DP - Como tenho me libertado da luxúria? > Rv. 079

Como tenho me livrado da luxúria > RV. 079

Quando alcancei a sobriedade, me comprometi comigo mesmo a não sair com mulheres durante, pelo menos, um ano. Todos, e cada um dos dias de minha vida, havia vivido à espera de que apareceria a mulher de meus sonhos, uma espécie de fada madrinha que transformaria de forma mágica minha realidade. Os sentimentos de inferioridade, a dor, a solidão e a angústia desapareceriam. O mundo do qual tanto queria fugir se transformaria em um paraíso. Tudo seria diferente a partir de então.

      Nem preciso dizer que esse compromisso era um dos motivos das coisas ruins pelas quais passei durante a síndrome de abstinência. Três meses e meio de verdadeiro inferno de dor emocional, e até mesmo física.
      Eu contava os meses que faltavam para que o ano se completasse e eu pudesse ter uma "relação sadia" com uma mulher, a fim de preencher o grande vazio que em mim se fazia notar. Teoricamente, "coloquei isso nas mãos de Deus".
      Com o desejo sexual eu não me atrevia a brincar. Para qualquer imagem  ou "gatilho" eu respondia imediatamente com, uma oração. Eu sabia que se se deixasse que essa imagem se hospedasse em minha mente, mais cedo ou mais tarde partiria para a ação e perderia a sobriedade.
      Descobri que eu necessitava muito mais que um "contato de emergência" de última hora com Deus. Como meus olhos viam muito mais do que o desejado, comecei a rezar antes que a mulher se aproximasse. As coisas iam muito melhor, mas ainda não era suficiente. Além de rezar para ela, saía rezando rua abaixo para outras pessoas, companheiros do programa, colegas de trabalho, família, viajantes - indo com atitude de dar em vez de receber. Isso foi o que mais me ajudou a superar esse problema.
      Então se manifestou claramente a luxúria de amor romântico, de desejar que uma mulher preenchesse aquele vazio interior que há em mim e que só Deus pode preencher. O que foi então que eu ví? Vi que no mais profundo do meu coração nunca havia renunciado à dependência de relacionamento e que nunca a havia colocado nas mãos de Deus. Sabia, num nível intelectual, que eu ignorava, e que ignoro, aquilo que é bom para mim, que as minhas idéias mais brilhantes são as responsáveis por eu estar aqui.
      Eu fiz o que me disseram: "Ponha seus relacionamentos aos cuidados de Deus; deixe de buscar, coloque-os nas mãos de Deus e, quando você estiver preparado, se Deus considerar que é benéfico para você, colocará alguém em sua estrada. Deixe de lutar, renda-se". E eu fiz exatamente desse modo.
      Teria que estar mais alerta, mais atento. Mas isso não era tudo. Faltava algo mais, mas, o que era? Faltava a renúncia profunda e incondicional de um Sexto Passo. O Sexto Passo nos diz que temos que estar dispostos a que Deus elimine de dentro de nós nossos defeitos de caráter. Estar disposto significa que aceitamos viver sem eles, que podemos conceber a vida sem orgulho, sem auto-piedade, sem egocentrismo, etc. Renunciamos na raiz de nosso ser, em nosso coração, em nossa alma. Muito mais difícil do que pareça a princípio! No Sexto Passo nossa tarefa se "limita" a renunciar. No Sétimo a Lhe pedir, sem o exigir; isso é o que significa humildemente. A Deus corresponde fazer o resto como e quando Ele decidir.
      Hoje sinto de verdade uma necessidade da presença de Deus e de aprofundar de alguma maneira esse contato com Ele, o que venho conseguindo através do Décimo Primeiro Passo. E foi então que descobri a necessidade tão grande que eu tinha de amar e que a solução estava em praticar atos de amor... teria que dar a alguém... rezar para alguém, fazer algo pelos demais, oferecer-lhes minha atenção e meu afeto; praticar o Décimo Segundo Passo. E que resultados surpreendentes venho obtendo ao ajudar aqueles que ainda sofrem por causa do alcoolismo, principalmente o recém-chegado!
                                                                                  
Revista Vivência - Setembro/Outubro 2002