DP - E os meus complexos?

Uma das coisas que mais me atrapalhou na vida, antes de conhecer A.A., foi o meu complexo de inferioridade. Isso acontecia mesmo antes de meu alcoolismo ativo.

Ao começar a beber, percebi que, por alguns momentos, me sentia bem e me descontraía. Mas voltava a ser o mesmo quando o efeito passava. Detestava-me por isso.

Com a progressão do alcoolismo, passei por todas as fases até ser internado num sanatório por cinqüenta e sete dias. De lá saí para um grupo de A.A. Isso foi há dezoito anos.

Não estava bebendo, mas continuava me detestando, pois os complexos me acompanhavam.

Demorei quase um ano para dar meu primeiro depoimento. Era preciso levantar a mão para falar e eu nunca faria isso. Um dia, um companheiro me desafiou a fazer um depoimento. Fui, mas foi muito difícil. Alguns dias mais tarde, perguntei a outro companheiro como é que eu faria para levantar a cabeça ao dar o depoimento. Ele me deu uma sugestão óbvia: "É simples", falou, "é só levantar a cabeça". Não foi fácil para mim. Não percebi estar rodeado de companheiros que me aceitavam como eu era e que iriam fazer com que eu me aceitasse e me envolvesse na Irmandade de A.A.

Depois de um ano e meio, mais ou menos, assumi um encargo no Comitê de Serviços do Grupo. Gostei e aí não parei mais. Fui coordenador, RI, RSG, fiz café, MCD, tesoureiro de distrito. Cheguei a Delegado e participei de duas Conferências. Foi uma experiência muito boa para mim. Comecei a me arriscar a fazer temáticas e não me saí mal. Hoje participo, falo, se for chamado, em todos os eventos da Irmandade. Talvez a minha maior emoção foi carregar a bandeira de meu Estado, na Convenção de Brasília.

Eu não acreditava mais em mim, mas meus companheiros acreditaram. Eu nada fiz pelo A.A. Tudo o que fiz foi para meu próprio benefício. Aprendi que o serviço é parte integrante da minha recuperação.

Adeus complexos, graças a Deus e a vocês, graças aos Três Legados de A.A. : Recuperação, Unidade, Serviço.

Vivência – Mai./Jun. 96)