DP - Décimo Primeiro Passo - Experiência

DÉCIMO PRIMEIRO PASSO - EXPERIÊNCIA


"Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade".

A Prece, a Contemplação e a Meditação são nossos meios de encontro e contato com o Deus que cada um de nós possa acreditar. Estes, eu não quero negligenciar.

A Prece é a busca, e a Meditação é o encontro; são meus meios de busca e contato com o Deus que eu pude conceber, aceitar e acreditar.

O conceito de espiritualidade precisou estar bem claro em minha mente, para que eu entendesse o profundo sentido espiritual dos Doze Passos: Os defeitos me afastam, as virtudes me aproximam da Divindade e dos outros seres humanos. Essa proximidade é a base da espiritualidade, que leva-me a uma verdadeira fé, e a uma mais reta conduta, amando a mim mesmo, aos outros e a Vida, me levando a uma profunda paz e a um discernimento que não deixa a menor dúvida sobre os erros e acertos em minha vida.

A espiritualidade se manifesta em um novo estado de consciência, onde tenho a percepção, compreensão, entendimento, sensações das coisas da vida e do Universo, que eu jamais pensaria fosse possível atingir, isto tudo num crescente despertar espiritual.

A verdade se divide em cada mente, criando realidades diferentes. Por isto há tantas religiões, filosofias e caminhos respeitáveis, para chegar a mesma Essência Divina, da qual podemos ter concepções diferentes. Procurei a minha verdade e o meu caminho conforme A.A. me propõe, me utilizando da mente aberta, me libertando das influências da cultura e de minha formação no passado. Meditar era coisa para monges orientais, não para mim. Preces formais e com exteriorização eram minhas preces, sem sentimentos nem entendimento, e que quase sempre eram feitas por obrigação introjetada.

Um grande erro meu era eu não rever os meus conceitos, regras, hábitos, costumes, etc. de minha formação. Aprendi assim e assim é, sempre foi assim e assim será. Muitas vezes a religião em que alguém está não satisfaz suas necessidades espirituais, disto temos constatações em toda a história da humanidade, e isto aconteceu comigo também. Por isto, eu buscava desesperadamente em tudo meu bem-estar e paz, quando Ele estava e está dentro de mim mesmo, como me diz A.A.

No segundo passo A.A. me diz: Conceba um Deus. O que é o Poder Superior para mim? De que, entendo, ele é composto? Ele tem uma forma humana? É a Natureza? É Energia? Como eu tenho visto estes aspectos Divinos? Qual o propósito da vida? Qual é a verdade? A verdade existe? Fazer perguntas pode parecer uma pretensão desmedida. Contudo não o é. Fazer uma pergunta não é pretender respondê-la, é motivar as pessoas a descobrirem por si mesmo uma verdade. A.A. me pede que eu imagine e forme a imagem de meu Deus. Foi o que fiz, e Ele está aqui dentro, e preciso pelas minhas atitudes deixá-Lo se expressar em mim mesmo.

No Terceiro Passo eu entregava minha vida a Ele, mas ficava rondando por perto e muitas vezes a tomava de volta. Ele nada dizia, deixava eu seguir meu rumo, e tive que voltar a entregar de novo, cada vez mais e mais, para que Ele pudesse agir, e isto já vem acontecendo.

Todos os demais Passos, o 1º, e do 4º ao 10º, preparam espiritualmente o doente para a sua nova vida, mas estamos vendo aqui minha experiência sobre o 11º Passo.

Fechando a preparação espiritual, o décimo primeiro passo me pede Prece, Contemplação e Meditação.

A Contemplação é concentrar-se num assunto, numa idéia ou objeto específico. A Meditação é manter a mente quieta e depois completamente vazia, livre para acolher sentimentos, idéias e imagens. A mente ocidental usa mais a contemplação, e a mente oriental usa mais a meditação, que é aquietar e esvaziar a mente; é um conceito mais difícil de captar e requer muito mais exercício, mas é nela que é procedido o mais aprofundado contato com a mente Divina. Estamos tão treinados para pensar e analisar que as tentativas de esvaziar a mente desafiam a nossa capacidade. O espírito analítico é contrário à contemplação e à meditação, e precisamos nos livrar dele quando começamos a explorá-las. É comum uma distração mundana, uma coceira na orelha, um zumbido de mosquito ou a idéia de que, se eu continuar fazendo o exercício da contemplação por mais tempo, vou acabar perdendo o telejornal ou a novela.

A escolha entre a contemplação e a meditação, ou o uso de ambas, é pessoal. As duas não tem limites quanto as buscas e as respostas, que são infindas e cada vez mais profundas e benfazejas.

Há as preces, de petição, de gratidão, e de louvor, sendo que delas eu só praticava a de petição formal e as vezes exteriorizadas, a freqüência a cultos por hábito e costume, nada me trouxeram. Eu as praticava porque se praticava, era usual, eu ia na onda.

A prece informal, seja a de petição, de gratidão ou de louvor que brota do meu interior com conhecimento e entusiasmo, mudou o meu conceito de prece, e teve origem em meu desenvolvimento espiritual. É falar com Ele, que é amoroso, me perdoa e me entende, aliás, a reta conduta bem como a vida que segue a vontade Divina em todos os sentidos, são formas de prece. A vida deve ser uma Prece. Hoje a única prece de petição que faço, é pedindo o conhecimento de Sua vontade e de forças para realizá-La. Todas as demais são de gratidão e de louvor.

A meditação é o caminho para a felicidade e um meio de me unir ao Deus do meu entendimento pela harmonização.

Benefícios que obtenho: saúde corporal, espiritual e a paz. A própria cura quântica já afirma isso, muito após, é verdade, de A.A. ter disso conhecimento.

Sem a Meditação eu não teria atingido algum grau de equilíbrio emocional e de domínio da vida, deixando de ser o dono da verdade, e abrindo a mente para ver o quanto o meu meio ambiente no passado, o familiar, o cultural e o religioso, me condicionaram e me amarraram, tirando-me a capacidade de pensar o mais independente e livre possível. Isto é uma grande conquista, largar essas amarras e voar livre com Ele, deixando para traz esses grilhões.

Custei a compreender a grandiosidade e a importância da meditação na minha vida, e em A.A. onde tentei e convenci o grupo que freqüentava e freqüento, a introduzi-la nos 20 minutos finais de uma reunião de estudos dos Doze Passos, semanalmente.

Foi preciso eu querer, organizar-me e agir. Se não sei o que quero, não chego a lugar algum, mas hoje tenho bem definido meu norte. Se não estou bem e continuo fazendo as mesmas coisas, só obterei o mesmo resultado, não estar bem

Escolher o local, o horário, sentar-me confortavelmente, respirar fundo e lentamente algumas vezes, relaxar o meu corpo percorrendo-o todo com a minha mente, esvaziando-a e me postando imóvel e suavemente a em nada pensar, voltando mansamente ao vazio quando o motorzinho da minha mente voltar a passar os filmes diversos do pensamento que teima em permanecer em ação, e pedir que Ele me mostre e a todos os seres do universo, o caminho ou Sua vontade, e lhes dê forças para utilizá-La em Sua senda.

O encontro com Deus é possível, real, e transformou-se no grande objetivo de minha vida, a mais reta conduta possível e a meditação é que me levam a minha sobriedade, paz e a felicidade.

Ao examinarmos as vidas dos iluminados, notamos a paz e a vida compassiva que levaram e levam diante das provações e atribulações.

Procuro ver as boas coisas da vida e não só desastres. Às vezes chego aonde eu não quero, porque não soube escolher o caminho, ou porque isso é pelo que eu devia passar para crescer e eu não sabia, Ele é que sabe.

Jamais me envergonho hoje do que fiz ou fui, com tudo só aprendi. Enterrei o velho homem e renasci para a vida, com a graça benevolente do meu Deus.

A meditação cumpre o papel de eu cuidar de meu espírito, me dá o norte seguro, mesmo em meio às tempestades. O Dr Bob ensinou muito bem isto.

Junto-me a pessoas que vivem alegres. Aprendo com elas. Sou feliz. Se puder sempre ajudo as que querem, não há porque perder tempo com as que não querem como diz Bill W.

O melhor horário para meditar é ao levantarmos, mas sempre é tempo, porém não após agitações.

Meditar não é cochilar nem dormir, é aquietar e esvaziar a mente e permitir que Ele se manifeste.

Como é que se consegue pensar em nada?

Quando pensava que não estava pensando, estava pensando que não pensava; continuei, mesmo sem muito sucesso, a tentar suavemente em nada pensar. Hoje, por breves décimos de segundos, ou alguns segundos as vezes, já consigo esvaziar a mente.

Toda a dificuldade está na mente, mas a facilidade também. Acredito que posso viver em sintonia com o Deus do meu entendimento, e compreendo assim, melhor, todas as religiões, que passaram a ter o meu mais profundo respeito.

Vigiar o pensamento, sentimentos e ações é algo profundamente necessário para mim, pois aí, o que falo e escrevo, sai mais filtrado e mais livre de meu terrível ego, que me trai inconscientemente se eu não estiver profundamente vigilante, e ai vejo fantasmas onde eles não existem, tendo origem em condicionamentos motivados pela família, pela cultura, pelas religiões, etc., como já dito, e estes determinam meu amanhã, será a minha colheita.

Reavivei três tópicos importantes:

1 - Não importava a religião que eu tinha, nem se a tinha. Se eu amasse ao Deus do meu entendimento, a meu próximo e a mim mesmo, estava tudo bem.

2 - Que eu reavisasse sempre meus conceitos com relação a toda a orientação que recebi, referente a minha alimentação, aos cuidados com o meu corpo e com a minha vida, pois isto faz parte de minha reformulação em A.A. e Deus é vida.

3 - Que a prece com a contemplação e a meditação não é o único, mas é o melhor caminho, para que eu busque o domínio da vida e das emoções, e a harmonia com meu Poder Superior. Minha vida e minha mente devem ser o grande santuário, onde o Deus da Vida seja constantemente reverenciado.

A estas reflexões e conseqüentes atitudes, me convida o Décimo Primeiro Passo, as venho fazendo.

RV.