DP - Deus, Medo e Recuperação

Os Passos como caminho para viver a vida em paz, sem os tão conhecidos medos.

Ás vezes penso que Deus e nossa consciência estão interligados. No meu tempo de bebedeiras, a palavra Deus, soava como algo opressor, castigador. Tudo o que os clérigos, autoridades, psiquiatras e a sociedade "politicamente correta" diziam, imediatamente leva para o campo pessoal, fazia com que a ira viesse à tona e começava a defender teses e opiniões que, muitas vezes, nem minhas eram. Automaticamente, gerava controvérsias nas quais eu
precisava ficar com a última palavra.  Como resultado as pessoas ficavam chateadas e se afastavam. Não bastasse isso, minha vida atolada em desonestidades, confusões sexuais, problemas financeiros e o orgulho bombardeado por fracassos, fazia-me sentir totalmente culpado perante o "Deus Castigador". Não é de se admirar que ficasse com minha consciência pesada.

 Hoje, estou tentando colocar em prática os princípios de A.A. no meu dia-a-dia. Procuro, através da prece e da meditação, alcançar o caminho correto. Esse mesmo "Deus Castigador" se tornou Deus Perdão, Deus Amor, amigo íntimo que sabe tudo sobre minha vida e está do meu lado, mesmo quando
repito aqueles erros do passado. Não sinto mais medo e revolta em relação a Deus. Ao invés disso, tenho por Ele admiração, respeito e amor que fazem me sentir extremamente bem.

 O mesmo ocorre com a sociedade. Quando uma pessoa expõe seu ponto de vista ou uma crítica, não fico com raiva, simplesmente procuro analisar o que foi dito. Se houver alguma ligação comigo, aceito e procuro reparar o que for necessário, se não houver, deixo que a coisa toda vá embora, ficando, assim, com a consciência livre e leve para seguir adiante. Assim sendo, fica fácil concluir que se minha consciência estiver direcionada às coisas boas e eu estiver trabalhando por elas, Deus é bom, mas, se não houver um esforço para progredir no campo pessoal e espiritual, qualquer erro que venha a cometer me fará pensar que Deus é ruim, que está de olho em mim.

Então, qual é a diferença, o motivo que separa o trabalho da inércia? Ora, todos nós sabemos que os Doze Passos são a solução para os nossos problemas. Se analisarmos bem, descobriremos que o único motivo que nos impede de praticá-los é o medo de fazê-los errado, ou, medo de que seja muito difícil fazê-los.

Observem o que Liane Cordas, em seu livro O Lago da Reflexão, tem a dizer sobre o medo: "Enquanto o medo domina  nosso pensamento, podemos fazer muito pouco para modificar nossas circunstâncias para melhor. O medo paralisa qualquer ação útil ou construtiva. Medos de derrota, humilhação, perigo, inadequação e sofrimento podem esgotar nossas forças e coragem para enfrentar os desafios da vida. Nossos medos também nos impedem de perseguir oportunidades para o crescimento e o sucesso. Quantos de nós, antes de nossa exposição a esta filosofia viva, tínhamos medo de assumir o controle de nossa vida? Quantos de nós procurávamos compensar os medos de inadequação, assumindo responsabilidades e problemas dos outros? Uma vez aceitando esta filosofia, somos ensinados a superar as dificuldades, limitando as preocupações a coisas que estão ao nosso alcance controlar. Aprendemos a viver um dia de cada vez. Somos lembrados de que não podemos modificar ninguém além de nós mesmos".

Companheiros, mente aberta para o Segundo Passo e a chave da boa vontade do Terceiro Passo são suficientes para começar a caminhada em direção aos nossos ideais.

Vivência - Nov/Dez 95