DP - Eu sou um milagre de A.A.

Passei longos 32 anos na ativa do álcool, desde meus 15 anos e me perdi de mim mesma.

Quase não me encontro mais! Perdi meus filhos, minha casa, minha identidade, virei mendiga.

Perdi judicialmente uma filha de 07 meses devido à minha vida desregrada.

Fui ser faxineira, cobradora de ônibus e não sabia onde meus filhos estavam, pois o pai deles já não agüentando mais minhas loucuras fugiu de mim. Perdi tudo que uma mulher pode perder; fui hospitalizada muitas vezes em hospícios; levei choques elétricos na cabeça e mal saía dos internamentos dava prosseguimento à minha vida ativa de alcoolismo.
Descobri onde meus filhos estavam junto ao pai e fiz uma fuga geográfica e com saudade de meus filhos implorei ao pai de meus filhos, que tão generoso aceitou-me. Não deu um mês e já estava eu aprontando numa cidade pequena, dormindo no cemitério da cidade, dormindo debaixo de pontes, enfim tudo voltou a ser um verdadeiro inferno para meus filhos e o pai deles.

Um dia por uma coisa que aparentemente seria uma bobagem mas para mim foi o fundo do poço: fui chamada de velha ridícula, hippie velha e outras coisas mais; juntou gente para ver a cena pela qual eu passava. Fui para casa derrotada, bêbada, drogada e envergonhada.

Adormeci e quando acordei fiz uma introspecção; me vi na real; me olhei no espelho e reparei minhas rugas, minhas mãos já com as marcas do tempo; demorei a admitir que estava com 47 anos e na minha cabeça tinha 17! Estava 30 anos atrasada de mim mesma! Foi quando resolvi pedir ajuda em uma reunião de Alcoólicos Anôni-mos.Ingressei naquele dia mesmo com muito medo do desconhecido, medo de encarar minha realidade, mas como um grande amigo me sugeriu dei meu primeiro passo e admiti a derrota total.

Venho até hoje e só por hoje admitindo minha impotência perante o álcool. Sou a atual RSG do Grupo Central Maranguape de A.A. e faço parte dos serviços com muita garra e prazer, pois devo meu retorno à vida à Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

Eu sou um milagre de A.A.

Matéria Publicada na Revista Vivência nº 116