Artigos - Desarmando Alcoólicos

A Terceira Tradição é, na verdade, uma afirmação abrangente. Algumas pessoas podem achá-la idealista demais para ser prática. Ela diz a todo alcoólico do mundo que ele pode tornar-se e permanecer um membro de A. A., desde que assim o queira. Em resumo, não existe uma regra para ser membro de A. A.

Por que é assim? Nossa resposta é simples e prática. Mesmo em nossa própria proteção, não queremos levantar as menores barreiras entre nós e os companheiros alcoólicos que ainda sofrem. Sabemos que a sociedade exige que ele se conforme às suas leis e convenções. Mas a essência de sua doença alcoólica é que ele tem sido incapaz de se conformar às leis do homem e de Deus. Se é alguma coisa, o doente alcoólico é um rebelde inconformista. Como nós entendemos bem isso... um dia, todo membro de A. A. foi um rebelde!

Por isso não oferecemos concessões mútuas.Devemos entrar na caverna escura onde ele está, e lhe mostrar que o entendemos. Percebemos que está muito fraco e confuso para vencer os obstáculos. Se colocarmos mais obstáculos, ele pode ficar de fora e perecer. Pode lhe ser negada uma oportunidade sem preço. Por isso, quando ele pergunta: "Existe alguma condição?", nós respondemos alegremente: "Não, nenhuma".

Quando, sem acreditar, ele volta dizendo: "Mas deve haver algo que tenho de fazer ou acreditar!", rapidamente respondemos: "Em A.A. não existem obrigações". Cinicamente, talvez, ele então pergunta: "Quanto tudo isso vai me custar? Somos capazes de rir, e dizer: "Nada! Não há taxas e nem mensalidades".

Assim, num instante, nosso amigo é desarmado de sua suspeita e rebelião. Seus olhos começam a se abrir para um novo mundo de amizade e entendimento. Idealista fracassado que ele possa ter sido, seu ideal não é mais um sonho, após anos de procura solitária, ele agora lhe é revelado. A realidade de Alcoólicos Anônimos irrompe sobre ele. Alcoólicos Anônimos está dizendo: "Temos algo sem preço para lhe dar, somente se você quiser receber". Isso é tudo. Mas, para o nosso amigo, é importante. Sem mais cerimônias, ele torna-se um de nós.

Nossa Tradição sobre como ser membro, contém uma qualificação de importância vital. Essa qualificação se relaciona ao usado no nosso próprio nome: Alcoólicos Anônimos. Acreditamos que quando dois ou três alcoólicos se reunirem para conseguir sobriedade, podem se chamar um grupo de A. A. desde que, como grupo, não tenham outras afiliações.

Aqui, nosso propósito é claro e inequívoco. Por razões óbvias, desejamos que o nome Alcoólicos Anônimos seja usado apenas em conexão com atividades de A. A., sem mistura. Nenhum membro de A. A. gostaria de ver, por exemplo, a formação de grupos de A. A. "secos", grupos de A. A. "molhados", grupos de A. A. "republicanos", grupos de A. A. "comunistas". Poucos, se houver, desejariam ver nossos Grupos designados por denominações religiosas. Não podemos emprestar o nome de A. A., mesmo indiretamente, a outras atividades, mesmo que tenham valor. Se agirmos assim, ficaremos comprometidos irremediavelmente e divididos.

Pensamos que A. A. deve oferecer uma experiência para o mundo inteiro, para qualquer uso que possa ser feito dela, mas não o seu nome. Nada é mais correto. Não deixemos de resolver que seremos sempre inclusivos e nunca exclusivos, oferecendo tudo o que temos para todos, menos o nosso nome.

Possam ser derrubadas todas as barreiras, possa, assim, a nossa Unidade ser preservada. E que Deus nos conceda uma
longa vida e uma utilidade única.

(Grapevine,fev.1948)

(Revista Vivência - Março/Abril 2001)