DP - Estranhezas

Que amor é esse?

Muito estranho! Sinto uma sensação esquisita, de amor no meu coração...uma calmaria...muito estranho!
Quando toca o telefone e escuto a voz de um companheiro ou companheira, tudo parece parar e, por mais urgente que seja a tarefa que eu esteja fazendo, esse papo é prazeroso. Parar e ouvir: estranho, muito estranho.
Que amor é esse?
De estar no meio de uma multidão na rua e meus olhos enxergarem um companheiro ou companheira e o coração bater forte, essa coisa estranha de querer ser vista e fazer questão de ver? Muito estranho.
Que amor é esse?
De chegar na sala de A.A. e de repente meus braços se abrirem, o sorriso vir aos meus lábios e tudo passar? Estranho...
Que amor será esse através do qual, mesmo estando na mais árdua discussão de diferenças nesse mundo aqui de fora, num relance lembro-me da voz e dos olhos carinhosos de meus companheiros, lembro-me dos tapinhas nas costas ou dos abraços seguidos de um "Isso vai passar", "Não se leve muito a sério" ou apenas "Obrigado, hoje eu estava precisando ouvir isso que você falou"? Muito estranho.
Que amor é esse?
De pessoas que estão atentas à minha vida, que choram com minhas tristezas, que sorriem e ficam contentes com o meu bem-estar? Muito estranho.
Talvez seja estranho para mim porque esse amor não dói, não machuca. Vocês não me pedem nada. Estenderam as suas mãos e pediram para eu contar a minha estranha loucura (que para vocês não era nada estranha). Como explicar esse estranho amor a essa estranha cabeça? Para mim, é o amor de DEUS. Somente Ele e vocês poderiam me amar e deixar que eu os amasse assim, com estranha e tamanha sinceridade. Tenho que agradecer a esse Deus por me colocar perante vocês e o programa de A.A.
E por isso eu sou responsável.
Sou uma alcoólica e somente pelo amor e graça de Deus e com a ajuda de todos vocês, hoje eu não bebi.

(Vivência - Março/Abril 2001)