DP - Eu precisava mudar muito

"Em A.A. encontrei minha paz de espírito, o sossego de minha esposa, mãe e filho."

       Durante vinte e sete anos ingeri meu primeiro gole. Tudo começou bem aos 13 anos, participando de festinhas, namoradas, conseguindo amizades que me incentivavam a usar o álcool para superar uma timidez que me acompanhava. Com o passar do tempo, o uso de bebidas alcoólicas era uma rotina diária. Mesmo assim ainda consegui uma esposa, porém, devido ao meu comportamento, seus familiares não me aceitaram bem. Sofreram 14 anos lutando para que eu me livrasse do alcoolismo, pois para eles, era meu único defeito.

       Perdi um irmão vítima do alcoolismo. Após dez meses de tratamento da doença recebi um convite para ir a uma reunião de A.A., exatamente no dia em que estava programando o início de novas farras.

       Não quis aceitar, mais fui convencido, graças ao Poder Superior que para mim é "Deus", a assistir uma reunião. Chegando no grupo me dei mal, pois não encontrei os amigos de outrora. Fui ouvindo alguns depoimentos e leituras. Senti haver encontrado um lugar que poderia reverter minha situação, porém tudo dependeria da minha vontade. Pedi meu ingresso e foi uma grande conquista.

       Hoje estou bem com meus familiares e atravessando bons momentos na vida.

       Não tenho dúvida; em A.A. encontrei minha paz de espírito, o sossego de minha esposa, filho e mãe, os quais passaram muitas noites sem dormir por minha causa.

       Quando comecei a ler os Doze Passos descobri que o programa de A.A. é muito profundo e que eu precisava mudar muito, pois só parar de beber não era o suficiente;
necessitava, assim como admiti minha impotência, humildade para reconhecer minhas falhas e rogar a Deus que me livrasse das minhas imperfeições. Olho para o céu e agradeço a "Deus" e aos companheiros de A.A., pois, através da dor, entrei para uma nova vida através da modificação de minhas atitudes e sem a ajuda que tenho recebido seria muito difícil.

       A todos os companheiros e companheiras de A.A. o meu muito obrigado e vinte e quatro horas de sobriedade.


Vivência n° 97 – Setembro/Outubro 2005