Artigos - Entrando em ação (Bill W. explicando os 12 passos)

Bill resolveu “Entrar em Ação” escrevendo um livro, para alcançar o objetivo a que se propunha

O tema, além de sugestivo está identificado com o momento em que Bill, na ânsia de passar sua experiência para o papel, resolveu “Entrar em Ação” escrevendo um livro, como a forma mais eficaz, por ele encontrada, para alcançar o objetivo a que se propunha. Conta-nos Bill que, em 1938, após relatar sua própria história sentia necessidade de mostrar ao mundo, como funcionava o nosso Programa de Recuperação. Na sua pretensão estavam incluídos os Doze Passos como parte integrante do livro “Alcoólicos Anônimos” que, em abril de 1939, deu nome à Irmandade.


Dessa maneira, Bill iniciou sua tarefa procurando lembrar-se de tudo o que lhe havia acontecido, desde a visita que Ebby lhe fizera em novembro de 1934, até fins de 1938, quando eram notáveis as recuperações por meio daqueles princípios. Ali, mesmo já dispondo das “Seis Etapas” dos Grupos de Oxford, Bill desejava algo mais para tornar os nossos princípios fartamente conhecidos. Conta-nos a história que, nesse clima de graça e inspiração, Bill pegou lápis e papel, pediu a iluminação divina e passou a escrever aleatoriamente. Passados, aproximadamente, 30 minutos, fez uma pausa, contou os itens já rascunhados, que somaram doze; e deu-se por satisfeito. Aqueles Doze Princípios, que chamou de Passos, foram encaminhados aos Grupos para serem discutidos, votados e aprovados pela consciência coletiva da Irmandade, em sua forma final. As discussões para aprovação dos Passos foram acirradas, mas benéficas, dando origem às expressões: Poder Superior (Segundo Passo) e Deus na forma como O concebíamos (Terceiro e Décimo Primeiro Passos).  Isso permitiu que as portas de A.A. se abrissem e permanecessem abertas a qualquer um, de qualquer seita e/ou religião, ou mesmo sem nenhuma delas, ficando disponíveis, também, aos ateus, céticos e agnósticos que, a partir dali poderiam buscar sua tão desejada recuperação.


Nada era exigido; o que se requeria era apenas que todos tivessem a devida humildade para aceitar um Poder Superior, como cada um O concebesse. Aprovados os Doze Passos, estes foram colocados à disposição da humanidade inteira, para que todos os indivíduos pudessem deles fazer uso, contanto que não modificassem o seu conteúdo espiritual. Mesmo sem explicação para o fato, após a aprovação da consciência coletiva dos Grupos, da época, verificou-se que, os Doze Passos apresentavam particularidades dignas de registro: descobrimos que, somente o Primeiro Passo falava em álcool; e só o Décimo Segundo falava em alcoólico.


Fora disso, nada havia nos Passos que os identificassem com Alcoólicos Anônimos. Notamos também que, dos Doze Passos somente seis falavam em Deus (Segundo,Terceiro, Quinto, Sexto, Sétimo e Décimo Primeiro); e seis não falavam em Deus (Primeiro, Quarto, Oitavo, Nono, Décimo e Décimo Segundo). De outro lado, o modo como os Doze Passos haviam sido ordenados, os colocavam em uma posição tal, que não podiam ter sua sequência modificada. Assim, cada Passo, exceto o Primeiro e o Décimo Segundo, complementava o imediatamente anterior e era complementado pelo imediatamente posterior, numa sequência lógica entre eles. Em razão disso, só poderíamos praticar o Terceiro Passo, depois do Segundo e, este, somente após o Primeiro, ou seja, só depois de admitir a nossa impotência perante o álcool (Primeiro Passo), é que passávamos a acreditar que somente um Poder Superior, a nós mesmos, nos poderia devolver a Sanidade (Segundo Passo); só então, por meio do Terceiro Passo, decidíamos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados do Poder Superior, na forma como O concebíamos. Hoje sabemos que, jamais o Quinto Passo poderá ser praticado antes do Quarto; inicialmente, fazemos um minucioso e destemido inventário pessoal, honesto e consciente, por meio do Quarto Passo para, em seguida, por meio do Quinto “admitirmos perante Deus, perante a nós mesmos e perante aos outros seres humanos, a natureza exata de nossas falhas”.


O mesmo ocorre com relação ao Sétimo Passo, que só poderá ser praticado se, antes fizermos o Sexto; neste, prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus remova todos os nossos defeitos de caráter para, no Sétimo, rogarmos a Ele que nos livre das nossas imperfeições. Só cumprimos o Nono Passo, após o Oitavo; neste, relacionamos todas as pessoas a quem tenhamos ofendido para, no Nono, reparar os males e danos a elas causados. O Décimo Passo nos manda de volta ao Quarto, onde continuamos nosso inventário pessoal; e quando estamos errados, admitimos prontamente. Ao chegar ao Décimo Primeiro Passo, retornamos ao Terceiro, onde através da prece e da meditação, procuramos manter um contato mais consciente com Deus, na forma como O concebemos, pedindo a Ele apenas o conhecimento de Sua vontade com relação a nós, e forças para realizar essa vontade. Ao fim, agradecido ao Poder Superior pela experiência do despertar espiritual alcançado graças aos Onze Passos anteriores, passamos a praticar.                   

                  
É fácil observar que a Sobriedade depende da prática dos nossos princípios espirituais em todas as atividades, em todos os momentos da vida e não somente numa sala de A.A. Sintetizando os Doze Passos identificamos o serviço básico que a Irmandade oferece; é a nossa principal arma e a maior razão da existência de A.A. Isso nos leva a crer que Alcoólicos Anônimos é mais que um simples conjunto de princípios; é uma Irmandade de recuperação de alcoólicos em ação. Por isso, dizia Bill W.: “Devemos levar a Mensagem de A.A.; caso contrário, nós mesmos podemos cair; e aos que não foi dita a verdade, podem morrer”; e continuava: “Ação é a palavra mágica que encerra toda filosofia da nossa recuperação, sendo, também, o coração do Décimo Segundo Passo – Serviço – e Serviço em A.A. é tudo que possamos fazer para ajudar o alcoólico, os nossos companheiros e, concomitantemente, a nós mesmos”.


Isso significa dizer que se torna bastante difícil a recuperação do alcoólico, sem a Ação dos Doze Passos; por isso, os Passos devem ser objeto permanente das Reuniões Temáticas dos Grupos, Encontros e Seminários, para que possamos mostrar a essência de nossa Mensagem e a necessidade de sua prática dentro de A.A. Ademais, no Serviço, o prazer de viver é o tema; e ação é a sua palavra mágica. Aqui nos chega a oportunidade de ajudar os companheiros alcoólicos ainda aflitos. A essa altura, estamos experimentando “o dar pelo dar”, ou seja, dando, mas nada pedindo em troca.


Quando conseguimos analisar o Serviço, no conjunto de todas as suas implicações, estamos na verdade marchando em direção a um tipo de amor que não tem preço. O Serviço também nos diz que, como resultado da prática dos Passos, cada um de nós foi descobrindo algo que podemos chamar de “despertar espiritual”. Para os recém-chegados, isso pode parecer dúbio ou impossível, levando-os a perguntar: que é “despertar espiritual?” Acreditamos que há uma definição para cada um que o tenha experimentado.


Contudo, os casos autênticos, na verdade, têm uma coisa em comum e de fácil compreensão: alguém que o tenha alcançado passa a ter algo muito significativo em sua vida; uma nova capacidade para fazer e sentir coisas divinas, bem como nelas acreditar de uma forma antes não permitida dentro de si. A dádiva recebida é um novo estado de consciência e uma nova maneira de ser. Um novo caminho lhe foi indicado, conduzindo-o a um lugar determinado, onde a vida não é um beco sem saída, nem algo a ser suportado.