Artigos - Cultivando tolerância (Dr. Bob)

Durante nove anos em A.A., tenho observado que aqueles que seguem o programa de Alcoólicos Anônimos com maior seriedade e zelo, não apenas mantém a sobriedade, mas freqüentemente adquirem melhores características e atitudes. Uma delas é a tolerância. A tolerância se manifesta em uma variedade de formas: na gentileza e consideração para com o homem ou a mulher que estão apenas começando a marcha ao longo do caminho espiritual; na compreensão com aqueles que talvez tenham sido menos afortunados nas vantagens educacionais; e na simpatia com aqueles cujas idéias religiosas parecem ser bastante diferentes das nossas.

Com relação a isso, recordo-me da figura de um cubo de roda com seus respectivos raios. Todos nós começamos pelo lado de fora da circunferência e nos aproximamos de nossos destinos por um dos vários caminhos. Dizer que um dos raios é muito melhor que todos os outros, é verdadeiro apenas no sentido dele nos servir melhor, como indivíduos. A natureza humana é tal, que sem nenhum grau de tolerância, cada um de nós poderia estar inclinado a acreditar que encontramos o melhor, ou talvez o mais curto. Sem alguma tolerância, poderíamos tender a nos tornar um pouco presunçosos ou superiores - o que, naturalmente, não é útil à pessoa que estamos tentando ajudar e pode ser doloroso ou detestável para outras. Nenhum de nós deseja fazer algo que possa ser empecilho à evolução de um outro - e uma atitude protetora pode imediatamente retardar esse processo.

A tolerância fornece, como um subproduto, uma maior libertação da tendência de se apegar a idéias preconcebidas e, obstinadamente, a radicalismos. Em outras palavras, ela, quase sempre, proporciona uma abertura de mente que é imensamente importante - é, de fato, o pré-requisito para um final bem sucedido em qualquer linha de busca, seja ela científica ou espiritual.

Eis, portanto, algumas das razões pelas quais um esforço para obter tolerância deve ser feito por todos nós.

(Best Of The Grapevine, páginas 49 e 50, jul.44)

(VIVÊNCIA nº 41 - maio/junho 96)