DP - Como venho recebendo ajuda de A.A.

"Chegando ao meu fundo de poço, conclui que precisava de ajuda."

Quando ingressei em A.A. tinha o velho e desgasto desejo de parar de beber.

Havia criado diversos métodos, li vários livros de auto-ajuda e cheguei a sentir-me vitorioso com algumas longas paradas no uso da bebida alcoólica.
Mas, a cada "recaída" a volta à bebida era cada vez mais forte.
Desfiz um casamento de trinta anos, perdi o ritmo de trabalho, afundando-me em muitas depressões e dividas. Abandonei até a religião que seguia há muitos anos com certo zelo.

Chegando ao meu fundo de poço, conclui que precisava de ajuda. Resolvi procurar Alcoólicos Anônimos. Mas, nesta ocasião, não tinha, nem a noção e nem muito menos a dimensão do valor da programação oferecida e da abrangência de um crescimento espiritual e de ser uma inigualável ferramenta para meu auto-conhecimento.

Sabia que um vizinho, que havia parado de beber por uns três anos, estava em A.A.. Pedi-lhe o endereço do grupo que ele freqüentava para que eu visitasse a sala de reuniões. Neste mesmo dia, (domingo) fui jogar cartas com uns conhecidos à tarde e quando saí de lá ganhei de presente uma garrafa de pinga de engenho, cheirosa, de dar água na boca. Tomei algumas doses e guardei em litro dela em casa para tomá-la depois.

À noite fui para A.A.. Havia bebido uma hora antes. O que ouvi ali me bastou para concluir que havia chegado a minha hora de parar de vez. Eu não estava mais sozinho. Estava em um programa, não de auto ajuda, mas de mútua ajuda, pois o programa de auto ajuda infla o ego e colocamo-nos à frente de um Poder Superior.

Não sabia que o alcoolismo é uma doença incurável e que pode ser paralisada.
Quando cheguei em casa, joguei na pia da cozinha aquele "presente" que eu havia recebido. Falei para a pinga: - "Você é mais forte do que eu. Não podemos viver juntos debaixo do mesmo teto".

Dia seguinte: - visitei o ESL (Escritório de Serviços Locais de A.A.) onde fui muito bem recebido e me indicaram ler o livro "Viver Sóbrio". Devorei-o em dois dias. Conheci outra pessoa que estava em A.A. há mais tempo, mas tinha poucos contatos com ela. Procurei seu telefone, liguei e pedi-lhe que fosse ao meu encontro, mas não lhe falei do que se tratava. Ele foi   na Irmandade e ainda pode oferecer bastante com a sua larga experiência da obra.

Ingressei na terça-feira e passei a trabalhar no ESL. Oferecei-me para fazer o café. Passei a cuidar da limpeza. Atendi aos telefonemas. E tinha a  alegria de conhecer novos companheiros.
Adquiri os Doze Passos em CD e passei a escutá-los com freqüência. Com doze dias fui ao meu primeiro Ciclo de Estudo dos Doze Passos, onde tive o privilégio de ser o relator em um GT (grupo de trabalho) de um dos passos.
Já fui facilitador (àquele que apresenta os passos para o grupo lembrando que o importante é a mensagem e não o mensageiro) em duas vezes em grupos na cidade onde moro.

Minha segunda ajuda, depois de prestar serviços no ESL, foi a Revista Vivência com os seus artigos maravilhosos, abrangentes e fortalecedores, Fui apadrinhado por um companheiro que me deu uma assinatura de presente. Tenho tirado muito proveito dos números anteriormente publicados e incentivado aos que gostam de uma revigorante e excelente leitura. Afinal, é a nossa revista!

E a minha terceira ajuda é o A.A. On-line, que descobri após a convenção de Manaus (AM). Com a ajuda de uma pessoa amiga, fui conhecendo como entrar em salas de voz ou texto. Ouvem-se muitas partilhas (experiências "cabeceira de mesa" ) de companheiros de diversas partes do planeta e amplia-se o circulo de mais de 1700 companheiros on-line).

Quando me inscrevi para receber e-mails de companheiros e da AABR fiquei assustado com o volume de correspondência na caixa postal e a minha primeira vontade foi de pedir cancelamento. Afinal são mais de cinqüenta mensagens por dia! Mas, parei para pensar nos benefícios. Se eu estivesse garimpando diamantes, será que eu queria que viessem mais diamantes e pouca areia?

Encarei como se estivesse realizando uma reciclagem de informações. Passei a enxergar diversos artigos valiosos de livros que eu ainda não tenho na minha biblioteca. A própria reflexão diária que às vezes deixo de considerar, quando acesso o A.A. On-line, quase que obrigatoriamente tenho contato com esta fonte de vigor e encorajamento.

Dizem que em A.A. não conta tempo, mas conta sim, senão para ser um Custódio não precisaria ter dez anos de sobriedade. Com mais estas 24 horas de sobriedade estou completando meus primeiros seis meses em A.A. e sinto-me grato por ter esses três tipos de ajuda para minha recuperação: o Serviço prestado em A.A., a Revista Vivência e A.A. On-line.


Vivência nº111 - Jan/Fev. 2008.