Artigos - Não existe Ex-Alcoólotra

"NÃO EXISTE EX-ALCOÓLATRA"

Presidente da Junta de Custódios de Alcoólicos Anônimos, Sandra Lucia de Oliveira, esteve em Camaçari, na sede do Grupo Renascer, na tarde desta segunda-feira (11/06/2012).

"Não existe ex-alcoólatra, mas sim um alcoólico sóbrio, o tratamento é constante", diz presidente nacional do A. A. 

Milane Magalhães/ Cn1 

Visitando a Bahia para a comemoração dos 77 anos de fundação dos Alcoólicos Anônimos no mundo, a psicóloga e Presidente Nacional de Alcoólicos Anônimos, Sandra Lucia de Oliveira, esteve em Camaçari, na sede do Grupo Renascer, na tarde desta segunda-feira (11), onde conversou com a imprensa sobre o programa de recuperação de Alcoólicos Anônimos que é utilizado com sucesso em 180 países. 

A presidente começou ressaltando a necessidade de reconhecer que o alcoolismo é uma doença incurável, progressiva e fatal, e o que o A. A. ajuda as pessoas que reconheceram que precisam de ajuda para serem tratadas. "O diagnóstico de uma pessoa que vai até o A. A. de forma obrigada, não é satisfatório, diferente daquela pessoa que já esteve no fundo do poço e busca ajuda espontaneamente, ajuda de forma gratuita, é dessas pessoas que o A. A. cuida, as pessoas que reconheceram a doença e querem o tratamento". 

"Quando uma pessoa que tem a doença do alcoolismo ingere uma dose, imediatamente esta bebida atinge a corrente sanguínea e instantaneamente isto provoca uma reação química no organismo da pessoa que desenvolve a partir dai o desejo de beber mais e mais. Um alcoólatra, por exemplo, vai a uma festa e bebe a vontade, no final da festa todos vão para casa, mas ele não, ele vai para um bar e pede mais bebida, quando o bar vai fechar ele ainda compra bebidas para levar para casa. Isso não é um comportamento normal. Essa pessoa tem a doença do alcoolismo." 

Ela informou que apesar de existirem sedes do A. A. em vários países, a dinâmica do grupo funciona igual em todos os lugares. "O A. A. é uma unidade, trabalhamos com três legados; o primeiro que é recuperação com os 12 passos, o segundo que é unidade onde trabalhamos as 12 tradições e o terceiro legado que é o serviço, onde são trabalhados os 12 conceitos e este legado é magnífico, é algo bom para vida, tanto para do alcoólico como para outra pessoa que não tenha a doença". 

Apesar do que parece, os Alcoólicos Anônimos que é uma entidade autossustentável, também é composta por pessoas que não tem a doença, os chamados amigos do A. A., e Sandra Lucia, fala da importância dessas pessoas para que o trabalho seja desenvolvido.

"Tem 30 anos que já faço esse trabalho no A. A. é muito importante que as pessoas também visitem e queiram ajudar, fazendo isso a pessoa além de ajudar um irmão a ser feliz, também se sentirá satisfeito", disse. 

A presidente ainda falou como os trabalhos dentro do grupo são desenvolvidos. "O A. A. é um local democrático, existem pessoas que chegam na primeira vez e admitem que tem a doença e que querem ser curadas, tem pessoas que demoram um pouco mais. Mas são através do depoimento, de algo em comum, que no caso é a doença, que eles continuam unidos, quando você está bem e ajuda um irmão, você estará mais feliz e isso vai te ajudar também no seu tratamento. No A. A. não existe ex-alcoólatra, mas sim um alcoólico sóbrio, o tratamento é constante". 

"A pessoa não é obrigada a parar de beber para participar de A.A. ela precisa apenas ter o desejo de parar. Se você quer continuar bebendo o problema é seu, mas se você quer parar de beber o problema é nosso". O único requisito para participar de A. A. é o desejo de parar de beber. 

Sobre o sucesso da irmandade de Alcoólicos Anônimos, ela destaca que o programa talvez seja o que tem mais sucesso atualmente na sociedade civil, pois ele, de forma democrática, consegue chegar em diversos países. "Quando a pessoa começa a se tratar no A. A. ela deixa de lado sua religião, classe social, gênero, tudo, lá todos somos irmãos e vivemos uma única irmandade". 

Sandra ainda contou a importância da família no processo de tratamento de um alcoólatra. "A família é essencial, nós estimamos que perto de um alcoólatra existam pelo menos 10 co-dependentes que sofrem e também precisam participar de reuniões para ajudar no tratamento." 

Por ser um espaço democrático, onde uma pessoa ajuda a outra, para participar das reuniões do A. A. basta ir até uma sede da irmandade no município, ou então "se você conhece alguém, ou até mesmo você que já admitiu estar doente, pode ligar para sede do A. A. do seu município que um dos nossos membros fará uma abordagem e você não precisa se identificar. Se for alguém que te conheça e pediu para que um de nós fosse até você, nós só iremos responder uma coisa: foi alguém que te ama muito que nos trouxe até aqui".