DP - Deixando o espírito participar

Ao praticar o nosso Décimo Primeiro Passo, desenvolvi a capacidade de uma coisa de cada vez. Nas reuniões, as pessoas, por vezes, divertem-se quando digo isso. Um homem me disse: ”Isso é ridículo, todos sabem como fazer uma coisa de cada vez”. Mais tarde, quando perguntei como ele meditava, ele disse: “ eu não consigo parar minha mente por um tempo suficiente para meditar”. Essa observação demonstra o propósito da prática. Não nasci com a mente calma o suficiente para meditar. Eu me esforço para desenvolver essa capacidade. O problema comigo é que sou alcoólico e, como os Alcoólicos Anônimos dizem: “nós alcoólicos, somos indisciplinados”. Assim, o verdadeiro problema é a falta de disciplina. Meu primeiro padrinho me mostrou que para seguir os Passos não seria necessário esperar me sentir melhor. Ele disse: “ Você deve praticar os Passos para se sentir melhor”. E assim, o meu trabalho, o meu novo objetivo na vida, foi interrompido. Quando decido me sentar, ainda que seja durante 20 minutos, é a mente alcoólica que tem a capacidade de me distrair. Distração geralmente que vem a mim sob a forma de um pensamento ou uma sensação sutil, uma contração muscular, ou um impulso me dizendo para parar de meditar e fazer outra coisa. Medito para aquietar essa mente alcoólica. Tomar a decisão de se sentar e ficar parado durante 20 minutos – não importa o que aconteça – é uma prática espiritual.  Com o objetivo de disciplina na mente, e sem levar em conta os resultados, tenho um método simples que eu uso para a meditação. Permitam-me divulgar. Antes de assumir a postura de meditar, eu ajusto um time para 21 minutos ( 21 é um número espiritual). Em seguida, faço uma oração e peço a Deus, na forma em que O concebo, para obter um contato preciso. Então, por 20 minutos, duas vezes por dia, de manhã e à noite, eu me  sento com as costas retas, em um local tranquilo, com reverência para a prática. Com a cabeça erguida e os olhos fechados, me concentro na minha respiração. A única coisa que existe agora e a respiração. Quando os pensamentos entram em minha mente, simplesmente os classifico como “ pensamentos”. Não os persigo. Enquanto solto o ar, digo ” eu entrego”. Esse é meu método para praticar o nosso Décimo Primeiro Passo. Entretanto, sou um alcoólico e quando algo é bom, eu quero mais; por isso aprendi a meditar mesmo quando não estou sentado na posição de prática convencional. Por exemplo, mantenho o ritmo com os meus passos quando estou andando. Ao fazer uma coisa – andar – com o meu corpo, e dando atenção à minha mente, meu espírito tem a chance de se harmonizar com o meu corpo. Quando preso atenção total ao que estou fazendo, eu medito. Estou integrando o corpo, a mente e o espírito com um único propósito. Isso ajuda a minha mente alcoólica a aquietar-se. Outro exemplo é quando lavo a louça. Já não vejo a louça como uma tarefa desagradável. Vejo como uma oportunidade para meditar. Na verdade, prolongo o trabalho. Sinto o calor da água. Escuto o seu fluxo. Enquanto vejo as bolhas de sabão se formarem, sinto um Deus amoroso. Eu me concentro em lavar os pratos e no que vou fazer depois. A casa mais importante é aquela que está na minha frente – o presente. Um companheiro de A.A. que frequenta o meu grupo descreve a concentração desta maneira: ” concentre-se onde quer que você esteja”. Da mesma forma: “ quando ando, eu ando, quando eu lavo a louça, eu lavo a louça”. Você se surpreenderia com as oportunidades que são oferecidas para meditação num período de 24 horas. Manter o corpo, a mente e o espírito unidos é espiritual, isso me mantém sóbrio. 

Nova York. – Novembro 1995