DP - Como cada um O concebe. > Rv. 159

Considero-me incluído no texto acima, pois a lembrança de um Poder Superior só me acontecia quando a situação estava completamente incontrolável.

Lembro-me quando – há algumas 24 horas, ao acordar ajoelhado na sala – errava e falava: “Meu Deus! Meu Deus, não deixe eu me embriagar hoje”.
No meio do dia, já estava bêbado, urinado, vomitado, e ansiando para que o chão se abrisse quando perguntavam sobre as compras, o leite e se eu tinha pagado o aluguel.

Ao acordar, antes que as palavras do poeta “Fatalidade atroz que a mente esmaga” tomassem conta, engolia uns seis ovos quentes com sal, para não encher a barriga e ter lugar para o segundo tempo. Tomava um banho frio e estava pronto para outra.

A família, com a mãe e esposa à frente, conduzia-me a terreiros, cultos e igrejas.

Quando cheguei ao céu — para quem estava no inferno, a sala de A.A. é um verdadeiro paraíso —, comecei a entender o porquê de o Poder Superior não responder aos meus erros. Eu não tinha concepção de poder algum, não acreditava em nada e queria que tudo saísse do meu jeito. Com o passar das reuniões, fui percebendo que cada companheiro (a), para mim, é um poder superior.

Não houve sermão, nem interrogatório, apenas me disseram: — “Que bom que você veio; melhor se ficar. Aconteça o que acontecer, não beba; se, no dia, não tiver reunião, ligue, que vamos ajudá-lo. A.A. funciona. Evite o primeiro gole: um é pouco, mil não bastam”.

Nas comemorações dos 60 anos de A.A. na Bahia, em Salvador, um companheiro disse que ouviu de um enfermeiro do grupo de apoio: — “Vocês têm que continuar recebendo os novatos da melhor maneira possível, para que eles fiquem e isso não acabe”. Exulto em fazer parte.

S.R.C. Raul Soares/MG