DP - Gratidão é trazer mais um

Segue uma história de múltipla dependência, enfrentada com sucesso, um dia de cada vez, com os Doze Passos de A.A. e o serviço na Irmandade.

Sou um alcoólico e adicto em fase de recuperação. Meu início no mundo do alcoolismo foi aos 14 anos de idade, quando estava na 8ª série do Ensino Fundamental. Depois que comecei a beber, fiquei de recuperação e quase fui reprovado nos três anos seguintes, já no Ensino Médio.

Para mim, o álcool foi porta de entrada para outras drogas, passei pela maioria dos entorpecentes então existentes na cidade de Olinda.

Provoquei muitas frustrações para minha mãe: fui preso em várias delegacias, ela assistiu a uma péssima cena, me viu algemado, e apanhei muito da polícia. Até tive a chance de arrumar meu primeiro emprego e consegui comprar uma moto, mas com as dependências químicas, posteriormente sofri vários acidentes automobilísticos.

Tive uma companheira, fomos morar juntos e construí uma casa, entretanto o alcoolismo fez com que minha companheira fosse embora. Fiquei sozinho naquela casa que fiz com tanto carinho para morar com minha família. Depois de alguns dias fui à sua procura para tentar reatar o relacionamento, entretanto tive de ir morar na casa de minha sogra — meu alcoolismo estava destruindo minha vida familiar. 

Tive o oitavo acidente de moto por estar embriagado. Nesse momento, acredito que um Poder Superior, como O entendo, orientou a mente de minha esposa, que me sugeriu A.A.

Os grupos que possuem geralmente uma placa com seu nome, horários de reunião e o símbolo de Alcoólicos Anônimos. Graças a uma destas placas, cheguei. Fui até a escola onde tinha uma reunião. Fui sozinho e disseram que eu era a pessoa mais importante naquela sala. Escutei os companheiros falando do que o alcoolismo é capaz. Foram lidas as Doze Perguntas e então eu disse sim, para ser honesto comigo mesmo.

Aos dez meses de programação, fui servir como coordenador de reunião, para dar de graça o que recebi de graça. Isto fez aumentar meu entusiasmo pela Irmandade.

Entretanto, tive problemas com outras drogas, que continuava usando. Felizmente, no andamento do um dia de cada vez tive outro despertar espiritual. Como diziam os companheiros, o serviço não garante, mas ajuda bastante na recuperação.

Utilizei as literaturas de A.A., principalmente o Vivendo Sóbrio e, graças ao plano das 24hs e ao Poder Superior, deixei de fumar uma substância que me prendeu a uma escravidão de 20 anos de minha vida. Agora estou curtindo como é bom estar sóbrio, agora esta palavra faz parte do meu dicionário.

Sou abnegado em relação ao Grupo onde renasci, Grupo Alto do Maracanã, onde sirvo como suplente de RSG e continuo coordenando reuniões. A literatura é a mensagem escrita mais pura deixada pelos cofundadores, gosto muito de ler. 

Quando compartilho sobre as situações que vivi no mundo do alcoolismo ativo, fico bastante emocionando, assim também com os depoimentos de companheiros nesta Revista, que às vezes são idênticos ao meu. Ser assinante da Vivência foi a melhor coisa que fiz para ajudar na minha recuperação e pretendo fazer a renovação todos os anos. 

Vou às reuniões frequentemente e gosto de todas: temática, recuperação e festiva. Minha vida hoje é uma maravilha, estou bem com minha mãe, esposa e filho. Tento praticar os princípios de A.A. no meu lar, no trabalho e outros lugares. 

Sou muito grato ao Poder Superior, aos companheiros que organizaram a casa para eu chegar e vêm me ajudando, e a esta belíssima revista que significa uma reunião em casa. Alcoólicos Anônimos é amor e serviço, preciso estar em serviço, pois me ajudou bastante no começo da minha caminhada. Tenho 35 anos de idade, vou fazer 36 em novembro de 2013 e tenho um ano e meio de A.A. 

Sou entusiasmado com a Irmandade pelas dádivas que tenho recebido e os veteranos falam que gratidão é trazer mais um. Comecei a levar a mensagem a um amigo que viu minha transformação; ele continuava bebendo e se drogando. Certo dia ele estava chorando porque tinha vendido a bicicleta e o relógio para comprar drogas e bebidas, e veio me pedir ajuda. Foi a hora exata de falar que tem um lugar para quem parar de beber e usar drogas. Levei este amigo e ele quis ser membro. Fiquei bastante emocionado e ele também, nós nos abraçamos e fui escolhido para ser seu padrinho. Agora ele está caminhado comigo nos Grupos, compartilhando essas experiências em que o remédio entra pelo o ouvido e a doença sai pela boca. Agradeço ao poder superior e todos os companheiros que vem me ajudando,a minha família,sobriedade eterna à todos.

Revista Vivência nº 147