DP - Há uma solução

A certeza de que fomos salvos de uma grande catástrofe transforma-se no elo poderoso em busca de uma solução comum.

Na nossa caminhada alcoólica conhecemos milhares de homens e mulheres que já se viram em condições desesperadoras, tanto quanto nós.

Entretanto, quase todos encontraram a solução para o seu problema alcoólico, tudo isso em razão da prevalência, entre nós, do espírito de Irmandade, amizade e compreensão verdadeiramente maravilhosas. Somos um grupo de náufragos socorridos. A certeza de que fomos salvos de uma grande catástrofe transforma-se no elo poderoso em busca de uma solução comum. Acreditamos numa única saída e, em virtude dela nos solidarizamos fraternalmente. Essa é a grande mensagem para todos que sofrem do alcoolismo.

Os psiquiatras competentes logo percebem que, às vezes, é impossível persuadir um alcoólico a discutir o assunto sem reservas. Essa particularidade torna-se mais difícil, ainda, entre o alcoólico e a esposa, parentes e amigos mais íntimos.

Porém, o ex-bebedor problema que encontrou essa solução, geralmente ganha a confiança de outro alcoólico em poucas horas. Se continuarmos no caminho que estamos, sem dúvidas obteremos bons resultados. 

Quantas vezes ouvimos pessoas afirmarem: “Bebo quando quero, e paro quando quero! Por que fulano não faz o mesmo? Se você não sabe beber como um cavalheiro, por que não para de beber? Fulano poderia parar se quisesse! Sua esposa é tão boa! Ainda que seja por ela, por que fulano não para de beber”! Essas são observações que ouvimos a toda hora. Entretanto, temos aquele tipo de bebedor forte, cuja habitualidade o leva à loucura ou à morte prematura. 

 Como é fácil observar o verdadeiro alcoólico, a princípio talvez beba com moderação! (Ainda não é alcoólico) logo, queira ou não queira, passa a ser um bebedor forte e contínuo. Posteriormente, em uma ou outra etapa de sua carreira de bebedor, começa a perder todo o domínio sobre a quantidade de álcool que ingere desde que tome o “primeiro gole”. Aqui, ele perde o controle total. Faz coisas absurdas quando bebe! Mesmo sendo a melhor pessoa do mundo, basta beber para se transformar até num perigoso ser antissocial (em linhas gerais, este é o alcoólico).

Por que se comporta assim? Se centenas de experiências lhe demonstram que um só gole significa uma catástrofe de sofrimentos e humilhações, por que se obstina a tomar esse gole? A verdade é que, em sua santa ingenuidade diante do copo, o alcoólico pensa: “Vou tomar somente duas! Desta vez não me embriagarei e vou prová-lo”. 

 Quantas vezes começávamos a beber com essa teoria infantil e, logo após tomarmos a terceira ou quarta dose, substituíamos esse pensamento por: “desistirei na sexta dose”! 

Chegando, então, na sexta dose vinha o grito de liberdade: “De que vale parar agora”?  Quando semelhantes pensamentos penetram na mente de um indivíduo com tendências alcoólicas, provavelmente, ele já se colocou fora do alcance da ajuda humana e, a menos que o tranquem em um lugar de onde não possa mais sair, pode morrer ou tornar-se permanentemente louco. Essas amargas e cruéis verdades foram confirmadas por legiões de alcoólicos, por meio da história. Daí por que vimos diante dos companheiros, e amigos alcoólicos que ainda estão por chegar, para lhes confirmar as experiências espirituais profundas e verídicas, as quais revolucionaram nossa atitude ante a vida, ante os nossos semelhantes e ante o Universo de Deus.

Hoje, o fator primordial de nossa existência é a absoluta certeza de que o nosso criador penetrou em nossos corações de uma maneira verdadeiramente miraculosa, servindo-nos de dons que nunca poderíamos ter alcançado por nós mesmos. 

Quem conheceu os primórdios de A.A., sabe dos momentos espirituais vividos pelo psiquiatra Dr. Jung, e o não menos famoso industrial norte-americano Roland, este, reconhecidamente alcoólico que, após dois anos de tratamento acreditou haver adquirido conhecimento tão profundo de suas intrincadas circunvoluções cerebrais, que jamais acreditava numa nova recaída, que logo aconteceu. Diante da situação, Roland implorou ao médico que lhe colocasse toda a verdade e a obteve. 

Na opinião do médico não havia nenhuma esperança para Roland, não poderia jamais voltar a ocupar sua posição na sociedade e teria que se submeter à internação fechada ou então ser acompanhado de forma permanente se quisesse viver mais tempo. Aqui o médico acrescentava: – Roland, você tem a mente de um alcoólico crônico. Até hoje, não vi nenhuma recuperação em casos onde o estado da mente tenha chegado ao ponto onde se acha a sua. Roland perguntou: – Mas, não há nenhuma exceção? – Há sim, respondeu o médico! Em casos como o seu, as exceções ocorrem aqui e acolá quando alcoólicos passam por experiências espirituais vitais.

Com essas palavras do médico, Roland despertou espiritualmente, não mais precisando ser confinado e nem acompanhado; agora sóbrio, estava livre para ir a qualquer parte do mundo sozinho. De nossa parte, buscamos o mesmo caminho com todo o desespero de homens naufragados. Encontramos uma nova vida, que realmente funciona. Daí por que nossas experiências pessoais são a esperança de muitos homens e mulheres alcoólicos desesperados, que conheçam os nossos princípios, bem como a  história da Irmandade, pois somente contando abertamente nossos problemas passados, conseguiremos que essas pessoas afirmem: sim, eu também sou uma delas e preciso alcançar o que elas alcançaram. 

Elas foram como eu sou, e eu vou ser como elas são!