DP - Despertar espiritual - Viagem do espírito

Despertar espiritual - Viagem do espírito

“Espiritualidade” é uma palavra de mudança de mim. Quando fui apresentado a ela, ninguém avisou sobre isso. Eles simplesmente deixaram que eu sentisse. Cercaram- me com ela, e senti o conforto pela primeira vez na vida. Depois de quatorze anos em escolas religiosas, finalmente fui apresentado a Deus na minha primeira reunião de A.A.. Nós nos tornamos amigos desde então. Se tivesse de escolher uma cor para a mudança da natureza da espiritualidade, que cresceu ao redor e dentro de mim, a cor não seria a mesma para diferentes períodos de minha vida. Antes A.A., não havia cor. Eu era atormentado pela dúvida disfarçada de sensibilidade e intelecto. Sabia como as pessoas loucas em hospitais se sentiam e entendia por que algumas culturas pensavam que a demência é um sinal de ser tocado por Deus. A única coisa a fazer era tomar outra bebida e pensar friamente sobre isso. Em seguida tive um colapso pessoal. Quando se acorda na ala psiquiátrica  de um hospital público, você fica disposto a considerar as alternativas para o padrão de vida anterior. Eles se deram um café da manhã fraco. Tudo naquele lugar maçante era marron ou beje, mas bem no meio da bandeja do café estava uma laranja grande e brilhante. Eu não conseguia tirar os olhos daquela laranja. Parecia tão surpreendente e saudável.  Eu a coloquei no bolso e me apresentei humildemente quando o guarda sugeriu que eu fosse a uma reunião de A.A. Era tudo tão estranho. O que senti pela primeira vez naquela sala foi harmonia. Fiquei agradavelmente perplexo com a ligação invisível de felicidade que parece conectar os membros de A.A. Fui surpreendido por esta boa sensação, e embora lembre pouco do que foi dito na reunião, 15 anos atrás, ainda sinto aquele momento de verdade e de paz que me preencheu. Aconteceu instantaneamente. O que chamou a minha atenção foi a forma que a laranja tinha. Meus primeiros padrinhos me instruíram com amor a manter aquela experiência espiritual. Eles me disseram  que deveria tornar-me ativo para manter a minha espiritualidade tão verde como grama. Disseram-me para ler o livro Alcoólicos Anônimos. A primeira leitura foi lenta. Não conseguia reter mais do que do uns poucos parágrafos de uma vez. Eu o leio uma vez por ano desde então, para me manter vivo. Meu primeiro padrinho espiritual disse que nunca conseguia aceitar Deus até que ele decidiu com o que Deus se parecia. Ele tinha de saber para quem estava orando. Ele finalmente concordou com o pensamento de que o homem  foi feito à imagem e semelhança de Deusa e começou a orar a um Deus que parecia com ele mesmo. Nossa frase “ na forma em que O concebíamos “  permite essa e muitas outras ideias. Há dias em que sinto que essa ideia é demasiada estreita para mim e que a primeira origem divina de espiritualidade é mais parecida com o amplo céu azul sobre mim. Teno a tendência de me ocupar demais. O problema é que quando canso, perco de vista o conselho sutil para praticar esses princípios em todas as minha atividades. Devo lembrar que isso inclui assuntos de negócios. Na posso meditar e ler o livro  e depois ir para o trabalho e enganar ou manchar a reputação de um adversário. Essa é uma luz de advertência vermelha grande que me avisa quando estou flertando com o perigo. Não sou capaz de negar a espiritualidade da outra pessoa e ficar confortável comigo mesmo. O que faço com a alma que chegam faço a mim mesmo, e como o dia segue a noite, sofro de ressacas espirituais ou emocionais. Quando a luz vermelha pisca a perigosamente, verifico a minha língua, calo a boca e ouço as respostas. Elas sempre vêm. Eu fico calmo quando ouço.. Sempre consigo acalmar o caos, percebendo que Deusa proverá o tempo suficiente para eu fazer tudo o que pretendo.Nem mais, nem menos. A vontade de Deus se desenvolve sem problema, de certa forma, a minha agenda permite todas essas coisas que devo fazer. Na minha rotina movimentada, geralmente encontro tempo, por exemplo para me sentar e ler o livro A.A..É fácil , na verdade – basta desligar a luz vermelha, sentar, abrir o livro e ler. Isso não significa que me hipnotizei pela preguiça e não faço nada. Para mim, o trabalho é definitivamente uma forma de oração . Um amigo me disse recentemente que sua esposa chamou o serviço em A.A. de um b3e4lo exemplo de amor e gratidão. Disse que aconselha as pessoas a amar a Deus e, em seguida, fazer o que quiserem. Se estou cheio de amor e gratidão e faço o que quero,  sei que realizei um bom trabalho para todos e até para mim mesmo. No livro Alcoólicos Anônimos, Bill escreve sobre a espiritualidade, que é essencial para a recuperação da obsessão insana pelo álcool. Ele nos diz repetidamente que temos de encontrar Deus, a fim de parar de beber e crescer como seres humanos de natureza espiritual. Eu era o destinatário dos dons espirituais da Irmandade, mesmo quando não reconhecia  o porque. Eventualmente, tinha de perceber o que era manter-me sóbrio.  Mais cedo ou mais tarde, tive que descobrir que A.A. não era apenas uma terapia de grupo.  Nem mesmo todas as frases e padrinhos inteligentes do mundo iriam me ajudar se eu não reconhecesse o núcleo espiritual de tudo. Talvez fosse bom ouvir nas reuniões que poderia orar para radiadores e pedaços e madeira, mas para crescer na vida, foi necessário dar a Deus o Seu emprego de volta.  Esse caminho espiritual maravilhoso começou para mim com uma laranja, e do topo da montanha em que estou agora em A.A.. é possível, manter meus olhos em todas as cores do arco-iris ou focar em cada uma delas, uma de cada vez. Sou livre para decidir. Não posso pensar em uma cor para a liberdade, mas sei como eu  a sinto, e é fantástica. Para mim, a liberdade começou com aquela laranja e com a espiritualidade. – E.S. – Nova York, Nova York.

ESPECTRO   ESPIRITUAL – ABRIL 1980