Artigos - Eliminar a autopiedade

Esta emoção é tão feia que ninguém, em seu juízo perfeito, quer admitir que a sente. Mesmo sóbrios, mantemo-nos prontos a esconder de nós mesmos o fato de estarmos metidos numa trama de autopiedade. Absolutamente não gostamos que alguém a perceba (e nos chame a atenção) e rispidamente argumentamos que se trata de outra emoção – não esse abominável “pobre-de-mim”. Ou podemos, num segundo, encontrar uma boa dúzia de motivos para, de algum modo, sentirmos pena de nós mesmos.

A agradável sensação familiar de sofrimento continua suspensa sobre nós muito tempo depois da desintoxicação. A autopiedade é um pântano traiçoeiro.

Afundar nele exige muito menos esforço do que a fé, a esperança ou a simples ação.

Os alcoólicos não são os únicos assim. Todo mundo que se lembre de uma dor ou doença na infância provavelmente poderá lembrar-se também do alívio que sentia quando se lamentava e da mórbida satisfação de rejeitar qualquer consolo. Quase todo ser humano, em certas ocasiões, poderá identificar-se com o lamento infantil: “Deixe-me em paz!”.

Uma das formas em que a autopiedade se manifesta em alguns de nós logo que paramos de beber é: “Pobre de mim!!! Porque não posso beber como todo mundo?” (Todo mundo?) “Porque isso tinha que acontecer justamente comigo?

Porque eu tinha que ser alcoólico? Porque eu?

Tais pensamentos são um ótimo ingresso para o bar, pouco mais que isso. Lamentar-se por essa pergunta irrespondível é como chorar por termos nascido nesta era e não em outra, neste planeta em vez de noutra galáxia. É claro que não é só “comigo” que isso acontece, em absoluto! – é o que descobrimos quando começamos a conhecer alcoólicos recuperados do mundo inteiro.

Mais tarde compreendemos que começamos a fazer as pazes com essa pergunta. Quando realmente acertamos nosso passo numa recuperação agradável, ou podemos achar a resposta ou perder o interesse em procura-la. Você saberá quando isso lhe acontecer.
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( Livro- Viver Sóbrio ) 22