Artigos - Despertar espiritual, viagens.... (consciência)

Em seu artigo “A rendição”, como sempre, Dr. Harry Tiebout estava certo. A rendição e o livre arbítrio são inconciliáveis. Não há nenhuma maneira de render-se por vontade própria. Rendição – admitir: “ Eu sou um bêbado” - acontece espontaneamente. É impossível provocar ou forçar a rendição. Normalmente, a conscientização surge a partir de um reconhecimento evidente da inutilidade de vagar constantemente por um doloroso mundo de opostos: bêbado-sóbrio, dor-prazer, sucesso-fracasso. Com seus dedos gelados, o fracasso sufoca nossas gargantas e em total desespero, paramos de lutar. Nós chegamos ao fundo do poço. E depois nos redemos a sobriedade. Ao rejeitarmos o passado (morto) e o futuro (inexistente) e sem nada mais, começamos a viver o agora ( o que realmente existe). O programa de 24 horas de A.A. se desenrola, e vivemos o agora (eternidade) que proporciona a alegria pura da sobriedade. Agora devemos nos render. Entregar a nossa vontade e nossas vidas... A experiência espiritual consiste na consciência de que o “agora” esta sempre em movimento e apresenta mudanças  constantes. Nossa percepção clara, total e sem censura de que somos alcoólicos e nossa rendição ( que nascem da dor intensa) consistem na experiência espiritual. Cada um de nós compreende essa experiência de sua maneira – Deus. Como O concebemos. Se vivemos no passado ou no futuro, voltamos para a câmara de tortura. Interrompemos a mudança. O tédio, a dor e o vazio surgem mais uma vez. Nós somos ...Seremos...Não somos mais. O programa de 24 horas é extinto. A ansiedade, a raiva e o desejo de vingança substituem a experiência espiritual. A consciência e a entrega cessam. Entramos numa bebedeira seca. É culpa do mundo? Cada um de nós tem seu próprio mundo. Quem mais poderia ser? Ninguém. Não há nada de ruim sobre quem somos. Não há nada de bom sobre quem somos. “Bom” e “mau” são conceitos feitos pelo homem. Nós simplesmente somos quem somos. Nem mais nem menos. Ter consciência da verdade que está em mudança constante em relação a que e quem somos ( “Continuamos a elaborar o inventário pessoal”), sem críticas ou elogios, essa é a essência do conceito de viver em rendição. Todo o tumulto surge do sentimento profundo e persistente de que devemos ser diferentes daquilo que somos. Nossas mentes se agitam tanto! Se pudéssemos aceitar totalmente quem e o somos ( mudamos a cada instante), nos encontraríamos na imensidão silenciosa do agora. Olhe bem para o que você é agora. Aceite totalmente. Não critique e nem condene o que vê. Basta perceber e deixar fluir. Tendo como base esse ponto de vista, essa observação, a busca “pela oração e meditação”, cresce uma renovação espiritual, uma revigoração espiritual, e uma inocência espiritual que vai além do terrível mundo dos opostos. Agora, os opostos se encontram e se fundem. O egocentrismo é substituído pela consciência plena e gloriosa que está sempre ativa por uma experiência espiritual que está em renovação constante. As exigências, as expectativas, os anseios e os desejos nos predem ao eterno medo e á inutilidade do passado que foi e o futuro que nunca chega. Não querer nada - saber que não podemos forçar os acontecimentos –nos proporciona alegria e realização total. A terra, paraíso, nós nos tornamos uma unidade, e neste estado de rendição espontânea, descobrimos a estabilidade e a profundidade espiritual na vida cotidiana, aqueles elementos que sempre procuramos. – 

DR. EARLE M. – Vietnã. – Setembro de 1974.