Artigos - Brevidades nos depoimentos


Quando começo um depoimento não preciso iniciar pedindo desculpas, contando piada, fazendo citações polêmicas, dando minha opinião, tomando partido ou falando coisa do tipo "eu acho" -- isso é achismo e quem acha que não sabe. Eu só posso transmitir o que sei.

Os longos depoimentos, por melhor que seja os seus conteúdos  prejudicam a sua compreensão, sobretudo pelo cansaço. Esse cansaço é normal, pois o ouvinte naturalmente deixa de prestar a atenção ás palavras proferidas, por melhor que seja o seu conteúdo. Há um determinado momento em que os interlocutores perdem a capacidade de concentração. Então começam a se mexer nas cadeiras, olhar para o relógio, se levantar ir ao banheiro e tomar cafezinho. Nesse momento, sendo inconveniente.

Conta-se que um presidente de certa nação , fez o menor discurso de posse, com 133 palavras. Outro presidente, da mesma nação, fez o maior, com 8.433, num dia frio e tempestuoso. O presidente que usou mais palavras, isto é, falou mais, morreu um mês depois,  de uma gripe severíssima que contraiu naquela noite. Ser não foi uma maldição, serve ao menos advertência aos expositores que se alongo demais. Isto comprova que os excessos são muito perigosos e que realmente o que contamina o homem é o que sai da boca. Falar demais é ser indisciplinado. Os melhores discursos são sempre os menores. Durante a Segunda Gerra, Churchil gastou 8 minutos para encorajar os ingleses a enfrentarem a Alemanha nazista; Gandhi gastou 9 minutos num discurso para começar a libertação da Índia; Jesus Cristo gastou menos de 10 minutos para enunciar as Bem-aventuradas; Hhither, Mussolini, Nero gastavam horas e horas para pregar o ódio.

Nos dias atuais, a capacidade de se comunicar com clareza e simplicidade, conquistando o maior numero possível de interlocutores.  Um depoimento bem feito bem feito consegue emocionar, dar "vida" e "alma" aos presentes, pois, desse modo, ele sensibiliza as pessoas, faz tocar no "coração", mexe com o sentimento do alcoólico que sofre o não.  A linguagem do coração não é falar de qualquer jeito, é se expressar ao modo de AA.: simples, porem com conteúdo e coerência, falando o que o programa fez por mim, com equilíbrio, educação, sem exageros, sem auto piedade, e sem ressentimentos.

Devo tocar meus companheiros com o meu depoimento. Adquirindo estabilidade e sendo lembrado como um membro de A.A., e não uma celebridade. Sabendo falar em cada tipo de grupo devo, ter um depoimento objetivo, direto e que faça a diferença entre as lamentações (e culpas) e a coerência.

Se falo muito baixo as pessoas que estiveram distante não entenderão minhas palavras e deixarão de prestar atenção. Se falar muito alto, além de me cansar rapidamente, poderei irritar os ouvintes. Devo falar numa adequada. deixar, entretanto de falar com entusiasmo. Se não demonstrar interesse por aquilo que transmito, não conseguirei também interessar meus companheiros pelos meus depoimentos.

Depoimento é como minissaia, curto, porém do suficiente para cobrir todo o conteúdo.

Lembro finalmente que o propósito deste singelo texto não é o de tecer críticas a esta ou aquelas pessoas, mas sim o de refletir sobre o prejuízo que a falta de síntese poderá acarretar na interação  entre o orador e o interlocutor  sobre tudo em determinadas circunstâncias.

Tenho que ser objetivo nos meus depoimentos. Eu falava muito quando estava bêbado no bar ou em casa, era uma "língua solta".
Hoje estou em recuperação, tenho que ser disciplinado, educado, harmonioso, coerente, dar espaço aos outros e ser um verdadeiro companheiro. Se o programa é de compartilhar através de troca de experiência, como posso ser tão egoísta e querer falar metade da reunião. Quanto mais membros falarem, mais experiência será passada.