Artigos - Dádiva primordial

Alcoólicos Anônimos pode ser comparado a um grupo de médicos que pudesse descobrir a cura do câncer, e de cujo trabalho harmônico dependeria o destino de numerosos sofredores do mal. É bem verdade que cada um dos médicos do grupo poderia ter a sua especialidade. Cada um deles desejaria de quando em quando poder dedicar-se por inteiro ao seu campo específico ao invés de trabalhar com o grupo. Mas uma vez obtida a cura por esses homens, evidenciando que apenas através dos seus esforços conjuntos pôde ela ser conseguida, todos então passariam a dedicar-se com exclusividade à cura do câncer. Ante o fulgor de tão miraculosa descoberta, qualquer médico deixaria de lado suas demais ambições, sem dar importância a sacrifícios de ordem pessoal.

Igualmente unidos pelo dever, estão os membros de Alcoólicos Anônimos que provaram ser capazes de ajudar beberrões inveterados de uma forma que raramente é dada a outras pessoas. A realidade única de cada A.A. em identificar-se com o recém-chegado e reabilitá-lo, não depende de forma alguma de seu grau de instrução, eloqüência ou qualquer outra capacitação específica. A única coisa que importa é o fato de ser um alcoólico que encontrou a chave da sobriedade. Esses legados de sofrimento e reabilitação são facilmente transmissíveis entre os alcoólicos, passando de indivíduo para indivíduo. Trata-se da nossa dádiva divina, e cuidar que ela seja também conferida a outros como nós é o único objetivo que hoje em dia move os AAs em todo o mundo.

(Extraído do Livro Os Doze Passos e as Doze Tradições, págs. 135-136)

(Vivência nº 61)