DP - Despertar Espiritual, Viagens... Oração

Por mais de cinco anos o Décimo Passo me intrigou. Pode ser em consequência da minha formação precoce no seminário e por ter participado de retiros anuais. Mas a verdade é que  a minha oração pessoal se tornou um verdadeiro “contato com Deus” até começar a praticar o programa espiritual de A.A. Muitos anos atrás, perguntei a um estudante universitário se ele ainda orava. Porque eu sabia que era em razão de sua agenda pesada de estudos, debates e os esportes, sua resposta realmente não iria me assustar. Joe respondeu ” Sim, pai.Quando eu caboto na cama à noite, sempre olho para cima e digo: “Deus, mantenha contato, cara!” isso provavelmente batia o meu recorde de oração nos dias de bebedeira. Ás vezes, vagos anseios religiosos atingiam as janelas de minha alma que se encontrava aprisionada, mas meu desejo de aproximar de Deusa era quase nulo. Depois da minha última hospitalização por beber, um sábio sacerdote falou-me em tentar o programa de A.A., que se tornou um colete salva-vidas espiritual. Depois de apenas uma reunião timidamente tentei orar mais uma vez -  e gostei! Desde aquele noite de milagre, sinceramente tentei compreender a efetiva prática dessa linguagem espiritual de oração.Há expressões simplesmente infinitas. O constrangimento sempre predomina quando um membro menciona qualquer coisa sobre a oração em sua vida. Talvez seja considerado um assunto muito íntimo, ou há medo de que ele possa afastar alguns novos membros. Mesmo assim , nas duas vezes que conduzi uma discussão do Décimo Primeiro Passo, a reunião se transformou em algo animado e muito útil e com ideias que antes estavam adormecidas. Os nossos companheiros gostam de rezar, e essa atividade espiritual é de grande interesse para a maioria de nós. Se a oração não é, basicamente, fascinante, como explicar o crescente interesse na meditação transcendental e em outras formas de oração oriental? Pode ser que uma definição bastante fria do seminário tenha me desaminado desde o início desde o inicio: a oração é um ato que exalta a alma a Deus, para glorifica-lo e nos tornar perfeitos. Para mim, isso não foi nada inspirador. Outra definição de oração: “refletir sobre as coisas de Deus e aplicá-las na minha vida”.Também um pouco fria. Depois que entrei para A.A., comecei a gostar de uma definição bem simples de oração:” Trocar uma palavrinha com Deus”. Recentemente, uma antiga imagem me impressionou de forma mais vigorosa: Uma pessoa que ora é como a agulha da bússola, ela sempre tende a voltar para a posição Norte( o Poder Superior) no momento da libertação. Embora os teólogos dividam a oração em atos de solicitação, adoração, perdão e gratidão. A realidade é que no começo da minha recuperação em A.A., minhas orações eram como a de um pedinte: ” Me dê, Deus me dê!” Não que Deus não quisesse que eu Lhe pedisse favores - -muito pelo contrário. Mas descobri que Ele quer muito mais que isso. Um dia, eu li nas Cartas do Apóstolo Tiago: “ Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça a Deus... E vos será dada”. Essa linha convenceu-me a pedir-Lhe uma sabedoria crescente na prática da oração segundo a Sua boa vontade. O resultado foi que um horizonte espiritual  totalmente novo se realizou em minha mente! Bill W., estava certo quando escreveu (em Os Doze Passos e As Doze Tradições) que a meditação “não tem limites” e que “ é essencialmente uma aventura individual”. Uma aventura! Daí, comecei a diversificar a minha oração diária. Hoje a variedade de temas potenciais para a meditação espiritual realmente me surpreende Ela pode ser comparada a um elevador de orações, no qual qualquer pessoa pode ser transportada desde o porão até a cobertura, nos arranha-céus de Deus, com a liberdade de poder ficar em qualquer piso. Normalmente escolho primeiro o assunto. Se o tédio for comprovado, oro, pedindo por meu propósito espiritual mais suplicante. Ou mudo para aquilo que chamo de “oração para resolução de problema”. Se estou incomodado por novo ressentimento ou por uma decisão desconcertante, eu chamo meu Poder Superior para fazer uma consulta. Ele sempre surge com uma nova visão somada à força interior para que eu faça uma escolha sábia. De vez em quando, meu Deus me proporciona uma luz viva, ou um sentimento interior de doçura e consolação. Mas essa é uma ocorrência rara para a maioria de nós que não somos santos. Talvez, no meu caso, isso é raro porque Deus quer que eu ore buscando a Sua vontade e não a minha. Quando me canso de simplesmente orar, me pergunto: “Você está sinceramente buscando o Deus de consolação, ou apenas as consolações de Deus?”. O equilíbrio emocional que foi perdido uma vez, é devolvido com uma oração. Bill W. observou ( na Revista Grapevine de junho de 1958) que aqueles que persistem na oração “ encontrarão mais serenidade, tolerância, menos medo e menos raiva”. Embora alguns se dediquem à meditação como um propósito diário, não considero isso necessário. Mas o que tem me ajudado é escolher uma breve oração condizente com a minha meditação, como “ O Pai, eu confio em vós”. Essas linhas tendem a me dar sustentação espiritual em um dia atarefado. Diz-se que, quanto maior for a experiência em orações, mais simples elas se tornam. Realmente não consegui “ contato consciente” nas minhas primeiras tentativas de oração, porque elas eram parecidas com os estudos sobre os atributos de Deus no seminário.  A essência da oração não é a reflexão, mas levei muitos anos para descobrir isso. Hoje, percebo que a essência da minha oração deve consistir em atos espontâneos de afeto, gratidão e outros em direção a Deus. Isso é o real contato espiritual com Ele. Atualmente, também escuto muito mais – em silêncio, à espera de sua inconfundível voz dentro de mim. A oração, à medida que busco crescimento, deve se tornar uma via de mão dupla, e não meu monólogo incessante.” Aquietai e sabei que eu sou Deus”.  Assim, o meu tipo favorito de oração tornou-se “ tranquilo em Deus”. Sentado em silêncio, sozinho ou em grupo de oração, lembro-me que estou imerso no oceano de Deus, como um mergulhador a milhas abaixo da superfície. Simplesmente presto uma atenção amorosa a esse Poder Superior, ou ofereço as atividades do meu dia a Ele, confiante do conhecimento iluminado de  Sua vontade para mim. Levei muito tempo para transformar a oração em uma atividade agradável, uma verdadeira aventura espiritual em experimentar e arriscar, mas hoje isso me proporciona felicidade. Certamente, nunca poderia trabalhar o Terceiro, Quarto e Décimo Passo corretamente se eu não tivesse aprendido a me tornar mais dependente de Deus através da oração. Tudo o que devo fazer agora é evoluir nessa experiência – que ás vezes pode ser um pouco cansativa – e creio que a recompensa será ainda maior. – Padre Bill P. – Seatle, Washington. Abril 1974.
 
ESCRITÓRIO DE LITERTURA E ESCRITOS DE A.A.