DP - Deus é bom

Antes de A.A., não conseguia ou não queria admitir que estava errado. Meu orgulho não o permitia. E não obstante, sentia vergonha de mim. Atolado nesse conflito, bani Deus da minha vida porque sentia que Ele pedia-me que aderisse a um padrão de comportamento elevado demais para alguém de fragilidade humana igual à minha. De certa forma, acreditava que não poderia haver clemência em relação a qualquer falha, que Deus exigia que eu fosse totalmente bom. A moral da história do Filho Pródigo me escapava. Uma vez que eu achava que tentar não era o suficiente, parei de tentar. Isso fez sentir-me culpado. Durante algum tempo, o álcool absorveu a culpa. Em seguida, o álcool se converteu na principal causa da minha culpa. Tive que ser reduzido a uma polpa, física, mental e emocionalmente, e tornar-se falido em todas as facetas da minha essência, antes que pudesse desistir do meu orgulho e admitir minha derrota. Essa admissão não foi o bastante, infelizmente. Minha situação piorou até que rendi-me totalmente. Das profundezas do meu inferno, clamei: "Oh Deus, me ajude", e Ele me levou a um lugar onde pude encontrar uma saída do labirinto, enviando-me a um grupo de pessoas que me ensinaram o caminho. Agora aceito. Mas houve um tempo em que rejeitei Deus e afirmei que não acreditava em orações. Levou algum tempo para que meus guias conseguissem que eu falasse com Deus através da oração. Antes disso, usei a Irmandade de A.A. e seus membros como meu Poder Superior. Essas pessoas eram reais, compassivas e compreensivas, e fizeram sentir-me bem-vindo. Todavia, meu senso distorcido de
justiça me dizia não haver nenhuma razão para que Deus me perdoasse e, assim, ainda me sentia envergonhado e culpado quando Seu nome era mencionado. Quando me rendi totalmente e aceitei a natureza da minha doença, bem
como o significado completo do Primeiro Passo, tinha que ter algo maior a que me agarrar. A Irmandade não era o suficiente, como poder superior. Ainda uso A.A. como um lembrete de que Deus existe, mas não uso a Irmandade como
substituto de Deus. Assim, vim a acreditar por pura necessidade. Para acompanhar essa arraigada crença, desenvolvi uma enorme fé n'Ele. Deus é bom. Meu discernimento afirma que tudo que Ele coloca em meu caminho é para meu beneficio. Contudo, a expansão desse discernimento implicou em tempo, bem como no abandono da minha resistência à mudança. Precisava das provações e tribulações pelas quais passei, para que pudesse me render e desistir do meu egoísmo. Só pude começar a vencer depois da aceitação completa e da derrota total do meu orgulho e do meu ego.
Sou contra objetivos que não possam ser atingidos. Pessoas não se casam e vivem felizes para sempre. Não conseguiria "ficar seco" e viver na utopia. Deus nos apresenta um novo desafio a cada dia. Isso às vezes significa prosperidade, às vezes adversidades. A prosperidade pode levar à complacência, a adversidade à autopiedade. Tanto uma quanto a outra dessas reações são um luxo que não posso me permitir. Nem sempre aceito minhas adversidades como uma coisa boa, quando as estou atravessando, mas o mero fato de ser agora capaz de escrever estas palavras, comprova a lógica da minha fé na bondade de Deus. É uma opinião estritamente minha, baseada na minha experiência, que nos tornamos mais ricos em espírito à medida em que crescemos espiritualmente. Quanto mais aceito Deus, mais Ele me dá. À medida em que me torno mais grato pelos benefícios recebidos, tento com mais afinco demonstrar minha gratidão. Minha capacidade para estar contente com a vida como ela é cresceu muito. Conseqüentemente, à medida em que o tempo passa, torno-me mais capaz de estar em paz com meu próximo, com Deus e comigo mesmo.

VIEMOS A ACREDITAR 8/8