceu-se como voluntário para ser transferido ao Presidio de Folsom para organizar ali um Grupo de A.A. Este programa pioneiro de San Quintín despertou o interesse de muitos presídios de outras partes dos EUA. Em 1952, a revista Grapevine publicou que havia 78 Grupos  de A.A. nos presídios dos EUA e um na África do Sul. Atualmente (2007) cálculos indicam haver aproximadamente 2.500 Grupos deste tipo na América do Norte com a participação de 65.000 reclusos pelo menos. O Sr. Duffy foi, por natureza e formação, o administrador penitenciário ideal para considerar a possibilidade de que A.A. funcionasse atrás dos muros. Por vezes foi chamado um  “condenado a cadeia perpétua”  e San Quintín porque nasceu ali em  1898. Seu pai tinha sido guarda e a família morava  no  recinto  da  instituição.  Casou-se  com  Gladys  Carpenter,  seu  amor  desde  criança,  que também  morava  em  San  Quintín  onde  seu  pai  era  capitão  da  guarda.  Criado  naquele  ambiente,  o jovem Duffy conheceu muitos reclusos e já na tenra  idade começou a se preocupar com o bem-estar dos prisioneiros. “Na  minha  infância, San Quintín  não  era uma  prisão  modelo”, ele  diz.  “Havia  muitos guardas  sádicos  com  poder  demais  e  oportunidades  de agir  com  sadismo.  Havia muitos  lugares onde  se podia  abandonar  um  homem  até  apodrecer  e  muito  pouco  lazer  para  evitar  que  isso acontecesse. Havia amargura demais, ódio demais, desamparo demais, brutalidade demais, sujeira demais, humilhação demais”.San Quintín era ainda uma das prisões mais duras do país quando o Sr. Duffy se incorporou no sistema como secretário do diretor do presidio em 1929. Continuou servindo como secretário de outros diretores,  e  chegou a ser considerado no  sistema penitenciário  como  administrador competente,  capaz  de  levar  os  projetos  a  bom  termo, e  era  muito  respeitado  tanto pelos reclusos como  pelos demais  administradores.  Em  1937 foi  nomeado  secretário  da  Junta  de  Condenações  e Liberdade Condicional. Enquanto isso, San Quintín tinha-se transformado noque o Sr. Duffy chamou “um paraíso dos  sádicos”  com  guardas  que  recorriam  à  tortura  e  à  violência  para controlar  os prisioneiros recalcitrantes.  Preocupado  com  as  noticias  que  lhe  chegavam  de  San  Quintín,  o  governador da Califórnia, Culbert  Olson, despediu todos os membros da  junta  de  diretores  de  presídios.  A  nova junta despediu o diretor de San Quintín e nomeou o  Sr. Duffy para substitui-lo por um período de experiência de 30 dias. Com o apoio da junta, o Sr. Duffy imediatamente começou a eliminar tantos males da vida carcerária quantos lhe foi possível, incluindo os guardas cruéis, as masmorras e tudo aquilo que tinha contribuído  para  converter  San  Quintín  num  autentico  calvário  para  os 6.000 prisioneiros. “Tive   muitos objetivos e alcancei a maior parte deles”,escreveu em 1962, “mas a coisa que mais queria, não tinha autoridade para consegui-la... Podia eliminar os instrumentos de tortura, mas não podia eliminar os instrumentos da morte”. Conforme Duffy explica no seu livro intitulado “88 homens e uma mulher”, publicado em 1962, seu maior desejo era eliminar a pena de morte. Apesar de ser contra a pena de morte viu-se obrigado  a participar  de  90 execuções, uma  obrigação  que  o  deixava  destroçado  e  perplexo.  E  de grande importância, devido seu apoio ao programa, o álcool teve algo a ver com os crimes capitais e com outros delitos cometidos pelos homens e mulheres que estavam encarcerados. O Sr. Duffy serviu como diretor do presidio de San Quintín desde 1940 até 1952, quando foi promovido  à  Adult  Authority (Autoridade  Adulta),  um  posto  que  lhe  deparou  oportunidades mais amplas  de ajudar  na reabilitação  dos  ex-detentos.  Já  nessa  época,  tinha-se  convertido  numa  lenda viva no campo das instituições correcionais e foi o primeiro diretor de San Quintín que podia passear pelo  pátio  da  prisão  sem  guardas  e  falar  com  os  detentos.  Fez  amigos  entre  os  detentos  e ficava encantado ao ouvir o sucesso daqueles que cumpriam com as condições da liberdade condicional e se incorporavam como cidadãos livres, membros de suas  comunidades. Um escritor descreveu-o numa revista como  “o chefe de prisão mais competente do mundo, não apenas pelas reformas que iniciou nas penitenciárias, mas também por seu elevado graúde compaixão”.Quando  depois  de  12  anos  saiu  do  posto  de  diretor  do  presídio,  tinha  servido mais  tempo nesse posto que qualquer outro diretor de San Quintín. “Foi um trabalho que me agradou muito num lugar que eu gostava muitíssimo”,disse e acrescentou que San Quintín foi o único lar que conheceu na sua vida. Disse que ia sentir a falta de seus amigos dos dois lados dos muros e sua participação num  programa  de formação  profissional  e  tratamento  “que  eu  estabeleci  e  que  contribuiu  para  a reabilitação de muitos homens que de outra maneira  poderiam passar tida sua vida encarcerados”. A.A. foi sem dúvida parte integrante do programa do Sr. Duffy em San Quintín. Sua intuição tinha lhe dito desde o começo que A.A. poderia funcionar  nos presídios tão bem quanto no mundo livre. Iria ser especialmente importante para ajudar as pessoas postas em liberdade condicional a evitar as circunstâncias que poderiam evitar a reincidência.  Como explicou um administrador de presidio da Califórnia, “Se podemos manter estas pessoas sóbrias na liberdade condicional, podemos mantê-las fora da prisão”.O  Sr.  Duffy  aposentou-se  em  1962,  depois  de  servir dez  anos  como membro  da  junta  de Autoridade  adulta.  Depois  trabalhou  como  diretor  executivo  do  Conselho  sobre  Alcoolismo  da Cidade  de  São Francisco  e presidente  da  Fundação  Sétimo  Passo,  organização  que  ajuda  os  ex detentos a retornar à sociedade. Nos seus últimos anos morou em Walnut Creek, Califórnia, onde morreu depois de uma longa doença em 1982. Houve reportagens póstumas a seu respeito nos meios de comunicação de todo o país.
 
8.7.  Irmã Inácia (O Anjo de Alcoólicos Anônimos)(1889-1966) 
Box 4-5-9, Out. Nov. / 2006 (pág. 3-4) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov06.pdf 
Título original: “La Hermana Ignacia: la delicada monja que llegó a ser nuestro gran apoyo” 
Mais de 40 anos depois da sua morte, a Irmã Inácia volta a ser homenageada pelos magníficos serviços que prestou aos alcoólicos de dois hospitais de Ohio. O dia dois de abril  de  2006 foi  dado  o  nome Caminho da Irmã Inácia a um trecho da Rua 22ª próximo ao Hospital de Caridade São Vicente, em Cleveland. E nos dias 9, 10 e 11 de junho, o  fim  de  semana  do  Dia  dos  Fundadores  em  Akron,  foi aberta  à visitação de centenas de AAs visitantes o novo  Centro da  Herança da Irmã Inácia na Capela do Hospital Summa St. Thomas. A pequenina freira mora nas carinhosas lembranças dos milhares de alcoólicos a quem ela ajudou no Hospital St. Thomas entre  1939 e 1952 e  no  Salão  do  Rosário  do  Hospital  São Vicente  desde  1952 até pouco  antes  da sua  morte  em 1966.  Inácia,  praticamente  uma  lenda entre os AAs, trabalhou com o Dr. Bob, cofundador de A.A. para estabelecer no Hospital St. Thomas de  Akron  o primeiro  centro  de  tratamento  para  alcoólicos  numa  instalação  religiosa.  Logo  depois estabeleceu o Salão do  Rosário do Hospital de  Caridade São Vicente.  De acordo  com um cálculo estimado, durante 27 anos teve sob seu cuidado mais de 15.000 alcoólicos. O exemplo da Irmã Inácia e do Dr.  Bob sem dúvida  preparou  o  terreno  para  a  aceitação  generalizada  do  alcoolismo  como diagnóstico legitimo para o tratamento nos hospitais. A Irmã Inácia, que costumava ser caracterizada como uma freira “delicada”,não parecia ser a candidata com maiores possibilidades para realizar este papel exigente. Mas, atualmente, e possível perceber que a Providência a preparou para esta grandiosa missão de recuperação e guiou os eventos que contribuíram para que fosse bem sucedida. Nasceu  no  dia  dois  de  janeiro de 1889 em  Shanvilly, Condado  de  Mayo,  Irlanda,  e  foi batizada com o nome de  Della Mary Gavin.   família emigrou a Cleveland, EUA, quando ela tinha sete anos e já era criança precoce e carinhosa; deu indícios de talento musical pouco comum, como pianista e cantora e mais tarde dava aulas na casa  dos seus pais. Também se sentiu atraída pela vida religiosa.  Em  1914,  juntou-se às Irmãs  da Caridade de  Santo  Agostinho,  e  nessa  comunidade continuou sua educação musical e seu aprendizado. Com  estes  antecedentes  poderia passar  os  anos como musicista  respeitada  na  sua  diocese, serenamente obediente e procurada para os mais desejáveis trabalhos. Sem dúvida, foi muito bem aceita a querida pelos demais membros da sua comunidade e os estudantes. Mas viu-se  envolvida  num  conflito  que  ela  não  tinha  criado.  Suas interpretações  do canto gregoriano foram criticadas pelo bispo da sua diocese e ela começou a sofrer muito por causa dessas duras críticas. Em 1933 sofreu um grave colapso físico e mental que quase  a matou. Seu médico lhe disse  que  não poderia  continuar  trabalhando  como  maestrina  de  música  com tanta  pressão e aconselhou-a a levar isso com calma. Bill W., num ensaio feito depois da morte da Irmã Inácia em  1966 disse que  “com grande alegria, a Irmã Inácia aceitou um posto mais  tranquilo  e menos distinto. Foi a encarregada das admissões no Hospital St. Thomas de Akron, Ohio – uma instituição administrada pela sua ordem religiosa. Inclusive naqueles dias acreditava-se que aquela tarefa seria demais para ele. Ninguém acreditaria que chegaria aos 77 anos; somente Deus sabia que estava destinada a atender nos anos posteriores 15.000 alcoólicos e suas famílias”.Foi seu encontro com o Dr. Bob que transformou a missão da sua vida. No começo de 1939, ele  chegou na sua sala  de  recepção  do  Hospital  St.  Thomas  para  pedir  que  fosse admitido  um alcoólico  chamado  Walter  B.  Emitindo  diagnósticos  diferentes,  o  Dr. Bob  conseguia  que  outros alcoólicos fossem admitidos em outros hospitais da cidade, entre eles o Hospital Municipal onde fez Residência  e  ainda trabalhava.  Mas  quase  tinha  esgotado  a  paciência  dos  administradores dessas instituições e o Dr. Bob acreditava que o St. Thomas, por ser uma instituição religiosa, poderia ser mais compreensivo e receptivo. E  assim  foi.  Mas a  Irmã  Inácia  e  o  Dr.  Bob  tiveram  que se  esforçar  diligentemente para ganhar  a  confiança  do  seu  superior  e  dos  administradores  do  hospital.  De acordo  com  Bill, conseguiram admitir  “de contrabando”um bêbado trémulo diagnosticado com  “indigestão grave”. Mas este homem estava tão bêbado que tiveram que encontrar um quarto na área privada, e assim foi instalado  na  floricultura  do  hospital.  (Um  relato  bem-humorado  diz  que  o  homem,  ao acordar, rodeado de tantas flores acreditou estar morto na funerária). Percebendo que não estavam observando o regulamento ao pé da letra, a Irmã Inácia e o Dr. Bob foram explicar o caso à Superiora do hospital, a Irmã Clementina.  “Para imensa alegria dos dois, ela mostrou-se favorável e de acordo; pouco tempo depois, ousadamente expôs o novo projeto ao conselho administrativo do ST. Thomas”escreve Bill. “... e tão forte foi seu apoio que, em pouco tempo, convidaram  o  Dr.  Bob  para  fazer  parte  do corpo  médico do  St.  Thomas,  um  significativo exemplo de espirito ecumênico.Logo tiveram um pavilhão reservado para a reabilitação dos alcoólicos – naturalmente sob a supervisão direta da Irmã Inácia. O Dr. Bob apadrinhava os novos casos e lhes facilitava atenções medicas sem nunca cobrar nada a ninguém”. A  Irmã Inácia  e  o  Dr.  Bob  também  faziam  uso  do  recém-publicado  livro Alcoólicos Anônimos, para expor a abordagem de A.A. e eram sempre bem-vindos os AAs visitantes. A Irmã Inácia, embora continuasse no seu posto como diretora de admissões do hospital passava tanto tempo quanto lhe fosse possível no pavilhão dos alcoólicos. O cuidado compassivo do alcoólico era, no parecer de Bill, o principal ingrediente da graça singular  da Irmã  Inácia.  Disse  que, “com  essa  espécie  de magnetismo,  atraia  até  ela  inclusive  os mais duros e obstinados. Mas nem sempre aguentava as brincadeiras. Quando era necessário sabia dar provas da sua autoridade. Depois, para amortecer o golpe, valia-se do seu maravilhoso senso de humor. Numa ocasião,  ao  ouvir  um bêbado  recalcitrante  dizer com tom  arrogante  que  nunca voltaria a por os pés num hospital, a Irmã Inácia respondeu-lhe,‘Bom, esperemos que não. Mas, no caso de que volte, lembre que temos pijamas do seu número. Estarão prontos, à sua espera’”. A Irmã Inácia acreditava firmemente na abordagem de A.A. e fazia o necessário para que a toda pessoa admitida no pavilhão dos alcoólicos lhe fosse dada a informação e o ânimo necessários para viver uma vida sem álcool. Entrevistava todos  pacientes que estavam para receber a alta e os advertia dos perigos do orgulho, a auto piedade, os ressentimentos, a intolerância e da crítica. Dava a todos os homens um livro de inspiração e uma  pequena medalha religiosa do Sagrado Coração;  a aceitação  da  medalha  simbolizava um  acordo  entre  as partes;  o  paciente  concordava  em  voltar  ao hospital e devolve-la pessoalmente à Irmã Inácia (antes de tomar o primeiro trago), se algum dia lhe parecesse que não gostava da abstinência. O Dr. Bob e a Irmã Inácia tralharam juntos mais de  dez anos no Hospital St. Thomas, até a doença  e  a  morte  do  Dr.  Bob  em  1950.  A  Ordem  da  Irmã  Inácia  transladou-a em 1952 para o Hospital de Caridade São Vicente, em Cleveland. Ali, ela instalou um pavilhão para o tratamento de alcoólicos parecido com o do Hospital St. Thomas. Ademais, deu um jeito para colocar o nome de Rosary Hill Solarium –  Solário do Monte do Rosário– com as iniciais RHS do Dr. Bob  (N.T.: o nome completo do Dr. Bob é Robert Holbrook Smith). No começo da década de 1950, o trabalho duro estava afetando gravemente a sua saúde; foi se tornando cada vez mais frágil e esteve várias vezes às portas da morte. Durante esses episódios, Bill W. foi visita-la em Cleveland. Destas visitas,Bill diz: “foi-me permitido sentar ao lado da sua cama.  Nestas  ocasiões  pude  vê-la  em  seus  melhores  momentos.  Sua  fé  perfeita  e  sua  completa aceitação da vontade de Deus estavam sempre implícitas em tudo que dizia... O temor e a incerteza pareciam ser-lhe totalmente alheios”. No seu último ano. A Irmã Inácia morou em Monte Agostinho, a casa principal da sua Ordem em Richfield, Ohio. Pouco depois das nove horas da  manhã do dia primeiro de abril de  1966, seu espirito partiu serenamente deste mundo. Na  missa  de  réquiem celebrada  na  Catedral  de  Cleveland  não  havia  espaço  suficiente  para mais  fieis.  “Não  era hora  de  se  lamentar”, escreveu  Bill,  “mas  de  dar graças a  Deus  pela  sua imensa bondade para com todos nós”. Da mesma maneira que os funerais de muitos AAs foi uma celebração da sua vida e das suas obras compassivas para o bem de milhares de alcoólicos. 
Leia também: 
“Para a Irmã Inácia”, artigo de Bill W. em“A Linguagem do Coração”, pág. 436 – Junaab, código 104 
http://www.barefootsworld.net/aasisterignatia.html 

8.8.  Padre Edward Dowling (1898-1960) 
Box 4-5-9, Ago. Set. / 2006 (pág. 1 a 3) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept06.pdf
Título original: “El Padre Ed Dowling — amigo y confidente de Bill”.
Embora  um  dos  axiomas  de  A.A.  é  que  para  ajudar  um alcoólico é preciso outro alcoólico, um humilde sacerdote católico que nunca teve problemas com a bebida foi um dos fundadores de A.A. em St. Louis, Missouri, conforme conta Bill W. Este sacerdote foi o Padre jesuíta  Edward  P.  Dowling,  que também  chegaria  a  ser  um  dos primeiros  clérigos  que  apoiaram  A.A.  e  fez  um  esforço  pessoal  para trazer  homens  e  mulheres  para  a  Irmandade a  partir  do  ano  1940.  O padre Ed, como era conhecido, tornou-se amigo de Bill e também no confidente  que  o cofundador de A.A. precisava nos anos em que  se esforçava para estabelecer a Irmandade e lutar contra seus demônios pessoais. O que tinham em comum o Padre Ed e Bill W. e os outros alcoólicos que tratava de ajudar? A resposta pode ser: a) Ele sofreu,e b) Tinha paixão por ajudar os outros. Estes dois fatores guiaram seus anos de maturidade. Nos seus anos de juventude foi atleta, mas logo seviu afetado por uma artrite grave que lhe produzia grandes dores. Também tinha suas obsessões. Uma delas era que fumava um cigarro atrás de outro, hábito este, que consegui superar (usando os Doze Passos), e  outra  era  que  comia com excesso  e  de maneira obsessiva. Aparte estes problemas, ele  compreendia  o  sofrimento  mental  e emocional  e  às  vezes  duvidava  a  respeito da  sua  capacidade  para manter a  fé. Mais tarde diria, “tenho a impressão de que se um dia me encontre no céu, será porque fugi do inferno”. O Padre Ed  sentia-se  impulsionado  a ajudar outras pessoas de uma maneira prática que produzisse  soluções  positivas. E foi isto que o trouxe a A.A. imediatamente depois de tomar conhecimento de que estava dando resultados para algumas pessoas na área de Chicago e pensou que talvez pudesse ser útil para as pessoas da sua cidade natal, St.Louis.   Os membros de A.A. provavelmente souberam pela primeira vez uma citação sua na sobre capa do livro Alcoólicos Anônimos, na nona impressão de primeira edição em abril de  1946: “Deus resiste aos orgulhosos e ajuda os humildes. O caminho mais curto para a humildade são as humilhações,  das  que  A.A.  tem em  abundância”. Isto  não  apenas  representou  um  firme  princípio espiritual, como também serviu como uma aprovação sólida a A.A., embora não oficial, por parte da Igreja Católica. O padre Ed, que acreditava que os Passos de A.A. eram úteis também para enfrentar outros  problemas  além  do  álcool, acrescentou  este  comentário  à  sua  citação:  “os  não  alcoólicos deveriam ler as últimas nove palavras do Decimo Segundo Passo –  ‘e praticar estes princípios em todas as nossas atividades’”.Bill sempre marcou o começo de sua amizade numa tarde tempestuosa de novembro de 1940, quando Lois e ele estavam morando num quarto do antigo Clube da Rua 24 de Manhattan. Lois tinha saído aquela tarde e Bill, que não se encontrava bem e temia estar com uma úlcera, estava sentindo um pouco da auto piedade e de depressão pela maneira como as coisas estavam caminhando nas suas vidas  e  em  A.A.  Não  tinham  um  verdadeiro  lar,  A.A.  avançava  com  dificuldades  com  menos  de 2.000 membros em todo o país, e suas economias estavam num ponto muito baixo. O Livro Grande tinha sido publicado, mas quase todos exemplares estavam encalhados e a gráfica ainda não tinha sido paga. Bill tinha acabado de se deitar quando soou a campainha da porta e o vigilante disse-lhe que um vagabundo queria vê-lo. “Ah meu Deus”disse Bill,  “mais um? A estas horas da noite? Bom, diga-lhe  que  suba”.  Bill  descreveu  seu  primeiro  encontro  desta  maneira:  “Ouvi  uns passos  na escada. Depois o vi entrar no meu quarto, apoiando-se precariamente na sua bengala, levando em suas mãos um chapéu preto amassado, deformado e encharcado pela água da neve. Sentou-se numa cadeira e, quando abriu o sobretudo, vi no seu pescoço o colarinho de sacerdote. Alisou com a mão uma mecha de cabelos grisalhos e olhou para mim com os olhos mais extraordinários que eu jamais tinha  visto”. O  sacerdote  se  apresentou:  “Sou  o Padre  Ed  Dowling.  Um  jesuíta,  amigo  meu  e eu ficamos  assombrados  com  a  semelhança  que  há  entre  os  Doze  Passos  de  A.A.  e  os  Exercícios 
Espirituais de São Inácio” (1). 
“Nunca ouvi falar deles”,disse Bill, e isso iniciou uma conversa cordial e animada. “Falamos de um monte de coisas”,disse Bill, “e aos poucos fui recobrando o ânimo até que finalmente percebi que aquele homem irradiava tal graça que iluminava o quarto com uma sensação de  presença.  Esta  sensação impressionou-me  intensamente;  foi  uma  experiência  emocionante  e misteriosa.  Em  anos  posteriores  vi  muitas  vezes  este  bom  amigo,  e  seja  que o tenha  encontrado alegre ou triste, sempre produziu em mim essa mesma sensação de graça e de presença de Deus”. Assim começou uma amizade íntima que durou até a morte do Padre Ed e 1960. O padre Ed converteu-se no conselheiro espiritual de Bill e Bill foi para o Padre Ed o ideal de um leigo inspirado que tinha criado algo que o mundo não havia tido até então. Nunca foi explicado porque o Padre Ed apareceu sem avisar para visitar Bill W. tão tarde da 
noite ou se tinha vindo a Nova York com o único propósito de se encontrar com Bill. De qualquer maneira,  eles  se  mantiveram  em  contato  durante  as duas  décadas  seguintes  através  de correspondência, contínuas chamadas telefônicas e visitas pessoais conforme ia amadurecendo seu relacionamento. Diz-se  que  Bill  recorria  ao  Padre  Ed  em  cada  crise  que  atravessou  na  sua  vida pessoal  e  em  muitos  conflitos  e  decisões  que  afetavam  a Irmandade  de  Alcoólicos  Anônimos.  E embora o Padre Ed fosse alguns anos mais novo que Bill, chegou a ser um pai para ele, cujo próprio pai o tinha abandonado com a idade de nove anos. St. Louis sempre foi o lar do Padre Ed, onde nasceu em  1898, num bairro de operários de origem  alemã, conhecido como  Baden,  mas  os  Dowlings não  eram  alemães  como  seus  vizinhos. Seus avos paternos tinham imigrado da Irlanda em 1847, durante a escassez de batatas  (2). A família prosperou  e  St.  Louis.  E  seu  avô  paterno  converteu-se  nu  latifundiário  acomodado  e  membro  da Junta de Educação de St. Louis. A mãe de Ed também  era irlandesa e tanto ela como seu marido eram  muito  religiosos.  Ed e  seus  outros  quatro  irmãos  –  ele  era  o  mais  velho, foram  criados  sem passar dificuldades. Ed  era  de  estatura  mediana,  gordinho,  com  nariz  aplastado  que  lhe  valeu  o  apelido  de “Puggy”. Graduou-se numa  escola  paroquial  e  depois  estudou  no  St.  Mary´s  College,  de  Kansas, onde foi capitão da equipe de beisebol. Também jogava em times semi profissionais nos verões e foi o suficientemente bom para apresentar-se nos testes dos Boston Red Sox e St. Louis Browns, embora nenhum dos dois o tenha contratado. Tinha talento como escritor e foi repórter do St. Louis Globe Democrat em  1917e  1918, antes de servir como soldado no exercito dos EUA  na Primeira Guerra Mundial.  Estudou  durante  um  ano  na  renomada  Escola  de  jornalismo  Medill  da  Universidade Northwestern, mas, finalmente, em 1919, ingressou no seminário jesuíta St. Stanislaus, de Florissant, Missouri.  Foi  ordenado  sacerdote  em  1931 e pronunciou seus votos  como  coadjutor espiritual  na Companhia de Jesus em 1936.Em 1932 foi indicado para Confraria de Nossa Senhora, onde logo se entrosou com o pessoal que  publicava  seu boletim,  o The  Queen’s  Work.  Dowling  foi  um  escritor  prolífico  de  artigos religiosos e utilizou essa qualidade para divulgar o programa de A.A. O Padre Ed soube da existência de Alcoólicos Anônimos em  1939e assistiu a sua primeira reunião de A.A. em março de  1940 em Chicago. Depois ajudou alguns conhecidos seus a ingressar no programa no verão daquele ano. St. Lois já tinha um Grupo de A.A. funcionando. Jack Alexander visitou este Grupo quando estava preparando o artigo sobre A.A. que seria publicado em março de 1941 no  Saturday Evening Post,e que ajudou a quadruplicar o número de membros da Irmandade em menos de um ano. Embora alguns clérigos apoiaram A.A. com entusiasmo na década de 1940, o Padre Ed levou seu  apoio  ainda  mais longe,  até  o  que  se  poderia  chamar  um  apadrinhamento  virtual.  Uma  das histórias que circularam naquele então, a de Carlos G., um advogado de Sioux City, Iowa, quem, no começo de 1944, tinha perdido a esperança de recuperação. Foi para St. Louis para morrer, mas, de alguma  maneira  encontrou-se  com  o  Padre  Dowling  que imediatamente  o  mandou  para  A.A.  Já sóbrio, voltou a Sioux City, formou o primeiro Grupo de A.A. ali, e também levou a mensagem às comunidades vizinhas. Numa carta dirigida ao Padre  Dowling no dia 5 de fevereiro de 1945, Carlos sinalou que o dia 24 de fevereiro iria fazer um anodo seu encontro com o Padre Ed e seu começo em A.A.  Muitas  coisas  maravilhosas  tinham  acontecido  desde  então,  disse Carlos,  incluindo haver conhecido outro sacerdote que estava ajudado os AAs de Sioux City. Também recebeu ânimos do Padre Ed, J. Flanagan, o fundador de Boys Town (Cidade dos meninos). Carlos inclusive conheceu Bill  W.  em  Nova  York  e  estava  em  contato  com  homens e  mulheres  de  A.A.  de  várias partes do mundo. “Foi um ano maravilhoso, o melhor da minha vida”, disse Carlos. O padre Ed dizia às pessoas que A.A. era uma coisa  boa e que deveriam  “vir e tomá-la”,e logo  começou  a  pensar  a  respeito  de  como  aplicar  os Doze  Passos  de  A.A.  a  outros  problemas. Porque não poderia se reunis casais da mesma maneira para poder falar entre eles? Isto o levou a iniciar as conferencias de Canaã em  1942, um movimento que chegou a se estender por todo pais. Embora o nome Canaã esteja associado a uma história bíblica, significa também que “os casais não estão  sozinhos”.  Canaã  chegou  a  ser  um movimento  de  muito  sucesso  e  o  Padre  Dowling  falou nestas conferencias mensais utilizando os Doze Passos, pelo resto da sua vida. Também ofereceu seu apoio e prestigio a outro movimento chamado Recuperação Inc., que tinha si criado pelo Dr. Abraham Low para pessoas com problemas mentais. Assim como fez com A.A.,  foi  a  Chicago  para  conhecer  o  programa  de  Recuperação  Inc.  e  fundou  um  Grupo  dessa sociedade em St. Louis numa das salas de The Queen’s Work. O padre Ed nunca teve de discutir sua própria humanidade com outras pessoas, e sem dúvida alguma foi isto que lhe valeu o carinho de muitos e o converteu numa pessoa especial em A.A. ena vida de Bill. E se pudesse ser destacado um momento  de  sua  amizade,  foi  quando  A.A. celebrou  sua  Segunda  convenção  Internacional  em  St. Louis em 1955, um evento que atraiu milhares de pessoas a essa cidade e também marcou a ocasião em que Bill deixou seu posto em A.A. e entregou suas funções de serviço à Conferência de Serviços Gerais de A.A. Há quem diga que Bill fez campanha para que a Convenção fosse realizada em St. Louis porque era a cidade do Padre Dowling e naquele momento estava doente e talvez não lhe fosse possível viajar a outo lugar. O Padre Ed falou nessa Convenção e sua fala esta registrada no livro “A.A. Atinge a Maioridade”–Junaab, código 101. Bill fez sua apresentação dizendo: “De todas as pessoas que eu conheço, nosso amigo Padre Ed é a única a quem nunca ouvi uma palavra de ressentimento ou uma simples crítica. Para mim foi continuamente um amigo, conselheiro, um grande exemplo e fonte de inspiração até o ponto que eu próprio não alcanço descrever. O Padre Ed está feito da madeira dos santos”. 
Leia também: 
“Ao Padre Ed – Que vá com Deus”, artigo de Bill W. em“A Linguagem do Coração”, pág. 428 – Junaab, código 104 
http://www.barefootsworld.net/aafreddowling.html 
N.T. (1):  Segundo o católico  Inácio de Loyola (1491-1556)– fundador da Companhia  de  Jesus  (os  jesuítas),  por  Exercícios  Espirituais “entende-se qualquer modo de examinar a consciência, meditar, contemplar,  orar  vocal  ou  mentalmente  e  outras  atividades espirituais... Porque, assim como passear, caminhar e correr são exercícios  corporais  também  se  chamam  exercícios  espirituais os diferentes modos de a pessoa se preparar e dispor para tirar de  si  todas  as  afeições  desordenadas  e,  tendo-as  afastado, procurar  e  encontrar  a  vontade  de  Deus,  na  disposição  de  sua vida para o bem da mesma pessoaPartindo  deste  pressuposto  e  baseado  em  sua  própria experiência espiritual, Inácio de Loyola escreveu um roteiro a fim de ajudar os outros em seu crescimento espiritual: o livro dos Exercícios Espirituais. Consistem em um modo e um roteiro, totalmente fundamentado na experiência do santo, para  ajudar  as  pessoas  a  perceber  e  acolher  a  íntima  ação  de  Deus  em  sua  vida,  e acolhê-la  em  uma  dinâmica  de  uma  participação  cada  vez mais  efetiva  na  Vida  e  na Missão de Jesus Cristo. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Exerc%C3%ADcios_espirituais_inacianos 
Se tiver interesse veja também: 
http://www.ocultura.org.br/index.php/Exerc%C3%ADcios_Espirituais_de_Santo_In%C3%A1cio_de_Loyola 
N.T.  (2): A  Grande  fome  de  1845–1849  na  Irlanda (em  irlandês:  An  Gorta  Mór ou  A  Grande Fome)  foi  um  período  de  fome,  doenças  e  emigração  em  massa  entre  1845 e  uma  data variável entre  1849 e  1852, em que a população da Irlanda se reduziu entre 20 e 25 por cento. A fome provocou a morte a cerca de um milhão de pessoas e forçou mais de um milhão a emigrar da ilha. A causa mais próxima da fome foi uma doença provocada pelo fungo Phytophthora infestans, que contaminou em larguíssima escala as batatas em toda a Europa durante a década de 1840. Apesar de a Europa inteira ter sido atingida, um terço de toda a população da Irlanda dependia unicamente de batatas para sobreviver, e o problema foi exacerbado por vários fatores ligados à situação política, social e econômica que ainda são matéria de debate na comunidade acadêmica. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_fome_de_1845%E2%80%931849_na_Irlanda 1548, 1ª Edição 


8.9.  Jack Alexander (1903-1975) 
Box 4-5-9, Fev. Mar. / 2008 (pág. 4-5) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_febmar08.pdf
Título original: “Jack Alexander dio a A.A. su primer fuerte empuje”
No  começo  de  1941,  Alcoólicos  Anônimos  tinha  uns  2.000 membros,  muitos  deles  em  cidades  grandes,  outros  em pequenos povoados e outros em lugares isolados. Um artigo que apareceu em 1939 numa  revista  nacional  atraiu  várias  centenas  de  novos membros,  e  crônicas  publicadas  em  jornais de  Cleveland  e  outras cidades  deram  resultados  positivos.  Mas  para  as  pessoas  da  maior parte  da  América  do  Norte,  A.A.  era  desconhecida  e  os alcoólicos continuavam  morrendo  sem  saber  que  tinha  sido  descoberta  uma nova mineira de recuperar-se que estava dando bons resultados. Mas isso tudo estava a ponto de mudar dramaticamente. Em menos de um ano, o número de membros de A.A. tinha triplicado e a Irmandade já  estava  em  vias  de se converter  numa  instituição nacional. O homem responsável por essa mudança rápida foi Jack Alexander, um escritor de 38 anos de idade, que trabalhava para o semanário Saturday Evening Post, uma publicação que tinha tiragem de três milhões de exemplares e naquele então era a principal revista familiar dos EUA. O artigo que escreveu a respeito de A.A., publicado no dia primeiro de março de  1941 com o titulo simples de “Alcoólicos  Anônimos”, provocou  um grande  interesse  pela  Irmandade,  evidenciado  por  mais  de 7.000  pedidos  de  informação,  e  chegou  a  ser  o  ponto mais  elevado  da  sua  ilustre carreira. Aparentemente,  como  consequência  do  artigo,  outras  revistas  começaram  a  publicar  reportagens sobre as atividades de A.A. começando assim uma boa onda de publicidade que iria durar anos. O artigo da Jack Alexander ainda está disponível em forma de folheto editado pelos Serviços 
Mundiais de A.A. – A.A.W.S., com o título “O artigo de Jack Alexander a respeito de Alcoólicos Anônimos” (Junaab, código 228, R$ 2,50). Embora trate de A.A.em 1941, ainda oferece informação importante sobre o alcoolismo, o começo da Irmandade e o que estava dando tão bom resultado aos bêbados,  a quem  agora  damos  o  nome  de  pioneiros.  Ademais,  o  artigo  foi  elogiado  por  ser  um exemplo  admirável  de  boa  organização  e  um  trabalho excelente  que  pode  ser  de  utilidade  aos estudantes de jornalismo. Numa sessão da Convenção  Internacional de  1985 em Montreal, Maurice Z., membro de A.A. e renomado escritor e biógrafo, já falecido, disse ter ficado impressionado pelo artigo já em 1941, muito antes de perceber sua própria necessidade de abraçar o programa. O que aconteceu para A.A. receber essa boa publicidade? O que serviu de inspiração e quem foi  o  responsável  por  apresentar  a ideia  à  redação  do  Post  e  conseguir  que  fosse  aprovada  e publicada? O relato da publicação do artigo sobre A.A. em The  Saturday Evening Post é uma história que dá calafrios nos membros de A.A. porque muitos a veem como um sinal claro da intervenção de um  Poder  Superior.  Outros  a  consideram como  uma  serie  de  casualidades  que  acabaram  tendo consequências  favoráveis  para  a  Irmandade.  Seja  qual  for  a  causa,  a  aparição  do  artigo  foi um acontecimento importantíssimo para A.A. num momentocrucial. Tudo  começou  em  fevereiro  de  1940,  quando  Jim  B.  um  dos  pioneiros  de  A.A.  de Nova York, mudou para a Filadélfia, sede de The Saturday Evening Post. Jim iniciou um Grupo de A.A. na cidade  e  num  encontro  casual  numa  livraria, despertou  o  interesse  do  Dr.  Wiese  Hammer  quem, junto com seu colega Dr. C. Dudley Saul, se tornou  defensor entusiasta de A.A. O Dr. Hammer era 
amigo  íntimo  de  Curtis  Bok,  proprietário  de  The  Saturday  Evening  Post.  Depois  de  ouvir  o  Dr. Hammer manifestar seu forte apoio a A.A., Bok sugeriu aos membros da redação que considerassem a possibilidade de publicar um artigo a respeito deA.A. A sugestão chegou à sala de Jack Alexander, 
o repórter por excelência da revista. Alexander era um escritor experiente que (de acordo com Bill), tinha concluído uma serie de artigos sobre o crime organizado em Nova Jersey. (Isto deu origem à falsa ideia de que ele houvesse acreditado  que  A.A.  era  uma  organização  de  metas  duvidosas).  Nascido em  St.  Louis,  Missouri, havia trabalhado para vários jornais e The New Yorker antes de se incorporar à redação do Post. Há que  atribuir  a  Alexander  o mérito  de  investigar  a  fundo  uma  sociedade  que  estava  lutando  pela sobrevivência  e  que,  quando  começou  suas  indagações tinha-lhe impressionado  muito  pouco. Embora seus superiores o tivessem encarregado do projeto, poderia ter feito um estudo superficial das atividades de A.A. na cidade de Nova York e depois abandoná-lo por ser de pouco interesse. De fato, quatro anos mais tarde, escreveu que ficou bastante cético depois do seu primeiro contato com quatro  membros  de  A.A.  que  o  visitaram  no  seu  apartamento  uma  tarde.  “Contaram-me  histórias horríveis  a  respeito  de  suas desventuras  com  a  bebida”,  disse.  “Essas  histórias  pareceram-me inverossímeis e, quando foram embora, eu tinha uma  leve suspeita de que me estavam provocando. Comportaram-se como um grupelho de atores enviado por uma agencia de artistas da Broadway”.Entretanto,  Alexander,  por  ser  um profissional,  não iria  abandonar  o  trabalho  motivado apenas por uma entrevista pouco satisfatória. Na manhã seguinte foi-se entrevistar com Bill W. no 
pequeno escritório de serviços gerais na Rua Versey, ao sul de Manhattan. Os dois simpatizaram desde o começo. Alexander caracterizou Bill como  “um homem perfeitamente encantador, experto em doutrinar o leigo em psicologia, psiquiatria, fisiologia, farmacologia e folclore do alcoolismo. Dedicou a maior parte do tempo a dar-me explicações sobre o que se tratava. Foi uma experiência muito  interessante,  mas  no  fim  eu  ainda  estava  duvidando  e aguardando.  Sabia  que  tinha  a oportunidade de redigir uma reportagem de algum interesse, mas, infelizmente, não acreditava na matéria e disse isso claramente a Bill”. Chegando neste ponto, Alexander poderia ter adiado o trabalho para uma futura consideração ou  tê-lo  abandonado.  Mas  Bill  W.  estava resolvido  a não  deixar  isso  acontecer.  Deixou  tudo  e se dedicou a convencer a Alexander que fosse investigar A.A. em outras cidade, particularmente nos Grupos  de  Akron  e  Cleveland.  Conforme  lembrou  Bill  posteriormente,  “Trabalhando  dia  e  noite [Jack]  passou  um  mês  inteiro  conosco.  O  Dr. Bob,  eu e  os  veteranos  dos  primeiros  Grupos  de Akron,  Nova  York,  Cleveland  Filadélfia  e  Chicago,  passamos  incontáveis  horas  com  ele.  Quando 
finalmente  pode  sentir  A.A.  nos  seus  próprios  ossos,  pôs-se  a  escrever  o  artigo  que  iria  ter  um impacto tão profundo nos bêbados e suas famílias em todas as partes do país”.Alexander  disse  que  ficou  muito  impressionado  com  A.A.  nessas  cidades.  “Mas  o  fator decisivo foi a minha experiência em St. Louis, minha cidade natal. Ali vi uns quantos amigos meus que eram membros de A.A., e desapareceram os últimos vestígios de ceticismo. Fazia um tempo que estes  amigos  eram  bêbados  incorrigíveis,  e  agora  vi todos  eles  sóbrios. Não  me  parecia  que  isso fosse possível. Mas foi”. Agora convertido num  firme  partidário  de  A.A., Alexander terminou o artigo e enviou-o a Bill e ao  Dr. Bob para eles  fazerem  seus  comentários.  Deram  apenas  umas pequenas sugestões,  mas  nas  cartas  trocadas  entre  Bill  e  Jack,  percebia-se que Bill não queria que aparecesse referencia alguma ao Grupo de Oxford, uma associação de cujos princípios básicos A.A. se tinha apropriado,  mas  que  a  partir  de  1936 foi  perdendo  a  estima  do público  em  geral.  Alexander disse  que  seus  editores haviam-lhe pedido  para  incluir  alguma  referencia  ao  Grupo  de  Oxford,  mas ele acabou por minimizá-la. Então, o Post fez um pedido que poderia ter posto um fim ao projeto. Os editores queriam que fossem incluídas fotografias no  artigo  e  Bill  acreditava  que  isto  seria  uma violação  do anonimato.  Mas  quando  os  editores  disseram  que  sem  fotos  o artigo não seria publicado, Bill superou suas dúvidas, percebendo que não poderia ser perdida essa oportunidade única. Numa das fotos que acompanham o artigo de Alexander, aparecem Bill e outros sete companheiros na frente do velho clube da Rua 24 de  Manhattan, sem indicação de nomes. Na foto  principal,  também  sem  identificação  vê-se  um  bêbado  que  está  tentando  tomar um  trago, segurando  a  mão  com  uma  toalha  para  controlar  a  tremedeira;  noutra  foto  aparece  um  homem deitado na cama de um  hospital rodeado por três visitantes de A.A., e na quarta  foto, um homem sendo transportado para o hospital numa maca. Publicado em março de 1941, o artigo de Alexander despertou uma reação que quase esgotou os  recursos  do  pequeno  escritório  da  Rua  Versey.  O  Post  remeteu  a  A.A.  milhares  de  cartas  que tinham chegado  de  todas  as  partes  de  Norte-américa. Fez-se  necessário  recrutar  voluntários  para responder  as  cartas  e  outras  cartas  foram remetidas a membros  e  Grupos  de  A.A.  nos  lugares  de origem. Uma vez que A.A. tinha, naquele então, pouca literatura de sua própria publicação, o artigo serviu como  material  informativo  para  os  membros  de A.A..  Em  Toledo,  Ohio,  por  exemplo,  os membros deram alguns dólares a um recém-chegado chamado Garth e o encarregaram de comprar os exemplares da revista em todas as bancas da cidade  (o preço de cada exemplar era cinco centavos). Estes exemplares eram utilizados como parte da literatura para principiantes. Passados nove anos, o Post publicou outro artigo escrito por Jack Alexander com o título  “O melhor amigo do bêbado”. Embora não tivesse o impacto dramático do primeiro  artigo, informava detalhadamente o que tinha acontecido à Irmandade e o que prometia para o futuro, uma promessa que foi cumprida com folga. Nessa época A.A. tinha 96.000 membros e a mensagem estava sendo difundida em outras partes do mundo. Desde que conheceu a Irmandade, Jack Alexander foi amigo de A.A. pelo resto da sua vida e inclusive  serviu  como Custódio  Classe  A  –  não  alcoólico,  desde  1951 até  1956.  Diz-se  que  fez  a revisão final do manuscrito de Bill Os doze Passos e as Doze Tradições, publicado em 1953. Chegou a ser o editor chefe do Post e na homenagem que lhe foi oferecida por ocasião da sua aposentadoria em 1961, o Post referiu-se ao artigo sobre Alcoólicos Anônimos como sendo o mais famoso que ele tinha publicado na revista. Com problemas de saúde,retirou-se e com sua esposa mudou-se para a Florida onde morreu em 17 de setembro de 1975. Bill W. tinha morrido quase cinco anos antes,  assim não apareceu nenhum tributo especial como os que Bill escrevia para homenagear outros amigos de A.A. dos primeiros dias. Mas, desde a Grande Reunião nos céus, Bill poderia ter elogiado  Jack como o homem que  “marcou um golaço”para nós e com suas palavras salvou as vidas de milhares de pessoas. Ainda que não houvesse sido 
publicado o maravilhoso artigo de Jack, A.A. teria sobrevivido e continuaria se desenvolvendo. Mas Jack se apresentou no momento propício com as palavras idôneas na época. Sem a perseverança de Jack e  a confiança  que  tinha  em  A.A.,  é possível  que  muitos  tivessem  morrido  sem  conhecer a 
descoberta  e  experimentado  o  sucesso  de  uma  nova  forma  de  recuperação.  Bill  W.  e  os  demais pioneiros perceberam a dívida que tinham com Jack e nunca deixaram de se sentir agradecidos com o repórter estelar que no começo acreditou que o estavam provocando. 

8.10.  Bernard B. Smith (1901-1970) 
Box 4-5-9, Out. Nov. / 2008 (pág. 3 a 5) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov08.pdf 
Título original: “Bern Smith: Uno de los principales arquitectos de la Conferencia de Servicios Generales”. 
Nas  últimas  horas  da  tarde  de  um  dia  de  1944,  três  homens chegara  ao  escritório  de  Bernard.  B.  Smith, um  proeminente advogado  de Nova York especializado  em  Direito  Societário  e Comercial.  O  objetivo  dos  três  homens  era  a  contratação  do advogado  para  a  formação  de  uma  sociedade que  seria conhecida como “Fundação do Alcoólico”. Smith, conhecido entre seus amigos como “Bern”, não sabia muita  coisa  a respeito  do  alcoolismo  ou de  Alcoólicos  Anônimos. Mas, imediatamente ficou impressionado com o cofundador de A.A., Bill W., um dos três visitantes. Mais tarde, Bern descreveria Bill como “um homem de aspecto parecido com Lincoln, porém sem barba, alto e esguio, vestido com um terno amassado”.Intuitivamente, Bern sentiu que gostaria de conhecer a Bill, e convidou-o para jantar essa mesma noite. (Bill aceitou de bom grado e Bern mais tarde pensou que a perspectiva de um bom jantar poderia ser muito atraente para Bill naquela fase de dificuldades na sua vida). Bern lembrou que durante o jantar, mantendo seu comportamento de advogado, começou a interrogar a Bill a respeito do que poderia ter A.A. para tornar possível a um alcoólico alcançar a sobriedade.  “Nessa  noite  fiquei sabendo  que  A.A.  tinha  uma  base espiritual”, disse.  “Ele  me explicou que um alcoólico que deixou de beber pode  ajudar outro que ainda bebe. Naquela noite fiquei sabendo que não foi pela ciência nem pelo uso de revigorantes ou tranquilizantes psíquicos que  Alcoólicos  Anônimos  estava  conseguindo deter a  doença  do  alcoolismo,  mas  através  de permanentes  preceitos  de  humildade,  honestidade,  devoção  e  amor,  A.A.  começava  a  ter  sucesso onde outros esforços para resolver o problema do alcoolismo tinham fracassado”.Isto  foi  o  começo  de  uma  amizade  que  iria  durar  até  a  morte  de  Bern em 1970.  Ele  logo chegaria  a  Custódio  não  alcoólico  e,  posteriormente,  presidente  da  Junta  de  Serviços  Gerais. Também se converteria num forte aliado de Bill, numa Junta que às vezes ficava dividida a respeito de determinados assuntos. Uma de suas contribuições mais importantes foi o apoio que deu a Bill 
para estabelecer a Conferência de Serviços Gerais.  O conhecimento por parte de Bern dos aspectos legais e práticos contribuiu de tal maneira no planejamento da Conferência, que Bill o chamou de se “arquiteto”. Mas Bern manteve-se no segundo plano na maior parte do tempo, e a Irmandade em geral o conhecia apenas pelas referências que Bill fazia a ele nas suas palestras e lembranças. Bern  era  natural  de  Nova  York,  nascido  no  Bronx  o  dia  23  de dezembro  de  1901.  Ali  foi criado e formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, antes de iniciar uma bem sucedida carreira de advogado. Morou em Manhattan com sua mulher Sylvia e suas duas filhas. Os  pais  de  Bern  tinham  emigrado  da  Rússia  para  os EUA, onde  seu  pai trabalhou  na indústria do vestiário.  A família  estava fadada  ao  sucesso;  Carl,  o  irmão  mais  velho  de Bern,  distinguiu-se como  professor  de pediatria na  Faculdade  de  Medicina  da Universidade de Cornell. Sua irmã, Josephine, graduou-se no Hunter College  e  chegou a ser professora  no  ensino primário. Tanto Carl quanto Bern  escreveram  artigos  e  livros  nas  suas  respectivas  áreas. Os  escritos  de  Carl  a  respeito  das  doenças do sangue em criança tinham  elevada  consideração,  e  Bern  escreveu  sobre  comercio internacional, a indústria da construção e a televisão. Em  1957 Bern foi nomeado Comandante Honorário da Ordem do Império Britânico pela rainha Elizabeth (esquerda). No começo, parecia estranho que Bern sentisse tanta atração por A.A. Não havia alcoolismo na  sua  família,  e  ele  se  descrevia  como  um  bebedor  moderado  que  nuca  teve  problemas  com  o álcool.  Mas  lembrava  de um  amigo  sensível  e  muito  talentoso  que  tinha  morrido  por  causa  do alcoolismo.  Este  amigo  tinha  sido  contratado  para  fazer  um  mural  e tinham-se  adotado  medidas especiais  para  mantê-lo  sóbrio  enquanto  realizava  o trabalho.  Porém,  antes  de  concluir  o  projeto amarrou  uma bebedeira  mortal.  Não  conseguiram  encontrar  nenhum  artista  com  seu  talento  para substituí-lo  e  o  mural  nunca  foi  concluído.  Nas  palavras  de Bern,  o  mural  ficou  como  “um monumento a um artista supremo, e o espaço em branco como o tumulo de um alcoólico”.Inclusive durante seu primeiro encontro com Bill, Bern contagiou-se com o que ele via como o milagre de A.A. e o que estava fazendo no mundo,  embora a Irmandade, em  1944, tivesse apenas uns 10.000 membros – mas crescia muito rapidamente.Ele se lembrava de outros amigos alcoólicos aos quais não pôde ajudar, a através de Bill soube  porquê seus tímidos esforços tinham fracassado. “Raríssimas vezes, talvez alguma, um não alcoólico  pode ajudar um alcoólico”,disse numa sessão na Convenção Internacional de A.A. de 1965 em Toronto, Canadá. “Conforme  Bill  falava  comigo  aquela  tarde  percebi que  alguma  coisa  muito  importante 
estava acontecendo na sociedade humana”,disse referindo-se ao seu primeiro encontro  com Bill. “Certamente foi uma das tardes mais estimulantes da minha vida. E tal como me foi pedido, comecei a formalizar a Fundação do Alcoólico como corporação e pouco depois iniciei meus 21 anos como servidor Custódio”.(Seu período de serviço em A.A. alcançou 26 anos).Inclusive  nessa  fase  inicial,  Bill  disse  a  Bern  que  desejava  estipular  que houvesse uma maioria de não alcoólicos na Junta de Custódios e diretores da Fundação. Quando Bern perguntou o porquê esta distinção seria necessária, Bill explicou que os alcoólicos recuperados em A.A. estavam apenas  a  um  trago  de  voltar  ao  desastre.  Bern  incluiu  este  requisito  na  Carta  de Constituição da Fundação embora se tenha visto obrigado a se referir aos membros alcoólicos como “ex-alcoólicos”, um termo não utilizado pelos membros de A.A. 
Quando  Bern  apresentou  a  solicitação  para  inscrever  a  Carta  de  Constituição  em  nome  da Junta, o secretário do Estado de Nova York encarregado de recebê-la observou que alguns Custódios eram  não  alcoólicos  e  outros  alcoólicos.  Preocupado com  essa  diferenciação,  perguntou  a  Bern, “Como você pode distinguir esta diferença do ponto de vista legal?”.Não foi fácil responder, mas a Bern finalmente lhe ocorreu esta explicação que satisfez os especialistas em leis:  “Sentem todos em volta de uma mesa e ponham um uísque com soda na frente da cada um. Os que não o bebam são os alcoólicos”.A explicação funcionou e a Junta obteve sua Carta Constitutiva. O serviço de Bern começou quando Bill se encontrava no processo de desenvolvimento das 
Tradições, que finalmente seriam aprovadas na Primeira Convenção Internacional de Cleveland, em 1950. Embora Bill tenha escrito os Doze Passos em 20 ou 30 minutos, a preparação e aprovação das Doze Tradições, iria-se prolongar ao longo de vários anos. Bern se lembrava de não estar totalmente de  acordo com  Bill  a  respeito  de  adotar  a  Sétima  Tradição,  que  diz  que  A.A.  não  deve  aceitar contribuições alheias à Irmandade. “Bill precisava insistir reunião após reunião sobre as razões pelas quais A.A. deveria ser autossuficiente e porquê não deveria aceitar ajuda  financeira do mundo não alcoólico”, lembrava Bern, ao mesmo tempo que indicava que Bill e Lois viviam então em  “estado de necessidade”,e a Junta gostaria de ter mais dinheiro para poder ajuda-lo a levar uma vida um pouco mais cômoda. Apesar  desse  estado  de  necessidade,  Bill  persistiu  na  ideia  e  essa  Tradição,  como  as outras, finalmente tomou forma. Bern confessou que teve momentos de dúvidas quando, como presidente, tinha que assinar cartas rejeitando milhares de dólares em doações e presentes. Entretanto, Bern diria mais  tarde,  Bill  sabia  que  uma  sociedade  com  baseada  na  espiritualidade  tal  como  Alcoólicos Anônimos deveria isolar-se das pressões materialistas que, não fosse por esta Tradição,  “poderiam vulnerar a unidade desta grande Irmandade”. Os membros  de  A.A. costumam  acreditar  que  não  há  coincidências  e  que  boas  coisas acontecerão à Irmandade sob a orientação de Deus. Parece ser algo providencial o fato de Bern estar na Junta de Serviços Gerais em  1951 quando Bill começou a apresentar a ideia de uma Conferência de Serviços Gerais para representas a Irmandade de  Alcoólicos Anônimos no seu nível básico. Bill acreditava, e Bern também, que no futuro a Irmandade poder-se-ia dividir se o Escritório de Serviços Gerais e suas funções não estiverem vinculados a um organismo representativo da Irmandade em seu conjunto. Acreditavam que uma Conferência de Serviços Gerais era essencial para a continuidade da Irmandade. Por diversas razões, houve resistências a esse plano. Alguns membros da junta, assim como membros de A.A. de algumas cidades, se opunham à formação de uma Conferência. Bern acreditava que  alguns  Custódios  se  atribuíam o  “direito  de servir  com  exclusividade”  e  a  Conferência  de Serviços Gerais iria retirar-lhes esse direito. Bern percebeu que ganhar cooperação “resultou ser uma tarefa muito mais difícil do que Bill e eu tínhamos imaginado”.“Finalmente, depois de um exaustivo debate e por maioria de apenas um voto, foi aprovada a resolução  de  realizar  uma  única  Conferência  experimental”, lembrou  Bern  em  1970.  Esta Conferência  não  teve  nenhuma  autoridade  real.  Foi seguida  de  outras  três  Conferências “experimentais”nas que Bern serviu como presidente, até a Convenção Internacional de 1955 em St. Louis, onde, oficialmente, Bill deixou de ser líderde A.A. e  a Conferência de Serviços Gerais se converteu  numa  parte  permanente  da  estrutura  de  A.A.  e  numa  força importante  nas  funções  de serviço de A.A. Bern indicou que haviam sido necessárias mais três  Conferências  “experimentais”,além da de  1951, antes  da proposta  de  torná-la  uma  parte  permanente  de  A.A.  Tanto  Bill  quanto  ele concordavam que  as mudanças dentro de A.A. nunca deveriam ser feitas de maneira abrupta, que devemos nos assegurar de estar certos antes de efetuar qualquer mudança. A Bern parecia-lhe que a fortaleza intrínseca da Irmandade era tanta, que sempre ira haver tempo suficiente para mudanças. O mesmo princípio teve continuação anos mais tarde, quando foi mudada  a composição de Junta de Serviços  Gerais  para  ter  uma  maioria  de  membros  alcoólicos.  Bern  tinha  apoiado  durante  algum tempo  essa mudança  e, inclusive  numa  ocasião  propôs que  se  demitissem  todos  os  membros  não alcoólicos.  Esta  proposta  de  mudança  brusca  foi  rejeitada, embora  com  o tempo  os  membros alcoólicos chegassem a ser maioria. (N.T.:Em 1966, mudou a relação de Custódios alcoólicos e não alcoólicos  na  Junta de  Serviços Gerais:  eram  15  membros,  sendo  oito  não  alcoólicos  e  sete alcoólicos  e  passaram  para  21  membros,  14  alcoólicos  e  sete  não alcoólicos  dando,  assim,  aos Custódios alcoólicos a atual maioria de dois terços.).Bern  prestou  um  grande  serviço  à  Irmandade,  mas  sempre  deixou claro  que  ele  tinha-se beneficiado de seu programa espiritual. Nas palestras que proferiu nas Convenções Internacionais, falava  como  não  alcoólico,  mas  também  dava  mostras  de  que  acreditava  no  programa  de  A.A.  e aliviava seus princípios na sua própria vida. Sua irmã Josephine acredita que A.A. lhe satisfez uma grande necessidade espiritual. Nas suas palestras em assembleias de A.A. dava a impressão de que Bern  falava  como  um  membro,  não  como alguém não alcoólico. Na  Convenção  Internacional  de A.A. em 1970, em Miami Beach, pronunciou uma das suas melhores palestras. Embora Bill estivesse presente por alguns breves momentos, estava demasiado doente para participar de forma ativa, Bern o substituiu e proferiu uma palestra muito inspiradora sobre a unidade e a continuidade em A.A. Esta foi sua última palestra num evento de A.A. Embora tivesse um aspecto vigoroso e cheio de energia na Convenção, um mês mais tarde sofreu um ataque cardíaco mortal na sua casa em Nova York. Tinha 68 anos de idade e sua morte repentina provocou grande comoção na sua família e entre seus amigos. Bill W. que faleceu em janeiro de 1971, descreveu a morte de Bern como uma grande perda pessoal “porque  me  apoiei nele durante  muitos  anos.  Podia  contar  sempre  com  seus  sábios conselhos apenas pedindo-os; desde o começo desfrutei de sua calorosa amizade”.E acrescentou, “desde esse mesmo começo, Bern Smith compreendeu os princípios espirituais em que a Sociedade de Alcoólicos Anônimos se baseia. É muito raro encontrar uma compreensão parecida em pessoas alheias  à  Irmandade.  Mas Bern nunca foi uma pessoa alheia. Não  apenas compreendia  a nossa Irmandade, mas também acreditava nela”.
Leia também: 
“Bernard B. Smith”, artigo de Bill W. em“A Linguagem do Coração”, pág. 446 – Junaab, código 104 

8.11.  Dr. John L. Norris (Dr. Jack) (1903-1989) 
Box 4-5-9, Abr. Mai. 1989 (pág. 6-7) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_april-may89.pdf 
Título original: “In Memoriam- John L. Norris, M.D. (El Dr. Jack)”. 
O trabalho do Dr. Jack Norris estava tão entrelaçado com a história de Alcoólicos Anônimos, Irmandade que dirigia e servia, que é difícil fazer diferenças entre os dois. A convite do cofundador Bill W., o Dr. Jack se tornou Custódio não alcoólico da antiga Fundação do Alcoólico – atual Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos, em janeiro de 1951. Serviu como presidente desde 1961 até  1978,  quando  se  aposentou,  mas  continuou  como  presidente emérito,  posto  em  que  continuou trabalhando  com  dedicação  até  a  sua  morte  em  13  de  janeiro  de  1989.  Assim,  serviu  de  maneira extraordinária a Irmandade durante 38 dos 54 anos que A.A. tem de existência (1989). Durante  estes  38  anos  assistiu  a  todas  as  Conferências  de Serviços  Gerais que foram  celebradas;  esteve  presente  em  todas  as reuniões  trimestrais  da  Junta, exceto quando  ficava doente, o que acontecia com bastante frequência; assistiu  a  todas as  Convenções Internacionais;  assistiu  a  todos  os  Fóruns  Regionais  e  a  todas  as Reuniões  de  Serviço  Mundial  durante os  17  anos que  serviu  como presidente. Bob H., antigo diretor geral do Escritório de Serviços Gerais – ESG, no seu discurso de despedida na Conferência de  1977, disse dele: “Lembrem-se  deste  homem  com  amor.  Nunca  veremos  outro parecido”.  E  os  AAs  do  mundo  todo  o  apreciaram  enquanto  viveu e continuarão a fazê-lo enquanto Alcoólicos Anônimos existir. John Lawrence Norris nasceu em Dorchester, Massachussets, no dia 24 de setembro de 1903. Graduou-se em Dartmouth College em  1925 e, três anos mais tarde, na Faculdade de Medicina  de Dartmouth. Recebeu seu título de Doutor em Medicina na McGill University em 1931. O jovem doutor abriu um consultório particular em New London, New Hampshire. Naquele então,  a  Companhia  Eastman  Kodak de  Rochester, ofereceu-lhe  um  emprego  como  Diretor Assistente de Medicina e ele aceitou. Era um campo novo, onde o Dr. Jack se converteu num líder, servindo  mais tarde  como  Presidente  da  Academia  de  Medicina  Ocupacional  Norte-americana,  a Associação de Medicina Industrial e a Academia de Medicina preventiva do Estado de Nova York. O Dr. Jack confessou que em seus primeiros anos em Rochester, ele era um bom exemplo do médico  que  “não podia distinguir  o  alcoolismo  de  uma  úlcera”. Isso  dizia  ao  se  referir  à  sua introdução em A.A. em 1941, história esta que gostava de contar. Um diretor da Kodak de nome Bert tinha sido enviado a ele com dores no estômago, os quais o Dr. Norris diagnosticou como sendo uma ulcera. Durante várias semanas o paciente ficou em  casa recebendo salário, até que uma enfermeira que o visitava alertou o doutor que a “úlcera”era uma fachada para esconder o alcoolismo. Quando  o  Dr.  Norris  pediu  a  Bert  para  voltar  ao  consultório,  o  empregado  admitiu  sem rodeios que tinha um problema com a bebida. O doutor tomou uma atitude revolucionária naquele tempo, mas que se converteu na norma dos programas empresariais mais tarde; disse-lhe, “Junte-se a A.A. (o  Dr.  Jack  tinha  ouvido  falar  do  programa,  mas  sabia  pouco  a  seu  respeito),  procure  um trabalho em outro lugar e, quando ache que está pronto, volte aqui”. Bert fez isso. E uns sete meses mais  tarde,  reapareceu  com  a  saúde  boa  dizendo  “Sou  libre,  libre  por  fim”. A  Kodak  voltou  a contratá-lo e deu-lhe um cargo de responsabilidade. Bert  e  o  Dr.  Jack  converteram-se  numa  equipe,  usando  a  mesma  magia  com  outros empregados  que apresentavam  sintomas  de  alcoolismo.  “Eu  diagnosticava  o  problema  e  falava  a dura e curta verdade”, explicou o Dr. Jack. “Então chamava a Bert para que ele continuasse com o trabalho. Nosso índice de sucesso era muito bom”.  Bert também se tornou  “padrinho AA”do Dr. Jack e o levava a reuniões, incluindo duas grandes reuniões públicas no final dos anos de 1940 onde falou  Bill  W.  O  Dr.  Jack  ficou  muito  bem  impressionado.  E  a  Bill  também  lhe impressionou  o doutor, uma vez que já em 1950 lhe telefonou para convidá-lo a servir como Custódio. Desde  aquele  tempo,  A.A.  tornou-se  vinte  vezes maior  –  4.000  Grupos  com aproximadamente 100.000 membros em  1951 passou para 80.000 Grupos e 1.500.000 membros em 1989,  e  o  Dr.  John  L. Norris  teve  um  papel  muito  importante  neste  desenvolvimento.  Enquanto servia como membro da Junta, participou de muitas ações de grande responsabilidade. Por exemplo, durante onze anos, sem sucesso, Bill tinha tratado  de convencer a Junta para aceitar a mudança da proporção  de  Custódios alcoólicos  e  não  alcoólicos. Finalmente,  depois  de  uma  curta  e  simples conversa do coordenador – o Dr. Norris, a Conferência de  1966 aceitou  a proposta de maioria de Custódios alcoólicos (N.T.:Em 1966, mudou a relação de Custódios alcoólicos e não alcoólicos na Junta de Serviços Gerais: eram 15 membros, sendo oito não alcoólicos e sete alcoólicos e passaram para  21  membros,  14  alcoólicos  e  sete  não  alcoólicos  dando,  assim,  aos  Custódios alcoólicos  a atual maioria de dois terços.).O Dr. Norris também concebeu a ideia dos Foruns Regionais, como um  meio  para  aumentar  a  confiança  e melhorar  a  comunicação  entre  os  membros  da  Junta  e  do pessoal do Escritório e os trabalhadores de serviçonas diversas regiões. Embora o Dr. Norris não tenha cunhado a frase “preenchendo o vazio”(entre o tratamento ativo e a vida sóbria em A.A.), escreveu um artigo definitivo a respeito desse tema em 1972. O ESG ainda  o  distribui  em  inglês.  Também  empreendeu  uma  campanha  com  40  anos  de  duração  para aumentar o conhecimento sobre o alcoolismo e melhorar a compreensão de A.A. entre os médicos e outros profissionais. Sempre incentivou os membros a “apadrinhar seus doutores”.
Fora de A.A., o Dr. Norris ganhou reconhecimento mundial como autoridade no alcoolismo. Em  1962,  Nelson  Rockefeller  nomeou-o  Presidente  da  Junta Conselheira  do  Governador  para  o Alcoolismo. Serviu como membro da Junta de Diretores do Conselho Nacional sobre o Alcoolismo, o qual, em  1977, lhe outorgou sua mais alta honraria, o Premio Chave de Ouro. É possível que o maior presente que o Dr. Norris deu Á Irmandade foio que nos chegou imediatamente após a morte de Bill W. Em todos os lugares os AAs se perguntavam uns aos outros: “O que irá acontecer agora? A.A. irá sobreviver sem Bill?”. À presença serena e tranquilizadora do Dr. Jack– e especialmente ao afeto e respeito que os AAs tinham por ele, geralmente foi atribuído o mérito de haver mantido A.A. forte  e  unida  durante  esse  breve,  mas  decisivo  período.  Pouco  Tempo  depois  A.A.  entrou  numa época sem paralelo de crescimento, saúde robusta e harmonia desacostumada. No  dia  20  de  janeiro  de 1989 foi  celebrado  um  serviço  comemorativo  para  o Dr. John L Norris na igreja Batista  de New  London. Entre  os presentes na capela  estavam Ellie e seus  filhos David  e  Richard  e  suas  famílias,  incluindo  quatro netos (outro  filho,  Robert,  não  pode  assistir). Também presentes estavam os membros da Junta de Serviços Gerais e uma multidão de membros de A.A.  Em   conformidade  com  o  desejo  do  Dr.  Jack,  foi  um  serviço  “ao  estilo  A.A.” incluindo reflexões e lembranças por parte dos presentes, a Oração da Serenidade, e a Oração preferida do Dr. Jack,  a  Oração  de  São  Francisco.  Através dos séculos,  fala da vida deste homem: “é dando que recebemos”.
Para saber mais: 
1)  Em 1996, foi presenteado o exemplar de nº  15.000.000  do livro  Alcoólicos Anônimosa Ellie Norris, viúva do Dr. John L. Norris. 
2)  Em  março  de  1978,  o  Dr.  Norris,  então  Presidente  a  Junta  de  Custódios  dos  EUA/ Canadá, esteve em Belo Horizonte, MG, para participar do Quinto Conclave Nacional -  que  a  partir  de  então  se  chama  Convenção  Nacional),  e  da  II  Conferência  de Serviços Gerais. 

8.12.  Nellie Elizabeth Wing (Nell Wing) (1917-2007) 
Box 4-5-9, Abr. Mai. / 2007 (pág. 7) => http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_april-may07.pdf 
Título original: “Recordando a Nell Wing” 
Nell Wing, não alcoólica, primeira arquivista de A.A. e amiga de  muitos  AAs  do  mundo  inteiro,  morreu  no  dia  14  de fevereiro  de 2007 aos 89 anos de idade. Em  1947,  Nell,  recém-licenciada  do  SPARS  –  a  secção feminina da Guarda Costeira dos EUA - estava a caminho do México para estudar arte. Precisando de um trabalho temporário, passou pero Escritório de Serviços Gerais de A.A. – ESG, e 35 anos mais tarde, em 1982 lá se aposentou. Nell  serviu primeiro  como  secretária  de  Bill  W.  Foi numa época em que as Tradições começavam a emergir, a Junta de Serviços Gerais  não  existia  e  a  Junta  de Custódios  de  Serviços  Gerais  estava começando a descobrir seu papel. Nell descobriu muito rápido a importância da correspondência de Bill e outros materiais. Começou a procurar nas lixeiras e a guardar materiais  que  viriam  ser  a  base  dos  Arquivos  Históricos  do  ESG,  e seriam indispensáveis para os pesquisadores, escritores e membros de A.A. nos anos vindouros. Em 1973 foi  formado  o  Comitê  dos  Arquivos Históricos dos Custódios, e pouco depois Nell apareceu no show de Dick Cavett para falar do tema do alcoolismo. Ela fez uma explanação tão boa do valor espiritual  e  psicológico  das  Tradições  de A.A.  que  um  membro daquele tempo exclamou, “Não sendo membro de A.A., capta muito bem o programa”.Em 1975, foram inaugurados oficialmente os Arquivos Históricos de A.A. numa cerimonia presidida  por  George  G.,  naquele  então  o  coordenador  do  Comitê  de  Arquivos  Históricos  dos Custódios. Lois W., a viúva de Bill, cortou a fita e Nell Wing foi sua arquivista. Nell conhecia todo mundo e se lembrava de tudo. Era uma mina de informação sobre A.A. A única  coisa  que  era  preciso  fazer  era  dizer  o  nome  de  um  evento  e  Nell  dava  toda  informação  a respeito  dele.  Sempre  otimista,  com  um  belo sorriso encantador,  nunca  falava  algo  negativo  para ninguém; um antigo membro do pessoal do ESG, GeorgeG, disse  “Com Nell os assuntos de A.A. 
eram uma obra de amor”.Em 1992, foi publicada a história de Nell “Agradecida por haver estado ali”.“Desde  o  começo”, lembrava  Nell,  “cativou-me  a Irmandade  de  A.A.,  especialmente  pelo carinho. Não era um carinho pelo próximo no sentidogeral, mas um  carinho pessoal, um amor do um pelo outro sem pensar em recompensa”. 
http://storiesofrecovery.org/downloader/index.php?historic/NellWing.mp3 
Nellie Elizabeth Wing com o 
Prêmio Lasker, dado a Alcoólicos Anônimos em 1951, um presente de Albert e Mary Lasker, por recomendação de 12.000 médicos da Associação da 
Saúde Pública dos EUA. 
http://www.barefootsworld.net/aa-nellwing.html 
Para saber mais veja: 
“A origem dos Arquivos Históricos de A.A.” em:
Box 4-5-9, Out. Nov. 2005 (pág. 3 a 5) =>http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_oct-nov05.pdf 

8.13.  Pastor Professor Joaquim Luglio 
‘Como vai, Jovem?’ 
Texto integral transcrito com permissão deEloy T. 
Em  1983, por ocasião da VII Conferência de Serviços Gerais, conheci os três custódios não alcoólicos, recém-eleitos. Entre eles, destacava-seum homem especial – o Pastor Professor Joaquim Luglio. O Pastor Joaquim era um homem pobre que vivia de um  pequeno ordenado como pregador evangélico do púlpito da Igreja Maronita de Valinhos, Estado de São Paulo. Para melhorar sua parca renda, dava aulas particulares de inglês. Mas não paravam aí as suas atividades: como voluntário, sem qualquer remuneração, fazia parte do Conselho de Curadores da Santa Casa de Misericórdia de Valinhos. Desempenhou esse mister por mais de 20 anos e em certa ocasião foi o Curador Provedor daquela Instituição. E,  agora,  também  sem  qualquer  remuneração,  passou  a servir  aos  Alcoólicos  Anônimos, como  custódio  não  alcoólico  da  Junta  de  Serviços  Gerais, desempenhando  a  função  específica  de tesoureiro. No desempenho de suas funções deslocava-se semanalmente a São Paulo, sede do Escritório de Serviços Gerais, às suas próprias expensas, já que o Escritório não tinha recursos para pagar-lhe a viagem. Desempenhou essa função por nove anos consecutivos (três mandatos) e durante esse período trabalhamos juntos.  Para  que  se  possa  aquilatar  a  capacidade  de  doação  desse  homem,  devemos lembrar que em  1986 a Irmandade passava por sérios problemas financeiros. Havia muito serviço no escritório  e  não  podíamos  pagar  mais  que  uma  funcionária.  O  Pastor  Joaquim  passou,  então,  a acumular as funções de tesoureiro com a de funcionário  full-time(em tempo integral) do escritório, ao  lado  da  única  funcionária  paga.  Passou  a  deslocar-se  de Valinhos  a  São  Paulo  diariamente, pagando  suas  passagens  e  suas  refeições  (quando  podia  fazê-las).  Jamais  o  vimos  queixar-se  ou solicitar reembolso. Ainda nesse ano aconteceria a  Convenção Nacional de João Pessoa-PB, e, para auxiliar  na  organização,  para  lá  se  dirigiu  o  Pastor  Joaquim que  passou  a  dormir  em  uma  cama improvisada (um colchonete estendido ao chão), dentro do Escritório Local do A.A. daquela cidade. Acompanhei  de perto  essa  jornada.  Ficou  muito  triste  quando,  vencido  o  terceiro  mandato estatutariamente permitido, teve que se afastar. Mesmo assim, passou a frequentar os Grupos de sua região,  fazendo  palestras  sempre  que  solicitado.  Pastor  Joaquim  aposentou-se  de  sua  tarefa ministerial  por  decurso  de tempo,  auferindo,  assim, uma  modesta  renda  mensal.  Às  vezes  me telefonava:  “Ó Jovem  (era assim que tratava a todos),preciso de uma informação para incluir em minha palestra, podes me ajudar?” Foi assim sempre o nosso relacionamento. Há  pouco  mais  de  um  ano  o  Pastor  Joaquim foi acometido de  grave  doença  (Malde Alzheimer)  e  necessitou  de  atenção  especial.  Foi  internado  em  uma  Clinica  de  Repouso.  Sua dedicada esposa, Dona Ruth, não quis deixá-lo só e internou-se juntamente com ele, apesar de sadia. Somadas as aposentadorias de ambos, dava para o pagamento da internação, mas não dava para os remédios.  Sua  filha  e  genro,  sem  vastos  recursos,  assumiram  esses  encargos,  auxiliados  por  uns poucos  membros  da  Irmandade (seis  ou  oito,  se  tantos)  que  passaram  a  contribuir  com  pequena mensalidade para cobrir as despesas extras. Em 28 de agosto último (2012) faleceu o Pastor Joaquim Luglio. Dois meses antes fomos eu e mais dois companheiros visitá-lo e passamos a tarde com o casal. Já não nos reconheceu. A doença 
já estava em estado adiantado. Mas saímos consolados por haver dedicado algumas horas a ele. Ele, o abnegado servidor, aquele que soube sempre doar-se aos necessitados. Que  Deus  tenha  com  Ele  o  Jovem  Joaquim  Luglio,  a  quem  a  Irmandade  de  Alcoólicos Anônimos  muito  deve,  exemplo  de  doação ao  próximo.  Seu  nome  estará  gravado  nas  páginas  da história do A.A. no Brasil como exemplo de doação pessoal e amor ao próximo. 

8.14.  Tributo a Anne Ripley Smith – “A mãe de A.A.”
Oak Park, Illinois,03 de março de 1881
Akron, Ohio,01 de junho de 1949
A.A. Grapevine,junho 1950 
Editorial 
De alguma forma, acredito que a amada Anne do  Dr. Bob prefira  esta  homenagem  simples,  mas  agradecida,  a  uma  contendo linguagem extravagante e alardeando frases que somente serviria para ocultar uma vida com um significado profundo. É de se duvidar que, agora, apenas um ano após sua morte, que o verdadeiro  significado  da  vida  de  Anne  Smith  tenha-se  realizado. Certamente, o calor de seu amor, o charme da sua personalidade e a força  da sua  humildade  ainda  estão  muito  presentes  naqueles  de  nós que a conhecemos. Anne Smith era muito mais do que uma graciosa dama.Ela foi uma das quatro pessoas escolhidas por uma entidade mais elevada para realizar um serviço para a humanidade. O quão grandiosa foi sua contribuição, somente o tempo e uma inteligência além do entendimento humano poderão determinar. Junto com o Dr. Bob, Lois e Bill  W.,  Anne  Smith  entra  para  a história,  não como uma  heroína,  mas  como  alguém  disposto  a aceitar a vontade de Deus e pronto para fazer o que precisava ser feito. Sua  cozinha  era seu  campo  de batalha  e,  enquanto  Anne  servia  café  preto  estava  sendo travada  uma  batalha  que  levou  à  salvação da minha vida. Foi ela, talvez, quem primeiro compreendeu o milagre que aconteceu entre Bill W. eo Dr. Bob. E, nos anos que se seguiram, foi ela que teve a certeza divina de que o que tinha acontecido em sua casa iria acontecer em outras casas de novo, de novo, e de novo. Anne compreendeu a simplicidade da fé. Talvez seja  por isso que Deus a escolheu para nos ajudar. Talvez por isso Anne nunca tenha pensado emsi mesma como “uma mulher predestinada”e foi por isso que conduziu seu trabalho em silêncio.Talvez por isso, quando ela dizia a uma esposa em  desespero  por  causa  do  alcoolismo  do marido,  “venha,  minha  querida,  você está  entre amigos agora  –  amigos  que  a  compreendem”,  o  medo  e  a  solidão  desapareciam.  Talvez  por  isso  Anne sempre se sentava no fundo da sala nas reuniões, para que pudesse ver os recém chegados como eles vinham, tímidos e inseguros... E dar-lhes as boas-vindas. Assim, da maneira mais simples que conhecemos, e falando pelos AAs de todos os lugares, dizemos  apenas  “Obrigado,  Dr.  Bob,  por  tê-la  partilhado  conosco”. Sabemos  que  ela agora faz parte  de  um  grupo  lá  no  alto,  sentada  bem  atrás,  olhando  para  os  recém  chegados,  ouvindo  seus nomes e dando-lhes as boas-vindas. 
http://www.barefootsworld.net/aa-annesmith.html 
N.T.:Em seu tributo a Anne, Bill W. escreveu:  “...Anne era a esposa do Dr. Bob, cofundador de Alcoólicos Anônimos. Era, literalmente, a mãe de nosso primeiro Grupo, o Número Um de Akron. 
Seu  conselho  bom  e  sábio.  Uma  insistência  em  antepor  o  espiritual  com  relação  a  tudo  o mais,  seu  apoio  constante  ao  Dr.  Bob  em  todos  os seus  trabalhos  –  todas  essas  eram  as virtudes que nutriram a insegura semente que chegaria a se converter em A.A. Somente Deus poderá  calcular  o valor  de  semelhante  contribuição. Nós  podemos  dizer  somente  que  era magnífica e inapreciável. Ela foi, no sentido mais  amplo da palavra, um dos fundadores de Alcoólicos Anônimos”. 
Página 415 de “A Linguagem do Coração”, Junaab, código 104. 

8.15.  Tributo a Robert H. Smith – Dr. Bob
Saint Johnsbury, Vermont 08 de agosto de 1879 Akron, Ohio,16 de novembro de 1950A.A. Grapevine, janeiro 1951 Por Bill W. 
 Depois de serenamente dizer para quem o atendia:  “Creio que chegou  a  hora”,  o  Dr.  Bob  faleceu  em  16  de  novembro  de  1950 ao meio  dia.  Assim terminou  a  enfermidade  que  o  consumia,  e  no decorrer  da  qual  nos  ensinou  tão  claramente  que  a  grande  fé  pode superar as graves angustias. Morreu como havia vivido, supremamente consciente de que na casa de seu Pai há muitas moradas. Todos os que o conheciam sentiram-se inundados de lembranças. Mas quem poderia saber quais eram os pensamentos e sentimentos dos 5.000  doentes  dos  quais  ele  se  havia  ocupado  pessoalmente,  e aos quais  havia  dado  gratuitamente  sua  atenção  médica?  Que  poderia recolher as reflexões de seus concidadãos que o haviam visto afunda-se  até quase se  perder  no  esquecimento  para  depois  erguer-se  deste mundo  anônimo  renovado?  Quem  poderia  expressar  a  gratidão  das dezenas  de  milhares  de famílias  de  AAs  que  haviam  ouvido  falar  tanto  dele,  sem  tê-lo  conhecido pessoalmente?  Quais  eram  as  emoções  das  pessoas  mais  próximas  a  ele enquanto  refletiam  com gratidão sobre o mistério da sua recuperação há quinze anos e de suas vastas consequências? Não se poderá  compreender  nem  a mínima  parte  desta  grande  benção.  Somente  se  poderia  dizer:  “Que grande milagre, Deus realizou”.O Dr. Bob nunca haveria de querer que alguém o considerasse como um santo ou um super homem. Também não teria desejado que o enaltecêssemos ou que chorássemos a sua morte. Quase o podemos ouvir dizer que:  “Parece-me que estão exagerando. Não me devem levar tão a sério. Eu era somente um dos primeiros elos dessa cadeia de circunstâncias providenciais que se chama A.A. Pela graça e por sorte este elo não se rompeu; apesar de meus defeitos e meus fracassos poderiam ter levado a esta desgraçada consequência. Eu era mais um alcoólico que tentava se arrumar – com a graça de Deus. Esqueçam-me, mas vão e façam o mesmo. Liguem solidamente seu próprio elo à nossa cadeia. Com a ajuda de Deus, forjem uma cadeia forte e segura”.  Assim é como o Dr. Bob valorizaria a sí mesmo e nos aconselharia. Era  um  sábado  do  mês  de  maio  de  1935.  Encontrava-me  em  Akron  em  função  de  um desafortunado assunto de negócios que em seguida fracassou, deixando-me em um estado de precária sobriedade. Aquela tarde passei dando voltas de um  lado para outro no saguão do Hotel Mayflower de Akron. Ao contemplar o grupo que ia se formando  no bar, começou a me invadir um medo de sofrer uma recaída. Era a primeira grande tentação  desde que meu amigo de Nova York me havia apresentado, em novembro de 1934, o que chegaria a  ser os princípios básicos de A.A. Durante os 
seis meses seguintes, havia-me sentido totalmente seguro da minha sobriedade. Mas agora não havia esperança;  sentia-me  sozinho,  desesperado. Durante os  seis  meses  anteriores  havia  estado trabalhando arduamente com outros alcoólicos. Ou melhor dizendo, havia-lhes passado sermões com um tom bastante arrogante. Cheio de uma falsa segurança, tinha a impressão de não poder tropeçar. Mas desta vez, era diferente. Era necessário fazer algo imediatamente. De uma lista de igrejas colocada em uma das paredes do saguão, selecionei ao acaso o nome de um clérigo. Chamei-o pelo telefone e lhe expliquei a minha necessidade de trabalhar com  um  alcoólico.  Embora  não  houvesse  tido  êxito  com nenhum  deles,  percebi  repentinamente  que  este trabalho  me havia mantido livre do desejo. O clérigo deu-me uma lista de dez nomes. Ele estava certo de q1ue algum deles me  poderia indicar um caso que necessitasse de ajuda. Apressei-me em ir ao meu quarto e comecei a chama-los. Porém meu entusiasmo foi diminuindo rapidamente. Das primeiras nove pessoas que chamei, nenhuma podia, ou queria, sugerir nada que  pudesse satisfazer minha urgente necessidade. Restava somente um nome na lista Henrietta  Seiberling. Por alguma razão, não  conseguia armar-me de suficiente  coragem para marcar o  número. Porém, depois  de dar uma olhada no bar, 
algo em meu interior me disse: “É melhor que o faça”.Para meu grande assombro, uma voz cálida, com  sotaque  do  sul,  respondeu-me.  Henrietta assegurou-me  que  me  entendia  e  me  perguntou  se poderia ir à sua casa imediatamente.  Em virtude de que havia enfrentado outras calamidades e superou-as, ela sem dúvida entendia a minha.  Iria desempenhar um papel vital na série de acontecimentos fantásticos que  rapidamente contribuiriam para o nascimento e desenvolvimento da nossa Irmandade. De todos os nomes que o St. Johnsbury, Vermont. Casa onde o Dr. Bob nasceu. serviçal pastor havia-me dado, ela era a única que  havia se interessado o suficiente. Quero expressar aqui a nossa eterna gratidão. Não demorou em me contar a crítica situação do Dr. Bob e de Anne. Unindo a ação à palavra telefonou para a casa deles. Quando Anne respondeu, Henrietta me descreveu como um alcoólico sóbrio de Nova York que, tinha  certeza,  poderia  ajudar  a  Bob.  Aparentemente, o bom doutor havia esgotado todos os recursos médico se espirituais para o seu problema. Em seguida Anne disse: “O  que  você  diz  Henrietta,  é  muito  interessante.  Mas receio que agora não podemos fazer mais nada. Por ser 
o Dia das Mães,  meu querido Bob acaba de me trazer uma  planta  muito  bonita.  A  planta  está  na  mesa,  mas, infelizmente,  Bob  está  no  chão. Podemos nos  ver amanhã?”. Henrietta convidou-os para vir jantar no dia seguinte. Na tarde seguinte, as cinco em ponto, Anne e o Dr. Bob apresentaram-se na casa de Henrietta. Ela  diretamente  nos  conduziu  ao  Dr.  Bob  e  a  mim,  para  a  biblioteca.  O  Dr.  Bob  me  disse: “Encantado em conhecê-lo Bill Mas acontece que não  posso ficar muito tempo, somente cinco ou dez  minutos,  no  mais  tardar”.  Ri,  e  lhe  disse:  “Parece  que  tem  muita  sede,  não?”. Replicou-me: 
“Bem, parece que depois de tudo entende bem este assunto de bebida”.Dessa forma começou uma conversa que durou várias horas. Desta vez a minha atitude foi muito diferente. Meu medo em me embebedar havia produzido uma  mais  apropriada  humildade.  Depois  de  contar  a  minha história ao  Dr. Bob,  expliquei-lhe  o quanto precisava dele. Se me permitisse ajuda-lo, talvez pudesse manter-me sóbrio. Assim começou a crescer para a luz a semente que iria dar nascimento a A.A. Porém, como já havia adivinhado a nossa  querida  Anne,  esse  primeiro  broto  era  muito  fácil,  Era  melhor  que  tomássemos algumas medidas  práticas.  Convidou-me  a  passar  uma  temporada  em  sua  casa.  Dessa  maneira  eu  poderia vigiar o Dr. Bob e ele a mim. Esta era a chave da questão. Talvez pudéssemos fazer juntos o que não podíamos fazer sozinhos. Além do mais, era possível que pudesse reavivar esse assunto de negócios tão pouco promissor. Durante os três meses seguintes, vivi com este maravilhoso casal. Acreditei sempre que eles me  deram  mais  do  que eu possa  ter-lhes  dado.  A  cada manhã  havia  um  período  de  recolhimento. Depois  do  longo  silêncio,  Anne  lia  uma  pequena  passagem  da  Bíblia. Nosso favorito  era  Tiago. Sentada  na  sua  poltrona  num  canto  da  sala,  terminava  sua  leitura  dizendo  suavemente:  “A  fé  sem obras, é fé morta”. Mas as angústias alcoólicas do Dr. Bob ainda não haviam chegado ao fim. Tinha que assistir à Convenção  Médica  em  Atlantic  City.  Em vinte  anos  não  havia perdido  nenhuma.  Esperando inquietamente, Anne e eu passamos cinco dias sem ter notícias dele. Finalmente, a enfermeira de seu consultório e seu marido o encontraram uma manhã bem cedo na estação de trem de Akron em um estado algo confuso e desalinhado – para não dizer  mais. Surgiu um terrível dilema. Três dias mais tarde,  o  Dr.  Bob  tina  que  realizar  uma  delicada  operação  cirúrgica.  Ninguém  poderia  substituí-lo. Simplesmente tinha que fazê-la. Mas, como íamos conseguir coloca-lo em condições de realiza-la? Dr. Bob e Anne Instalaram-nos em um quarto de duas camas. Começamos pelo rotineiro processo de reduzir gradualmente a ingestão de álcool. Ninguém consegue dormir muito, mas ele cooperou. No dia da operação, às quatro da manhã, Bob olhou-me e disse: “Vou fazer isto”.Perguntei-lhe: “Quer dizer que vai realizar a operação?”, ele me respondeu: “Coloquei-a operação e a mim nas mãos de Deus. Vou  fazer  o  que  for  necessário  para  obter  e  manter  a  minha  sobriedade”. Não  me  disse  mais nenhuma palavra. Às nove da manhã, enquanto o ajudávamos a se vestir, ele lamentavelmente estava tremendo.  Sentíamos presos  pelo  pânico.  Iria  conseguir  fazê-lo?  Por  estar demasiado tenso  ou tremendo muito poderia operar mal o bisturi e tirara vida de seu paciente. Arriscamo-nos. Dei-lhe uma garrafa de cerveja. Este foi o último gole que ele tomou em sua vida. Era o dia 10 de junho de 1935. O paciente sobreviveu. Logo apareceu nosso primeiro candidato, enviado por um pastor da vizinhança. Como o recém chegado via-se ameaçado de perder o juízo, Anne decidiu hospedá-lo a ele e sua família – sua esposa e dois filhos. O novato era um enigma. Quando estava bebendo, tornava-se totalmente louco. Uma tarde, sentada na cozinha, Anne estava olhando-o calmamente enquanto ele brincava com uma faca. Ao  sentir  seu  olhar  fixo,  ele  retirou  a  mão.  Mas  não  logrou  sua  sobriedade  nesse  momento.  Sua mulher  desesperada foi morar  com  seus pais e ele desapareceu. Quinze anos mais tarde voltou a aparecer para prestar  sua  homenagem  ao  Dr.  Bob.  Vimo-lo são e felizmente sóbrio em A.A. Em 1935 não estávamos tão acostumados com os milagres  como o estamos hoje. Havíamos dado este caso por perdido. Então, atravessamos uma época de calma à frente do Décimo Segundo Passo. Anne e Henrietta aproveitaram essa época para infundir em Bob e em  mim  uma muito grata e frutífera espiritualidade. Lois tirou uns dias de descanso do seu penoso trabalho em uma grande loja de Nova York, e veio a Akron para passa férias conosco, o que nos levanto muito o moral. Começamos a assistir as reuniões do  Grupo  de  Oxford  realizadas  na  casa  de  T.  Henry  Williams  em  Akron.  A devoção  deste  bom homem e de sua mulher brilha em nossas lembranças.  Seus nomes apareceram inscritos na primeira página do livro como uns dos primeiros e melhores amigos de A.A. Um dia o Dr. Bob me disse: “Você não acha que deveríamos começar a trabalhar com alguns bêbados?”.Telefonou para a enfermeira encarregada das admissões no Hospital Municipal de Akron e explicou-lhe que ele e outro bêbado de Nova  York  tinham um remédio para o alcoolismo. O vi ruborizar-se e desconsertar-se um pouco. A enfermeira havia comentado:  “Bem doutor, o senhor já se submeteu a esse tratamento?”. Contudo, a enfermeira nos enviou um cliente. Disse-nos que era um tipo difícil. Tratava-se de um eminente advogado de Akron, que havia perdido quase tudo. Nos últimos quatro meses, havia estado seis vezes no hospital. Tinha chegado naquele momento; acabava de atropelar uma enfermeira que  ele  havia confundido com um elefante rosa; “Servirá para os senhores?”,perguntou-nos. O Dr. Bob disse-lhe: “Instale-o em um quarto particular. Quando melhorar o visitaremos”.Pouco  tempo  depois  o  Dr.  Bob  e  eu  encontramo-nos  contemplando  um  quadro  que,  desde então, dezenas de milhares de nós voltaríamos a contemplar: o de um homem sentado na cama e que ainda não se apercebeu de que se pode recuperar. Explicamos-lhe a natureza da sua doença, e lhe contamos  a  nossa própria história de bebedores e de recuperação. Porém,  o  doente,  sacudindo  a cabeça,  nos  disse:  “Parece  que  os rapazes  passaram  muito  mal.  Porém nunca estiveram  tão  mal como  eu  estou  neste  momento.  Agora  é  muito  tarde  para  mim.  Não  me  atrevo  a sair  daqui.  Sou também um homem de fé: costumavam ser diácono na minha igreja. Ainda tenho fé em Deus, mas parece que Deus não bota fé em mim. O álcool me venceu; não tenho mais solução. Mas voltem a me visitar. Gostaria de falar mais com os senhores”. Em nossa segunda visita, ao entrar no quarto do enfermo, vimos uma mulher sentada ao pé da cama. Estava dizendo: “O que lhe aconteceu marido? Você tem um aspecto muito diferente. Sinto-me muito aliviada”. O homem olhou para nós e disse aos gritos: “Aqui estão, eles me compreendem. Ontem depois que se foram, não conseguia tirar da cabeça o que me haviam dito. Passei a noite sem dormir. Depois  me  veio  a  esperança.  Se  eles  conseguiram  encontrar  sua  libertação,  eu  também posso fazê-lo. Cheguei a estar disposto a ser sincero comigo mesmo, a reparar os danos que causei e  a  ajudar  outros  alcoólicos.  Quando  pensei  nisso,  senti-me transformado.  Sabia  que  iria  ficar bem”.  O homem na cama continuava falando:  “Agora minha querida mulher, traga-me as minhas roupas. Vou me levantar e vamos sair daqui”. Dito isto, o AA número três levantou-se da cama, para nunca mais voltar a beber. A semente de A.A. havia  germinado outra vez, e outro broto surgiu no novo  terreno.  Embora  ainda não  o  soubéssemos,  já  estava  em  flor.  Éramos  três  ali  reunidos.  E  o Grupo Número Um de Akron havia-se tornado realidade. Nós  três  trabalhamos com  centenas  de  alcoólicos.  Eram  muitos  os  chamados  e  poucos  os escolhidos. O fracasso nos acompanhava diariamente.Entretanto, quando fui embora de Akron, em setembro de 1935, parece que mais dois ou três doentes tinham-se unido a nós definitivamente. Os dois anos seguintes de nossa época pioneira constituíram o período de  “voar às cegas”. Com seu aguçado instinto de médico, o Dr. Bob continuava atendendo e introduzindo a cada novo caso, primeiro no Hospital Municipal de Akron e depois, durante os doze anos seguintes, no Hospital Santo  Tomás,  onde  milhares  de  enfermos contavam  com sua  cuidadosa  vigilância  e  o  seu  toque especial  de  A.A.  Embora  não  fossem  seus correligionários,  o  pessoal  e  as  irmãs  que trabalhavam com ele operavam verdadeiros milagres. Ofereceram-nos um dos mais brilhantes exemplos de amor e  de  dedicação  que  os  AAs  jamais haviam  conhecido.  Dirigiam-se  aos  milhares  de  visitantes e pacientes AAs – aos que realmente o sabem, perguntando-lhes qual era a sua opinião sobre a Irmã Inácia do Santo Tomás. Ou sobre o Dr. Bob. Bem, estou-me antecipando. Enquanto isso, um pequeno Grupo havia-se formado em Nova York. As reuniões de Akron na casa de T. Henry começaram a atrair alguns visitantes de Cleveland. Nessa conjuntura, passei umas semanas visitando o Dr. Bob. Pusemo-nos a contar quantos dentre as centenas de alcoólicos tinham ficado? Quantos se haviam mantido sóbrios? E, por quanto tempo? Nesse outono de 1937, o Dr. Bob e eu calculamos que havia uns quarenta casos que tinham um tempo considerável de abstinência – contando o tempo de todos talvez somassem um total  de sessenta anos de sobriedade. Brotaram-nos lágrimas  de  alegria.  Tinha  passado  uma  quantidade suficiente  de  tempo  com  uma quantidade suficiente de casos que indicava que algo novo – e talvez muito significativo, estava acontecendo. De repente, o céu se desanuviou. Já não voávamos às cegas. Havia-se acendido um farol. Deus havia ensinado  aos  alcoólicos  a  transmiti-lo  de  mão  em  mão.  Não esquecerei  nunca  esse momento  de súbita e humilde compreensão na companhia do Dr. Bob. Mas essa nova compreensão apresentou-nos um grande problema, víamo-nos tendo que tomar uma  decisão  de  imensa  envergadura.  Havíamos  demorado  quase  três  anos  para  realizar  quarenta recuperações. Porém, apenas nos EUA havia um milhão de alcoólicos. Como íamos comunicar-lhes nossa mensagem? Não seria por acaso necessário, termos trabalhadores assalariados, nossos próprios hospitais  e  grande  quantidade  de  dinheiro?  Sem  dúvida  teríamos  que  reeditar  um  livro  de  textos. Seria sensato irmos a passo de tartaruga enquanto nossa mensagem fosse se desvirtuando e talvez milhares de alcoólicos morressem? Que dilema. A forma como conseguimos nos livrar do profissionalismo, da riqueza e da administração de bens importantes, e como finalmente nos arranjamos para publicar o livro Alcoólicos Anônimos, por si só, é uma história. Mas nessa época crítica, os conselhos prudentes do Dr. Bob com frequência nos detiveram para que não nos lançássemos em empreendimentos  precipitados  que  poderiam  ter retardado nosso desenvolvimento durante anos e inclusive ter-nos arruinado. Também não podemos esquecer a dedicação que tiveram o Dr. Bob e Jim S.(que faleceu no verão passado) em sua tarefa para recolher histórias para o livro de A.A.: três de cada cinco destas histórias provinham de Akron. O  interesse  e  a  sabedoria  do  Dr.  Bob  foram  fatores  de  primordial importância  naquela  época  de graves dúvidas e graves decisões. Quando nos regozijamos de que Anne e o Dr. Bob tenham vivido suficiente para que chegasse a  todas  as  partes  da  Terra, aquela  luz  que  se  acendeu  em  Akron;  de  que  se  dessem  conta  de que algum dia milhões de pessoas poderiam passar por debaixo desse arco cada vez mais amplo cuja base eles  também  haviam  ajudado  a  esculpir.  Entretanto,  estou  seguro  de  que  eles, por  serem  tão humildes, nunca chegaram a formar uma ideia clara da magnitude do legado que nos deixaram, nem como  cumpriram  bem  sua  tarefa. Fizeram  tudo  que  tinham  que  fazer.  O  Dr. Bob  inclusive  teve  a oportunidade de ver a Irmandade chegar à sua maioridade, quando, pela última vez, dirigiu a palavra a 7.000 alcoólicos (N.T.: historiadores coincidem em relatar este número como sendo entre três e três mil e quinhentos participantes) reunidos em Cleveland. Vi o Dr. Bob no domingo anterior à sua morte. Porém, menos de um mês antes, ele tinha-me ajudado a formular uma proposta para a Conferência  de Serviços Gerais de alcoólicos Anônimos, o Terceiro Legado de A.A. Este legado, em forma de folheto, estava na gráfica quando ele se despediu de nós pela última vez  na quinta feira seguinte. Por representar seu último gesto  e desejo para  os AAs, este documento terá para nós um grande e especial significado. Não tive uma relação parecida com esta com nenhum ser humano. A coisa mais bela que eu posso dizer é que, durante todos os anos, muitas vezes difíceis para nossa Irmandade, ele e eu nunca tivemos  uma  penosa  diferença  de  opinião.  Seu  espírito  fraternal  e  a  sua  capacidade  para o  amor estavam fora do meu alcance. Para terminar,  permitam-me que  lhes  ofereça um  último  e  comovedor exemplo de  sua simplicidade e humildade. Por muito estranho que pareça, é uma história que fala de um monumento – um  monumento  que  se  propôs  erguer  em  sua  homenagem.  Faz  um  ano, quando  Anne  morreu, muitos companheiros acharam apropriado que lhe fosse dedicado um monumento comemorativo. As pessoas insistiam em que fosse feito algo dessa índole. Ao chegarem esses rumores aos ouvidos do Dr. Bob, ele não demorou em se manifestar contrário à ideia de que os AAs erguessem um mausoléu para ele e Anne. Com apenas uma frase convincente, expressou serenamente seu horror aos símbolos em homenagem pessoal. Disse: “Anne e eu queremos ser enterrados como uma pessoa qualquer”. Entretanto, no pavilhão dos alcoólicos do Hospital Santo Tomás, seus amigos colocaram uma 
placa  simples  que  diz:  “Com  gratidão,  os  amigos  do  Dr.  Bob  e  Anne  Smith,  afetuosamente dedicamos esta placa comemorativa para as irmãs e pessoal do Hospital Santo Tomás. Em Akron, o local  de  nascimento  de  Alcoólicos  Anônimos,  o  hospital  Santo  Tomás  foi  a  primeira  instituição 
religiosa a abrir as portas para a nossa Irmandade.Que a carinhosa dedicação daqueles que aqui trabalhavam  em  nossa  época  pioneira  constitua  sempre para  todos  nós  um  ilustre  e  maravilhoso exemplo da graça de Deus”.
http://www.barefootsworld.net/aa-drbobgv011951.html
http://www.barefootsworld.net/amweeklydrbob1951.html 
Também pode ler a partir da página 416 de “A Linguagem do Coração”,Junaab, código 104. 
A despedida do Dr. Bob
Meus bons amigos em A.A. e de A.A.: 
Sinto  uma  grande  vibração  ao  olhar  o  vasto  mar  de rostos como esse, com a sensação de que possivelmente uma pequena  coisa  que  fiz  há  alguns anos,  teve  papel infinitamente pequeno para fazer com que fosse possível este encontro. Também me bem um grande estremecimento quando penso que todos tivemos o mesmo problema. Todos fizemos as mesmas coisas. Todos conseguimos os mesmos resultados em  proporção  ao  nosso  zelo, entusiasmo  e capacidade de aderir. Se vocês me perdoam a inclusão de uma nota pessoal neste  momento,  permitam-me  dizer  que  tenho  estado acamado por cinco dos últimos sete meses, e minhas  forças não  retornaram  como  eu  gostaria,  assim  por  necessidade, minhas observações serão muito breves. Há  duas  ou três  coisas  que  irromperam  em  minha mente sobre as quais seria apropriado colocar um pouco de ênfase. Uma é a simplicidade de nosso programa. Não vamos estragar tudo com complexos freudianos e coisas que são de interesse para a mente científica, mas tem muito pouco a ver com nosso verdadeiro trabalho de A.A. Nossos Doze Passos,  quando  resumidos  até  o  último,  podem  ser  condensados  nas  palavras  ‘amor’  e  ‘serviço’. Entendemos o que é o amor, e entendemos o que é o serviço. Então, vamos manter essas duas coisas em mente. Vamos, também, lembrar de guardar esse membro errante que é a língua, e se temos de usá-la, vamos usá-la com bondade, consideração e tolerância. E mais uma coisa: Nenhum de nós estaria aqui hoje se alguém não tivesse tomado seu tempo para explicar as coisas a nós, para nos dar uma palmadinha nas costas, para nos levar a uma reunião ou duas, para fazer em nosso benefício numerosas pequenas ações generosas e atenciosas. Por isso não  permitam nunca que cheguemos a um grau de complacência tal que nos impeça de estarmos dispostos a estender, ou tentar estender a nossos irmãos menos afortunados, essa ajuda que tem sido tão benéfica para nós. 
Muito obrigado.
Considerações  feitas  pelo  Dr.  Bob  na  abertura  da  Primeira  Convenção  Internacional  de Cleveland, em 28 de julho de 1950, perante mais de três mil pessoas. Foi sua última aparição pública. 
Dr.  Bob  nasceu  em  St.  Johnsbury,  Vermont,  EUA,  em  oito  de  agosto  de  1879;  morreu  em Akron, Ohio, EUA, no dia 16 de novembro de 1950, aos 71 anos de idade, em decorrência de um câncer no cólon. Repousa ao lado de sua mulher Anne, morta em 01.06.1949 e tida por Bill W. como a “mãe de A.A.”, no cemitério Mount Peace em Akron. 

8.16.  Tributo a Edwin T. Thacher (Ebby T.)
Albany, Nova York,29 de abril de 1896 Ballston Spa, Nova York, 21 de março de 1966
Box 4-5-9, Natal / 2006 (pág. 5-6) 
http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday06.pdf 
Título original: “Ebby T: El hombre que apadrinó a Bill W.”. 
Um dia de setembro de 1934, um homem preocupado de nome Ebby T. encontrava-se na frente de um juiz de Bennington, Vermont, que o estava repreendendo pela bebedeira que o levou à prisão. O juiz estava permitindo que Ebby voltasse para sua casa, mas teria que voltar ao Tribunal na próxima segunda-feira, depois de prometer ao juiz que não beberia durante o fim de semana. Enquanto isso,um novo amigo chamado Rowland H. aprontava-se para se apresentar  ao Tribunal e se responsabilizar por Ebby. O que nem o juiz nem Rowland sabiam era que os demônios dentro  de  Ebby  estavam  pedindo  a gritos  que  tomasse um  trago enquanto a policia local o levava para a casa de verão da família a 40 km ao norte de Manchester. No porão da casa tinha estocadas garrafas de cerveja e estava impaciente por chegar e bebe-las. Quando a policia foi embora, Ebby correu para o porão para por fim à angustia que o estava consumindo. Mas ao começar a tirar a tampa da primeira garrafa,um forte sentimento de culpa o deteve. Havia  prometido  ao  juiz  que  não  iria beber  e  tinha  que  cumprir  a  promessa.  Depois  de  uma  luta feroz, levou as garrafas para a casa de um vizinho.Isso o tranquilizou e foi sua última tentativa de beber nos próximos dois anos e sete meses. É possível que esta ação também tenha sido uma das  maiores vitorias da história de  A.A., porque foi Ebby quem transmitiu ao cofundador de A.A., Bill W., os princípios do Grupo de Oxford e  a  promessa  de  sobriedade.  Se  Ebby  tivesse  bebido  naquele fim  de  semana,  é  de  duvidar  que  se fosse apresentar no Tribunal na segunda-feira ou que o juiz lhe daria outra oportunidade. É pouco provável  que houvesse  mantido  a  sobriedade  que  tornou  possível  fazer  uma  visita  ao  totalmente embriagado Bill W. dois messes mais tarde. Apesar dos problemas com a bebida que sobrevieram mais  tarde,  Ebby  foi  um  herói  durante  esses  meses  de  crucial  importância  em  que  serviu  como padrinho de Bill. 
Ebby, embora não tenha seu nome mencionado, é protagonista de  “A História de Bill”que aparece em todas as quatro edições do livro Alcoólicos Anônimos (Junaab, código 102, Pág. 31). Bill descreve-o como o velho amigo de colégio que o chamou no final de novembro de 1934, quando Bill se  encontrava curtindo  uma  longa  bebedeira  na  sua  casa  do  Brooklin  Heights,  Nova  York.  Ebby entrou na casa de Bill  “corado e bem disposto”.Bill conta: “Ele estava sóbrio. Havia anos que ele não vinha a Nova York naquele estado. Eu estava perplexo. Corriam boatos de que havia sido detido por  insanidade  alcoólica. Fiquei  imaginando  como  escapara.  Sem  dúvida  ele  viria  jantar,  e  eu poderia então beber junto com ele, sem restrições.  Sem me preocupar com sua saúde, eu pensava apenas em reviver o clima do passado”. Ebby não tinha ido para beber, mas para transmitir  a Bill os princípios que tinha aprendido 
com Rowland H. e outros dois membros do Grupo de Oxford em Vermont. Ebby morava agora na Missão do Calvário no lado leste do sul de Manhattan, havia tomado conhecimento dos problemas que Bill estava passando e estava-lhe levando a mensagem tal como seus companheiros do Grupo de Oxford lhe tinham recomendado que o fizesse para seu próprio benefício. Bill resistiu no começo, mas  acabou  por  aceitar  os  princípios  e  tendo  a  experiência  espiritual que  lhe  atribuiu  uma  nova missão na vida. A história da recuperação de Bill e de seu trabalho posterior foi contada inúmeras vezes em livros, palestras e a artigos; em alguns relatos foi considerado como um dos americanos mais  destacados  do  Século  XX.  Mas  Bill  não  o  poderia  ter  feito  se  não  houvesse tido  a importantíssima  visita  de  Ebby.  E  os  AAs  que  estudam  a  história  da  Irmandade  são  unanimes  ao afirmar que Ebby foi um maravilhoso e atento padrinho. Ebby  T.,  cujo  nome  era  Edwin,  nasceu  em  Albany,  Nova  York,  em  1896 e  morreu  em Ballston Spa, Nova York, em 1966. Passou um de seus anos de secundarista morando com a família de  um  ministro  religioso  de  Manchester,  Vermont,  onde  sua  família  tinha  uma  casa  de veraneio. 
Provavelmente foi ali que conheceu Bill W. que se criou em East Dorset, 11 km ao norte, e assistiu à escola  secundária  de  Manchester.  Ebby  costumava lembrar  que  Bill  havia  sido  um  extraordinário lançador da equipe local de beisebol. É possível que Ebby tomasse vinho nas festas familiares, mas tomou seu primeiro autêntico trago  em  1915,  aos  19  anos,  quando  entrou  no  bar  do  Hotel  Ten  Eyck de Albany  e  pediu  uma cerveja. Mais ou menos com essa idade começou a trabalhar no negócio da família. Quando fechou o negócio em 1922, embriagava-se com frequência. Depois foi trabalhar numa agencia de corretores de bolsa  de  Albany.  Bill  também  era  um  corretor  da  bolsa  de  nova  York  e  é  possível  que  tivessem amigos comuns de negócios. (Ebby tinha sabido dos graves problemas que Bill enfrentava ao passar por uma agência de corretagem). Bill fala na sua própria história da ocasião em queos dois fretaram um avião para arrematar uma  farra.  Isto  aconteceu  em  janeiro  de  1929 quando  Bill  passou  por  Albany  a  caminho  de Manchester, Vermont, numa viagem de trem. Ebby havia estado com os pilotos doa aeroporto local e sugeriu que os dois fossem de avião a Manchester, onde iria ser inaugurado um aeroporto. Depois de um  voo  perigoso  atravessando  uma  região  montanhosa, chegaram  bêbados  e  comportaram-se  de maneira vergonhosa diante das autoridades locais que estavam ali para a cerimonia de inauguração do aeroporto. Em 1932, a família de Ebby estava encantada de saber que ele iria mudar para Vermont, onde sua maneira de beber lhe ocasionou mais problemas e detenções. Estava morando na casa de verão da sua família quando Shep C. e Cebra G., dois membros do Grupo de Oxford, o escolheram como possível candidato para o seu programa. No começo resistiu, mas logo se mostrou disposto depois que  mais  uma  bebedeira  o  levou  diante  do  Tribunal  de  Bennington,  a  sede  administrativa  do condado.  Também  conheceu  Rowland H.  que  obteve  perante  o  juiz  sua  guarda  temporária  e  lhe ofereceu o que atualmente se conhece em A.A. como apadrinhamento. Depois  de  algumas semanas,  Rowland  levou-o  a  Nova  York  e  ajudou-o  a  encontrar alojamento na Missão do Calvário. Ebby transmitiu a mensagem do Grupo de Oxford a Bill e mais tarde  instalou-se  na  casa  de  Bill  e  Lois  quando  fechou  a  Missão  do  Calvário  em  1936.  Em 1937 voltou para Albany, onde se empregou numa fabrica da Ford. Mais tarde Ebby disse que problemas de trabalho foram a razão que o levou a beber em 1937. Sua vida converteu-se num pesadelo de bebedeiras seguidas de curtos períodos de sobriedade. Teve variados  empregos  onde  tinha  sucesso  por  curtos  períodos  de  tempo.  Por  exemplo, durante  a Segunda  Guerra  Mundial  trabalhou  como  empregado  civil  na  Marinha  de  Guerra  e  foi  muito estimado por seus superiores. Ebby morou durante meses com Bill e Lois. Bill tratou de ajuda-lo, mas não obteve bons resultados. Às vezes Ebby perambulava pelas ruas sem ter para onde ir. 
Entretanto, os Aas nunca deixaram de ajuda-lo e em 1953um AA novaiorquino, Charlie M., deu-lhe uma passagem para Dallas, Texas, para fazer um tratamento numa clinica dirigida por Searcy W.,  um  membro  pioneiro.  Teve  algumas  dificuldades  no  começo,  mas  conseguiu  a  sobriedade  no Texas e ali ficou por oito anos. Também conseguiu um emprego fixo e nele ficou por vários anos. O tempo  que  passou  no  Texas  foi  o  melhor  período  da sua vida adulta.  As  pessoas  agradecidas tratavam-no  como  uma  personalidade  e  faziam  esforços  especiais  para  conhecê-lo  e  ouvi-lo  falar. Um casal o convidou para passar um par de meses na sua fazenda de gado próxima de Ozona, Texas, e ficaram encantados com a visita. Quando estava sóbrio, Ebby era um homem amável e simpático a quem resultava muito fácil fazer amizades. Voltou para os arredores de Nova York no final de 1961e morou durante algum tempo com o seu irmão mais velho, Ken. Enquanto isso era acometido com mais frequência por problemas de saúde e já não conseguia viver de maneira independente. Bill  W.  que  sempre  tinha  ajudado  Ebby  enviando-lhe  algum  cheque  de  vez  em  quando, interveio novamente para aliviar seus problemas durante os últimos anos. Criou um fundo para os cuidados de Ebby e convidou seus amigos a contribuir com esse fundo. No começo de  1964, Bill 
encontrou  um  lar  para  Ebby  numa  granja  de  repouso  em  Galway,  nas  proximidades  de  Saratoga Springs,  Nova  York.  Bill  levou  Ebby  para  a granja,  de  carro,  em  maio  de  1964 e  o  confiou  aos cuidados de Margaret e Mickey Mc P., membros de A.A. que cuidavam de alguns alcoólicos na sua 
casa construída no Século XIX. Para Ebby não poderia ter havido lugar melhor para  passar seus últimos anos. Ficou muito popular entre os demais residentes que se impressionavam muito com sua capacidade para resolver as  difíceis  palavras  cruzadas  do  New  York  Times.  Recebia  a  visita  de  sua família de  Albany,  a apenas 40 km ao sul de Galway. Num dia março de  1966Ebby não pode descer para tomar o café da manhã. Às presas foi levado ao hospital de Ballston Spa, onde morreu na  manhã de 21 desse mês. A causa da morte foi enfisema pulmonar, a mesma doença que levaria à morte a 
Bill  W.  menos  de  cinco  anos  mais  tarde.  No  dia  da  sua morte, Ebby tinha dois anos de sobriedade. Bill  e  Lois  estavam  viajando  pelo  México e voltaram a tempo de assistir o funeral em Albany. Na  morte,  Ebby  reuniu-se  com  membros  da  sua eminente família no Cemitério Rural de Albany. É difícil encontra o túmulo de Ebby nesse cemitério arborizado com seus caminhos íngremes e sinuosos, mas muitos AAs vão lá para visitá-lo. Estes companheiros agradecidos reconhecem o papel que Ebby desempenhou ao apadrinhar Bill  e  assim  dar  inicio  ao  processo  que  ajudou  milhões  de pessoas  a  conseguir  a  sobriedade.  Da mesma maneira que nas lápides de Bill W. e do Dr. Bob, não há menção a A.A. na de Ebby. 
http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday06.pdf 
Leia também: 
“Em memória de Ebby”, artigo de Bill W. em“A Linguagem do Coração”, pág. 431 – Junaab, código 104 

8.17.  Tributo a William Griffith Wilson, (Bill W.)
East Dorset, Vermont26 de novembro de 1895
Miami, Florida,24 de janeiro de 1971
Edição especial doBox 4-5-9, Fev.1971 (pág. 1 a 6) 
http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_january_billmemorial71.pdf 
Título original:“En memoria de nuestro querido Bill” 
Título original:“En memoria de nuestro querido Bill” 
Bill W. morreu no dia 24 de janeiro de  1971no  Miami  Heart  Institute, Miami  Beach,  Florida, EUA,  depois  de  uma  longa  doença.  Estava  em tratamento de enfisema pulmonar desde 1968. Tinha 75 anos de idade. De  acordo  com  os  próprios  desejos  de  Bill, depois  dos  serviços  funerários  privados,  queria ser enterrado  em  East  Dorset,  Vermont,  onde  tinha nascido em 26 de novembro de 1895. No dia 14 de fevereiro de 1971 os Grupos de A.A.  do  mundo todo  realizaram  reuniões  em memoria e em honra ao trabalho de Bill, cofundador de  Alcoólicos  Anônimos,  autor  de  seus  livros básicos de A.A. e arquiteto dos princípios da nossa Irmandade. Última aparição pública Bill apareceu pela última vez na reunião de encerramento da Convenção Internacional do 35º Aniversário de A.A. no dia cinco de julho de 1970 no Salão de Convenções de Miami Beach. Nesse domingo, de manhã, um homenzinho magro, de cabelo branco, com aparência cansada e vestindo um paletó de cor laranja fez uma saudação especial aos AAs do Estado anfitrião. Ao ficar em pé,  com muito esforço, uma multidão de  11.000 homens,  mulheres e crianças levantou-se para aplaudi-lo alegremente. Muitos choraram. Tinham-se passado muitas 24 horas desde que Bill tinha tomado parte do conteúdo de uma garrafa de gim na cerca do Hospital Towns em Nova York. 
Último gole 
Esse foi seu último gole; era o dia 11 de dezembro  de  1934. Aconteceu pouco tempo depois que  Ebby  T.,  um  velho  amigo  com  quem  Bill  bebia,  o visitou  na  sua  casa,  na  Rua  Clinton  no Brooklin, Nova York, onde ele estava sem trabalho, como um bêbado sem esperança, sustentado pela sua  mulher Lois.  Ebby  tinha  deixado  de  beber  depois de  se  afiliar  ao  Grupo  de  Oxford,  um movimento religioso muito na moda à época. No Hospital Towns, Bill teve a experiência espiritual que  lhe  retirou  o  desejo  de  beber  e  o  preparou  para ajudar  a  persuadir  outros  bêbados  a  parar  de beber. Seus esforços  não  tiveram  sucesso  até  maio  de  1935,  quando  estava  hospedado  no  Hotel Mayflower,  em  Akron,  Ohio,  e  já  se  encontrava  na  iminência de  beber  depois  de  um  fracasso  no negócio que o tinha levado lá. De repente percebeu que os esforços que tinha feito em Nova York para que outros bêbados encontrassem a sobriedade tinham sido estéreis; mas, com isso, ele continuava sóbrio já havia quase cinco  meses.  Desta  maneira,  em  vez  de  ir ao  bar,  Bill  começou  a  fazer  chamadas  telefônicas  na tentativa  de  encontrar  um  alcoólico  a  quem  pudesse  ajudar,  porque  se  tinha  convencido  de que, mesmo o outro, o ouvindo ou não, iria impedir que ele tomasse aquele trago. Pela primeira vez, foi motivado pela própria sobrevivência. Como resultado dessas chamadas, na casa de entrada da mansão da família Seiberling, acabou conhecendo Robert. H. Smith – o Dr. Bob, um cirurgião também afligido pelo alcoolismo. Este  encontro  dos  dois,  que  mais  tarde  seriam  conhecidos  como  os  cofundadores  de Alcoólicos  Anônimos,  de  certa  maneira  representa a  primeira  reunião  realizada  pelo  “primeiro Grupo  de  A.A.”.  Foi  o  inicio  da  recuperação  do  Dr.  Bob,  que  trabalhando  na  área  da  medicina, 
especializou-se no tratamento de alcoólicos nos hospitais em que trabalhou. Animado  pelo  Dr.  Bob,  depois  disso,  Bill  dedicou  todo  seu  tempo  a  A.A.  a qual  teve  um crescimento  contínuo  alcançando  aproximadamente  475.000  membros  que  se  reúnem  em  16.000 Grupos em 90 países (N.T.: em 1971). 
Em  1937,  os  cofundadores  contabilizaram  aproximadamente  40 pessoas  que  tinham  sido considerados bêbados irrecuperáveis e estavam conseguindo manterem-se sóbrios em dois pequenos grupos sem nome em Akron e Nova York. Então persuadiram estes primeiros membros a escrever a história de suas experiências para que pudessem serusadas por outros alcoólicos – em outros lugares e em quaisquer tempos. O resultado foi o livro “Alcoólicos Anônimos” (Junaab, código 102),publicado pela primeira vez em 1939. Pouco tempo depois, o movimento passou a ser conhecido pelo mesmo nome do livro. Bill escreveu  os  primeiros  onze  capítulos  do  livro  e  os  famosos  “Doze  Passos sugeridos  como Programa  Recuperação”. Depois descreveu a Recuperação como  sendo  o  Primeiro  Legado dos primeiros membros para todos nós. Nos próximos anos multiplicaram-se com rapidez as experiências e os Grupos de A.A. nos EUA  e  Bill  percebeu  que  outras  ideias  básicas  de  A.A.  e  outros  procedimentos,  além  dos  que existiam nos Doze Passos, precisavam ser desenvolvidos. Assim, em 1945, escreveu para a revista Grapevineos “Doze Pontos para assegurar o futuro de A.A.”que mais tarde se converteriam nas “Doze Tradições de A.A.”,aceitas pela Irmandade na Primeira Convenção Internacional, na cidade de Cleveland, Ohio, em 1950, ano em que morreu o Dr. 
Bob. Bill  descreve  estas  Tradições  como  o  Legado  da  Unidade  –  o  Segundo  Legado, entregue pelos fundadores da A.A. aos seus futuros membros. Foram tratadas com mais profundidade no livro “Os Doze Passos e as Doze Tradições”(Junaab, código 105), publicado em 1952. A propriedade dos  livros do movimento  e  a  administração  do  Escritório  Central  –  Atual Escritório  de  Serviços  Gerais,  ESG, em Nova York  foi  delegada a uma Junta incorporada não comercial. Entre os membros Custódios da Junta (todos voluntários) a maioria era de homens não alcoólicos destacados no setor de negócios e no campo profissional, mas a Junta tinha pouco contato com os membros e os Grupos de A.A. Para sanar isso, Bill propôs que uma Conferência de Serviços Gerais composta por Delegados eleitos pelos Grupos de A.A. dos EUA e Canadá se reunissem uma vez por ano servindo como uma ponte entre a Irmandade e a Junta. Na segunda Convenção Internacional (Saint Louis, Missouri,  1955), a Conferência foi aceita pela  Irmandade  como  sucessora  de  Bill,  do  Dr.  Bob e dos  outros  pioneiros  de  A.A.  Através  da Conferência, a Junta de Serviços Gerais de A.A. é a responsável administração da Irmandade. No livro “A.A. Atinge a Maioridade” (Junaab, código 101) publicado em 1956, Bill descreve este evento numa breve história sobre os primeiros anos de A.A. Em 1966a Conferência mudou a relação de alcoólicos e não  alcoólicos na Junta de Serviços Gerais,  dando  lugar  a  uma  Junta  composta  por  21  Custódios,  sendo 14  alcoólicos  e  sete  não alcoólicos. Isto significou para Bill a aceitação do Terceiro Legado pelos membros fundadores e não apenas a responsabilidade de servir aos alcoólicos,mas também a responsabilidade pelo futuro da Irmandade. No  último  livro  “Na  Opinião  de  Bill  –  O  modo  de  vida  de  A.A.” (Junaab,  código  112), publicado em  1967,  Bill retomou  as inquietações espirituais que desde  1934 haviam  constituído a base da sua própria vida pessoal. Trata-se de um resumo, que pode ser lido diariamente, de uma parte da ajuda que ele deu a outros alcoólicos em milhares de visitas e na correspondência. Provavelmente milhares  de  AAs  guardam  as  melhores  lembranças  de  Bill  como  orador  nas  Conferências Internacionais realizadas a cada cinco anos. Cleveland,  1950, St. Lois, Missouri  1955, Long Beach, Califórnia 1960, Toronto, Canadá 1965 e Miami Beach, Florida 1970. Milhares de alcoólicos ficavam fascinados  enquanto  ele  repetia  a história do começo de A.A. Durante a primeira Reunião de Serviço Mundial em 1969,foi talvez a 
ocasião  em  que  melhor  contou  essa história. Havia  27  Delegados  de  15 países  entre  os  3.500  convidados, quando  Bill  disse  que  A.A. tinha começado  no  consultório  do  Dr.  Carl Jung, um dos criadores da psicanálise e  da  psiquiatria  moderna  em  Zurique,  Suíça,  que  estava  tratando  um alcoólico  norte-americano chamado Rowland em  1930. Rowland compartilhou suas experiências com Ebby T., que era amigo Primeira Reunião de Serviço Mundial de farras de Bill e que acabou por levar-lhe a mensagem de recuperação quase no final do ano de 1934 no Brooklin, Nova York. Declinou de honras públicas Em conformidade com as Tradições, Bill recusou honras conferidas a ele pelo seu trabalho em A.A. Estas honras incluíram um título honorífico de Doutor em Leis, um filme sobre sua vida e um artigo na revista Time com sua fotografia na capa. Bill  nunca  perdeu  totalmente  o sotaque de  Vermont, o qual  acrescentava  certa  malícia  às histórias  que  ele  contava  de  si  próprio.  Durante  seus  últimos  meses  de  vida,  com  a  saúde  muito agravada, contava a quem o visitava na sua casa “Stepping Stones”,em Belford Hills, Nova York, a respeito de seus planos de voltar às atividades de negócios em Wall Street. Em  um  dia  de  1962,  depois  de  uma  semi-aposentadoria  na  liderança  ativa  em  A.A., aguardando  no  aeroporto  encontrou  um  velho  amigo de negócios.  Entre  alegres  e  surpresos reconheceram-se um ao outro. O amigo disse  “Bill, por onde você tem andado?” Bill sentiu-se um pouco molesto porque o outro não soubesse e disse “Eu acreditava que todo mundo soubesse que eu era  o  bêbado  número  um  de  A.A.”; decidiu  deixar  que  o  homem percebesse  que  ele  tinha  sido  o fundador e perguntou:  “Você ouviu alguma vez falar de Alcoólicos Anônimos?” “É claro que sim”, disse  o  velho  amigo “alegra-me  muito  que  finalmente  tenha  ingressado  em A.A.  Gostaria  de trabalhar comigo outra vez?”.E Bill foi trabalhar com ele outra vez. Com  essa atitude  sinalizou  que  ele  estava  fazendo  o que  sempre  falava  para  os  outros fazerem, isto é, que não dedicassem seu tempo integralmente a A.A.; que voltassem ao exercício das suas profissões, mas mantendo a mente em A.A. Entretanto, ele não tinha feito isso até se encontrar com seu velho amigo de Wall Street. Bill pronunciou uma palestra no Centro de Estudos sobre o Álcool na Universidade de Yale. Foi  um  dos  primeiros  diretores  do  Conselho  Nacional de  Alcoolismo.  Dirigiu-se  à  Associação  de Psiquiatria  Norte-americana  e  a  outras  associações  de  médicos  e  contribuiu  com  vários  livros  não 
A.A. sobre alcoolismo. Em  1968 participou  do  Congresso  Nacional  sobre  Álcool  e  Alcoolismo  em  Washington, D.C.,  e  em  1969 depôs  perante  um subcomitê  do  Senado  que  estava  estudando  o  problema  do alcoolismo. Bill  foi  um  dos  primeiros  e  mais  ardentes  incentivadores  dos  Grupos Familiares  Al-Anon. Dizia que eram “uma das coisas mais importantes que aconteceram desde o começo de A.A.”Em todas estas atividades sempre teve o cuidado de honrar a Tradição do Anonimato no nível público.  Nunca  deixou  que  fosse  publicada  nenhuma  fotografia  sua  ou  que  seu  sobrenome  fosse 
publicado na rádio, televisão ou jornais escritos.  Na década de  1960 interessou-se pela Associação Norte-americana  de  Esquizofrenia  e  ajudou  a  tornar este  movimento  de  saúde,  voluntário, reconhecido. Teve o cuidado de esclarecer que faziaeste tipo de trabalho como cidadão e não como representante de A.A. Nunca recebeu salário Bill  nunca  recebeu  salário  por  seu  trabalho  em  A.A. Um  relatório  financeiro  seu  está guardado nos arquivos do Escritório de Serviços Gerais – ESG, de Nova York, e pode ser visto por qualquer membro de A.A. interessado. O relatório mostra que Bill recebeu apenas o valor dos direitos autorais pelos seus escritos e estes direitos retornarão à Junta após a morte dos herdeiros de Bill. A maneira de pensar de A.A. a respeito do alcoolismo tal como resumida por Bill no livro “Os Doze Passos e as Doze Tradições”(Junaab, código 105) produziu uma revolução no tratamento e na compreensão de um dos problemas mais antigos da história da humanidade. Mas,  Bill  continuamente  desaprovou  ideais  grandiosos  para  A.A.  dizendo repetidamente: “Apenas  tocamos  na  superfície”, fazendo  notar  que  A.A.  tocou  apenas  a  um  milhão  dos  vinte milhões de alcoólicos que há aproximadamente no mundo. Receando dos perigos do egoísmo e do orgulho, Bill repetia frequentemente que o coração da recuperação  era  o  serviço  do Decimo Segundo  Passo  onde  a  única  recompensa  é  a  sobriedade  da pessoa  que  presta  o  serviço.  Começa  com  uma  comunicação  muito  profunda que  Bill  costumava chamar  “linguagem do  coração”,uma frase compreendida e apreciada  por alcoólicos  de todos  os lugares do mundo. Bill trabalhou incansavelmente para fazer de A.A. um movimento espiritual que estivesse por cima e além das pessoas individuais e que sobrevivesse a seus fundadores. Agora chegou o momento de  demonstrar  que  seu  trabalho  não  foi  em  vão.  Uma  história  muito  prezada  por  Bill  serve  para lembrar como ele sentia. 
Quando se soube que o Dr. Bob sofria de uma doença  incurável, alguns membros de A.A. mostraram-lhe os desenhos de um mausoléu muito elaborado o qual se propunham a construir na sua sepultura, “algo grandioso como corresponde a um fundador”.O Dr. Bob, com grande prazer e uma humildade comovente mostrou os planos a Bill dizendo: “Abençoados  sejam; fazem-no por bem,  mas por  Deus, Bill, deixe  que enterrem  você  e eu exatamente como aos outros sujeitos”.E assim foi. Embora Bill se tenha ido, sentiremos sua falta e ficaremos tristes, sabemos que ele gostaria que nós sentíssemos que apenas passou a vivenciar outra experiência. Tudo o que ele fez e significou para nós como AAs irá permanecer para sempre nos corações dos ficamos para trás e nos que estão por vir. Queremos muito a Bill e sabemos que Lois sabe do amor que temos por ela. Mas, como ele dizia com frequência, “dentro de A.A. nosso trabalho é mais importante que nossas  pessoas.  Os  recém-chegados  em  A.A.  devem  ser saudados  e  ajudados  muito  depois  que tenhamos ido”. Dessa  maneira,  Bill  provavelmente  pediria  apenas  como  tributo  à  sua  memória,  que estendamos  a  mão  oferecendo  ajuda  ao  próximo  bêbado que  entre  cambaleando  esta  noite  numa reunião de A.A. Por enquanto, até logo, Bill. Bem-vindo, recém-chegado. Bill antes de A.A. Nascido  em  East Dorset,  Vermont,  no  dia  26  de  novembro  de  1895,  Bill  foi  o  único  filho homem de Emily e Gilman Barrows Wilson. Recebeu sua primeira educação numa escola de duas salas  em  East  Dorset  e  depois  em  Rutland, Vermont;  em  1909 foi  estudar  no  Seminário  Burr and  Burton  em  Massachussets  e depois  na  Escola Superior de Arlington, Massachussets. Em  1914 começou um curso de Engenharia Elétrica na Universidade de Norwich, Vermont que 
foi  interrompido  para  ingressar  na  escola  de treinamento  de  oficiais  em  Platsburg,  Nova  York, em maio de  1917.  Como milhares de soldados que foram à Primeira Guerra Mundial, Bill teve sua primeira experiência com o álcool durante o serviço militar. No dia 24 de janeiro de 1918, casou-se com Lois Burnham na Igreja Suedemborgiana Nova Jerusalém,  no  Brooklin,  Nova  York.  Depois  partiu  para  a  guerra  na  França  com  o  Batalhão  de Artilharia 66 onde serviu como segundo tenente. Em  1921 começou a trabalhar como investigador de  fraudes  para  a  firma  de  seguros  U.S.  Fidelity  and Guaranty  de Nova  York,  e  foi  aí  que  começou  sua carreira em Wall Street que floresceu até 1931. Poucos  eram  os  que  sabiam  quando  a  bebida  o deixava  fora  de controle  e  ele  mesmo  tampouco  o reconhecia.  Isto  aconteceu  durante  os  anos  da  Lei  Seca quando a bebida alcoólica era feita em casa ou consumida 
em  bares  clandestinos  que  proliferavam  em  todas  as quadras.  Sua  maneira  de  beber  logo  se  tornou  um problema muito sério. Perdeu  um  emprego excelente,  a  casa  do  Brooklin  foi confiscada  por  falta  de  pagamento, tornou-se um arrimado nos negócios da bolsa. Lois teve que procurar trabalho para o sustento dos dois. No dia do Armistício, em novembro de  1934 começou sua última relação com a bebida que terminou  no  dia  11  de  dezembro  de  1934 quando  Bill  foi  admitido  pela  última  vez  no  Hospital Towns. Aqui começa a história de A.A. Grapevine em memória de Bill A  próxima  edição  da  revista Grapevine,da qual Bill era um colaborador assíduo, será dedicada à sua memória.Uma sessão sobre sua biografia estará acompanhada de muitas fotografias. 
N.T.: Você poderá encontrar esta matéria na edição de março/1971, no endereço:
http://da.aagrapevine.org/browsedate.php?dt=1971_3 
Em honra à memória de Bill Lois, a viúva de Bill, deseja comunicar sua gratidão aos milhares de amigos pelas mensagens de simpatia e pesar, uma vez que seria fisicamente impossível agradecer a cada um pessoalmente. Bill  e  Lois  tinham  pedido  que  não  fossem  enviadas  flores.  Entretanto,  os  membros que desejarem podem fazer contribuições a um fundo especial em memória para ser administrado pela Junta de Serviços Gerais de A.A. destinado a fins especiais. Casa em East Dorset, Vermont, onde Bill W. nasceu. Casa de Bill e Lois no Brooklin, Nova York City Para resguardar a Tradição de A.A., apenas serão aceitas contribuições de membros de A.A. Os cheques podem ser enviados a  “Memorial Fund, P.O. Box 459, Grand Central Station, New York, N.Y. 10017”. Muitos enviam seus últimos respeitos As cartas seguintes são apenas uma amostra dos tributos feitos a Bill recebidos no escritório de Serviços Gerais - ESG, de Nova York. Carta dirigida ao jornal New York Times, no dia 29 de janeiro de 1971: 
“Como  médico  que  trabalhou  durante  muitos  anos  com  alcoólicos  em  um  dos  grandes hospitais da cidade e, agora como administrador de um dos programas nacionais sobre alcoolismo, sinto uma profunda dor pela perda deste homem a quem nunca conheci. Não apenas estão de luto e agradecendo porque Bill tenha vivido os alcoólicos  recuperados, mas também nós, os profissionais compartilhamos estes sentimentos e manifestamos nossa gratidão por nos ter mostrado a maneira de aceitar o alcoólico como uma pessoa digna de atenção e capaz de ser ajudada. A Associação de Alcoólicos Anônimos foi a primeira a mostrar que a  vida do alcoólico não era uma causa perdida. Enquanto a medicina, a psiquiatria e as entidades sociais demoravam em reconhecer o alcoolismo como uma doença tratável, Alcoólicos Anônimos já tinha começado a acumular recuperações bem sucedidas”. 
Dr. Norris E. Chafetz Diretor, Programa de Alcoolismo... 
“... Quão sábio você foi durante todos estes anos... Todos tivemos um raio de esperança, mas o seu foi de instintiva sabedoria – o  “tato”,a comunicação entre dois corações cheios de amor,  o presente da sensibilidade e a graça da recuperação  ajuda a nos ver em você. Você foi o primeiro a fazer-nos  ver  o quanto  queríamos  coloca-lo  num  pedestal,  que  Deus  nunca  escolhia  homens perfeitos para levar Sua mensagem” 
Um membro de A.A. “Sinto que Bill não nos deixou, mas apenas mudou deendereço. Vive conosco e sempre será assim... Nunca será esquecido”. 
Um membro de A.A. 
N.T.: O  texto  a  seguir  faz  parte  integrante  da  mesma  edição  do  Box  4-5-9;  é  uma reprodução, com permissão, do artigo do jornal  New York Times publicado na terça feira dia 26 de janeiro de 1971, “Bill W. of Alcoholics Anonymous Dies”assinado por John W. Stevens. Morre Bill W. de Alcoólicos Anônimos. William  Griffith  Wilson  morreu  na madrugada  do  domingo  e  com  o  anúncio  de sua morte, foi revelado que ele era Bill W. o cofundador  de Alcoólicos  Anônimos  em 1935. Tinha 75 anos. Ao  seu  lado  estava  sua  esposa,  Lois, que  lhe  fora  leal  durante  seus  anos  de “bêbado  decadente” e que  mais  tarde trabalhara  ao  seu  lado  para  ajudar  outros alcoólicos.  Ela  é  uma  das  fundadoras  dos Grupos  Familiares  Al-Anon  e  Alateen,  que 
lidam  com  os  medos  e  insegurança  sofrida por cônjuges e filhos de bebedores-problema. Como  Bill  W.,   o  Sr.  Wilson  compartilhou  o  que  ele chamou de  “experiência,  força  e esperança”em centenas de palestras e escritos, mas – por ter  tido  a  consciência  que  era  “apenas  mais  um  cara chamado Bill, que não podia lidar com a bebida”- seguiu o  conselho  dos  companheiros  alcoólicos,  e  recusou  um salário  por  seu  trabalho  em  favor  da  Irmandade. Ele sustentava-se  (e  mais  tarde  também  sua  esposa)  com  os direitos autorais dos livros de A.A. O  Sr.  Wilson  deu  permissão  para  quebrar  seu 
anonimato de A.A.  após a sua morte em um comunicado assinado em  1966. O papel do Dr. Robert Holbrook Smith como  o  outro  fundador  da  irmandade mundial  foi divulgada  publicamente  quando  o  cirurgião  de  Akron, Ohio,  morreu  de  câncer  em  1950,  após  15  anos  de sobriedade ininterrupta. 
Ao  criar  a  doutrina  que  os  membros  não  devem revelar  sua  filiação  a  A.A.  a  nível  público,  Bill  W. explicou  que  “o  anonimato  não  serve  apenas para  nos proteger  da  vergonha  e  do  estigma  do  alcoolismo;  seu propósito  mais  profundo  é  evitar  que  nossos  egos  tolos corram  como  um  animal selvagem  atrás  de  dinheiro  e fama, às custas de A.A.”. Sentimento de inferioridade O Sr. Wilson evitava a eloquência e eufemismos e impressionava  seus ouvintes  com  a  simplicidade  e franqueza de sua “história”de A.A. Em sua terra natal, East Dorset, Vermont, onde ele nasceu  em  26  de  novembro  de 1895 e  onde  frequentou uma escola de ensino fundamental que tinha apenas duas salas, lembrou,  “eu era alto e desajeitado, ANONIMATO. 
Ao acontecer sua morte, o nome completo de Bill foi levado ao conhecimento do público pela Junta de Serviços Gerais pela primeira vez através da imprensa. Este pode ter sido um dos segredos melhor guardados durante os tempos modernos – acontecimento extraordinário nestes tempos em que as personalidades e celebridades são tão importantes. Pessoas bem informadas sabiam desde fazia bastante tempo que o anonimato de Bill não poderia ser mantido a nível público no noticiário da sua morte. Por esta razão, a Junta fez esta exceção à Tradição. Bill e Lois haviam concordado. Informação exata e fotografias foram dadas pela Junta à imprensa para compor o obituário. Esta atitude pode até ter enfatizado ainda mais a importância do anonimato tradicional dos AAs. e me sentia muito mal porque crianças menores me empurravam pra lá e pra cá. Lembro-me de ter ficado  deprimido  por  um  ano  ou mais,  então  tive  uma determinação  feroz  de  ser  vencedor,  ser  o homem nº 1”.
“Nos anos loucos”,ele lembrou,  “Eu estava bebendo para sonhar grandes sonhos de poder e  grandiosidade”.  Sua  esposa  foi  ficando  cada  vez  mais preocupada,  mas  ele  assegurou  que  “os homens geniais criam seus melhores projetos quando estão bêbados”.
Ajuda do Grupo de Oxford.
No final de 1934, ele foi visitado por um antigo companheiro de bar, Ebby T., que disse ter-se da compulsão de beber com ajuda do grupo “First Century Christian Fellowship – Companheirismo Cristão do Primeiro Século(agora conhecido como Rearmamento Moral)”,então conhecido como Grupo de Oxford, um movimento fundado na Inglaterra, pelo falecido Dr. Frank N. D. Buchman. Um  mês  depois,  Bill  W.  estava  cambaleante  no  Towns  Hospital,  uma instituição  de Manhattan,  para  o  tratamento  de  alcoolismo  e  dependência  de  drogas.  O  Dr.  William  Duncan Silkworth, seu amigo, conduziu-o até a cama. Então, o Sr. Wilson lembrou-se do que Ebby T. tinhadito:  “Você admite sua derrota, você começa a ser honesto com você mesmo... e reza para qualquer Deus que achar que existe, mesmo que seja para fazer uma experiência” BillW. acabou gritando: “Se há um Deus, que se manifeste. 
Estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa!”.“De repente”,disse ele,  “a sala iluminou-se com uma grande luz branca. Senti um êxtase 
que  não  há  palavras  para  descrever.  Parecia  que  um  espírito  estava  soprando  e  não  apenas  um vento de ar. Com aquela explosão sobre mim libertei-me”. Recuperando-se lentamente, e tomado por entusiasmo,o Sr. Wilson imaginou uma reação em cadeia entre bêbados, cada um levando a mensagem de recuperação para o próximo. Enfatizando em primeiro  lugar  a  sua  regeneração  espiritual,  e  trabalhando  juntamente  com  os  Grupos Oxford,  ele lutou durante meses para tornar o “mundo sóbrio”,mas não conseguiu muito. “Olhe  Bill”, o  Dr.  Silkworth  advertiu,  “você  está  pregando  a esses  bebuns.  Você  está falando sobre os preceitos de Oxford de absoluta honestidade, pureza, altruísmo e amor. Dê-lhes o enfoque médico, enfatize sobre a obsessão que os condena à bebida. Isso, passado de um alcoólico para o outro pode derrubar os duros egos”. O  Sr.  Wilson,  então,  se  concentrou  na filosofia  básica  de  que  o  alcoolismo  é  uma  alergia física somada a uma obsessão mental - uma doença física, mental espiritual que, embora incurável, 
pode ser detida. Muito mais tarde, o conceito de doença do alcoolismo foi aceito por uma comissão da American Medical Association e pela Organização Mundial de Saúde. Ainda sem beber, seis meses depois de sair do hospital, o Sr. Wilson foi a Akron, Ohio, para representar um comprador de ações. Ele perdeu o negócio, e estava prestes a entrar noutra disputa ao passar pelo bar no saguão do Hotel Mayflower. Em pânico, ele procurou a força interior e lembrou que ele tinha, até agora, ficado sóbrio ao tentar ajudar outros alcoólicos. Através  de  canais  do  Grupo  de  Oxford,  naquela  noite,  ele  foi apresentado  ao  Dr.  Robert Holbrook Smith, um cirurgião e, como ele, natural de Vermont, que em vão procurou curas médicas e ajuda religiosa para sua compulsão por bebida. Bill  W.  conversou  com  o  médico  sobre  seu  antigo  padrão  de  consumo  e  sua  possível libertação da compulsão. “Bill  foi  o primeiro  ser  humano  vivo  com  quem  eu  já tinha  falado  que,  inteligentemente discutiu meu problema a partir de uma experiência real”.O Dr. Bob, como ficou conhecido, disse mais tarde. “Ele falou a minha língua”. Os  novos  amigos  concordaram  em  compartilhar  entre  si  e  com  outros  companheiros 
alcoólicos suas experiências, forças e esperanças.  A sociedade de Alcoólicos Anônimos nasceu em 10 de junho de 1935, o dia em que o Dr. Bob bebeu seu último gole e abraçou o novo programa. O Sr. Wilson dizia que o Dr. Smith era  “a rocha sobre a qual A.A. está fundada. Sob seu apadrinhamento, com um pequeno apoio meu, o primeiro grupo de AA no mundo nasceu em Akron, em junho de 1935”. 
http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_january_billmemorial71.pdf 
Última mensagem de Bill W. 
Meus queridos amigos:
Recentemente um membro de A.A. me enviou uma extraordinária  mensagem  a  qual  eu  quisera  compartilhar com vocês. Disse-me que era uma saudação árabe. Talvez não  tenhamos  Grupos  de  A.A.  árabes,  porém,  é  uma expressão que explica o que sinto por cada um de vocês. E disse: ‘Saúdo-te e dou graças pela tua vida’. Meus  pensamentos  hoje  em  dia  estão  cheios  de gratidão para com Nossa Irmandade pelo sem-número de bondades que nos têm dado a Graça de Deus. Se  me  perguntassem  qual  dessas  bondades  era  a responsável  por  nosso  crescimento  como  Irmandade  e mais vital para nossa continuidade, eu diria o ‘Conceito do Anonimato’.
O  anonimato  tem  dois  atributos  essenciais  para nossa sobrevivência individual e coletiva: o espiritual e o prático. Ao nível espiritual o anonimato requer toda disciplina que somos capazes de dar; ao nível prático o anonimato tem dado proteção ao novo membro, nos têm dado o respeito e o apoio do mundo exterior, e nos protege daqueles que possam usar A.A. para fins doentios e egoístas. Com o passar dos anos A.A. deve e continuará a mudar. Não podemos nem devemos retroceder  no  tempo.  Sem  dúvida  acredito  firmemente que  o  princípio  do  anonimato  deve permanecer como primordial e permanente medida de segurança. Enquanto  aceitarmos  nossa  sobriedade  em  nosso  tradicional  espírito  do  anonimato continuaremos a receber as Graças de Deus. 
É assim, mais uma vez os saúdo nesse espírito, e dou graças por vossas vidas. Que Deus bendiga a todos para sempre. 
Sempre seu:
Esta  mensagem  de  despedida  foi  lida  por  Lois  em  novembro  de  1970  durante  o  jantar  de aniversário em que Bill completava 75 anos de idade. 
Bill W. nasceu em East Dorset, Vermont, EUA, em 16 de novembro de 1895; morreu no dia 24 de janeiro de 1971 – data do 53º aniversário de seu casamento com Lois - horas depois de dar entrada no Instituto do Coração de Miami, Florida, EUA, em  decorrência de enfisema pulmonar. Repousa no cemitério de East Dorset. 

8.18.  Tributo a Lois B. Wilson 
Nova York, Nova York,04 de março de 1891
Mount Kisco, Nova York, 05 de outubro de 1988
Box 4-5-9, Natal / 1988 (pág. 1 a 4) 
http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday88.pdf 
Título original: “In Memoriam: Lois W. 1891-1988”. 
Lois  Burnham  Wilson –  querida  Lois  W.  para  milhões  de membros de A.A. e Al-Anon, e viúva do cofundador deA.A. Bill W., morreu tranquilamente no dia cinco de outubro de 1988, com a idade de 97 anos. Um  mês  antes,  com  aspecto  um  tanto  delicado,  mas  com expressão muito viva, sentada numa cadeira no salãoda casa que havia compartilhado com Bill, disse a uma visita, “Sabe, vou chegar aos 100”. Mas  não  conseguiu.  Duas  semanas  depois  de dizê-lo,  ingressou  no hospital de Northern Westchester. Padecendo de pneumonia nos últimos dias  e  não  podendo  falar,  continuou  se  comunicando através  de bilhetinhos escritos. Cinco dias antes da sua morte, John B., diretor geral do Escritório de Serviços Gerais de A.A. – ESG, foi visita-la no  hospital. Expressou-lhe sua gratidão pessoal e a da  Irmandade  inteira,  porque,  como  disse  John,  “os  AAs  devem  suas  vidas  a  você”. Um  ligeiro sorriso passou pelo rosto de Lois e num papel escreveu  “Não a mim, mas a Deus”.John replicou “Mas foi sua servidora”.E Lois escreveu: “Você também é”. Ao receber a noticia da morte de Lois, John disse: “Ela foi a última dos quatro: o Dr. Bob e Anne, Bill e Lois. Sua morte marca o fim de uma era para Alcoólicos Anônimos”. Michael  Alexander,  não  alcoólico,  presidente  da  Junta  de  Serviços  Gerais  de  Alcoólicos Anônimos,  manifestou-se  de  maneira  parecida na carta em  que  informou  à  Irmandade  a  morte  de Lois:  “Nos  primeiros  dias,  o  futuro  inteiro  da  nossa  Irmandade  e  o  de  incontáveis  alcoólicos 
pendiam do fio da resolução e capacidade de Bill W.e do Dr. Bob para perseverar nos seus esforços de fincar Alcoólicos Anônimos em terreno firme. Uma multidão de pessoas considera Lois Wilson como  a  pessoa  sem  cuja  ajuda  seu  marido  não  teria  podido  persistir  neste  trabalho  crucial.  Bill 
costumava  classifica-la  como  ‘uma  sócia  na  participação  plena’  nas  penas  e  prazeres  daqueles tempos. De fato, muitos AAs acreditam que devem suas vidas a Lois, a Bill, ao Dr. Bob e a Anne”. A  tarde  do  sábado  seguinte  ao  falecimento  de  Lois, umas  cinquenta  pessoas,  parentes  e amigos, reuniram-se para um serviço informal, ao estilo Quaker(1),no salão de Stepping Stones na frente  do  fogo  crepitante  que  brilhava  na  chaminé.  Nessa  ocasião, Michael  Alexander,  falou  dos muitíssimos  talentos  e  facetas  de  Lois:  foi  não  apenas  a  líder  e  a  organizadora  de  Al-Anon,  mas também  escritora, poetisa,  artista,  musicista  e  oradora  muito  solicitada  e  muito  afetiva,  amante  da natureza,  dona  de  casa,  anfitriã  incansável  e  esposa  devotada  de Bill.  “Era  uma  grande  e extraordinária dama e sentiremos muito sua falta”. Nessa  tarde,  outras  pessoas  compartilharam  as  lembranças  comovedoras, agridoces  e divertidas que realçaram o indômito que era seu espirito até o fim da vida, sua mente aguçada, seu senso  de  humor,  seu  ímpeto  exuberante. Ralph  B.,  contratado  pela  antiga  Fundação  do  Alcoólico (atual  Junta  de  Serviços  Gerais  de  A.A.)  para  escrever  alguns  dos  primeiros  folhetos  de A.A.  e visitante  assíduo  de  Stepping  Stones  desde  os  primeiros  tempos,  disse  quer  ela  era  “a  força  que mantinha as coisas em marcha enquanto Bill ficava pensando, escrevendo ou visualizando. De vez em quando eu contestava Bill, mas nem sequer pensaria em discutir com Lois”. Ron S. narrou a respeito de ter acompanhado Lois a um Rodeio de Motos na Califórnia, onde ela  iria  aparecer  como  oradora,  havia  apenas  três  anos.  Enquanto  empurrava  a cadeira  de  rodas através  do  estacionamento  do  hotel,  ela  viu  uma  motocicleta  grande  e  reluzente  e  lhe  pediu  para aproximá-la à moto para poder admirá-la. Então pediu que a fotografasse ao lado da moto. No dia seguinte, ao ser apresentada aos participantes do evento, foi nomeada membro honorária do Grupo de  motociclistas  em  A.A.,  enquanto  o  auditório  assobiava  e  aplaudia.  “Encantou  lhe”, disse  Ron. Steve S., motorista de taxi em Bedford Hills, conseguiu que os presentes percebessem o essencial, contando em poucas palavras como Bill e Lois tocaram pela primeira vez sua vida quando ele era um 
bêbado, e como o ajudaram a transformar sua vida, oferecendo-lhe uma carinhosa amizade durante mais de 20 anos de sobriedade. Lois nunca se deteve. Até as últimas semanas da suavida, continuou aceitando convites para falar e planejando viagens. Participou dos jantares de abertura da Conferência de Serviços Gerais de A.A. e de Al-Anon, recebeu visitas e Stepping Stones e frequentemente ia almoçar com seus amigos. Fez um resumo da sua própria vida, naquilo que se relacionava com Bill e com A.A. nas seguintes palavras (extraídas do Prólogo de Lois Remembers– Lois se lembra): 
“A recuperação de Bill foi conseguida apesar de mim. Embora tivesse trabalhado para ele alcança-la, durante toda nossa vida de casados não  o tinha feito de forma apropriada. O amor que sentia,  por  muito  verdadeiro  que  fosse,  era  também  possesivo;  e  tão  grande  era  meu  ego  que acreditava  que  o poderia  transformar...  Bill  era  minha  vida...  Durante  os  primeiros  17  anos  da minha recuperação e da de Bill, não existia nenhumairmandade para as famílias dos alcoólicos... 
Portanto, A.A. foi meu primeiro amor. Embora não seja alcoólica, ainda nestes dias sinto-me tão membro de A.A. como de Al-Anon, pelo menos em espirito”. 
Lois Burnham nasceu no dia quatro de março de 1891, no Brooklin, Nova York a mais velha de seis irmãos. “Minha infância foi muito feliz”,escreveu. 
Também tinha lembranças felizes dos verões que ia passar com seus avos na cabana de seus pais ao lado de um lago. Alegremente andava descalça, passeava na sua bicicleta, subia em arvores como um rapazinho mais. Com outras crianças nadava no lago, ou fazia passeios numa canoa, e mais tarde na medida em que ia crescendo, viajava a Manchester para jogar tênis, golfe ou dançar. Ali conheceu Bill que era amigo do seu irmão Rogers. Bill e sua irmã moravam em Dorset com seus avos, porque seus pais estavam divorciados. No começo, Bill não lhe impressionou muito, já  que  era  quatro  anos  mais novo que  ela  e  nativo  de  Vermont,  enquanto  ela  era  uma  veranista sofisticada.  Entretanto,  enquanto  os  dois  passavam  juntos  muitas  horas agradáveis, fazendo excursões,  passeando  de  barco,  fazendo  piqueniques e acima de tudo, falando, seu interesse foi crescendo até que esqueceram as diferenças. O casal mantinha seu amor através do correio – ela  diariamente, ele mais esporadicamente. Bill foi entrando e saindo da Universidade de Norwich, e quando os EUA, declararam a guerra em 1917,  sua  classe  alistou-se  no  Exercito  Reserva  e  Bill  foi  enviado  a  escola  de  Treinamento  para oficiais. Foi nomeado subtenente em agosto e estacionado em New Bedford, Massachussets. Durante esse  período  de  dois  anos  e  meio,  visitavam-se com tanta frequência  como  lhes  era  possível  no Brooklin e nos diversos postos onde Bill era destinado. Pronto correu o boato de que o regimento de Bill iria embarcar para o estrangeiro, e o dia 24 de janeiro de 1918, Bill e Lois se casaram. Os recém casados foram morar em New Bedford, e quatro meses  depois mudaram  para  Newport,  Rode  Island.  Durante  a  maior  parte  do  noivado,  Bill  não bebeu uma única gota de álcool, uma vez que a maneira de beber de seu pai tinha contribuído muito para o divórcio dos seus pais. Mas agora, ocasionalmente bebia nas festas, e quando o fazia, ficava bêbado. Isso não preocupava a Lois porque ela acreditava que podia “consertá-lo”. Durante a guerra, Lois trabalhou no Hospital WalterReed, de Washington, D.C. Quando Bill 
voltou depois do Armistício, foram morar no Brooklin. Não tendo nenhum preparo para trabalhar na vida civil, Bill teve dificuldades para se orientar.  “Para poder refletir bem sobre a situação”, disse Lois,  “fizemos  uma  longa  excursão  a  pé  através  do  Maine,  New  Hampshire  e  Vermont”, dando inicio, assim,  ao  que  seria  um  costume  em  toda  sua  vida. Bill  estudou na Faculdade de  Leis  do Brooklin durante quatro anos enquanto Lois trabalhava como terapeuta vocacional. Durante  este  período  e  nos  anos  seguintes,  a  maneira  de  beber  de  Bill  piorava.  Embora sempre sonhassem com ter filhos, Lois experimentou  três gravidezes ectópicas  (N.T.:gestação que ocorre fora da cavidade uterina)  seguidas de intervenções cirúrgicas. Durante a última Bill estava bêbado demais par visita-la no hospital. Ao saber que não poderiam ter filhos fizeram um pedido de adoção  numa  agencia  oficial  que não teve efeito  porque,  aparentemente,  uma  das  referencias informava que Bill bebia excessivamente. Em  1925 houve um intervalo feliz, quando os dois abandonaram seus empregos e compram uma motocicleta com sidecar e foram trotar-mundo durante um ano. Em  1929,  “angustiada  pela  maneira  de beber  sem  trégua  de  Bill”,  Lois  desafogou  seu coração num documento desgarrador, mas de uma perspicácia extraordinária. Dizia em parte: 
“O que alguém deve pensar depois de tantos fracassos?... Se perdesse meu amor e minha fé, o  que  aconteceria  então?  Apenas  enxergo  o  vazio,  as rijas, o  sarcasmo,  o  egoísmo...  Amo  meu marido  mais  do  que  possa  expressar  com  palavras,  e  sei  que  ele  também  me  ama.  É  um  homem esplêndido, excelente...todos o amam...um líder nato... tão generoso que daria seu último centavo...tem um magnífico senso de humor e um vocabulário extraordinário... um orador convincente... uma memória  fora  do  comum...  Os  detalhes  o  aborrecem,  por  ter  uma  mente  clarividente,  com perspectivas mais amplas. Está sempre pedindo a minha ajuda, e estivemos tratando de encontrar, sem parar durante cinco anos, uma solução para o seu  problema com a bebida...”. Ao longo dos cinco anos seguintes, Lois teria que recorrer à sua força de espirito, enquanto seu marido ia afundando no desespero do alcoolismo. Ele foi perdendo emprego após emprego até se converter  num  desempregado.  Lois conseguiu  um trabalho como atendente numa  grande loja de departamentos para poder comprar comida. Bill “converteu-se num bêbado embrutecido pela bebida e  não  se  atrevia  a  sair  da casa”,  diz  Lois.  Duas vezes  ingressou no Hospital  Towns  para desintoxicação e duas vezes o levou para viajar pelo campo, em Vermont, para cuidá-lo e ajuda-lo a recuperar a saúde. Nada disso serviu. Finalmente ele quase deixou de comer e bebia as 24 horas do dia. Num dia no final do outono de 1934, Bill voltou novamente ao Hospital Towns, e então  teve a experiência espiritual que o transformou. Lois  escreveu:  “Tão  logo  o  vi  no  hospital,  soube  havia acontecido  alguma coisa esmagadora... Seu  ser  inteiro  expressava  a  esperança  e  a  alegria...  Daquele  momento  em  diante, nunca duvidei que era um homem livre”. Depois de sair do hospital, Bill esforçou-se para tornar sóbrios todos os alcoólicos confinados no hospital, nas missões ou em qualquer lugar onde os encontra-se, sem obter sucesso algum. Lois e ele também começaram a assistir às reuniões do Grupo de Oxford. Em maio de  1935, Bill levou a mensagem ao Dr. Bob em Akron. Ao voltar para Nova York começou a ter sucesso no seu trabalho com outros alcoólicos. E começou a leva-los à sua casa na Rua  Clinton.  “costumávamos  ter  até cinco  em  casa  ao  mesmo  tempo”,  escreveu  ele,  “e  às  vezes todos estavam bêbados ao mesmo tempo”.  Houve brigas e um suicídio – depois que a vítima tinha vendido a roupa e a bagagem de Bill e Lois avaliados em algumas centenas de dólares. Lois voltava para a casa esgotada por causa do seu trabalho na loja e ainda tinha que preparar o jantar para aquele bando de bêbados que nem sequer pagavam a comida. Naquele  então,  Bill  e  Lois  ainda assistiam  as  reuniões  do  Grupo  de  Oxford.  Um  domingo ocorreu um incidente de pouca importância, mas que  mais tarde Lois diria que foi a virada da sua vida.  Quando  Bill  disse  ao  acaso  “temos  que  nos  apresar  porque  senão  chegaremos  atrasados  à reunião do Grupo”, Lois pegou seu sapato e atirou-o com toda a força contra Bill gritando “ao diabo com suas malditas reuniões”.Mais tarde, ao analisar sua conduta, percebeu que sempre havia tido muita confiança no sem próprio  poder:  acreditava  que  era  “dona  do  seu  destino”. Agora  se  sentia  ressentida porque os recém-encontrados amigos de Bill no Grupo de Oxfordcon seguiram, num abrir e fechar dos olhos, o que  ela  não  havia  conseguido  em  17  anos. Ademais  se tinha  acostumado  a  dirigir a  casa,  como enfermeira,  provedora  da  família,  a  que  tomava  todas  as  decisões;  agora,  Bill  estava levando sua própria vida, passando  uma grande parte do tempo com os alcoólicos que começavam a formar o primeiro Grupo de Nova York. Ela escreveu: “Percebi que as obras boas e bem intencionadas frequentemente  falham  quando  são  feitas  unicamente  através  do  nosso  poder;  as únicas coisas verdadeiramente  boas  são  alcançadas quando  se descobre  o  plano  de  Deus  e  depois  se  põe  em pratica”.Destas reflexões nasceu, finalmente, Al-Anon. Enquanto  Alcoólicos  Anônimos começava  a enraizar-se e  se  desenvolver  –  ao  abrir  um escritório, escrever e publicar o Livro Grande, ao tempo em que os Grupos iam brotando em outras cidades, tanto a vida de Lois quanto a de Bill estavam tomadas por uma atividade febril.  “Foi uma época agitada e fecunda”,  disse Lois. Foi também uma época em que não tinham  dinheiro algum. Depois de perder sua casa no Brooklin, viviam literalmente da caridade de seus amigos. Nos anos 1939 e 1940, mudaram de casa 51 vezes! Em fevereiro de  1940, enquanto estavam passando pela Grand Central Station, Lois sentou-se repentinamente na escada e desfazendo-se em lágrimas disse soluçando,  “Nunca  iremos  ter  nosso  próprio  lar?” Acabaram  morando  num quarto pequeno  no velho local do Clube da Rua 24ª, em Manhattan mobiliado com uma cama emprestada e duas caixas de laranja vazias. Suas  peregrinações terminaram  em  abril  de  1941,  quando  lhes  foi possível  comprar  a  bela casa  em  Bedford  Hills,  Nova  York, que  mais  tarde  foi  batizada  de “Stepping  Stones”.  Com  seu telhado de quatro aguas, de telhas marrons, está rodeada de árvores e situada numa colina\de onde se pode  ver  um  vale. Não  foi  apenas  um  lar  para  o  resto  das  suas  vidas,  mas também  a  Meca  para inúmeros membros de A.A. e de Al-Anon em todos os anos vindouros. Na década dos anos de 1940, Bill e Lois fizeram muitas viagens a todas as partes do país e na primavera  de  1950,  a  oito  países  de  Europa. Lois  descobriu  que  em  muitos  lugares,  as  esposas  e familiares dos AAs estavam-se reunindo nos seus próprios Grupos, e normalmente ela falava nestas reuniões.  Em  1951,  Bill  recomendou-lhe  que  abrisse  um  escritório  de serviços  para  os  Grupos Familiares. No começo ela relutou em fazê-lo porque estava muito entusiasmada cuidando da casa e do jardim de Stepping Stones. Enquanto isso foi considerando essa necessidade e depois de se reunir com  outras  esposas  para  expor  a  ideia,  Lois  abriu  um  escritório  de  serviços com  a  ajuda  de  uma amiga,  Anne  B.  Começando  com  uma lista  facilitada  pelo  Escritório  de  Serviços  Gerais  –  ESG, contendo os nomes de pessoas e Grupos que tinham se dirigido ao ESG pedindo ajuda, em pouco tempo  tinham  mais  trabalho  do  que  podiam  fazer  sozinhas.  Mudaram  seu  centro  de atividades  de Stepping Stones para o Clube da Rua 24ª, onde recrutaram voluntarias para ajuda-las. E assim foi que se formou Al-Anon. Atualmente (1988), existem 30.000 Grupos, incluindo os de Alateen, em todas as partes do mundo. Em  1955, na Convenção Internacional de St. Louis, Bill deixou suas responsabilidade como líder de A.A. e as entregou aos Grupos que trabalham através da Conferência de Serviços Gerais. Lois fez o primeiro discurso depois da cerimonia da  “maioridade”de A.A. De fato, Lois assistiu e participou de todas as Convenções Internacionais desde 1950 até 1985. No começo de 1970, Bill caiu ao chão quando estava consertando o telhado da sua casa. Isto marcou  o  começo  da  debilitação  da  sua  saúde.  Seu  enfisema  piorou  notavelmente. Depois  de  sua breve  apresentação  na Convenção  Internacional  de  Miami  Beach,  em  julho  daquele  ano,  passou  a requerer cuidados constantes, primeiro de Lois e depois de enfermeiras durante as 24 horas do dia. Bill morreu no dia do 53º aniversário do seu casamento, o dia 24 de janeiro de 1971. Lois esteve ao seu lado até as últimas horas. Sua presença na Convenção Internacional do 50ª aniversário de A.A. e na de Al-Anon que coincidiu com esta, em Montreal, Canadá, em julho de 1985, foi como o ápice simbólico da vida de Lois. Com a idade de 94 anos dirigiu suas palavras a um auditório de mais de 45.000 pessoas que a ouviram num respeitoso silencio. A mesma aparição da sua pequena figura no palco no centro do enorme  Estádio  Olímpico  fez  ficar em  pé  aquela  imensa  multidão com  os  rostos  banhados  pelas lágrimas, para lhe oferecer uma ovação clamorosa que parecia não ter fim. Desde a morte de Bill, Lois se preocupava com que Stepping Stones continuasse aberta para os membros de A.A. e de Al-Anon depois da sua própria morte. Também desejava utilizar uma parte substancial do dinheiro proveniente do testamento de Bill (principalmente dos direitos autorais dos livros de A.A. que Bill escreveu) para patrocinar a educação a respeito do alcoolismo e a prevenção da doença. Com essa finalidade, criou em 1979 a Fundação Stepping Stones. Até quase seus 90 anos, Lois insistiu em viver com  independência, sem mais ninguém que uma  empregada  para  ajuda-la.  Mais  tarde,  depois  de  sofrer várias  quedas  e  fraturas, rodeou-se  de assistentes e ajudantes que, junto com seus dedicados amigos, lhe fizeram possível viver sus últimos anos  com comodidade.  A  equipe  foi encabeçada  por  Nell  Wing,  a  assistente  e  secretária  de  Bill durante  27  anos  e  companheira  de  Lois  por  toda  sua  vida; também  esteve  Ann Burnham  Smith, prima de Lois e outros íntimos carinhosos. No  dia  20  de  outubro  de  1988 aconteceu na  histórica  e  bonita  Marble College  Church  de Nova  York,  um  serviço  comemorativo  para  Lois  Wilson.  Esta  grande  Igreja  estava  lotada  para  o serviço. No seu discurso, o ministro, o Dr. Arthur Calliano, destacou o fato de que tantas pessoas se apresentassem  para  assistir  as  exéquias  de  uma  pessoa  de  97  anos  de  idade –  destacou  que  os presentes simbolizavam a grande família de milhões de pessoas que estavam vivendo uma nova vida graças a Bill e Lois. Ethyl  Dumas, dedicada  enfermeira de  Lois  durante  mais  de  quatro  anos  –  e  a  quem  Lois colocou o nome “Eterna Ethyl”,lembra:  “Essa dama sempre sabia o que queria”.Ela conta que na tarde do dia 5 de outubro, Lois escreveu num bilhete: “... quero dormir”. “E foi isso precisamente o que ela fez” disse Ethyl. 
Importante: as  citações  de  Lois  foram  extraídas  de  “Lois  Remembers” ©  1979,  pela  sede  dos Grupos Familiares de Al-Anon, Inc., com permissão. 
http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday88.pdf 
N.T. (1):  O  culto dos “Quakers não programados”consiste numa  reunião silenciosa, de mais ou menos uma hora, durante a qual toda pessoa pode serchamada a oferecer uma mensagem proveniente do Espirito. 
Entre os “Quakers programados”,também costuma haver  adoração silenciosa, porem, durante menos tempo, e como parte de um serviço religioso mais ao estilo Protestante.
http://es.wikipedia.org/wiki/Sociedad_Religiosa_de_los_Amigo
N.T.  (2):  O  livro  ao  lado  é  uma  edição  comemorativa  para  o lançamento  pela  rede  CBS  de  televisão  do  filme  "When Love Is Not Enough",ou, numa tradução livre,  “Quando o Amor Não é Suficiente”.  Escrito, com autorização, por William G. Borchert, o mesmo autor de “Meu nome é Bill W.” de  1989.  O filme,  com  95  minutos  de  duração  foi produzido  por  Terry  Gould  e  dirigido  por  John  Kent Harrison; o casal Lois Burnham e Bill W. é interpretado por Winona  Ryder  e  Barry  Pepper  (na  capa).  O  filme estreou  na  CBS  no  dia  25  de  abril  de  2010 e  conta  a história de Lois Wilson, a mulher do homem que cofundador Alcoólicos Anônimos, a quem ficou impotente por longos e atormentados  17  anos  de  uso  abusivo  de  bebidas alcoólicas,  acreditando  que seu  amor  incondicional poderia levá-lo a alcançar a sobriedade. Mas não podia. Filha de uma família de classe média-alta, esta mulher amorosa e determinada viu seu marido, Bill Wilson, destruir sua carreira,  seus  relacionamentos  e  sua  saúde,  perambulando  por  dentro  e  por  fora  de sanatórios para alcoólicos enquanto se aproximava do ponto de insanidade e da morte. Escavando cada vez mais seu poço de angústia, em mais uma de tantas outras vezes, o viu chegar bêbado e desmaiar no corredor de sua casa, na Rua Clinton, no Brooklin; já não  suportando  mais,  desta  vez  ela  partiu  para  cima dele e  histericamente  gritou  em desespero: “Você não tem sequer a decência de morrer”. A  comovente  história  por  trás  dessa  dolorosa  cena,  tantas  vezes repetida,  e  depois  de uma  experiência  espiritual  acontecida  a  Bill  W.,  levou  a  dois  dos  mais  importantes movimentos do século XX: Alcoólicos Anônimos e os Grupos Familiares Al-Anon. 
O livro pode ser adquirido na hazelden.come na amazon.com
O filme pode ser baixado em: 
http://www.baixargratis.tv/filmes/when-love-is-not-enough-the-lois-wilson-story-2010-dvdrip-xvid-aaf.html


I N D I C E

Apresentação 

1.1. A origem da Declaração de Unidade 
1.2. A origem da Oração da Serenidade 
1.3. A origem da Reserva prudente 
1.4. A origem das Áreas e dos Painéis 
1.5. A origem das ilustrações nos materiais de A.A. 
1.6. A origem de “90 reuniões em 90 dias”
1.7. A origem do café e das bolachas nas reuniões de A.A. 
1.8. A origem do mês da Gratidão 
1.9. A origem do termo de Responsabilidade 
1.10. A origem dos Arquivos Históricos 
1.11. Um passeio pela história: Os Arquivos Históricos do ESG
1.12. A origem dos Escritórios de Serviços 

2.1. A transição das instituições de tratamento para os Grupos de A.A.
2.2. Fazer os novos se sentirem especiais – não diferentes
2.3. O Coordenador de Literatura no Grupo
2.4. O dilema dos Grupos de A.A.: Aquelas outras adições
2.5. O Grupo base
2.6. O Grupo de A.A... Onde tudo começa
2.7. Os enviados pelos Tribunais: A comunicação facilita sua transição para A.A.
2.8. Os AAs enfrentam o problema dos enviados pelos Tribunais
2.9. Perturbadores de reuniões
2.10. Seu Grupo está preparado para grandes eventos?
2.11. Sobre os problemas de um Grupo de A.A.
2.12. Todo Grupo de A.A. tem o direito de errar

3.1. A Reunião de Serviço 
3.2. O que é uma consciência de Grupo esclarecida
3.3. Consciência Coletiva – Texto do Dr. Lair Marques
3.4. Onde se origina a consciência de Grupo Esclarecida
3.5. Na “anarquia benigna” de A.A., a consciência de Grupo esclarecida é a última autoridade
3.6. Reuniões de A.A. abertas e fechadas: há uma diferença
3.7. Reuniões de A.A. em instituições de tratamento

4.1. A Conferência Internacional de Jovens em A.A. (ICYPAA)
4.2. Os Internacionalistas e Solitários
4.3. Círculos de sobriedade na Convenção dos Nativos Americanos
4.4. Como A.A. pode servir melhor às minorias
4.5. O que são os Grupos Especiais de A.A. Porque são necessários
4.6. Como fazer para que os idosos em A.A. continuem voltando
4.7. Os Jovens definem seu papel como o futuro de A.A.
4.8. Os Jovens em A.A.

5.1. A respeito de colocar a tradição do anonimato em primeiro lugar
5.2. Fotografias nos eventos de A.A.: Pensar antes de clicar
5.3. Mais perguntas sobre o anonimato
5.4. O anonimato – a humildade em ação
5.5. O anonimato diante do público
5.6. O anonimato e as redes sociais
5.7. O anonimato e os meios de comunicação
5.8. O anonimato nas reuniões “on line”
5.9. Quando abrir seu anonimato não é quebra de anonimato
5.10.Reflexões sobre o anonimato

6.1. Apadrinhamento: Como éramos 
6.2. Apadrinhamento: Outra forma de dizer A.A.
6.3. Apadrinhamento em A.A.: Suas obrigações e suas responsabilidades
6.4. Apadrinhamento: Uma via de mão dupla
6.5. Buscamos os principiantes onde eles estão?
6.6. Como fazer uma visita de Décimo Segundo Passo à moda antiga
6.7. Levar a mensagem, ou, a arte do Décimo Segundo Passo
6.8. O apadrinhamento no ingresso em A.A. evita que os principiantes saiam pelas rachaduras
6.9. Onde começamos a levar a mensagem e onde não fazê-lo
6.10. Para os Servidores do Décimo Segundo Passo: O que se deve e o que não se deve fazer 

7.1. A Aprovação da Literatura pela Conferência
7.2. Literatura aprovada pela Conferência
7.3. A evolução da Convenções Internacionais de A.A.
7.4. O que é uma Convenção para você? 
7.5. A evolução da Convenções no Brasil
7.6. A exclusão do Circulo e do Triangulo como símbolo oficial de A.A.
7.7. Usos e abusos dos símbolos de A.A.
7.8. A experiência dos Washingtonianos e o propósito de A.A.
7.9. A identificação – a essência do nosso vinculo comum
7.10. A primeira Conferência de Serviços Gerais
7.11. A respeito dos direitos autorais do Livro Azul
7.12. A.A. nunca deve ser organizada
7.13. Al-Anon e os laços que nos unem
7.14. Alcoólico recuperado ou em recuperação?
7.15. Alcoólicos Anônimos – o livro, um ícone cultura 
7.16. Alcoólicos Anônimos e a lei
7.17. Alcoólicos Anônimos e os alcoólicos com necessidades especiais
7.18. Algumas perguntas de membros e respostas do ESG
7.19. As “doze promessas” de A.A.
7.20. As Doze Tradições de A.A.
7.21. As Doze Tradições de A.A., ou, Os Filhos do Caos
7.22. Breve história do Escritório de Serviços Gerais – ESG
7.23. Como A.A. escolhe alguns dos seus servidores 
7.24. Os membros de A.A. funcionários do ESG
7.25. Seleção de pessoal para o ESG
7.26. Como o triângulo invertido faz funcionar a Irmandade
7.27. Como são feitas as traduções da literatura de A.A.
7.28. É preciso ser “alcoólico puro” para ser membro de A.A.?
7.29. Membros de A.A. Pesquisa 2011
7.30. Membros de A.A. que trabalham no campo do alcoolismo
7.31. Preenchendo o vazio entre o profissionalismo e A.A. (dois chapéus)
7.32. Meu nome é ..., e sou alcoólico/a
7.33. O espirito de cooperarão entre A.A. e NA (Narcóticos Anônimos)
7.34. O propósito único de NA
7.35. O Grupo de Oxford: Precursor de A.A.
7.36. “O homem na cama” ou, a abordagem ao AA no 3
7.37. O Livro Grande faz 50 anos como o “padrinho” mais eficiente de A.A.
7.38. O Livro Grande: pioneiro de A.A. impresso 
7.39. O membro de A.A. Medicamentos e outras Drogas
7.40. Para alguns alcoólicos, os medicamentos são necessários
7.41. O princípio da pobreza corporativa
7.42. O programa de A.A. não é religioso, mas espiritual
7.43. A espiritualidade se conhece pelas obras
7.44. Alcoólicos Anônimos e as orações
7.45. Os Doze Conceitos para o Serviço Mundial
7.46. Os livros eletrônicos (e-books), ou, como levar a mensagem em um mundo digital
7.47. Um propósito único
7.48. Unicidade de propósito de A.A.

8.1. Dr. William Duncan Silkworth 
8.2. Reverendo Samuel Shoemaker 
8.3. Ruth Hock Crecelius 
8.4. Dr. Harry M. Tiebout 
8.5. Dr. Harry Emerson Fosdick 
8.6. Clinton T. Duffy
8.7. Irmã Inácia 
8.8. Padre Edward P. Dowling 
8.9. Jack Alexander 
8.10. Bernard B. Smith 
8.11. Dr. John Lawrence Norris (Dr. Jack) 
8.12. Nellie Elizabeth Wing (Nell Wing) 
8.13. Pastor Professor Joaquim Luglio 
8.14. Tributo a Anne R. Smith (1881-1949)
8.15. Tributo ao Dr. Bob (1879-1950)
8.16. Despedida do Dr. Bob 
8.17. Tributo a Edwin T. Thacher (Ebby T.) (1896-1966)
8.18. Tributo a Bill W. (1895-1971)
8.19. Última mensagem de Bill W. 
8.20. Tributo a Lois B. Wilson (1891-1988)


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