Artigos - Essa incompreendida 9ª tradição

Em um artigo escrito em 1947, logo após a publicação das 12 Tradições de A.A., intitulado “ Chegará o A.A. a ter um governo pessoal?”, o Bill autor diz : NÃO! Jamais o A.A. deverá ter um governo pessoal! Este é o retumbante veredicto da nossa experiência!”. – O alcoólico jamais aceitaria quaisquer forma de governo, ou mando da mesma forma  que nenhum deles tem condições de dirigir ninguém. Todos aqueles que o tentaram ou fracassaram redondamente ou voltaram aos goles. Quando estávamos na ativa e tentávamos “mandar” em alguém, ou fazer com que alguém  se sujeitasse às nossas errôneas ideias ou imposições sempre fracassávamos e recorríamos aos goles como uma forma de fuga. Da mesma forma, sempre que alguém tentava chama-nos a atenção, criticar-nos, impor suas vontades ou exigir de nós promessas outras que não aceitávamos, o resultado era a volta aos goles, a recíproca é verdadeira. Em sua forma inicial  a NONA  TRADIÇÃO dizia textualmente: “ O A.A. deverá ter um mínimo de organização possível”, mas com o decorrer do tempo e baseado em experiência, os nossos co-fundadores verificaram que o A.A. jamais deveria ter qualquer “organização” e expressaram esta NONA TRADIÇÃO  na forma em que se vê atualmente: “Como tal, o A.A. jamais deverá organizar-se . Podemos porém , criar juntas e comitês de serviços, que sejam responsáveis perante aqueles a quem servem”.  A ideia de uma “organização” levava a mentalizar uma instituição onde deveria haver chefes, mandões, autoridades e dirigentes, da mesma forma que deveria pautar a sua estrutura e o seu funcionamento em regulamentos, ordens e leis e logicamente, punições àqueles que não cumprissem com as “obrigações” a que estavam sujeitos, quando se comprometessem a fazer parte  daquela Sociedade ou  Organização. E A.A., sabemos todos, que não estamos  sujeitos a nenhuma “obrigação”, também nos achamos isentos de qualquer forma de imposição, mando ou punições. A NONA TRADIÇÃO é  um sustentáculo da “Terceira Tradição”, da mesma forma que uma complementação da “Segunda Tradição” – “ No A.A. somente existe  uma autoridade Suprema; um Deus bondoso que se manifesta na consciência coletiva; nossos líderes são apenas servidores do grupo – não têm poderes para governar.” “Qualquer indivíduo que se disser membro de A.A. ele assim o será. Da mesma forma que ninguém tem o direito de cobrar nada, da mesma forma impor nada; da mesma forma ninguém tem o direito de tirar de ninguém a vontade de ser membro do A.A., desde que assim o diga” – Bill W. (co-fundador).  Claro esta que diante disso o A.A. jamais teria um governo pessoal e humano, limitando-se unicamente a uma AUTORIDADE ESPIRITUAL, que é Deus, na forma que cada um o ENTENDA – O Poder Superior, como O chamamos em A.A. – “desta maneira” – disse o nosso Bill W. – “cada um de nós aprende que em A.A. que o máximo que se pode aspirar é SERVIR aos demais”. Mas...” A.A., nós temos dois ditadores e de ambos tiramos ensinamentos. Um é o álcool, que nunca está distante do alcance de nossas mãos; o outro é Deus, o Pai das Luzes, que paira sobre todas as coisas. O álcool nos diz: “ Ou fazes a vontade de Deus ou dou cabo de ti” Bill W. em “O A.a. atinge a sua Maioridade”. Nem mesmo aqueles chamamos de “escritório Central Mundial” (G.S.O.), poderá ser considerado uma forma de governo em A.A.. Bill W. sempre desejou e tem conseguido que todos os lugares onde houver grupos que tenham o seu “escritório central”. Aqui no Brasil temos o nosso “Escritório de Serviços Gerais” (a nossa G.S.O.),  que funciona juntamente com o (CLAAB), em S. Paulo. Quando consultados a respeito de quaisquer atitudes que deveriam tomar a respeito de assuntos de A.A., criaram frases feitas com respostas, tais como  “...Claro está que você é totalmente livre para manejar esse assunto, porém, a experiência da maioria em A.A. parece indicar que ...” – Isto não quer dizer  que não devamos respeitar nossos princípios e Tradições. Ao contrário, devemos, isto sim, obedecê-los por que é o melhor para nós individualmente, para nossos grupos e para o A.A. como um todo.  Mas infelizmente o que temos visto são  pessoas que para sua própria  conveniência procuram “desconhecer” maliciosamente ou por ignorância esses princípios, alegando a 4ª Tradição  como exemplo –“Todos os Grupos de A.A. devem ser autônomos”  e cm tal evitam respeitar as tradições, confundindo autonomia com “independência” dos princípios de A.A., e começam a “criar” o seu A.A. Esquecem-se do complemento da tradição “..salvo, quando atingem outros grupos ou o A.a. como um todo” A NONA TRADIÇÃO na sua sutileza diz que “ o A.A. não deve jamais organizar-se na verdadeira acepção da palavra”, mas não diz que nós devemos ser desorganizados, desonestos, descuidados, desleixados, ineficientes, bagunceiros e irresponsáveis... E além do mais, o fato de não termos “chefes” nem “mandões”, não quer dizer que não tenhamos ou  devamos ter “lideres”, sem os quais o A.A. jamais poderia funcionar eficientemente. Os “lideres” são tão importantes e necessários em A.A. que nosso “9º Conceito de Serviços Mundiais”, é dedicado todo ele aos lideres e sua importância para o bom funcionamento e futuro do A.A. “LIDERES”  sim “CHEFES’ , JAMAIS... – A pessoas que chefiam bem e lideram mal. A chefia vem de cima para baixo, é opressora. A liderança é horizontal, é amena. Os bons alcoólicos não gostam de serem chefiados. Daí uma certa angústia em todo o mundo e em todas  as atividades, pelo aparecimento de “lideres” que envolvem grupos, as Nações, as sociedades. Em um imenso espírito de bondade, compreensão e exemplos. Os truculentos, regimentais, prussianos precisam fazer uma revisão em seus métodos pessoais; o “líder” deve ser amado e respeitado pelo exemplo pessoal. Além das virtudes inatas para a liderança, um líder deve ter sensibilidade e talento, espírito de sacrifício e humildade, além de tolerância, flexibilidade e visão.- “ Deve ter cérebro e coração...” – tirado de alguma publicação não A.A. – A primeira parte desta “9ª Tradição” faz eco à” 2ª Tradição”, quando diz que não temos chefes , por isso mesmo “ o A.A. jamais deverá organizar-se com tal”. A segunda parte porém diz como devemos arrumar as coisas de tal maneira que possamos funcionar dentro dos princípios da Irmandade. E dizer-se que ainda  há grupos que possuem “chefes”, “donos” e “mandões, que têm seus próprios “estatutos” e regulamento em detrimento  das Tradições. Impõem e até exigem condições especiais para “ingressar” em A.A., transformando-se em verdadeiros fariseus de seus próprios irmãos... Que Deus clareie e abra suas mentes...